Trust Me
1 Harmonia
Era um dia como qualquer outro, lá estava eu escrevendo em meu diário como sempre. Ditando meus pensamentos que não dizia a ninguém e aqueles, cujo tinha medo de pronunciar em voz alta. Minha mãe me adorava ver escrevendo porque era assim que ela se entendia quando nova e passou esse jeito a mim.
Quando chegou já era de noite, mais de nove horas apitava o relógio avisando que era hora de dormir para acordar cedo, já que um dia novo chegaria logo. Eu gostava de dormir cedo, porque eu adorava ir para escola encontrar amigos e aprender coisas novas, mas depois que vi que o próximo dia seria um sábado e eu teria um grande compromisso: seria finalmente, a décima garota da vila a completar dezesseis anos e todos comemorariam com um pequeno festivo comigo.
Animação era pouco para uma pessoa como eu. Dezesseis. Caramba, parece que foi ontem em que completei quinze e festejei com uma enorme festa de debutante em um buffet local com todos meus amigos e familiares que moravam próximo a mim.
Em algum momento, que eu nem reparei, minha mãe entrou no quarto e estava me observando escrever no meu diário, e só disse um "boa noite" quando a percebi na porta apoiada pelo braço. Eu levei um susto e comecei a rir e ela me acompanhou. Convidei-a para entrar e sentar na minha cama e me contar como foi o dia dela e depois eu contar a ela como tinha sido o meu.
Depois de conversarmos ela me disse um "boa noite", beijou minha cabeça e disse que iria dormir por estar bem cansada de hoje, eu disse o mesmo e fui arrumar minhas coisas em cima da penteadeira desarrumada, coloquei meu diário lá e me joguei na cama. Não demorei muito a dormir.
Naquela noite adormeci rápido, mas como de costume comecei a sonhar. Sonhei com um rapaz aparentemente desconhecido, mas em momento algum o reconheci. Era de uma altura de um metro e setenta, magro, domado de cabelos negros e um sorriso de cair o queixo.
– Olá Emi. — disse.
– Olá, mas como sabe meu nome? — respondi curiosa e confusa. Ele riu.
– É...eu escutei sua mãe te chamar lá na sua casa.
– Você foi até lá?
– Não, eu estava passando quando a escutei chamar-te.
– Ah, ta. Que susto. Mas você ainda nem disse seu nome, como se chama.
– Prazer, me chamo..., é..., pode me chamar de Toyo.
– Toyo? Tem certeza? — desconfiada perguntei.
– Sim. Tenho certeza. — ele deu um sorriso de lado.
– Está bem Toyo, de onde você veio?
– Acabei de me mudar para Tono, não conheço ninguém, mas quando a vi sair daquela quitanda pensei em vir falar com você.
– Ah sim, e você pensou que eu seria sua guia? — nós dois rimos.
– Não, mas achei que você seria uma boa pessoa.
– Seria?
– Tá bom, você é. Está dificultando mas é. — fiquei vermelha de vergonha.
– Então você poderia me mostrar onde fica esse lugar. — ele me deu o endereço e eu logo me localizei.
– Claro, é onde você mora?
– É sim.
– Ok então, vamos lá. — começamos a andar, os dois em silêncio.
Quando chegamos no lugar, uma linda casa habitava aquele terreno pequeno. Então foi aí que acordei.
Eram seis da manhã em ponto. Normalmente a hora que acordo para ir ao colégio em dias de semana. Minha mãe estava no quintal dando banho em nosso cachorro Aki para que ele ficasse cheiroso caso alguma visita aparecesse.
Levantei da cama e arrumei-a, e me dirigi a janela onde assim que a abri um lindo sol começou a brilhar em minha direção. Eu dei um bocejo e me espreguicei até estalar um osso da coluna e outro da perna. Eu gostava daquilo.
Depois de ir ao banheiro, escovar os dentes e tomar um banho fresco desci as escadas e fui até a cozinha. Encontrei minha mãe fazendo nosso café-da-manhã e Aki ao seu lado descansando sobre as patas.
– Bom dia mãe. Bom dia Aki. — falei animada.
– Bom dia filha. — ela respondeu-me. — Parabéns minha princesa, tudo de bom e que Deus te abençoe muito. Eu te amo. — ela falou abraçando-me.
– Obrigada mãe, também te amo.
– Fiz seu prato preferido, tofú com chá de flores.
– Ah mãe, muito obrigada.
Sentamos e comemos em nossa mesa vidrada de madeira enquanto Aki comia sua ração do lado de fora da cozinha. Enquanto comíamos, conversávamos sobre o nosso dia. Eu queria apenas um bolo com alguns amigos mais próximos porque era apenas para não se passar nada em branco, e ela concordou.
Como nossa vila era pequena e tinha um pouco mais de cem mil habitantes, muitas pessoas me conheciam e lembraram de meu aniversário. Eu me sentia querida pelas pessoas e adorava ajudar.
Ao cair da tarde, meus amigos foram até minha casa para comemorarmos e comermos temakis e sushis, coisa que eu e eles comíamos direto fora de casa. Depois de cantarmos parabéns, comemos o bolo de chocolate com morango, meu preferido, e assistimos a um filme sobre vampiros e lobisomem.
Quando era em torno de dez horas todos foram embora, e cada um deixou um presente em minha sala. Mesmo que fosse algo pequeno, eu sabia que eles gostavam de mim e que queriam me agradar.
Minha mãe não me pediu ajuda mas ajudei-a a arrumar a casa e a limpar tudo na parte de baixo de casa. E só fomos acabar para lá das uma da manhã. Eu acabei capotando no sofá mesmo, minha mãe pegou um cobertor e me cobriu, deu-me um beijo de boa noite, subiu e foi dormir.
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