Trust Me
3 Homicídios
Acordei atrasada e correndo para conseguir pelo menos chegar na segunda aula do colégio. Tomei um banho mais do que rápido, me troquei com uma imensa pressa e nem comi direito meu café da manhã, mas peguei dinheiro para comprar alguma coisa para o lanche na escola.
Cheguei a tempo de entrar na segunda aula, pedi licença e desculpas ao professor. Entrei, me sentei e comecei a prestar a atenção na aula, mas logo a lembrança do sonho e a imaginação que comecei a ter daquele estranho que conheci ontem começaram a invadir minha mente. Fiquei cada vez mais dispersa e confusa, mas sabia que no fundo poderia ser apenas uma coisa boba e passageira.
Na hora do lanche me sentei com minhas amigas e comecei a dizer como tinha sido meu domingo de aventuras. Elas logo deram a entender que eu estava apaixonada por ele numa rapidez que nem eu poderia imaginar, mas garantiram-me que isso poderia se tornar mais intenso apesar deu estar negando tudo. Eu realmente não entendia o que estava se passando comigo.
Depois das seis aulas normais voltei para casa com Nara, uma de minhas melhores amigas, íamos estudar para uma prova que haveria no dia seguinte. No caminho de volta fomos conversando sobre Toyo e sobre como ele era belo e gentil. Meu sorriso ia de orelha a orelha, e acho que ela notou isso, mas não liguei. Só não sabia que no meio de nossa rota daríamos de cara com ele.
Como sempre lá estava ele todo bonito e bem vestido. Nara ficou chocada com o que viu e disse que nunca tinha visto alguém assim. Ele não era um deus grego propriamente dito, mas eu achava ele muito coisa para meu caminhãozinho e ela concordou comigo apesar de ter gostado dele também.
Notei que me observava e observei-o também. Toyo me deu um oi com a mão e seu lindo sorriso se abriu como se fosse iluminar meu dia que tinha começado com o pé esquerdo. Nara e eu nos entreolhamos e em um piscar de olhos ele estava na nossa frente.
– Olá Emi, tudo bem? Vi que saiu com pressa hoje, algo aconteceu? — ele me perguntou com uma cara de preocupado e curioso.
– Olá Toyo, estou bem só acordei atrasada hoje, por isso sai com pressa. — respondi envergonhada.
– Ah tá, e quem é senhorita? — ele pegou a mão de Nara e deu um breve beijo na palma dela.
– Olá, sou Nara um prazer conhecê-lo. Que cavalheiro!- respondeu surpresa.
– O prazer é meu. Vão fazer alguma coisa agora?
– Vamos estudar. — respondemos as duas juntas.
– Ah...legal. — ele respondeu meio decepcionado.
– Entre aspas né. — Nara bufou.
– Bom não vou atrapalhar as senhoritas, bons estudos. — ele saiu sem dar tempo de dizermos tchau.
Nara me olhou com uma cara de: Meu deus como isso? E eu apenas dei de ombros e arregalei um pouco os olhos. Rimos e continuamos seguindo para minha casa para começarmos os estudos e nos darmos bem na prova.
– Emi, ele tem cara de ser um cara tudo de bom. — ela quebrou o silêncio que demos por alguns minutos.
– Eu sei. — respondi seca.
– E você acha que ele deve prestar?
– E eu que sei? O conheci ontem e já acha que sei tudo sobre ele?
– Não sei, pelo jeito que ele veio falar com você deveria saber.
– Acho que ele gosta de mostrar esse lado bonzinho, mas deve ser um cafajeste. Sei lá, só acho.
– Ai Emi, que horror.
– Horror nada, vai que ele é um maluco psicopata. — comecei a rir.
– Maluca.
– Você.
– Nós.
Chegamos em casa e minha mãe como um milagre já estava em casa. Perguntei o porquê daquilo e ela respondeu que um colega de trabalho havia sido assassinado e o hospital em que trabalhava tinha tirado um dia de luto pelo homem que estava lá a anos e era muito querido meus colegas, por ser tão honesto e trabalhador.
Assassinado? Aqui em nossa vila tão tranquila e pacífica? Estranho não? Era de fato suspeito mas será que ele não se suicidou ou algo assim? Porque nossa vila é tão conhecida por ser um dos melhores lugares do Japão para se viver e agora ocorre um suposto assassinato. Vai entender né?
Nara e eu começamos a estudar e rapidamente já tínhamos tudo na ponta da língua. Estudamos mais um pouco depois de almoçarmos e quando foi mais ou menos quarto horas ela foi embora. Levei ela até o ponto de ônibus e esperei até que um chegasse para ir mais rápido para casa. Não demorou muito. Ela me deu um abraço e embarcou.
Na volta para casa dei de cara de novo com Toyo que me convidou para ir conhecer sua casa. Eu queria, queria muito mas tinha prova no dia seguinte e não queria me dar mal. Prometi que iria outro dia e ele aceitou com um sorriso difícil de recusar um pedido vindo dele.
Quando ia me despedir ele pediu se poderia acompanhar-me até em casa. Cedi. Fomos caminhando e conversando, já que uma das especialidades dele era conversar e persuadir as pessoas. Era uma companhia instigante estar com ele ao mesmo tempo que eu sentia algo misterioso nele. As vezes parecia que ele falava como se vivesse em outra época ou estranhasse algumas atitudes atuais, como usar um aplicativo de celular.
– Bom está entregue senhorita. — ele abriu um sorriso malicioso.
– Obrigada nobre cavalheiro. — respondi irônica com as mãos juntas em cima no ombro com a cabeça apoiada como as princesas fazem.
– De nada, mas quando a vejo novamente?
– Em breve.
– Está bem, até.
– Até. — entrei em casa e subi para meu quarto.
Da janela o vi se afastar e parar em uma árvore para se apoiar. Ele me notou observando-o e me deu uma piscada de tirar o fôlego. Dei um tchau com a mão e entrei. Me joguei na cama e comecei a cochilar. Um tempo depois minha mãe me acordou para jantar e ver as notícias do dia na televisão.
Desci as escadas da casa e entrei na cozinha. Encontrei minha mãe colocando a porcelana na mesa e ajudei-a. Liguei a TV no canal de notícias e pela minha surpresa não havia sido assassinado somente o colega de minha mãe, mas sim outras duas pessoas que foram encontradas perto da praia em lugares distantes.
No começo foi um choque mas minha mãe garantiu-me que não passava que vingança ou algo do tipo, apesar de que em nossa vila todos se davam bem e se gostavam. Foi estranho ver três pessoas aparentemente inocentes irem para em um caixão e serem enterradas assim. A polícia que apareceu na TV garantiu que iriam investigar o que estava acontecendo e que logo chegariam ao assassino.
Na vila não existia outro assunto a não ser dos homicídios. Estavam todos assustados com aquilo e começaram a suspeitar de todos que viam pela frente. Realmente ter três assassinatos de uma vez em menos de uma semana deixaria qualquer lugar em estado de choque, ou pelo menos eu ficaria.
Ajudei minha mãe com a louça e subi para o quarto. Arrumei minhas coisas para o dia seguinte e me sentei na penteadeira para desfazer a trança que Nara fez em meu cabelo no intervalo do colégio. Ela estava linda e caiu muito bem com meu rosto redondo e fofo. Mas logo depois disso ouvi barulhos na vindo da janela.
Ao chegar mais perto vi que alguém estava jogando alguma nela. Fiquei com medo mas fui verificar quem era e o que poderia querer as quase onze da noite. Poderia ser um morcego vagando pela ali e sem querer derrubou algo lá ou alguém me pregando uma peça. Abri a janela e olhei para a frente. Não avistei ninguém. Ouvi apenas alguém me chamar. Olhei para baixo e o vi. Vi Toyo.
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