Minha mãe se virou com rapidez e veio em direção a mim. Abracei-a como se não a visse há anos, daqueles abraços de ursos ou de pessoas que se perderam ao longo do tempo e estavam loucas para se verem novamente. Ela chegou a chorar um pouco e fungar, mas fingi que não ouvi nem vi para que a minha explicação não a fizesse piorar.

– Mãe, me desculpa. Sei que preciso lhe explicar coisas, mas não dá.

– Emi, me conte agora por favor. — ela pediu.

– Não posso mãe. — olhei pra ela.

– Pode sim Emi. — Toyo me interrompeu.

– Como assim? — virei pra trás.

– Explique a ela. Confie nela também, assim como confiei em você. — ela chegou perto da gente já humano.

– Toyo? Você aqui? — minha mãe falou confusa.

– Mãe, preciso que sente. — sentamos eu e ela no banco e Toyo no chão.

Expliquei a ela tudo sobre Toyo, a morte da Nara, a maldição dele e do Kanji, como estávamos planejando tudo e sobre a minha relação com Toyo. Minha mãe não esboçou reação apenas pegou em minha mão, a puxou e me abraçou bem forte e disse que entendeu tudo. Disse também que ficaria ao nosso lado nessa luta e que faria o que pudesse para nos proteger.

– Mãe, você não pode comentar com ninguém ok? — impulsionei.

– Claro, pode deixar. — ela se animou. — Mas Toyo você era aquele lobo que queriam matar hoje cedo?

– Sim, era eu. — ele confirmou.

– Desculpe, não ter sido mais compreensiva. Agi como mãe.

– Tudo bem mãe, entendemos. Mas quero que entenda que irei passar um tempo aqui até a poeira abaixar.

– Claro, tudo bem. Vou trazer roupas e comida sempre que precisarem.

– Obrigada mãe.

– Obrigada senhora Yumi.

– Apenas Yumi, Toyo.

Nos entreolhamos e nos abraçamos todos os três. Mamãe me deu o relicário e Toyo colocou em meu pescoço. Ainda conversamos mais um pouco antes de começar a escurecer e esfriar. Pedi a ela que fosse indo embora ou iria ficar em um breu total. Nos despedimos e acompanhamos até ela partir, depois nós dois voltamos ao trailer andando e conversando sobre mais planos.

Ao chegar no trailer tirei os chilenos e me joguei no sofá cama, Toyo foi à cozinha beber água e depois se sentou ao meu lado. Ligamos a televisão para ver o que se passava nela e infelizmente só sabiam falar do dia de hoje, de como fui louca e de ter quase morrido ao ter entregado minha vida pela de um "desconhecido" lobo.

– Emi, eu te amo. — ele olhou pra mim e sorriu.

– Eu também te amo Toyo. — me sentei e sorri de volta.

– Posso?

– O que?

Ele se levantou e ficou na minha frente, se ajoelhou e pegou minha mão. Fiquei em choque e pensava que era algum pedido de namoro ou até casamento, porque nos dias de hoje ninguém mais faz isso, mas ele apenas a beijou e disse que iria estar sempre na minha vida e presente em meu dia a dia. Respondi que também estaria e que iria ajudá-lo no que precisasse.

Depois Toyo se levantou e me puxou pra bem perto dele, ficamos cara a cara e ele me afastou para o lado para fazer o sofá se transformar em cama de novo. Voltou a mim, me pegou no colo e se jogou comigo nela. Quase bati com a cabeça na parede e ele também, mas não aconteceu. Fui puxada para cima de sua barriga e trocamos olhares e beijos carinhosos.

Com o tempo começou a esquentar o clima e tiramos as roupas. Ficamos nus um para o outro e acabamos transando ali mesmo, mas acabamos esquecendo uma coisa. Proteção. Não nos preocupamos na hora, mas depois deu um peso na consciência. Já imaginei-me grávida ou com alguma doença, mas Toyo me tranquilizou. Apesar de não termos usado camisinha, ele tinha ejaculado fora, mas a preocupação as vezes batia forte.

Deitamos um ao lado do outro e trocamos carícias, mas já com roupas básicas, apenas as íntimas e eu com a camisa dele. Conversamos sobre como seria ter de enfrentar tudo de novo e sobre ele sair e procurar Kanji. Pensamos mais ainda quando recebi uma mensagem no celular de um parente dele dizendo que ele estaria indo viajar para o exterior dali a dois dias.

Pulamos da cama e decidimos ir para minha mãe para investigar aquela mensagem e pesquisar mais sobre isso, mas acabamos ficando no trailer e esquentando ainda mais nossa relação. Nos beijamos e fomos tomar banho juntos. Naquela hora já estava tudo escuro e lá dentro tinha apenas uma luz na sala e na cozinha para enxergarmos somente o necessário. Depois do banho nos trocamos e ficamos na cama abraçados.

– Nunca conheci alguém assim senhorita Emi.

– Nem eu senhor Toyo. — rimos.

– Você é tão importante pra mim que nem sei como expressar ou explicar.

– Você também.

– Queria poder te conhecido antes.

– Mas talvez não seria tão legal, quanto está sendo. — olhei pra ele.

– Você está gostando? — ele me olhou com uma cara de surpresa.

– Sim, acho legal aventuras.

– Hum. — ele se virou na cama e me soltou.

– O que foi? — me preocupei.

– Nada.

– Toyo, me fala.

– Nada Emi.

– Toyo, te conheço.

– Nada Emi, estou bem.

– Não vai falar mesmo?

– Não.

– Está bem então, boa noite.

– Boa noite. — escutei ele choramingar.

Passamos um tempo sem nos falar, até que decidi quebrar o silêncio.

– Fala logo, está me deixando preocupada.

– Emi, se eu fosse um garoto... A deixa pra lá, não vale a pena.

– Um garoto o quê? — me sentei.

– Se eu fosse um garoto normal, ainda gostaria de mim? — ele se sentou e se virou.

– Sim, por que não?

– Não sei, as vezes tenho medo de perder você.

– Toyo, nada vai fazer eu me afastar. Nem você quase ter me matado. — ri.

– Emi, me prometa uma coisa?

– Claro.

– Consegue me amar mesmo com meus defeitos?

– Eu já amo você com seus defeitos. — ele sorriu.

– Eu também a amo.

Passamos a noite nos amando. Viramos a madrugada juntos abraçados e fazendo amor até cansarmos. Já me sentia insegura sobre meu fôlego e aguentar tanto sexo, mas não queria parar porque de um jeito ou de outro gostava e precisava daquilo já que nunca tive aquilo antes na minha vida.

Antes de dormirmos comemos salgadinhos e tomamos refrigerante enquanto víamos canal de filmes românticos. Eu me afogava em lágrimas enquanto ele apenas sorria e me beijava em partes mais lindas. Gostamos do filme, mas logo estávamos caindo de sono só que não imaginamos uma coisa. Que eu passaria tão mal aquela madrugada e começo do dia.