Trust Me

12 Planos - part. 2


Planejamos o que faríamos e como iríamos pegar Kanji praticamente a tarde toda, enquanto minha mãe estava fora. Eu em alguns momentos lembrava de Nara e chorava um pouco, Toyo me abraçava e fazia me acalmar, afinal ela era minha melhor amiga quase uma irmã pra mim e eu já sentia muita falta dela.

– Toyo você tem o faro de lobo?

– Não sei, talvez.

– Podemos testar?

– Sim.

Peguei uma blusa minha, dei a ele e me escondi pela casa, mais precisamente dentro do armário da minha mãe enquanto Toyo ficou na varanda até dar dez minutos deu ter me escondido. Ele se transformou em lobo e depois de entrar dentro de casa e começou a farejar meu cheiro pela blusa. Não demorou muio para me achar.

Sai de dentro do armário e Toyo ainda estava em forma de lobo. Fiz carinho atrás de sua orelha, dei um beijo na sua cabeça e subi em suas costas como forma de brincadeira. Ele me levou até meu quarto como se eu estivesse em cima de um cavalo e me jogou na cama quando levantou as patas da frente e se inclinou para a frente.

– Deu certo comigo Toyo. — respondi animada enquanto ele se transformava em humano.

– Eu percebi, mas estávamos tão perto que acho melhor testarmos com uma distância maior. O que acha? — ele falou convencido.

– Ótimo. — sorri.

– Vamos testar na floresta?

– Na floresta? — perguntei meia com medo. — Acho legal. Vamos?

– Tem certeza?

– Tenho. Tenho de fazer isso.

– Então vamos. — ele me pediu a mão.

Ele desceu as escadas depois de beijar minha mão e testa, e me esperou na varanda enquanto eu fui ao banheiro e troquei de roupa. Me olhei no espelho e achei que eu estava com uma cara de acabada e triste. A recente notícia da morte de Nara tinha me feito muito mal e eu não queria acreditar naquilo.

Desci as escadas e fui em direção a varanda. Toyo me esperava pacientemente olhando para a mata atrás da minha casa, imaginando como seria aquilo pensava eu. Cheguei perto dele e lhe dei um abraço por trás pulando em suas costas, ele me levantou e me passou para a frente de seu corpo como se fosse aqueles dançarinos acrobáticos malucos. Depois me deu um beijo e me pôs no chão.

– Pronta? — ele perguntou me desafiando.

– Não sei. — respondi apreensiva.

– Quer esperar um pouco?

– Não, tudo bem. — estava com a lanterna que peguei no quartinho da casa e uma blusa minha na mão.

Dei a blusa a ele, testei a lanterna antes de entrar na mata e rezei rapidamente. Toyo me abraçou por trás, beijou meu pescoço levemente, me virou rápido e me beijou com muito gosto. Não queria parar de beijá-lo e hesitei quando ele começou a se afastar. Nos abraçamos por mais um tempo e desejamos sorte um ao outro.

– Estou pronta.

– Também. Vá.

Sai correndo através da mata e liguei a lanterna. Comecei andar depois de um tempo e procurei um lugar perfeito para me esconder de Toyo. Aquela mata estava cheia de mosquitos e já estava começando a escurecer de verdade. Os galhos das árvores existiam de diversos tamanhos, grossuras e comprimentos. As matas verde limão deixavam exalavam um ar puro e de liberdade, mas ao mesmo tempo de escuridão e medo.

Tínhamos combinado dele esperar quinze minutos até ir me procurar. Achei uma árvore grande e boa para esperá-lo, sentei nela e esperei até que ele me achasse. Olhei no relógio e faltava dois minutos para dar os quinze de espera. Comecei a cantarolar baixo e depois de apitar que seria hora dele me procurar fiquei parada e estática esperando. Ouvi passos perto de mim uns dez minutos depois.

Toyo tinha se transformado em lobo e vasculhava mata dentro atrás de mim. Estava com a adrenalina no talo, meu coração disparava freneticamente e meu corpo tremia bastante. Os passos dele logo estavam perto de mim, ele cheirou o ar, se aproximou e enfiou o focinho em baixo do meu braço.

– Toyo que susto. — gritei.

Ele ganiu e entendi que era um pedido de desculpas. Abracei sua cabeça peluda e dei um beijo em seu focinho. Ele me deu uma lambida mas ficou alerta quando ouviu algo estranho se aproximando. Andou alguns passos a frente e cheirou para ver se tinha alguém que pudesse nos machucar.

– Emi, suba nas minhas costas precisamos sair daqui agora. — ele se transformou em humano e depois em lobo novamente.

– Tá. Tá. — respondi com medo.

Subi nas costas dele e comecei a implorar que não acontecesse nada comigo e nem Toyo. Estava com medo e queria sair logo dali para nos livramos e entramos em casa a salvo. Corremos pela mata e rapidamente saímos dela. Caímos no chão e a cabeça dele ficou nas minhas pernas. Nos entreolhamos e ele voltou a ser humano. Vestiu as roupas que tinha deixado antes de se transformar em lobo e puxou pelo braço até dentro de casa.

– Espere Toyo, minha blusa. — ele virou, correu e a pegou.

– Pronto vamos.

– Ei, o que houve? — quis pará-lo.

– Lá dentro explico. Vem.- cedi.

Dentro de casa ele pediu para que eu trancasse todas as portas e janelas enquanto ele observava a de meu quarto para ver se algo ou alguém saía da mata onde estávamos. Depois de ter feito tudo aquilo ouvi a campainha tocar. Era minha mãe, voltando da saída com as amigas. Desci correndo e abri a porta.

– Oi mãe, como foi? — a abracei.

– Olá querida, foi legal e aqui como foi?

– Também. — sorri.

– Bom vou subir, tomar banho e dormir. Estou morta de hoje.

– Está bem mãe, Toyo ainda está aqui. Estamos no quarto.

– Tudo bem querida. Beijos.

– Beijos.

Ela foi até a cozinha enquanto eu subia as escadas. Pensava em quem poderia estar lá ou o que fez assustar Toyo daquele jeito. Cheguei no quarto abri a porta e vi ele ainda olhando pela janela, estava fixado na mata esperando algo acontecer ou alguém aparecer. Era como um cachorro vidrado esperando o dono aparecer depois de um dia inteiro de trabalho.

– Toyo?

– Emi, venha aqui. — fui até ele.

– O que aconteceu lá?

– Tive um pressentimento.

– De que?

– De que iriam me separar de você.

– Como?

– Eram policias revirando a mata, só que vinham do outro lado.

– Mas não aconteceu nada e ainda conseguimos seguir com o plano.

– O plano acabou.

– O que?

– O plano acabou. — ele falou com mais força.

– Por que? O que houve?

– Os policias reabriram meu caso.

– E daí?

– E daí que viram atrás de mim novamente. — ele se virou pra mim.

– Só que desta vez vamos estar juntos.

– Não quero te...

– Não nada, vamos estar juntos e ponto final.

– Tem certeza? Não quero te por em perigo novamente.

– Não vai.

– Emi.

– Toyo, antes de dizer deixe me dizer uma coisa que está entalada na minha garganta a muito tempo.

– Sim.

– Eu te amo. — beijei-o.

– Eu também te amo Emi. — ele devolveu meu beijo.

– Deixe ajudá-lo, não fuja desta vez. Por favor.

– Vai entrar numa luta entre a vida e morte por mim?

– Sim.

– Então estamos juntos nessa?

– Sim, estamos. — demos as mãos.

O resto da tarde e um pouco da noite passamos traçando mais planos e pesquisando na internet onde ele poderia estar, pegando nomes, telefones e endereços de parentes e verificando cada detalhe e cada vestígio que Kanji poderia ter deixado para trás quando fugiu.

Minha mãe apareceu no quarto quando estávamos descansando e vendo vídeos engraçados no Youtube. Ríamos das pessoas, de nós mesmo e fazíamos palhaçadas para passar o tempo enquanto descansávamos. Ela ficou admirando e nem percebemos até que ela soltou:

– Que lindos. — ela riu da gente.

– Ai mãe que susto. — reclamei.

– Oi, tudo bem? — disse Toyo.

– Olá, tudo sim e vejo que por aqui também. Só passei para ver vocês, vou dormir. Boa noite.

– Boa noite. — respondemos os dois juntos.

– Tchau meninos. — ela falou, beijou nossas cabeças, saiu e foi dormir.

Continuamos assistindo os vídeos engraçados até resolvemos testar mais algumas vezes o rastreio de Toyo pela casa. Fizemos isso diversas vezes e rimos bastante até a campainha tocar. Desci as escadas depois de beijar Toyo e fui atendar.

– Sim?

– Polícia senhorita, recebemos uma ligação anônima de que este rapaz está aqui. — era o mesmo policial que já viera em casa e mostrou uma foto de Toyo.

– Agora?

– Sim, algum problema senhorita?

– É, não. Só preciso comunicar minha mãe. Um minuto.

– Tudo bem.