Trust Me
16 Denúncia
Acordei várias vezes na madrugada e Toyo me deu remédios para parar os enjoos. Sabia que gravidez não poderia ser porque fazia horas que tínhamos transado e que isso não seria espontâneo. Depois de tomá-los parei de enjoar e consegui dormir com muito custo.
Só levantei depois das onze e notei que Toyo não estava no trailer. Não o vi na cozinha, na sala ao meu lado e nem no banheiro, mas quando saí na janela para espiar vi que ele chegava com uma sacola na mão e corri para a cama de novo. Fingi que estava dormindo enquanto observava ele entrar, deixar as sacolas na cozinha e vir até mim. Ele me deu um beijo na testa e inventei que acordei naquela hora.
– Bom dia preguiçosa.
– Bom dia pra quem passou mal a madrugada inteira.
– Desculpe, sinto muito.
– Relaxe, estou melhor. — sorri.
– Bom vamos pra sua casa hoje?
– Sim, vamos. Quando?
– Agora?
– Agora. Vou me trocar e já saímos.
– Ok, quer comer alguma coisa?
– Não obrigada, comemos em casa. — me troquei como um foguete. Vamos?
– Sim vamos. — ele me beijou.
Saímos do trailer e começamos a andar pela mata de mãos dadas porém em silêncio. Víamos os animais e plantas enquanto andávamos, sorríamos um para o outro e ele me ajudava a passar por algumas raízes maiores. Levamos de meia a uma hora andando até chegarmos ao final da praia onde entraríamos na outra mata que daria para as costas de minha casa.
Chegando na praia Toyo se transformou em lobo e subi em suas costas para irmos mais depressa. Mesmo assim levamos de trinta a trinta e cinco minutos para chegar até atrás de casa. Sai da mata primeiro para ver se tinha alguém ou algo que denunciasse que ele estava ali de volta ou que o lobo que aparecera da tv voltou para assombrar a redondeza. Felizmente não tinha nada.
Corremos para casa e entramos pela varanda. Subimos as escadas e fomos direto para meu quarto e nem notei se minha mãe estava, mas me parecia que não. Entramos e tranquei a porta. Recuperamos nossos fôlegos, nos entreolhamos e dissemos que tínhamos conseguido fugir de tudo e de todos. Ficamos felizes mais ainda lutávamos pelo ar.
– Conseguimos. — ele disse.
– Sim conseguimos. — confirmei e ele me beijou.
– Bom vamos ver se essa mensagem é mesmo verdadeira.
– Sim vamos.
Passamos uma parte da tarde trancados investigando se aquela mensagem enviada de um parente próximo de Kanji era mesmo verdadeira e pulamos de alegria quando vimos que era mesmo de verdade. Descobrimos também que ele viajaria dali a alguns dias para o exterior e decidimos agir. Tomei a liberdade de ir a delegacia e denunciar tudo que havíamos descoberto sobre ele. Decidimos que era melhor eu ir sozinha para não piorar a situação de Toyo e nem por tudo a perder.
– Boa tarde senhorita. — disse o investigador que fumava na porta da delegacia.
– Boa tarde senhor. Gostaria de saber se o policial, é ... — li o nome no cartão que aquele policial que batera duas vezes em minha porta me dera. — O senhor Ren está.
– Sim ele está, do que se trata? — ele jogou o cigarro fora e me encarou.
– Posso falar com ele? — me mantive firme.
– Sim, mas do que se trata?
– Só ele sabe e pode me ajudar já o conheço.
– Ok, vou chamá-lo. Pode esperar naquela sala?
– Sim.
A sala era pequena e apertada, só tinha uma mesa com duas cadeiras, uma na frente para eu sentar e outra atrás para o policial sentar. Um computador estava em cima da mesa cheia de papeis e um armário do lado direito da mesa cobria quase toda a parede. Me sentia presa como bandidos ficam quando vão para um interrogatório mas me mantive calma.
Fiquei olhando para cima e para as paredes enquanto esperava o policial chegar. Liguei para Toyo para dizer que tudo estava correndo bem e que o plano iria mesmo dar certo, e comemoramos pelo telefone mas nossa conversa foi interrompida pelo abrir da porta e entrada do policial na saleta. Me despedi fingindo ser minha mãe e dizendo que ligaria depois. O policial me cumprimentou e eu comecei a dizer o porquê de estar ali.
– Então quer dizer que você sabe onde está Kanji? — ele perguntou curioso.
– Sim sei.
– E como descobriu? — ele me olhou desprezivelmente.
– Investiguei tudo, fui atrás de parentes e achei. — respondi fria.
– Sim.
– E ele vai fugir em poucos dias.
– Como?
– Isso mesmo, ele vai fugir para o exterior.
– Não vai conseguir.
– Espero.
– Mas espere, como saberei que isso é verdade? — ele voltou atrás.
– Tenho provas. — respondi certeira.
– A é? E onde elas estão?
– Aqui. — peguei o computador e abri as conversas e pastas que tinha arquivados as provas, e mostrei ao policial.
– Meu Deus! Como fez tudo isso?
– A garota que ele matou era minha melhor amiga, prometi ajudar a pegar esse canalha por ter feito o que fez com ela.
– Ah, sinto muito por ela. — ele se solidarizou.
– Não sinta. — respondi sem mais.
– Está bem. Então vou enviar fotos dele a todos os aeroportos para que ele não consiga sair.
– Não.
– Não? — ele perguntou confuso.
– Não, ele é esperto e se ver alguma coisa dele voltara pra casa. Deve dar as fotos aos funcionários e pessoas próximas porque o que conheço de Kanji ele vai passar desapercebido e mudado. — entreguei.
– Como assim mudado?
– Ele não vai estar como está nas fotos.
– Como ele estará?
– Não sei, mas tenho uma dica.
– Qual?
– Ele tem uma marca de nascença atrás da orelha que vai até o pescoço. Não tem erro nem maquiagem que cubra.
– Obrigada senhorita tem ajudado bastante. — ele me incentivou.
– De nada. Faria tudo por Nara e estou fazendo o possível.
– Agradeço e pelas dicas também.
– De nada.
– Mas antes de ir tenho uma última pergunta.
– Sim. — olhei ironicamente para ele.
– Onde está seu amigo Toyo?
– Toyo?
– Sim.
– Não sei, não quero nem saber. Brigamos, bati nele e ele sumiu da minha vida.
– Ah entendo, mas mesmo assim se o vir me diga.
– Pode deixar.
– Acabamos então.
– Sim. — nos levantamos e ele esticou a mão para que eu apertasse. Apertamos ao mesmo tempo.
Peguei meu computador, guardei e sai da sala com um gosto de vitória. Andei até fora da delegacia e antes de ir para casa passei em um mercado para comprar sushis, temakis, norimakis e tempurás para comemoramos a denúncia sobre Kanji e que tudo desse certo quando ele fosse preso.
Cheguei em casa e Toyo estava na varanda sem camisa. Amava aquela visão.
– Oi. — respondi envergonhada.
– Oi. — ele me beijou. — Como foi lá?
– Tudo certo, estamos bem próximos de pegar Kanji.
– Que notícia boa. — ele me pegou no colo e girou.
– Sim, sim. Trouxe comida, vamos comer?
– Sim vamos. — ele me soltou e me deu um selinho.
Comemos até dizer chega e comemoramos bastante, mesmo ainda não tenho a prisão de Kanji e tudo no seu devido lugar. Estávamos cantando vitória antes da hora, mas sabíamos que correria muito bem o que planejamos. Toyo e eu estávamos feliz não só em fazer justiça, mas também em ajudar Nara a ter pelo menos um descanso em paz.
– Emi?
– Sim.
– Eu te amo e estou feliz em poder ajudá-la.
– Eu também te amo e obrigada Toyo.
– Já me ajudou tanto, devi essa a você mas ainda devo mais.
– Não me deve nada.
– Devo.
– Não se preocupe, não me deve. — sorri.
– Então tá. — nos beijamos
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