Trust Me
11 Planos - part. 1
Notas iniciais
Não podia ser. Eu não queria acreditar ou saber que aquilo que passava era verdade. Nara, minha melhor amiga, uma pessoa totalmente do bem e que não fazia mal a ninguém. Como poderia acabar daquele jeito, e ainda mais por aquele cafajeste do namorado dela que eu tanto avisava pra ela no que poderia dar, nunca imaginei acabar assim.
Eu queria vingança, justiça e desejei que ele sofresse muito por ter feito aquilo com ela. Ainda mais em época natalina, onde todos se reúnem, trocam presentes, estão felizes e tudo mais. Como ele poderia ter feito aquilo com ela? Quanta frieza dele. Cada vez ficava mais revoltada e com raiva daquele homem. Eu tentava ficar calma quando tocou a campainha.
Desci as escadas bufando e com a cabeça estourando de quente. Passei na cozinha antes para beber o chá que ainda restava na geladeira enquanto gritava "já vai, já vai" em direção a porta em vão, porque a pessoa só tocou a campainha uma vez e esperou que alguém abrisse a porta.
– Olá Emi, eu já sei o que aconteceu. Sinto muito. — Toyo disse quando eu abri a porta e me abraçou com delicadeza.
– Obrigada. — mal conseguir dizer, porque chorava em meio a seu peito.
– Você prefere subir ou ficar na varanda? — ele me afastou um pouco para ver minha resposta.
– Eu não sei. — chorava.
– Tudo bem.
Ele me pegou no colo em meio as minhas lágrimas, colocou-me nos braços como um bebê é pego, fechou e trancou a porta, e me levou até a varanda na parte de trás da casa. Quando chegamos ele ainda me deixou no colo dele com a cabeça apoiada no peito. Eu não parava de chorar um minuto se quer.
Toyo olhava para a mata atrás da minha casa e para o céu, mas eu não movi um músculo se quer para mudar de posição ou secar minhas lágrimas. Estava desolada com a notícia e não poderia fazer nada para reverter aquilo ou mudar aquele situação. Minha melhor amiga se foi e a culpa era de um cara que poderia estar a quilômetros de distância daqui.
– Emi, vai ficar tudo bem. Eu prometo. — ele se solidarizou.
– Como Toyo? — funguei.
– Ficando. Vou achar esse cara e dar o que ele merece.
– Vai matá-lo?
– Talvez.
– Vai arriscar a sua vida procurando e matando um cara que não vale a pena?
– Não, eu vou ajudar você e vingar sua amiga. Mesmo não a conhecendo sabia que ela era uma boa pessoa.
– Obrigada Toyo, mas não precisa.
– Sim precisa, me diga o nome dele. — eu já parara de chorar.
– Kanji Ono.
– O que? — ele se afastou de mim.
– O que foi o conhece?
– Sim conheço e posso lhe garantir que irei fazer o que pretendo com muito gosto.
– O que ele te fez?
– Não vem ao caso.
– Vem sim, fala. — insisti.
– Depois que eu fugi das mãos dos meus pais adotivos ele tentou ser meu amigo, mas não era e nem nunca foi. Ele tentou me matar porque a namorada dele estava afim de mim e queria terminar com ele. Consegui fugir das garras dela, mas das dele não.
– O que ele fez?
– Ele atirou em mim.
– Atirou?
– Sim, cinco vezes. Duas passaram de raspão, mas as outras três me atingiram. Uma no estômago, uma na perna perto da veia safena e outra no braço.
– Como conseguiu sobreviver?
– Fugi para a floresta
– Ah sim, mas uma coisa que nunca me contou: se você fugiu dos seus pais adotivos, quem é a mãe que você sempre me falou?
– Uma tia que cuidou de mim quando apareci todo ferrado depois de me certificar que estava a salvo e longe do Kanji.
– Ela sabe da maldição e tudo mais?
– Sim.
– E por ela tudo bem?
– Sim, ela era irmã da minha mãe adotiva.
– Ela concordava com a sua mãe?
– Não, por isso cuidou de mim e me escondeu. Nos mudamos para cá e ela é como uma mãe pra mim apesar de ser alguns anos mais velha.
– Ah ta.
– Emi, me prometa uma coisa.
– Depende.
– Não viras atrás de mim enquanto eu caçar esse idiota.
– Não posso prometer isso.
– Não vou você em risco de novo. Não vou querer perder você de novo.
– E não vai. — cheguei perto dele e o beijei.
– Está bem, então só não o procure.
– Ok. — nos abraçamos.
– E mais uma coisa.
– Sim.
– Ele não é quem você e todos pensam que ele é.
– Como assim?
– Ele tem a mesma maldição que eu.
– Quer dizer que ele é um lobo também.
– Quase isso.
– Quase? Explica.
– Ele é um assassino, mas não é um lobo. A maldição dele é matar toda mulher que ele ama profundamente.
– E como ele conseguir isso?
– Meus pais.
– Ah ta.
– Eu pedi a eles.
– Entendi.
– Vamos lá em cima planejar tudo?
– Sim vamos. — ele me deu um selinho.
Voltamos para a casa e eu já estava mais calma, mas ainda estava revoltada com tudo aquilo e queria pegar Kanji mais do que nunca agora. Ele já assassinou pessoas antes, assassinou minha melhor amiga e tentou assassinar Toyo. Ele precisava pagar por tudo que fizera comigo, Nara e com todos a sua volta.
Entramos em casa de mãos dadas e abraçamos. Minha mãe havia acordado e descido para a cozinha. Estava de camisola e roupão por cima, costuma nosso. Ela nos viu e sorriu pra gente.
– Olá Toyo, quanto tempo. Tudo bem?
– Olá senhora Yumi, tudo e você?
– Estou bem. Veio visitar Emi não? Ela contou que melhorou?
– Contou e ainda bem que ela melhorou.
– Sim, mas foi tão mágico que ainda não sei como aconteceu.
– Pois é.
– Vamos Toyo. — interrompi os dois.
– Vamos onde Emi? — ela perguntou.
– Vamos conversar e ver tv lá no quarto.
– Ah sim, vão. Vou sair com algumas amigas se importa?
– Não mãe, tudo bem. Vá e se divirta.
– Ok obrigada. Vou deixar a janta no forno, comam e se divirtam.
– Obrigada mãe.
– Obrigada senhora Yumi.
– De nada gracinhas.
– Use camisinha Emi. — ela sussurrou no meu ouvido quando me abraçou e riu para Toyo.
– Sem graça mãe. — sussurrei de volta.
Subimos vimos tv enquanto conversamos e nos beijávamos quando nos dava vontade. Minha mãe tomou banho, se trocou e veio nos mostrar como estava e se tinha ficado bom, respondemos que sim e ela se animou. Antes de sair me deu um beijo na cabeça e na de Toyo também, desceu, trancou a porta e saiu.
– Gosto da sua mãe. — ele falou risonho.
– Que bom, ela é legal não? — pisquei um olho.
– Sim demais, mas você é ainda mais. — ele me deu um abraço e um selinho.
– Eu sei.
– Convencida.
– Sei disso também, mas vamos começar a planejar tudo?
– Sim, vamos.
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