Eu chorava compulsivamente por saber que o dia em que Toyo seria preso e mais do que provavelmente morto. Não queria perdê-lo, mesmo que estivesse com medo de arriscar nossas vidas ficando juntos. Era uma coisa que sempre me passou pela cabeça, mas saber que acharam seu local de abrigo e descanso era demais pra mim. Me abalei totalmente e nem sei como consegui manter a cara de durona na frente dos policiais.

– E agora Aki? — olhei para ele e o abracei chorando, mas fomos interrompidos com o tocar da campainha novamente. — Toyo?

– Emi. O que foi? — o abracei fortemente e não soltei por alguns minutos chorando em seu ombro.

– Eles...eles...descobriram. Me desculpa.

– Eles quem? Descobriram o que?

– Os policiais descobriram onde você está.

– Não.

– Sim. — chorava muito.

– Emi, é agora ou nunca.

– O que?

– Fuja comigo.

– Não posso.

– Pode, é só querer.

– Não é essa a questão. — fechei com força a porta, tranquei-a e subi a escadaria correndo sem olhar pra trás.

– Emi, espere. — Toyo subindo correndo atrás mas já me pegou no quarto fechado. — Abre, por favor.

– Tá. — abri a porta e deixei ele entrar.

– Emi agora que já sabe a verdade preciso que fique calma. — Toyo se ajoelhou ao lado da minha cama onde eu estava de costas para ele.

– Calma? Como posso ter calma? A pessoa que amo vai ser presa e morta.

– Emi, eu também te amo mas não posso mais me esconder. Irão me achar onde eu estiver. — me virei.

– Toyo. — coloquei a mão no rosto dele. — Não pode me deixar, não posso te deixar.

– Emi. — beijei-o antes que ele pudesse falar ou pensar em algo.

– Eu preciso de você, mas sei o quanto é arriscado para nós dois isso.

– Ei, nunca conheceu o que é o verdadeiro amor mas agora que conheceu ele é amaldiçoado e é alguém que pode tirar sua vida a qualquer momento. Emi, eu sei o quanto é arriscado ficarmos juntos mas preciso de você e preciso que me ajude.

– Toyo. — chorei muito e caí nos braços dele que me segurou e tentou me acalmar.

– Calma, calma.

– Não consigo, logo irão pegar você e estará ferrado e longe de mim.

– Não, isso não acontecerá prometo a você. Eu prometo. — não parei de chorar.

Passamos um tempo ali juntos até que Toyo conseguisse me manter calma o suficiente para termos uma conversa racional e que pudesse demostrar o que realmente poderia acontecer caso ele fosse preso e condenado. Eu queria poder acreditar que nada daquilo que eu pensava estava errado e que não iria acontecer, mas tudo me demostrava o contrário, porque sabíamos que a qualquer momento a polícia poderia capturá-lo.

Toyo me manteve calma e me colocou na cama para conversarmos a altura do olho um do outro e pudéssemos pensar em algo caso tudo aquilo acontecesse. Pensamos em várias possibilidades mas nenhum era fácil de se acertar ou fazê-la. Fugir era arriscado, virar lobo poderia matá-lo, arriscar minha vida pela dele ele não quis e outras coisas que me passaram a cabeça não queria comentar.

– Não sei o que podemos fazer.

– Nem eu Emi.

– Podemos ficar só hoje juntos?

– Claro, mas como amigos?

– Como quisermos que seja.

– Está bem. — ele me beijou, mas a campainha tocou novamente.

– Devem ser eles de novo. — me desesperei e entrei em estado de choque.

– Emi, calma. Respira, calma por favor.

– Toyo não vou conseguir. Não me faça ir lá. — implorei.

– Calma, eu vou ver e já volto.

Toyo me deixou na cama e desceu as escadas rapidamente e como em um piscar de olhos chegou até a porta e espiou pelo olho mágico dela. Ouvi mais uma vez a campainha tocar e vozes do lado de fora então fui até a janela espiar o que se passava, mas não vi nada e nem ninguém. Ele voltou e me disse que era apenas minha mãe, me tranquilizei e desci correndo para abraçá-la. Estava com muito medo e não conseguia pensar em outra coisa.

– Emi, por que esse amor todo? — ela se sentia surpresa mas ao mesmo tempo amada.

– Nada mãe, só sentia sua falta. — ela olhou pra Toyo, e ele sorriu e deu de ombros.

– Sei. Eu te amo filha.

– Eu também mãe, muito mesmo.

– Meu amor. — ela me soltou e me olhou nos olhos. — O que aconteceu com você?

– Vieram pegar Toyo mãe. — chorei mais uma vez e abracei-a de volta.

– Pegar...Toyo? Por que?

– Pelos assassinatos mãe.

– Assassinatos? — ela olhou para Toyo.

– Senhora Yumi queríamos falar antes mas Emi pediu para que não contássemos pela reação da senhora.

– Então falem agora mesmo. — ela me soltou com força e exigiu que sentássemos no sofá na sala para contarmos.

Toyo se sentou e sentei ao lado dele ainda em choque com o susto e tremendo muito. Ele me deitou em seu colo e me fez carinho enquanto contava a história de sua vida para minha mãe. Ela ficou chocada com tudo aquilo, mas não respondeu e nem o interrompeu um minuto sequer. Prestava bastante atenção mas de vez em quanto olhava para ver como eu estava.

– Então é por isso que nunca me falaram nada? — mamãe se levantou e ficou indignada.

– Sim senhora Yumi.

– E por que Emi está assim?

– Ela está com medo do que façam comigo.

– E o que farão?

– Ninguém sabe mas ela só pensa no pior.

– Filha, escute. Não vai acontecer nada tá legal? — ela se ajoelhou na minha frente.

– Vai sim mãe, vai sim.

– Não, não vai. — ela olhou para Toyo e depois para mim.

Ela me abraçou e puxou Toyo para um abraço coletivo de família. Fiquei mais calma, mas ao mesmo tempo nervosa. Eu queria poder expressar tudo que estava sentido, mas não podia. Eu temia o pior e que em qualquer momento policiais iriam invadir minha casa e prendê-lo. Olhei-o e ele devolveu o olhar. Ficamos abraçados alguns minutos até a campainha tocar novamente.

– Agora são eles mãe. Agora são. — olhei para Toyo e ele para mim.

– Calma filha, vai ficar tudo bem. — a campainha tocou de novo.

– Sabemos que ele esta aí senhorita. Vai ficar tudo bem, apenas abra a porta. — um policial gritou da porta.

– Não, eu não vou abrir. — gritei e minha mãe e Toyo se afastaram.

– Iremos arrombar a porta.

– Como sabem que ele está aqui? Alguém te contou ou só querem me ver de novo? — encorajada fui indo até a porta.

– Uma testemunha o viu entrar aí algumas horas atrás.

– A é, e quem disse que ele realmente está aqui? — cheguei até a porta e fiquei atrás dela olhando para minha mãe e Toyo.

– Senhorita não faça isso só queremos verificar.

– Mas já vieram aqui mais cedo.

– Sim, e você abriu a porta.

– Mas não irei abrir agora. — entreguei.

– E por que não? Tem algo a esconder?

– Não, claro que não.

– Então abra a porta.

Fui correndo até Toyo e o abracei forte. Sabia que aquela porta não seguraria os policiais por muito tempo e não queria que quebrassem tudo. Então fomos até a parte detrás da casa e descobrimos que existia vários policiais lá também. Subimos para meu quarto e vimos de cima o quanto tinha, que passavam de vinte deles.

– O que eu faço? — mamãe falou.

– Fique calma e quieta. — respondi com dificuldade.

– Senhorita iremos arrombar a porta. — ele gritou mais alto com autoridade.

– Arrombem, vão em frente.

Fiquei com medo daquilo tudo, mas estava preparada para o que viria. Não poderia prever em quanto tempo os policiais iriam invadir minha casa, mas sabia que uma hora isso iria acontecer. Olhei para Toyo e depois para mamãe. Abracei os dois e disse que os amava, eles repetiram e nos abraçamos com força por alguns segundo até que a porta foi estourada de cima abaixo.

– Eu sabia. — um dos policiais armados apontou para nós.

– É agora Emi. — Toyo nos soltou e me beijou.

– Não. — comecei a chorar novamente.

– Sim, eu te amo meu amor.

– Eu também te amo.

– Se entregue agora e ficará tudo bem. — um policial disse a Toyo.

– Tudo bem eu vou. — ele respondeu, me olhou e me soltou. Toyo deu um beijo no rosto da minha mãe e nos fez ficar abraçadas juntas.

Toyo foi indo em direção aos policiais, mas não sei o que lhe deu que correu até meu quarto no andar de cima. Me soltei da minha mãe e corri atrás dele. Os policiais vieram atrás da gente e acabaram me pegando. Me debatia e chutava os policiais que me agarraram. Ele também foi pego e algemado.

Eu não sabia o que fazer ou pensar naquele momento só queria que pudéssemos sair ilesos daquela situação sem sermos presos ou que Toyo fosse condenado e até morto. Me debatia muito e tentava me soltar a qualquer custo enquanto ele ia tranquilamente com os policiais que o imobilizaram com choque elétrico. Eu chorava e gritava, o que chamou a atenção dos vizinhos e da vila toda que nos viram saindo presos daquele jeito.

– Toyooooooooooooo. — gritei antes que o levassem em um carro e me jogassem na grama que ficava na frente da minha casa.

Minha mãe correu e veio me socorrer enquanto eu tentava levantar e tirar meu cabelo do rosto. Eu nunca iria esquecer aquele dia e nem a cara do policial que virou para mim e falou que se eu não parasse com o showzinho iria ser a próxima. Olhei para ele e apenas disse que aquilo não iria ficar assim. Ainda tentei correr atrás do carro, mas não consegui. Acabei ficando no meio do caminho chorando muito e caída no chão na rua.

Mamãe veio atrás de mim e me fez desistir daquilo tudo, mas já era tarde tudo tinha acontecido do jeito que eu temia. A última imagem que tive de Toyo foi a que ele me olhou de dentro do carro, gritando por mim socando o vidro do carro policial. Eu queria poder chegar até ele, mas fui impedida. Abracei minha mãe e ela me ajudou a ir até em casa e disse que me levaria até a delegacia onde ele estaria. Então fomos até lá com a vizinhança me acusando de tudo que poderia existir e me desejando coisas horríveis.

– Vocês vão ver só. — falei antes de partirmos para a delegacia.