Trust Me
20 Sonhos - part 2
Me virei rapidamente mas não vi ninguém. Fiquei com calafrios e senti a presença de alguém ali junto comigo, mas nada apareceu ou pareceu mudar. Eu por alguns minutos fiquei de olho aberto olhando para o armário em minha frente e depois para a penteadeira, até pegar no sono de novo. Dessa vez sonhei com Toyo.
No começo, éramos completos estranhos que nunca haviam se visto antes e ficamos nos encarando pela rua tanto eu como ele. Sorrimos um para o outro e quando passei por perto dele me disse oi. Respondi feliz e segui meu caminho até em casa.
Os dias no meu sonhos iam passando como flashbacks e bem rápidos. Via o começo da nossa amizade, saídas na praia e entradas no mar, quando ele me pegou no colo e pulou comigo nele, nosso primeiro beijo e nossa primeira vez juntos no meu quarto. Eram momentos felizes e que me faziam bem de qualquer jeito que fosse.
– Eu amo você senhorita Emi. — ele disse comigo em seus braços no mar.
– Eu também amo você seu maluco. — nos beijamos.
Nós estávamos sentados no banco da praça conversando quando ele cismou de me pegar no colo. Eu não hesitei mas não sabia o que ele ia fazer, só percebi quando ele começou a correr em direção ao mar. Não deu outra e nos molhamos por inteiro, não havia um só lugar que não estivesse molhado. Ele me abraçou e me beijou muito, eu parecia estar muito feliz com ele.
Nos dias que passavam, um me deixou angustiada e comecei a focar nele. Era o dia que entrei na frente dele para salvar sua vida dos policiais e pessoas que queriam matá-lo. Não me via tão corajosa no sonho, era como se não fosse eu lá. Aparecia com ele, mas não defendendo tanto meu pensamento, discutindo com o povo e contrariando os policiais, apenas estava parada com Toyo atrás de mim esperando que algo acontecesse. Um estado de choque talvez.
Ficamos ali não mais que meia hora, até que um dos policiais começou a se aproximar da gente com cautela e calma. Ele chegou bem próximo a mim quando Toyo percebeu e me deu um empurrão para voltar a realidade. Olhei para frente e para trás e começamos a ir para trás. O policial percebeu e voltou para onde estava.
– Senhorita, se sair da frente prometemos não matá-lo. — um gritou.
– Como vou saber? — gritei. Não reponderam. — Viu? Não podem me prometer algo que não irão cumprir. — chorei.
– Senhorita por favor.
– Não. — chorava muito.
Antes de olhar para trás para ver como Toyo estava, fiquei estática olhando para frente e todos continuavam me olhando com cara de desaprovo e de que queriam me matar, mas ele continuava no mesmo lugar atrás de mim olhando para frente. Acariciei sua cabeça e me virei de costas para o povo e de frente para ele. Agachei até sua cabeça e encontrei a minha na dele.
– Eu não vou te abandonar meu amor. Eu te amo. Confie em mim. — beijei sua testa peluda e macia, mas não previ o que iria acontecer.
Um policial veio correndo em minha direção e conseguiu me pegar pelas costas. Me debati muito e tentava me soltar de qualquer jeito, mas tudo foi em vão porque não consegui me livrar dele. Ordenei que Toyo fugisse para a mata e ele me obedeceu. Correu o mais rápido que pôde e conseguiu sair da rota e trajetória dos policiais. Olhei pra céu e agradeci, só então o policial me soltou.
– Desculpe, mas temos que fazer isso. — ele me disse.
– Façam e eu caçarei vocês. — peguei na blusa dele e depois soltei.
– Senhorita, não pode fazer isso. Poderia ir presa.
– Tanto faz. — comecei a andar desnorteada para minha casa, mas caí antes de chegar.
Cai desmaiada e minha mãe veio em minha direção para tentar me socorrer. A tentativa dela em me reanimar foi um fracasso até que chegassem os paramédicos, aí sim conseguiram me trazer de volta a vida. Tossia violentamente e me sacudia para frente e para trás, até que mantivesse a calma e voltasse a mim. Minha mãe me abraçava e chorava muito. Devolvi os abraços, mas não chorei mais.
– Você está bem minha filha? Quer ir ao médico?
– Não mãe, está tudo bem só quero me deitar.
– Vamos então filha. — ela me ajudou a levantar e me levou pra dentro de casa, enquanto os policiais dispersavam o pessoal.
Entramos em casa e nos deparamos com Toyo em nossa sala. Ambas tomamos um susto, mas só eu me perdi em meus pensamentos e raciocínios. Sabia que aquele lobo era ele, mas não entendi como ele teria voltado. Então o dia foi cortado para outro ainda mais estranho.
Eu e Toyo estávamos em casa quando a campainha tocou e fomos os dois no andar de baixo atender. Nossa cara de apaixonados era evidente e não queríamos nos desgrudar, mas quando abri a porta não estávamos preparados para o que viria logo depois.
Vários policiais entraram em casa com um mandado de busca e apreensão, e algemaram e levaram-no da minha casa. Foi uma gritaria e uma discussão só. Eu gritava para não levaram ele de mim enquanto tentava abri as algemas e livrá-lo dali. Cheguei a pegar uma arma de um dos policiais e ameaçar atirar. Eles me olharam com surpresa e tentaram me manter a calma, mas sem querer a arma disparou e atingiu um dos policiais.
Eles com medo de que algo mais acontecesse decidiram me levar também, mas no caminho Toyo conseguiu abrir o porta-malas e pulamos do carro. Caí e machuquei o tornozelo mas ele me pegou no colo e saímos correndo pelo meio dos carros e pessoas em uma das ruas. Os policiais logo perceberam e fomam atrás da gente. Eles receberam um comunicado de que estavam autorizados a atirar caso algo acontecesse de grave ou risco.
Enquanto corríamos pelas ruas os policias vinham atrás de gente. Eu me sentia uma criminosa fugitiva, mas se quiséssemos me viver ou pelo menos nos salvar tínhamos que fazer aquilo. Fomos até a praia onde nos deparamos com vários policiais de todos os lado. Me senti encurralada e como se tivesse acabado tudo pra nós. Os policiais nos consideravam pessoas perigosas e que a qualquer momento poderiam atirar.
Toyo e eu nos rendemos, e fomos andando lentamente até um deles, só que precipitadamente falei para ele correr e irmos até a mata. Só que pensei que minha ideia daria certo e que iríamos sair bem. Pena que não foi.
Toyo comigo no colo começou a correr e os policiais começaram a atirar, mas nenhuma bata nos atingiu. Corremos até o início da mata, mas uma policial mulher entrou em nossa frente e não nos deixou passar. Então Toyo passou por cima dela e ela não pensou duas vezes. Ela atirou.
Ele caiu comigo no colo e eu caí por cima do tornozelo já torcido. Gritei de dor, mas não tinha percebido o que tinha acontecido com Toyo. Olhei para trás e não vi mais os policiais, estávamos já dentro da mata e um pouco bem distante de onde escutamos os tiros e a gritaria. Olhei pro lado para conferir se Toyo estava bem e comecei a chorar.
Toyo tinha levado um tiro onde menos ele poderia se salvar, no peito. A bala da policial não era de prata para que o matasse mais rápido, mas ele começou a ter convulsões e a implorar para que eu ficasse bem mesmo que ele não sobrevivesse.
– Toyo não por favor, não me deixa sozinha. — comecei a chorar.
– Emi, volta pra praia lá eles vão te achar. — ele sangrava muito e tentava estancar o sangue com a mão.
– Toyo, vai ficar tudo bem. Confie em mim, não vou deixar nada te acontecer eu prometo. — tentava estancar o sangue junto com ele, enquanto eu o abraçava.
– Emi, vai. Agora. — soltei-o e olhei pra ele.
– Não. Não vou, ficarei aqui.
– Emi, vai.
– Não Toyo.
– Vai, agora.
– Toyo não.
– Emi, agora. — Ele me empurrou, me fez cair e ficou por cima de mim.
Os policiais tinham nos achado e atirado mais vezes em Toyo, apenas fiquei estática e chorando muito. Eles me viram embaixo dele e abraçada nele que já estava quase morto em cima de mim. Chorava cada vez mais e tentava de todas as formas manté-lo acordado mas não consegui.
Um policial me pegou no colo enquanto outro tirava Toyo de cima de mim. Gritava e tentava ficar com ele mas não consegui. Vi ele jogado quase morto no chão enquanto eu era levada dali para um hospital. Chutei o policial várias vezes e ele acabou me soltando. Cai com tudo no chão e ele se contorceu de dor. Fui rastejando devagar até onde Toyo estava e me deitei sobre ele.
Então dois policiais me tiraram dali à força, me pegaram pelo braço e me puxavam para trás. Eu só pude dar um último beijo em Toyo e dizer que o amava muito antes que eles me tirasse de vez dali. Sofri muito com a dor do tornozelo e um dos policiais me pegou no colo. Ouvi mais tiros.
– Nãããããããããããããããããããããão. — gritei.
– Está acabado. — um policial falou pro outro.
– Nãããããããããããããããããããããão. — gritei de novo. — Não, por favor. Não pode ser.
– Senhorita se acalme era só um assassino frio e calculista, não vale nada. Já era hora deste traste morrer. — olhei pra ele e chorei ainda mais.
Foi aí então que acordei nervosa, chorando e gritando muito.
– Calma filha. O que aconteceu? — minha mãe veio até mim.
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