Trust Me
2 Surpresa
Acordei com o canto dos pássaros soando em minha janela. Cantavam em perfeita sintonia e uma afinação maravilhosa. Era como em A Branca de Neve, eles exalavam formusura e beleza naquelas vozes, cada um completava o outro ou soavam juntos, mas nenhum desafinava ou esquecia a "canção".
Levantei-me e fui admirar a vista de meu quarto, fiquei ali por alguns minutos até que escutei a campainha tocar. Minha mãe foi atender enquanto eu tomava banho e me trocava. Ouvi-a me chamar com rapidez e desci as escadas correndo, quase tropeçando e caindo no chão. Só parei no último degrau quando contou-me que havia um rapaz me procurando na porta.
Um rapaz? Quem poderia ser? Se fosse qualquer amigo meu minha mãe saberia. Por que não falou-me o nome? Para que a mesura? Eu me fazia perguntas enquanto ela me empurrava até a porta. Realmente avistei o rapaz. Um de cabelos escuros e pela branca como a neve, com mais ou menos um metro e setenta. Fui até ele.
– Olá, como vai? Me conhece? — perguntei quando cheguei ao seu lado.
– Olá senhorita, estou bem e você? — ele respondeu ainda de costas.
– É..., estou bem. Mas quem é você, nunca o vi por aqui?
– Pode me chamar de Toyo, acabei de chegar.
– Ah sim, mas como sabe quem sou? — perguntei insistente.
– Antes de vir aqui fui até os correios onde informam os nomes e gostei do seu e onde você morava e decidi vir até aqui.
– Só por que gostou do meu nome e do meu endereço acha que iria recebe-lo assim de braços apertos?
– Achava que sim, pela sua foto parecia ser uma garota legal. — ele finalmente se virou.
– Ah... — travei. Algo me dizia que já conhecia aquele rapaz de algum lugar. De meus sonhos.
– Então desculpe se incomodei, irei embora e não lhe perturbarei mais. — ele começou a andar.
– Não, tudo bem só me assustei um pouco. Podemos ser amigos Toyo. — dei um sorriso amigável. — Eu vou para casa e mais tarde podemos conversar e andar na praia, o que acha?
– Ótimo. Fechado. — ele saiu andando e fez um tchau com mão.
Quando voltei para casa, minha mãe me perguntou quem era e o que queria comigo. Explique que era um rapaz novo na vila e que queria ajuda para se enturmar e conhecer tudo. Ela apenas sorriu e disse que talvez seria legal conhecer gente nova.
Passei a tarde pensando nele, era como se meu sonho fosse uma premonição ou algo assim. Fiquei assustada no começo ao mesmo tempo que ficava curiosa e ansiosa. Estava animada para mostrar-lhe a cidade e fazer um novo amigo, ele me parecia legal e gentil, e como me chamara de senhorita, um cavalheiro também.
Quando o relógio disparou as seis horas da tarde, entrei apressada no chuveiro e fui escolher uma roupa para passear com Toyo. Lá estava eu de toalha no meu quarto com várias roupas pela cama sem escolher nenhuma. Minha mãe que passava pelo correador me viu naquela situação e interrompeu minha ceção de desespero.
Ela entrou rindo da minha cara e do quarto bagunçado. Eu não entendi, mas ri junto e abracei-a. Então soltei-a e ela foi em direção ao meu armário e disse que sabia o que iria ficar perfeito para aquele passeio. Tirou um vestido florido verde e azul bebê que ia até em cima no joelho e não ficava muito apertado. Eu achei no começo uma loucura mas ela garantiu que ficaria ótimo.
Vesti o vestido enquanto ela, em um piscar de olhos, pegou uma sandália que eu adorava. Era rasteira e toda azul, o que combinou diretamente com a roupa que eu usava. Adorei como estava vestida, me senti uma princesa. Minha mãe me colocou sentada em minha cadeira virada para a penteadeira e escovou meus cabelos e os predeu com um elástico e uma presilha transparente.
Desci as escadas radiante, apesar de achar que tudo aquilo seria uma grande apresentação para quem eu nem conheço e que poderia me achar uma pessoa totalmente diferente do que realmente era. Em um certo momento quis desistir mas mesmo assim que fui entrá-lo.
Chegando lá encontrei-o sentado em um banco em frente a praia olhando o horizonte. Ele se virou ao notar minha presença. Ficou surpreso com a minha aparência e tirou os óculos escuros que usava para ver melhor. Eu fiquei de boca aberta quando se levantou e veio em minha direção. Usava uma bermuda havaiana e uma blusa branca aberta mostrando o peito sarado. Corei e depois desviei o olhar, até que ele chegasse até mim.
– Olá Emi, como está bonita. — ele elogiou-me.
– Olá Toyo, obrigada. Você também está. — respondi envergonhada.
– Obrigado. O que quer fazer primeiro?
– Podemos andar pela praia e depois comer uns sushis e temakis. O que acha?
– Olhe, eu não conheço nada daqui então estou topando tudo. — ele riu.
Então fomos, começamos a andar pela praia e depois na água quente que batia em nossos pés já descalços. Conversamos sobre a vila, onde ele morava, sobre nossas família e tudo que nos vinha a cabeça. Ele me contou como seus pais se separaram e sobre as constantes brigas e eu sobre o meu que tinha falecido a alguns anos atrás. Gostei de passar o dia com aquele novo amigo e queria poder vê-lo de novo.
Fui convidada a ir na casa dele dali alguns dias para conhecer a mãe dele e podermos comer o Ebi dela, já que ele falou tão bem e queria que eu pudesse ser sua amiga e aprendemos a conviver juntos. Gostei da ideia e topei.
Na volta pra casa Toyo me deixou em casa, deu um breve beijo na bochecha e um abraço rápido, virou-se de costas e saiu andando. Fiquei ainda um tempo observando-o se afastar e admirando sua beleza, até que minha mãe me deu um susto perguntando como tinha sido o passeio com o novo amigo.
Entrei contando tudo pra ela enquanto concordava e ria de algumas coisas que falei. Subimos as escadas e fomos tomar banho e dormir. Desde que cheguei e começamos a conversar já passara das onze da noite e precisávamos descansar para uma longa segunda feira que viria amanhã.
Naquela noite sonhei com Toyo, estávamos na praia e ele me abraçou por trás e me carregou até o mar onde pulou comigo na água e me molhou toda, mas não liguei por estar de bikini e ele apenas de bermuda. Em algum momento senti que ele queria mais do que informações e uma nova amizade, e realmente queria.
Momentos depois de estarmos todos molhados e começarmos uma guerra de água ele deu bandeira branca e se dirigiu para a areia, o acompanhei. A praia estava deserta e tinha algumas pessoas bem longe da gente. Eu comecei a tremer de frio e ele encostou em seu peito, que incrivelmente estava quente, e colocou uma toalha por cima para que eu me aquecesse. Fiquei envergonhada e paralisada, mas quando retornei a mim ele estava me olhando abraçada nele e encostou sua cabeça na minha. Desviei a cabeça e olhei-o, por alguns minutos até que como uma surpresa ele me beijou.
Um beijo leve e suave. Pelo meu corpo arrepiado, pareciam que pequenas agulhas me arranhavam com uma sensação gostosa. Eu gostei, mas logo depois me afastei dele pensando ter feito algo de errado. Mas foi quando ele me disse:
– Emi, me desculpe.
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