Trust Me
19 Sonhos - part 1
– Toyo. Que susto você me deu ! — sai da frente dele e cobri o roxo com a mão.
– Susto? Sim, desculpe mas o que é isso na sua cara? — ele me seguiu.
– Nada.
– Como nada?
– Nada. — gritei.
– Você foi falar com Kanji não foi? — não respondi. — Não foi? — ele aumentou o tom.
– Sim eu fui, e daí? — descobri o roxo.
– Você ficou louca Emi? Sabe o perigo que correu?
– Sim eu sei, mas não sou nenhuma criança de dez anos. — corri para meu quarto e tranquei a porta.
– Emi, por favor abra a porta. — ele foi atrás de mim.
– Não, vai embora.
– Emi abra.
– Vai embora Toyo, me deixe sozinha.
– EMI AGORA!
– Vai embora Toyo. — comecei a chorar.
– Se não abrir vou arrombar essa porta.
– Arrombe. Não quero saber.
– Emi, coopere.
– Toyo, já disse. Vai embora, não quero te ver.
– Se você quer assim o farei mas não pense que irei voltar atrás.
Toyo tinha ido embora enquanto eu chorava em meu quarto tanto de dor quanto de arrependimento. Meus joelhos estavam dobrados junto com a barriga e eu estava abraçadas a eles chorando muito. Era uma dor tanto interna por falta de Nara e de não poder impedir que aquilo acontecesse quanto externa que estampava minha pele branca e agora roxa. Me olhei na penteadeira quando virei o espelho e quase o quebrei quando virei de volta de tanto ódio, raiva e dor que sentia.
Fui até a janela e vi que Toyo já tinha desaparecido. Não me importei e continuei trancada no quarto. Observei minha mãe chegar com o carro e fingi que estava dormindo então quando ela veio me ver, apenas me deu um beijo na cabeça, me disse boa noite e foi tomar banho para se deitar.
Sou uma idiota mesmo. Como pude deixar que Kanji fizesse aquilo comigo e que dissesse aquelas coisas. Me destruiu por completo dentro de mim e eu teria de pagar esse preço por ser tão ansiosa e precipitada. Eu precisava me desculpar com Toyo, mas não posso porque eu tinha feito o que Nara faria por mim.
Pensava assim durante a noite toda até pegar no sono e dormir profundamente. Sonhei com Nara aquela noite, com Toyo, com Kanji. Foi um sonho muito estranho e perturbador.
Primeiro sonhei com Nara. A vi chegando em casa tarde da noite com Kanji bêbado e desnorteado. Eles foram para casa dele e de lá vi que ela pretendia voltar para a dela, mas ele não deixou. Prendeu-a na parede e a ameaçou com uma faca perto do seu pescoço então obrigou-a a ficar, não tendo escolha acabou ficando mas queria de qualquer jeito fugir dali. Esperou que ele fosse até o banheiro para sair correndo de lá e conseguir escapar das garras daquele cafajeste.
– Nara? — chamou Kanji e logo depois houve um espaço de tempo. — Nara?
– Sim Kanji. — ela foi até ele de cabeça baixa e encolhida.
– Vai me amar pra sempre não? — ele falava bêbado ao extremo.
– Kanji você sabe que a gente terminou, mas gosto de você como amigo.
– Que amigo o que? Você é minha e sempre vai ser. — ele a agarrou e a prensou na parede mais próxima.
– Kanji para. — ela falava assustada.
– Parar o que Nara? O que íamos terminar na festa?
– Kanji para. Por favor. — ela começou a chorar de desespero.
– Vem cá sua malcriada.
Kanji a pegou pelo braço e levou-a até o quarto dele no andar de cima de sua casa, como ele era maior de idade já morava sozinho e se sustentava por si só. Vi que ele literalmente a arrastava pela escada e pelo chão. Ela tentava se segurar em alguma parte do corrimão mas tudo ia em vão porque era mais fraca. Nara chorava muito e queria fugir e escapar mais não conseguiu.
Quando ele chegou no andar de cima com ela, jogou-a na cama e ficou em cima dela para que não pudesse sair ou escapar. Freneticamente ela se debatia e tentava empurrá-lo para o outro lado ou tentar tirá-lo de cima dela, mas quando ele deu um tapa na sua cara ela ficou tonta e parou de se debater. Foi então que ele começou a estuprá-la.
Nara pedia que ele parasse e que deixasse a ir mas tudo que dissesse Kanji ignorava e só continuava o ato com ela. Nem seu choro de desespero, chutes, arranhões ou qualquer coisa que ela fizesse o faziam parar. Era como se ele tivesse gostando daquilo e estivesse se divertindo com a agonia dela. Sorte que ela não era mais virgem porque se não a dor dela seria um tanto maior e o trauma seria pior. Até que ela começou a gritar por socorro e alguns vizinhos escutaram e chamaram a polícia.
A polícia levou alguns minutos para chegar e tirar Kanji bêbado de cima de Nara e conseguirem resgatá-la. Ela chorava descontrolavelmente e estava fora de si, mas foi um deslize deles que Kanji escapou das mãos dos policiais e foi pra cima dela de novo. Foi para o canto do quarto a prendeu com um dos braços enquanto o outro segurava a mesma faca que usava no andar de baixo para ameaçá-la. Todos ficaram com medo de uma tragédia acontecer e tentaram manter a calma.
Com cautela e jeito os policiais foram colocando calma no lugar e conseguiram fazer com que Nara respirasse e mantivesse parada e sem fazer nada. Kanji estava fora de si e a todo momento ameaçava matar Nara.
– Se alguém se mexer eu mato ela. — Kanji entregou.
– Senhor por favor se acalme, não queremos lhe fazer mal. — um policial devolveu.
– Amor? — Nara engoliu a seco o que falou mas continuou. — Não faz isso. Lembra da pergunta que me fez lá embaixo.
– Amor? Agora você me chama de amor? Qual é a sua?
– Escuta. — ele prestou a atenção. — Eu irei amar você pra sempre, basta me soltar. Os policiais vão embora e ficará tudo bem.
– Tem certeza? — ele desconfiou.
– Por que eu mentiria? — ela mandou um sinal com as mãos para os policiais que eles logo entenderam.
– Então tudo bem. — ele a beijou com vontade enquanto ela nem tanto.
Kanji abraçou Nara, mas colocou a faca no bolso de trás de sua calça sem que ninguém percebesse. Ela em um impulso mal pensado quis se soltar e fugir, porém ele percebeu e puxou-a de volta para seu canto, onde eles estavam.
– Pensou o que garota? Que eu fosse trouxa?
– Kanji por favor não me mate, eu te peço.
– Solte a garota. — os policias estavam armados e apontaram para os dois.
– Nunca. — gritou ele.
– Por favor me ajudem. — Nara chorava.
– Querem ela?
– Sim, solte-a agora.
– Vou dá-la a você. — ela se controlou e desconfiou.
Kanji tornou a pegar a faca de trás de seu bolso e fingiu soltar Nara mas no que ela tentou escapar ele a puxou de volta e a faca enfiou profundamente em seu peito. Ela olhou pra faca e depois para ele que não pareceu surpreso com aquilo até os policiais intervirem e correrem em direção a eles. Pegaram-no e levaram-no dali enquanto tentavam socorrer-lá. Ele saía rindo da situação e prometia se vingar dela.
– Senhorita você tem que se acalmar e reagir. — um paramédico que tinha acabado de chegar falou pra ela.
– Co...mo? — ela se enrolava pra falar.
– Se acalme por favor. — ela foi fechando lentamente os olhos.
– N..ã..o.
– Senhorita? Senhorita? Por favor acorde.
Os paramédicos tentavam a reanimar enquanto tiravam ela dali e levavam-a até o hospital mais próximo. Os pais dela a essa altura já sabiam disso tudo e foram correndo até lá. Os médicos que assumiram o caso já quando a pegaram souberam que seria difícil reverter o caso por causa da facada ser tão profunda.
– Sinto muito senhores mais não conseguimos reverter. O caso dela era de muita perda de sangue e a faca atingiu o coração, atravessou-o e quase o cortou no meio.
Foi então em que acordei assustada com o toque de alguém em meu braço.
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