Trust Me

8 Reencontros


Ele parecia bem, mas ao mesmo tempo cansado. Devia ser por causa de ter que fugir toda hora da polícia e caçar por aí. Ainda saía diversas notícias de assassinatos ao decorrer dos meses, mas sempre acreditei que em quanto eu estivesse com relicário e ter prometido ajudá-lo, ele estaria bem.

– Toyo, finalmente. — cheguei mais perto.

– Você. Está bem? — ele falou cabisbaixo.

– Estou e você? Parece cansado.

– E estou.

– O que tem feito?

– Além de ter que se esconder da polícia? Tenho caçado como tem visto na televisão.

– Sim, sei.

– Que bom.

– Senti sua falta Toyo.

– Também senti a sua Emi, mas não poderia voltar antes de ter certeza de uma coisa.

– Que coisa?

– Saber que a maldição não afetaria você.

– Afetar a mim? — comecei a tremer.

– Sim. Achava que eu poderia te por em risco.

– Defina risco.

– Eu perder a sanidade e atacar você.

– Me atacar? — abri a boca, chocada.

– Sim, não sabia se me seguraria.

– Eu confiei em você.

– Eu também confiei. Confio ainda.

– Eu também.

– Você quer saber onde eu tenho passado?

– Devo?

– Deve. Suba aí.

– Aí? — rapidamente ele se transformou em lobo negro e se abaixou para que eu montasse em suas costas macias e fofas.

Subi nas costas dele e me sentia montando em um cavalo indomável, seria uma aventura entanto e eu estava me corroendo de tanta ansiedade que meu corpo se encontrava. Toyo e eu corríamos para chegar logo no local "proibido" em que passou todos esses meses. Me assustava cada segundo pelos lugares que passávamos, mas ao mesmo tempo me sentia segura por estar ao seu lado.

Chegamos em um local parecido com um trailer abandonado no meio do mata, depois do final da praia. Estava cheio de galhos por cima e dos lados, nunca seria fácil de se achar, mesmo que tivessem helicópteros ou aeronaves que sobrevoassem lá dentro.

Ele parou em frente ao trailer e abaixou, entendi que deveria descer e desci. Transformou-se em homem de novo, mas com um pequeno problema, estava sem roupas. Virei de costas rapidamente e corei, ele entrou no trailer tão rápido quanto virei e colocou roupas novas. Voltou ao lado de fora, me convidou a entrar e me puxou pelo braço até lá dentro.

– Então é aqui que se esconde? — perguntei curiosa.

– Sim.

– Que bom.

– Deve ser.

O trailer do lado de dentro parecia mais largo do que o de fora. Ele tinha apenas uma cozinha com fogão e uma pequena pia com algumas louças, um banheiro no final do corredor e uma cama que virava sofá quando empurrada para dentro da parede. Achei aquilo super manero e pedi para ir ao banheiro, ele me levou até e enquanto estava lá fiquei imaginando o que ele poderia fazer.

Voltei para a sala (quarto) e dei de cara com Toyo esparramado no sofá cama com a blusa aberta e de shorts, uma visão um tanto quanto perfeita, para no caso eu. Sorrimos uma para o outro e ele me chamou para sentar ao lado dele. Fui meio envergonhada e devagar, quando cheguei ele me puxou e me fez deitar.

– Saudades Emi. — ele me olhou fundo.

– Também senti, mas do que imagina. — retruquei.

– Desculpa.

– Tudo bem.

– Posso te fazer um pedido?

– Se estiver ao meu alcance.

– Dorme comigo esta noite?

– É, não sei.

– Por favor.

– Tá, tudo bem. Só vou ligar pra minha mãe e falar que passarei com amigos.

– Ok, vou fazer algo para comermos.

Ele se levantou e foi para cozinha preparar algumas coisas para comermos, enquanto falava no telefone com minha mãe. Ela ficou despreocupada por achar que eu estava com alguns amigos, mas mal sabia que na verdade passava com Toyo aquele noite. Desliguei o telefone, me sentei na cama e tirei o casaco. Esperei ele terminar o jantar mas não fui até a cozinha espiar, queria que ele me chamasse ou fosse até lá me buscar.

– Emi venha até aqui.

– Estou indo.

Tirei os sapatos e fiquei só de meia andando pelo pequeno trailer. Chegando perto dele, percebi que fez pouca comida, apenas um tofu com sushis e saquê. Abri um armário que ele me instruiu a pegar dois pratos e dois copos, os peguei e pus na bancada da pia. Nos servimos, comemos e bebemos. Depois disso tudo, ele trocou de roupa rapidamente e colocou um pijama de bolinhas azuis claras e branco.

Fiquei de calça jeans mesmo e minha blusa de manga, mas ele me ofereceu um short para que ficasse mais a vontade. Aceitei e vesti. Ele apagou as luzes e me pegou no colo para deitarmos. Ficamos ali até pegar no sono e não fizemos nada durante a noite exceto ficar abraçados.

Dormi como um bebê e não a hora passar, só levantei na madrugada para beber água e ir ao banheiro, mas levei um grande susto que me fez desmaiar e bater com a cabeça da quina da cama. Antes disso acontecer só tive tempo de dizer:

– Toyo nãããão. — desmaiei e apaguei.