Trust Me

18 Discórdia


– Emi Ayako. O que faz aqui? — ele se levantou e riu.

– Vim falar com você Kanji. — respondi seca.

– Senhorita quer que fiquemos aqui? — Ren me perguntou preocupado.

– Não precisa policial, tudo está bem. Me deixem a sós.

– Ok, qualquer coisa chame.

– Pode deixar.

Segui o caminho até a cadeira de frente para Kanji e apoiei minha bolsa na cabeceira dela. Me sentei e esperei até que ele se sentasse também. Ele ficou olhando um tempo para a porta em pé, mas logo se sentou e me encarou.

– O que quer de mim? — Kanji perguntou sério.

– Nada, só que confesse que matou Nara.

– Eu não a matei.

– Matou sim e sei por que.

– Prove.

– Conhece esse rapaz? — mostrei-lhe a foto de Toyo.

– Toyo? O que faz com ele?

– Não te interessa, perguntei se conhece.

– Sim conheço.

– Ótimo, começamos bem. Agora me diga, quanto tempo o conhece?

– Bastante tempo, não me recordo quando.

– Sim, e por que quase o matou tempos atrás?

– Não fiz isso.

– Kanji a não ser que queria morrer na prisão, diga-me a verdade aqui e agora.

– Não faria isso.

– Sim, eu faria. — comecei a mudar o tom de voz.

– Tá legal, vou falar. — ele voltou atrás.

– Comece.

– Toyo e eu nos conhecíamos mas quando soube que minha mulher estava apaixonada por ele queria matá-lo e matar ela também, só que não sabia que a família dele era de bruxos e me jogaria uma maldição.

– Você matou essa mulher?

– Sim. — ele chorou.

– Por que e como?

– Por causa do ódio que senti no momento em que começamos a discutir e a brigar feio.

– Como a matou?

– A estrangulei.

– O que? Estrangulou-a, meu Deus. — olhei pra ele como um investigador olharia. — Continue.

– Continuar o que?

– Como matou Nara?

– Não matei Nara, sua louca. — ele gritou.

– Matou ela sim seu cafajeste, confesse logo. — levantei e apoiei as mãos na mesa.

– Não matei ela, Emi.

– E por que o fez?

– Não matei.

– Até quando vai mentir seu cafajeste?

– Não me chame de cafajeste. Eu não estou mentindo.

– Não? E por que suas digitais batem com as encontradas no corpo dela.

– Por que quando eu cheguei na casa dela queria ajudá-la.

– Sei. — levantei, mexi no cabelo e virei de costas. Comecei a pensar em algo.

– Emi, eu amava Nara nunca a faria mal.

– Você tem uma maldição dentro de si. — virei e gritei.

– Eu sei. Eu sei, mas não tive culpa.

– Teve sim e sabe por que? Porque perdeu a mulher que mais amou para alguém que realmente a trataria como ela merecia, como deveria ser tratada.

– Sempre tratei aquela vagabunda bem. — ele aumentou o tom.

– Vagabundo é você. Não me faça perder a paciência com você. — devolvi no mesmo tom.

– Emi, não menti.

– Mentiroso. — dei um tapa na cara dele com toda minha força e me afastei.

– Você enlouqueceu?

– Não. Estou totalmente lúcida. — menti quando na verdade estava fora de mim.

– Sua louca, vagabunda, cachorra. Você sempre jogou a Nara contra mim. — ele se levantou e deu um tapa em mim também. Quase cai desnorteada mas fiquei tonta, logo voltei a mim.

– Joguei sim e jogaria de novo, porque mesmo sem te conhecer eu sabia o cafajeste que você era. Eu tenho nojo de você, nojo.

– Eu que tenho de você, sua cadela. E de seu namoradinho Toyo também.

– Não vem falar dele agora Kanji, ele diferente de você tem um coração.

– Um coração? Faça-me rir. — dei-lhe outro tapa. — Ele virou a cabeça, veio até mim, me prendeu na parede e tampou minha boca.

– Quer saber? Matei mesmo aquela chata da Nara, e sabe por que? Porque ela nunca seria a mulher que eu queria, nunca seria alguém que eu desejasse, nunca seria quem me satisfizesse. E tem mais, matei-a sabendo que ela iria sofrer, do jeito que eu estava sofrendo por ela ter me deixado.

– Seu filho da mãe. Como pôde fazer isso? — gritei.

– Vejamos. — Ele tocou meu rosto e passou a mão em meu cabelo. — Com a raiva de ter sido deixado, dois braços e duas mãos. Simples.

– Seu cafajeste nojento, você vai pagar.

– Quietinha mocinha ou apago você. — ele tampou minha boca.

– Socorro. — gritei, mordi a mão dele e chutei suas partes baixas.

– Sua vadia. — ele gritou e caiu de dor.

Sai de perto dele, peguei minha bolsa e gritei para que me tirasse dali. Logo o policial Ren e o delegado Takeshi estavam na porta me ajudando a sair. Kanji me observou saindo enquanto eles perceberam a marca da mão dele que ficou na minha cara. Ren me puxou dali e me levou até a sala dele para me servir água e biscoitos enquanto Takeshi ficou lá batendo boca com Kanji.

– Você é muito corajosa Emi. — Ren me elogiou enquanto colocava gelo no meu rosto.

– Obrigada senhor. — agradeci.

– De nada, mas sabia que isso poderia acontecer caso eu te deixasse entrar. Não devia ter deixado isso acontecer.

– Não se preocupe, estou bem.

– Certeza?

– Sim, obrigada. — ficamos um tempo na sala, até diminuir o inchaço.

– Está pronta para ir ou quer esperar um pouco?

– Estou bem, já posso ir.

– Ok, quer que eu a leve até a porta?

– Sim, por favor. — ele me levou até a porta, me deu um abraço rápido, me desejou melhoras e voltou pra dentro da delegacia.

Escutei ainda alguns policiais pedirem ajuda para levarem Kanji para outra delegacia porque ele estava fora de si, queria a todo custo fugir e chegar até mim. Vi quando eles tiraram-no da cela e levaram até o lado de fora onde eu estava. Em câmera lenta trocamos olharem ameaçadores e li os lábios dele que diziam uma frase bem posta e inconfundível : — Você me paga.

Fui a pé até em casa e descobri que minha mãe não estava em casa. Subi para o banheiro para ver como estava meu roxo, mas levei um enorme susto. Estava uma marca enorme e roxa seguido com a marca da mão de Kanji. Doía muito e eu não sabia como explicaria aquilo nem pra mamãe e nem pra Toyo.

Sai do banheiro e dei de cara com Toyo atrás de mim me olhando com uma cara de preocupação seguida da de raiva e de surpreso.

– Emi, o que... foi... que... aconteceu... aqui? — ele ficou enfurecido de raiva e começou a ficar vermelho de raiva.