Trust Me
13 Riscos - part 1
Menti enquanto fechava a porta pensando em algo rapidamente para que Toyo não saísse preso nem algemado de minha casa e que as pessoas não soubessem que eu estava com alguém que oferecesse risco a sociedade. Pensei rápido e subi as escadas correndo chamando ele.
– Toyo, você precisa ir embora. — falei ofegante.
– Quem é? — ele se preocupou.
– Os policias. Eles querem vasculhar a casa.
– Mas como vou embora?
– Não sei, mas tem que ser rápido.
– Já sei Emi.
– O que?
– Vou me transformar em lobo.
– Ah sim, eles vão dizer que crio um animal selvagem.
– Vou pular a janela.
– Ok. Cuidado. — ele me beijou e foi.
Vi quando ele pulara a janela enquanto eu o via fazer aquele pulo tão grande do primeiro andar. Me recuperei e fui acordar minha mãe para falar o que estava acontecendo. Ela demorou a levantar mas levantou. Pedi que não falasse nada de Toyo, mas explicaria com calma depois. Ela topou, se trocou e desceu comigo.
– Pois não? — disse minha mãe ao abrir a porta.
– Boa noite senhora, recebemos uma ligação anônima dizendo que este rapaz está aqui. — o policial mostrou a mesma foto de antes.
– Não, devem ter se enganado.
– Podemos verificar?
– Com licença, mas só com mandado de busca e apreensão.
– Senhora, temos que verificar. Esse rapaz apresenta risco a sociedade.
– Mas em minha casa não entra em mandado. Se insistirem vou a delegacia.
– Não precisa senhora, mas precisamos verificar. Você sabe o que ele fez? — ele questionou minha mãe.
– Não senhor. — ela respondeu firme.
– Ele matou várias pessoas. Os homicídios que aparecem na televisão são dele.
– Como? — ela ficou incrédula e se virou pra mim.
– Não são dele. — interrompi e lágrimas correram pelo meu rosto.
– E você pode provar mocinha?
– Não, mas também não podem acusá-lo assim.
– Senhorita, por favor. Ele matou diversas pessoas. — o policial forçou a voz.
– Não foi ele. Diversas vezes ele estava...
– Estava o que?
– Comigo. — entreguei.
– Com a senhorita? Fazendo o que? — ele ficou curioso.
– Coisas. — me virei.
– Sei. Bom senhoras iremos embora, desculpem o incômodo.
Subi correndo as escadas chorando desesperadamente, enquanto minha mãe se despedia dos policiais e fechava a porta. Ambos ficaram sem entender nada e deram de ombros, mas logo escutei os passos dela subindo a escadaria lentamente. Fechei a porta, apaguei as luzes e me joguei debaixo das cobertas.
– Emi, quer me contar o que está acontecendo? — ela falou calmamente.
– Mãe, me desculpa. Por favor, me desculpa. — chorei em seu colo.
– Filha, o que houve? Só quero saber o que se passa com você e esse rapaz.
– Mãe, prometi a ele não falar nada.
– Mas eu sou sua mãe.
– Eu sei, mas eu não posso. Irei colocar em risco a segurança dele. Mas se você permitir posso pedir para ele te contar.
– Sim, quero saber.
– Mas não hoje.
Nossa conversa foi interrompida com gritos de policiais e pessoas ao redor da casa por socorro. Levantei da cama, olhei pela janela e me desesperei mais ainda. Olhei para minha mãe e disse que precisava fazer uma coisa urgente e que isso salvaria uma vida. Ela não entendeu e me pegou pelo braço, puxei com força, abri a porta do quarto e desci as escadas mais que correndo.
Cheguei no andar de baixo e escutei tiros, pensava no pior e no erro da mira dos policiais e pessoas. Sai pela porta da frente e fui até a varanda e dei de cara com várias pessoas ao redor da minha casa, alguns policiais mirando em algo ou alguém e corri até lá. Vi Toyo em forma de lobo tentando passar por aquela muvuca.
– Paaaaaaarem. — gritei e fui pra frente do lobo negro e grande.
– Senhorita, sai da frente. Não queremos machucá-la. — gritou um policial.
– Saí daí sua louca. — gritou alguém.
– Vai morrer. — gritou outro.
– Sua burra, saia daí é um lobo enorme. Vai matá-la. — gritou um homem.
– Toyo, eu vou te salvar. Aguenta firme. — falei pra ele, bufando, suando e quase desmaiando.
Minha mãe desceu correndo atrás de mim e chegou minutos depois de todos estarem gritando para mim sair da frente. Pensavam talvez matar ou levar o lobo para uma reserva, ou até mesmo o zoológico a quilômetros de distância dali.
– Emi, saia daí. — minha mãe gritou e saiu correndo, mas um policial a pegou.
– Mãããããe. — gritei de volta.
– Sai dai filha. — ela chorava.
– Não iremos atirar com você aí, precisamos que saia da frente. — um policial gritou.
– Não vão tirar ele de mim. — devolvi.
– Tirar de você? — pessoas gritaram juntas.
– Isso mesmo. Esse lobo é meu, eu o conheço e sei que não vai fazer mal a vocês. — indaguei.
– O que? — gritaram.
– Sua maluca anda logo. — outros.
– Escutem bem. — comecei. — Se quiserem matar ou pegar ele terão de passar por cima de mim.
– Por favor senhorita, não queremos machucá-la. — um policial me avisou.
– E não vão. A menos que atirem para o lobo. — Toyo ficava atrás de mim diante daquilo tudo.
– Emi, me ouça. Por favor saia. — minha mãe falou.
– Mãe, me desculpa. Mas não posso. — chorei e olhei diretamente para ela.
Diante daquela situação ninguém movia um músculo para atirar com medo de acertar em mim e me ferir gravemente. Ficaram todos ali olhando pra mim, com cara de desaprovação e de que deveria estar maluca por achar que um lobo selvagem seria treinado e se comportaria com humanos sem oferecer risco para ninguém.
Eu sabia desde o início que topei ajudá-lo que nada seria fácil, mas como o amor tudo suporta arisquei minha vida pela dele. Teríamos um recíproco eterno entre nós e eu me sentia feliz com aquilo, mesmo com minha vida em risco a todo momento. Era como ter sua vida passando pelos olhos para salvar alguém que você ama, um pai, uma mãe, um irmão, um amor.
– Toyo não vou te abandonar. — chorei e rezei por nós.
Repórteres de rádio e tv começaram a chegar no local para cobrir a reportagem sobre mim e o lobo negro. Me sentia uma estrela de cinema ou uma garota em um filme Hollywoodiano de tragédia e horror. Todos olhavam pra mim, gritavam e me incumbiam a sair dali para terem o caminho livre para pegarem e fazerem o que bem entendessem com o lobo.
Policiais iam isolando a área e colocando delimitações para que nada nem ninguém ultrapassassem aquele lugar. Vi minha mãe ser arrastada por um policial para fora e ser segurada por ele, para não correr até mim e Toyo. Ela chorava desesperadamente e pedi a Deus que me protegesse muito, porque sabia que eu poderia sair, falando claramente, morta.
A via tão aflita e com medo de me perder, mas não poderia desistir logo agora do que ia fazer. Era uma vida que estava em jogo, mas naquele momento duas porque a minha também estava em jogo. Olhei para minha mãe e ela pra mim, ela me pediu para sair dali em meio as lágrimas e eu também chorando somente pronunciei devagar:
– Vai ficar tudo bem.
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