Trust Me
26 Pra Sempre - part. 1
– Fugir mãe? Como assim?
– Fujam daqui os dois, salvem suas vidas.
– Mas e você mãe? Como vai ficar?
– Bem.
– Bem?
– Sim, eu tenho Kazuo.
– E só isso. Não posso deixá-la sozinha.
– Não é questão de escolha Emi, vocês tem que ir.
– Mas pra onde, quando e como?
– Kazuo tem um iate atracado na baía, ele permitiu caso quisesse navegar com ele.
– Mas mãe...
– Kazuo é rico minha filha, logo ele poderá comprar outro.
– Isso é abuso. Não concordo.
– Sugere outra coisa Emi?
– Não. — me virei a Toyo.
– Calma. — ele me abraçou.
– Emi, Toyo vocês vão hoje a noite. Vou falar com Kazuo e ele deixará que vão a outra cidade e depois voltemos para cá. — me virei.
– Vai nos levar até outra cidade e depois voltar?
– Sim Emi, tenho que ficar até que os policiais desistam disso.
– Mas como faremos isso?
– Assim que Kazuo vier falarei com ele e partiremos.
– Mas onde ficaremos?
– Tenho uma propriedade em Taiwan, podem ficar lá até a poeira abaixar.
– Mãe, eu te amo. — abracei-a com força e carinho.
– Também te amo Emi, mas vamos fazer as malas que tal?
– Ótimo. — sequei algumas lágrimas do rosto que escorregam e fui até Toyo.
– Você aceita não é?
– Se for pra ficar ao seu lado, eu aceito. — ele me puxou e me beijou.
– Bom meninos, vamos então?
– Sim. — olhamos para minha mãe e a abraçamos.
– Toyo ainda consegue ir até seu trailer e pegar suas coisas?
– Tentarei.
– Ok, esperamos aqui então.
– Tá certo, vou indo. Beijos e até mais tarde. — ele me deu um selinho, pulou minha janela e sumiu no meio do mato em frente minha casa.
– Vamos Emi?
– Sim. — sorrimos juntas.
Eu e mamãe ficamos algumas horas arrumando minha mala porque eu tinha muitas coisas que queria levar e tive até que pegar algumas caixas para colocar o que faltava. Levei minhas roupas em três grandes caixas, meus sapatos em outra, minhas coisas pessoais em uma mala e algumas outras de cozinha, mesa e banho em mais uma. Não sabia se caberia tudo no carro, mas arriscamos.
Deu um grande trabalho arrumar tudo e no final nos jogamos em minha cama de cansadas e começamos a rir uma da outra, afinal não é qualquer dia que sua mãe te ajuda em uma coisa tão grandiosa e problemática. Ela estava arriscando minha vida, a dela e a de todos. Não conseguia acreditar, mas garantiu-me que tudo ficaria bem e que daria certo como planejou em sua cabeça, então obedeci e fui tomar um banho.
Entrei no chuveiro e fiquei um tempo em baixo dele me molhando da cabeça aos pés, depois enchi minha banheira e fiquei sentada nela mais alguns minutos. Ficava imaginando como seria viver e passar a morar com Toyo. Todos os dias vê-lo, dormir com ele, acordar, comer, beijar, tomar banho juntos, jantares, passeios, tudo que fazia antes mas agora em sua companhia. Confesso que estava extremamente ansiosa e medrosa para isso acontecer, mas ao mesmo tempo era isso que eu mais queria.
– Emi, anda logo. — ouvi minha mãe gritar.
– Estou indo. — gritei de volta.
Sai do banheira, esvaziei-a, me enxuguei, coloquei a roupa que tinha escolhido para seguir em frente e fui para meu quarto. O vi nu, somente com meus móveis e televisão, porque de resto tudo estava no andar de baixo em malas e caixas. Soltei um suspiro e desci as escadas. Minha mãe estava com Kazuo no sofá conversando quando me viram. Eu estava com short jeans, blusa de manga preta e tênis da mesma cor, de bijuterias estava com meu colar de relicário e algumas pulseiras hippies.
– Olá Kazuo. — fui até a frente deles e me sentei na mesa de centro com cuidado.
– Olá Emi, como vai?
– Bem e você?
– Bem também.
– Bom Emi, conversei com Kazuo e ele topou. Vamos partir quando Toyo chegar. — minha mãe me olhou e pegou minha mão.
– Sério? — a olhei, soltei as mãos e levantei.
– Sim Emi. — Kazuo levantou e me deu a mão.
– Obrigada Kazuo, obrigada mesmo. — o abracei.
– Quero que goste de mim e que mesmo de longe saiba que cuidarei de sua mãe e que tentarei ser um bom padrasto.
– Você já é.
– Obrigada, mas onde está seu namorado?
– É...está vindo. — escuto toques na porta dos fundo. — Toyo.
– Sim Emi, eu.
– Só isso? — ele estava com apenas duas malas e duas caixas.
– Só? — rimos.
– Brincadeira, eu te amo.
– Também te amo.
– Vamos?
– Sim. — sorrimos.
Ajudei-o com as malas e ele levou as caixas que na visão dele estavam super leves e que conseguiria levar sem problema algum. Fechei a porta da varanda enquanto nos dirigíamos para a sala falar com Kazuo e minha mãe, mas no caminho acabei tropeçando e quase caí de cara no chão, porém Toyo foi rápido e me segurou com um dos braços fortes.
– Obrigada amor.
– De nada.
– Olá Toyo, prazer em conhecê-lo. — Kazuo veio até nós.
– Olá Kazuo, prazer.
– Vamos?
– Sim, mas antes queria agradecer pelo que está fazendo pela gente.
– Não precisa agradecer, agora que entrei para a família quero mantê-la.
– Que assim seja. — ele apertaram as mãos e depois se abraçaram rapidamente.
– Vamos querida? Emi?
– Sim. — respondemos as duas.
Saímos pela porta de frente onde estavam o carro da minha mãe e de Kazuo, então em um colocamos minhas malas no bagageiro e as duas caixas no banco de trás do motorista e passageiro e no outro as coisas de Toyo. Mamãe e seu namorado foram no carro dele em nossa frente e eu e Toyo fomos no carro dela bem atrás deles. Pegamos a avenida vazia e chegamos bem rápido à baía.
O iate de Kazuo era enorme e daria para fazer uma festa dentro dele sem problema nenhum. Nem eu e nem Toyo acreditamos e ficamos encantados com tanta beleza dele. Saímos do carro logo depois que os dois já tinha saído e fomos descarregando as malas e caixas para dentro do barco. Não demorou muito e tudo já estava lá. Toyo me pegou no colo e me beijou ao subirmos ao andar de cima e termos tido uma paisagem tão linda.
– Nós vamos levar o carro da sua mãe em casa e já voltamos ok?
– Ok.
Eles partiram cada um em seu carro e não levaram muito tempo para voltar, mas quando retornaram minha mãe vinha com Kazuo e o carro dele ficou estacionado próximo à baía. Embarcaram no barco e os dois desceram até cabine do capitão para conversarem com o próprio para que pudessem curtir o passeio que duraria no máximo 24 horas até Taiwan.
Depois de ficarmos um tempo no andar de cima, pedimos autorização para conhecer o barco e ele nos levou em tudo. Tinha dois quartos e um banheiro no andar do meio, um quarto do capitão com banheiro no de baixo e o de cima existia uma piscina com hidromassagem. Realmente Kazuo era muito rico, mas eu admirava minha mãe por gostar dele como homem e fazê-lo feliz. Os peguei diversas vezes se divertindo e brincando, então sabia que se amavam.
– Bom, podem fazer o que quisessem porque teremos chão até Taiwan. — Kazuo nos avisou.
– Está certo, mais uma vez obrigada. — agradeci e Toyo também.
– Até mais.
– Até.
Passamos a noite na piscina admirando a paisagem linda do mar em conjunto com o céu maravilhoso em cima de nossas cabeças, depois fomos procurar algo para comer e no nosso quarto encontramos algumas torradas, panquecas, frutas e sucos. Nos entreolhamos surpresos mas entramos com calma e puxamos a mesa, que se esticou e alcançou nos dois, para nossa cama que era incrivelmente confortável e macia. Beijei Toyo e começamos a comer.
Infelizmente não fazia televisão ou internet que pegasse no meio do mar então depois de comer, tomar banho e trocar de roupa achamos um baralho ao lado da cabeceira e decidimos jogar. Eu era péssima e Toyo excelente, então ele teve a paciência de me ensinar direitinho para que eu começasse a ganhar dele depois de diversas jogadas perdendo.
Quando cansamos já era quase três da manhã e comecei a bochechar de sono e acabei contagiando Toyo que também passou a sentir sono como eu. Deitamos um ao lado do outro e conversamos até perdemos a consciência e dormirmos até um novo dia chegar amanhecendo em nossos olhos. Dormi no peito quente e modelado dele, enquanto estávamos abraçados. Algumas vezes acordei de pesadelos, mas sempre voltava a dormir segundo depois.
– Bom dia meu amor. — escutei Toyo chamar.
– Bom dia. — respondi ainda preguiçosa.
– Tenho notícias.
– Quais?
– Nenhuma.
– Engraçadinho.
– Eu sei. — ele subiu em cima de mim e me beijou.
– Não, estou com bafo.
– Amo seu bafinho.
– Sei. — finalmente abri os olhos.
– Vamos comer?
– Comer?
– Sim, trouxe café da manhã.
– Pra mim? Ah quanto amor, obrigada.
– De nada.
Toyo trouxera algumas frutas e sucos com pães, mas também um bilhete dizendo "eu te amo, bom dia meu amor". Eu quando li, adorei e pulei em cima dele de alegria, o beijando muito. Ele me pegou no colo e me fez cosquinhas, mas consegui me livrar dele e passamos a correr dentro do quarto. Quando cansamos e ficamos passando mal de tanta comida, caímos na cama e olhamos para o teto conversando um pouco.
– Vamos subir e ver lá fora? — ele me olhou.
– Vamos. — o olhei de volta.
Levantamos da cama, subimos as escadas até la em cima e encontramos minha mãe e Kazuo no deck da piscina conversando e tomando um suco de cor estranha.
– Bom dia mãe, Kazuo.
– Bom dia senhora Yumi, Kazuo.
– Bom dia meninos. — Kazuo respondeu primeiro
– Bom dia meus amores. — e mamãe depois. Dormiram bem?
– Sim obrigada e vocês?
– Também filha.
– Querem sentar e nos fazer companhia.
– É...
– Sim. — Toyo falou antes de mim.
– Venham. — mamãe nos chamou com a mão.
Sentamos ao lado dele e ficamos ali até chegar a hora do almoço e ter que descer para tal. Conversamos sobre bastante coisas, mas principalmente sobre nossos sonhos e objetivos. Kazuo me encorajou a ir atrás e a Toyo também, gostamos das dicas e sugestões dele e prometemos que iríamos seguir quando chegássemos em Taiwan e começássemos uma vida nova.
– Ainda resta muito até Taiwan? — me atrevi a perguntar.
– Algumas horas apenas. — Kazuo respondeu feliz.
– Já?
– Sim querida.
– Nossa, rápido né?
– Sim. O mar estava calmo e o barco com bastante gasolina, então pedi que acelerassem. — tempo. — Devemos chegar em quatro horas.
– Nossa.
– Pois é.
– Acho que vou tomar um banho e me trocar, o que acha Toyo?
– Ótimo.
– Então vão meninos, nos encontramos aqui as cinco em ponto?
– Sim mãe. — beijei minha mãe na cabeça e desci para o quarto com Toyo.
Ainda passamos um tempo jogando baralho, mas depois fomos tomar banho juntos. A água estava morna e gostosa, e quase não queríamos sair mas saímos. Nos trocamos e quando deu cinco oras em ponto subimos até o andar de cima. Encontramos minha mãe e Kazuo já trocado, cheirosos e bonitos prontos para descermos em Taiwan.
– Como estão lindos. — disse.
– Vocês também. — minha mãe nos elogiou. Eu vestia um vestido florido com meu tênis preto e Toyo uma blusa social com bermuda jeans e tênis da mesma cor que o meu.
Atracamos na baía de Taiwan e eu senti que ali estaríamos a salvo e seríamos muito felizes.
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