Trust Me

5 Descobertas


Toyo estava tocando a campainha. O pior não era esse, era ele estar sem camisa com o peito trincado a mostra, mas felizmente estava de costas esperando que alguém abrisse a porta. No caso, eu. Tomei fôlego, coloquei a cara de marrenta e de que ainda esperava respostas e abri a porta. Assim que abri ele se virou.

Que imagem. Que corpo. Que homem. Que tudo, eu pensava mas minha cara de brava continuava. Ele me deu um abraço e um beijo, e convidei-o para entrar. Fui na cozinha pegar um copo d'água enquanto ele esperava sentado no sofá. Eu o olhava pelo canto do olho e ele me secava por inteira sem exceção. Cheguei a ficar vermelha de vergonha e intimidada.

– Aqui está sua água Sr. Mistério. — falei irônica e rindo.

– Obrigada, Srta. Curiosa. — ele respondeu entrando na minha irônia e com um sorriso lindo de sempre.

– De nada. Então como sabe que estaria aqui?

– Não sabia.

– Então por que veio?

– Deu vontade.

– Ah entendi. Sempre faz isso?

– Só quando tenho vontade.

– Entendi.

– Hum. — ele viu o relicário no meu pescoço. — Você guardou meu presente!

– Presente? Ah sim, o relicário. Guardei. — ele o pegou na mão.

– Ficou lindo você. — tirei a mão dele e peguei o relicário na minha.

– Obrigada. Mas o que contem dentro dele?

– Segredos.

– Que tipos?

– Daqueles que se devem ser mantidos em segredo.

– Hum.

– O que vai fazer hoje?

– Não sei e você?

– Talvez ficar aqui com você e conhecê-la melhor. O que acha? — ele me deu um olhar malicioso.

– Tanto faz. — levantei do sofá e segui para cozinha.

– Então tá.

– Você quer subir?

– Posso?

– É..., pode. — ele pegou minha mão e me levou até a escadaria.

– Primeiro as damas.

Subimos as escadas em silêncio. Eu ia na frente enquanto ele ia bem atrás de mim, admirando minha beleza ou imaginando outras coisas. Pelo menos eu achava isso. Chegando lá em cima lhe mostrei meu quarto e o convidei a entrar. Ele aceitou e sentou no pé da cama me encarando.

– Então aqui que você dorme?

– Sim né? — ri.

– Sei.

Ainda eram duas da tarde e começamos a conversar cada vez mais. Passamos a tarde toda lá em cima assim. Eu já havia sentado na cadeira da penteadeira, na cabeceira da cama, no pé da cama ao lado dele, no chão olhando pra ele e deitei no chão apoiada a um travesseiro, mas Toyo continuava no mesmo lugar.

Conversas vão, conversas vem, minha mãe me ligou dizendo que iria voltar tarde pra casa por conta do trabalho e que eu poderia pedir algo para comer ou mesmo fazer o que quisesse. Mas não estava com fome e muito menos Toyo. Não contei a ela que ele estava comigo aquela tarde. Tudo ia bem até que ouço alguém bater na porta com força. Desci correndo as escadas ainda com o pijama e o roupão por cima.

Cheguei na parte de baixo da casa e olhei pelo olho mágico que eram dois policiais.

– Olá senhorita, boa tarde.

– Boa tarde.

– Queremos saber se conhece esse rapaz. — um dos policiais mostrou uma foto de Toyo.

– Sim, mas por que a pergunta?

– Estamos em busca dele, parece que ele matou duas pessoas ontem a noite e fugiu logo após isso. Algumas testemunhas o viram correr depois do crime e se esconder no meio do mato perto da praia.

– O quê? Não, não pode ser. — respondi chocada.

– Como assim senhorita?

– Eu o vi ontem a noite. — estava confusa.

– Ontem a noite? Que horas?

– Não lembro, mas já era tarde. — lembrei da noite anterior e como ele estava.

– Ok, você sabe onde ele pode estar agora? Não o achamos em casa.

– Não sei não senhor. — menti.

– Obrigada mesmo assim, caso o vir entre em contato. — ele me deu um cartão com o número de telefone.

– Ok pode deixar, entrarei em contato.

– Tenha uma boa tarde senhorita.

– Igualmente. — fechei a porta, virei de costas e me apoiei nela.

Um assassino mentiroso? Era isso que ele me escondia da noite anterior? Como pode ser? Ele não pode ser aquilo? O que vou fazer? Estava assustada e cada vez mais nervosa. Antes de subir, passei na cozinha e bebi dois copos grandes de água para acalmar ou tentar ficar calma.

Passado esse susto, comecei a subir as escadas lentamente com o cartão na mão lendo e relendo o nome e o telefone do policial. Ao chegar dois degraus do piso superior guardei-o em um dos bolsos do roupão e entrei em meu quarto. Toyo observava a janela que dava para a rua avistando os policiais se afastarem. Notou-me ali.

– Eles me queriam não? — ele continuou virado.

– Sim. Mas por quê? — parei na porta do quarto chocada.

– Porque incidentes acontecem. — ele se virou.

– Incidentes? — perguntei incrédula.

– Sim Emi, assim como esse. — ele chegou perto de mim em um piscar de olhos e me beijou.

O beijo de Toyo era calmo e sensual com uma pitada de romance e doçura. Eu tentei resistir aos seus encantos mas ele era mais forte que eu e me prensou contra a parede. Seu corpo quente me excitava e seus beijos me fizeram derreter como se eu fosse de açúcar. Nunca tinha tido uma sensação como aquela com ele. Era diferente dos rapazes que beijei. Ele me soltou e desceu as escadas correndo. Fiquei sem entender nada e corri atrás dele. Ele parou na porta e vi que ele não conseguia abri-la.

– Vai ficar tudo bem. — tentei tirar a timidez dele.

– Sim. — ele respondeu seco. — Pode abrir a porta por favor?

– Não antes de me explicar o que foi aquilo. — cruzei os braços de frente para ele e de costas para a porta.

– Abra a porta. Agora. — ele ficou com raiva.

– Não. — rebati.

– Abra Emi. Abra logo. — cada vez mais ele se enchia de raiva e ficava vermelho.

– Tá bom eu abro, mas com uma condição.

– Fale logo.

– Que você venha hoje tarde da noite aqui me encontrar.

– Pra?

– Saberá, só venha.

– Está bem. — abri a porta e ele saiu correndo.

Ao observá-lo, subi as escadas correndo para ver melhor de cima e não o vi mais. Avistei apenas um lobo negro correndo em direção a um lugar afastado perto da praia. Fiquei ali até desaparecer de minha vista e eu começar a pensar que estava ficando maluca ao ter visto aquilo.

Um lobo? Seria esse seu segredo? Ser dependente de comer pessoas e ter uma vida amaldiçoada para sempre? Eu deveria estar maluca ou louca para pensar aquilo. Passei o resto da tarde que me restava com as pernas para cima apoiada na parede deitada no chão pensativa. Afinal, poderia ser isso? Peguei o relicário nas mãos e passei a admirá-lo até pegar no sono.