Trust Me
15 Amor
Minha mãe se virou com rapidez e veio em direção a mim. Abracei-a como se não a visse há anos, daqueles abraços de ursos ou de pessoas que se perderam ao longo do tempo e estavam loucas para se verem novamente. Ela chegou a chorar um pouco e fungar, mas fingi que não ouvi nem vi para que a minha explicação não a fizesse piorar.
– Mãe, me desculpa. Sei que preciso lhe explicar coisas, mas não dá.
– Emi, me conte agora por favor. — ela pediu.
– Não posso mãe. — olhei pra ela.
– Pode sim Emi. — Toyo me interrompeu.
– Como assim? — virei pra trás.
– Explique a ela. Confie nela também, assim como confiei em você. — ela chegou perto da gente já humano.
– Toyo? Você aqui? — minha mãe falou confusa.
– Mãe, preciso que sente. — sentamos eu e ela no banco e Toyo no chão.
Expliquei a ela tudo sobre Toyo, a morte da Nara, a maldição dele e do Kanji, como estávamos planejando tudo e sobre a minha relação com Toyo. Minha mãe não esboçou reação apenas pegou em minha mão, a puxou e me abraçou bem forte e disse que entendeu tudo. Disse também que ficaria ao nosso lado nessa luta e que faria o que pudesse para nos proteger.
– Mãe, você não pode comentar com ninguém ok? — impulsionei.
– Claro, pode deixar. — ela se animou. — Mas Toyo você era aquele lobo que queriam matar hoje cedo?
– Sim, era eu. — ele confirmou.
– Desculpe, não ter sido mais compreensiva. Agi como mãe.
– Tudo bem mãe, entendemos. Mas quero que entenda que irei passar um tempo aqui até a poeira abaixar.
– Claro, tudo bem. Vou trazer roupas e comida sempre que precisarem.
– Obrigada mãe.
– Obrigada senhora Yumi.
– Apenas Yumi, Toyo.
Nos entreolhamos e nos abraçamos todos os três. Mamãe me deu o relicário e Toyo colocou em meu pescoço. Ainda conversamos mais um pouco antes de começar a escurecer e esfriar. Pedi a ela que fosse indo embora ou iria ficar em um breu total. Nos despedimos e acompanhamos até ela partir, depois nós dois voltamos ao trailer andando e conversando sobre mais planos.
Ao chegar no trailer tirei os chilenos e me joguei no sofá cama, Toyo foi à cozinha beber água e depois se sentou ao meu lado. Ligamos a televisão para ver o que se passava nela e infelizmente só sabiam falar do dia de hoje, de como fui louca e de ter quase morrido ao ter entregado minha vida pela de um "desconhecido" lobo.
– Emi, eu te amo. — ele olhou pra mim e sorriu.
– Eu também te amo Toyo. — me sentei e sorri de volta.
– Posso?
– O que?
Ele se levantou e ficou na minha frente, se ajoelhou e pegou minha mão. Fiquei em choque e pensava que era algum pedido de namoro ou até casamento, porque nos dias de hoje ninguém mais faz isso, mas ele apenas a beijou e disse que iria estar sempre na minha vida e presente em meu dia a dia. Respondi que também estaria e que iria ajudá-lo no que precisasse.
Depois Toyo se levantou e me puxou pra bem perto dele, ficamos cara a cara e ele me afastou para o lado para fazer o sofá se transformar em cama de novo. Voltou a mim, me pegou no colo e se jogou comigo nela. Quase bati com a cabeça na parede e ele também, mas não aconteceu. Fui puxada para cima de sua barriga e trocamos olhares e beijos carinhosos.
Com o tempo começou a esquentar o clima e tiramos as roupas. Ficamos nus um para o outro e acabamos transando ali mesmo, mas acabamos esquecendo uma coisa. Proteção. Não nos preocupamos na hora, mas depois deu um peso na consciência. Já imaginei-me grávida ou com alguma doença, mas Toyo me tranquilizou. Apesar de não termos usado camisinha, ele tinha ejaculado fora, mas a preocupação as vezes batia forte.
Deitamos um ao lado do outro e trocamos carícias, mas já com roupas básicas, apenas as íntimas e eu com a camisa dele. Conversamos sobre como seria ter de enfrentar tudo de novo e sobre ele sair e procurar Kanji. Pensamos mais ainda quando recebi uma mensagem no celular de um parente dele dizendo que ele estaria indo viajar para o exterior dali a dois dias.
Pulamos da cama e decidimos ir para minha mãe para investigar aquela mensagem e pesquisar mais sobre isso, mas acabamos ficando no trailer e esquentando ainda mais nossa relação. Nos beijamos e fomos tomar banho juntos. Naquela hora já estava tudo escuro e lá dentro tinha apenas uma luz na sala e na cozinha para enxergarmos somente o necessário. Depois do banho nos trocamos e ficamos na cama abraçados.
– Nunca conheci alguém assim senhorita Emi.
– Nem eu senhor Toyo. — rimos.
– Você é tão importante pra mim que nem sei como expressar ou explicar.
– Você também.
– Queria poder te conhecido antes.
– Mas talvez não seria tão legal, quanto está sendo. — olhei pra ele.
– Você está gostando? — ele me olhou com uma cara de surpresa.
– Sim, acho legal aventuras.
– Hum. — ele se virou na cama e me soltou.
– O que foi? — me preocupei.
– Nada.
– Toyo, me fala.
– Nada Emi.
– Toyo, te conheço.
– Nada Emi, estou bem.
– Não vai falar mesmo?
– Não.
– Está bem então, boa noite.
– Boa noite. — escutei ele choramingar.
Passamos um tempo sem nos falar, até que decidi quebrar o silêncio.
– Fala logo, está me deixando preocupada.
– Emi, se eu fosse um garoto... A deixa pra lá, não vale a pena.
– Um garoto o quê? — me sentei.
– Se eu fosse um garoto normal, ainda gostaria de mim? — ele se sentou e se virou.
– Sim, por que não?
– Não sei, as vezes tenho medo de perder você.
– Toyo, nada vai fazer eu me afastar. Nem você quase ter me matado. — ri.
– Emi, me prometa uma coisa?
– Claro.
– Consegue me amar mesmo com meus defeitos?
– Eu já amo você com seus defeitos. — ele sorriu.
– Eu também a amo.
Passamos a noite nos amando. Viramos a madrugada juntos abraçados e fazendo amor até cansarmos. Já me sentia insegura sobre meu fôlego e aguentar tanto sexo, mas não queria parar porque de um jeito ou de outro gostava e precisava daquilo já que nunca tive aquilo antes na minha vida.
Antes de dormirmos comemos salgadinhos e tomamos refrigerante enquanto víamos canal de filmes românticos. Eu me afogava em lágrimas enquanto ele apenas sorria e me beijava em partes mais lindas. Gostamos do filme, mas logo estávamos caindo de sono só que não imaginamos uma coisa. Que eu passaria tão mal aquela madrugada e começo do dia.
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