True love memories
10 Why do you care?
Notas iniciais
Vejo Emma arrumando suas coisas na sua bolsa ao abrir meus olhos e dar de cara com a claridade do sol no meu rosto. A fogueira tinha se apagado pela noite e os pássaros cantavam anunciando o dia. Era muito cedo ainda mas Swan já transparecia agitação ao se aprontar.
— Bom dia majestade! — Disse ao me ver sentar e bocejar de leve. Me levantei de prontidão e arrumei minhas coisas assim como ela. Se sua vontade era ir de uma vez eu não iria atrapalhar, apesar de ainda estar com sono.
— Bom dia. — Ainda continuei com o tom seco. Não daria o braço a torcer tão cedo.
— Temos que ir.. sei que ainda é muito cedo mas quanto mais a gente se amarrar mais demoramos pra chegar.
— Não tem problema Swan. — Fiquei a sua frente, pronta pra continuar. Ela fez uma careta. Que não pareceu fofa... nenhum pouco! Ta bom, talvez um pouquinho. Deveria ser contra as leis existir olhos tão verdes e encantadores.
— Gostava muito mais quando me chamava de Emma.
— Acho que prefiro continuar com as formalidades. — Passei por ela, demonstrando desdém.
— Pois eu não. E de novo você está indo numa direção que não sabe. — Me virei com as mãos na cintura. Bufando.
— Então pegue seu mapa mágico e nos leve para a terra encantada, senhorita sabe tudo! — Meu tom foi puro sarcasmo. Ela sorriu abertamente, como se estivesse familiarizada com aquilo.
— Primeiro, não é um mapa mágico. — Se aproximou de mim. Os lindos cabelos loiros soltos e levemente bagunçados, o que a deixava mais linda ainda. O que? Ah mas que diabos! Sua língua passou lentamente por seu lábio inferior, o molhando. Acompanhei o gesto um pouco perdida. — E segundo, não vamos para a terra encantada.. até então esse lugar é um mistério pra mim mas tudo o que sei é que devo pegar uma varinha. A varinha mais poderosa de todo o reino. — Logo ela invadiu meu espaço pessoal. Se eu me movesse um pouco para frente meu nariz poderia encostar no seu. Nossa respiração se misturou e não pude deixar de passear meus olhos pelo rosto um pouco pálido. Reparei que suas bochechas agora criavam um tom avermelhado. A boca fechada em linha reta, e descendo meu olhar notei pela sua garganta que ela engoliu em seco enquanto eu a observava. Seus traços eram tão delicados e atraentes.. perfeitos. — E me parece que você tenta fugir de mim, como se precisasse. Por isso vai para outra direção. — Suas sobrancelhas claras se arquearam lentamente. As duas esmeraldas em forma de olhos desceram para meus lábios sem pressa.
— Se eu quisesse fugir de você, acha que eu estaria aqui? — Tentei não vacilar no meu tom sério. Agradeci internamente por ter tido sucesso. — Se me lembro bem quem fugiu foi você Swan.
— Parece que é inevitável fugir. Resolvi não tentar mais. — Apertei os lábios me controlando para não beija-la. O seu perfume natural era tão doce que pude sentir, me inebriando.
— O problema é seu. — Sorri sem humor e com todas as minhas forças, junto a um pouco de consciência que me restava eu me afastei. — Agora pra que lado fica essa varinha? — Enruguei a testa. Ela me fitou dos pés a cabeça. Seu olhar não parecia muito inocente. Depois pegou o mapa na bolsa.
— Vamos continuar pra esse lado. — Apontou para trás de si, se virando e começando a caminhar. Revirei os olhos e a segui. Emma estava na minha frente enquanto seguíamos o caminho.
O colete azul marcava sua cintura muito bem. Suas pernas se moviam com força e ao mesmo tempo desajeitadas. Swan não era do tipo que se importava muito com as coisas, isso pude perceber. Ainda mais com seu jeito de andar, falar e agir. O que me intrigava, e atraía. Porque ela estava sendo ela mesma sem ligar para a opinião alheia. Era no mínimo admirável.
Resolvi parar de pensar nisso e desviei o olhar. Mas depois retornei e reparei cada pedacinho. Logo imaginei o quão bonita ela ficaria sem aquelas roupas. As costas lisas e macias, as pernas torneadas e cheias... pare! Pisquei com força e de repente eu estava ao seu lado.
Mais silêncio.
O que era bom, por que se ela abrisse a boca eu seria capaz de calar ela com meus lábios. O que seria terrível porque é impossível que ela sinta o mesmo. Impossível... será? Não sei o que anda acontecendo com minha cabeça ultimamente. Só sei que a atração era inexplicável e completamente inevitável. Por que? Com tantas pessoas no mundo tinha que ser justo Regina Mills. Ótimo!
Bufei com o pensamento.
Ela me olhou sem falar nada por um tempo.
— Ta agindo assim comigo, por que ainda esta braba né?
— Não sei do que você esta falando. — Continuei o caminho sem retribuir o olhar.
— Fala sério. Você tava tão... doce e meiga. E agora me trata como se não tivesse nem aí. — Notei irritação e tristeza em sua voz. — Você é uma pessoa difícil de entender Regina. — Parei de andar e a fitei incrédula.
— Tem certeza que está falando da pessoa certa?
— Como assim? — Ela realmente estava falando sério?
— Você é impossível Swan, impossível! — Esbravejei impaciente apertando os passos.
— Regina, espera! — Seu tom aumentou na tentativa de me alertar enquanto ela corria até mim, mas já era tarde demais. Uma rede brotou do chão e subiu meu corpo pra cima junto com o de Emma. Era uma armadilha. Uma corda grossa e separada da rede estava enroscada a uma grande árvore um pouco afastada. Senti seu corpo colado ao meu, naquela espécie de saco de cordas. Meus lábios quase encostaram nos seus por um descuido pelo espaço ser extremamente curto. — Droga estamos presas!! — Swan grunhiu com as mãos na rede forte e resistente.
— Isso eu notei. — Disse com ironia. Seu olhar passava por todos os cantos tentando achar um jeito de escapar, assim como o meu.
— Tem uma faca pequena no meu bolso traseiro. — Quase perdi a respiração ao ter seu rosto e seu corpo tão perto. — Consegue pegar?
— Posso tentar. — Minha voz saiu num sussurro.
Ela assentiu e então minha mão passou pela sua cintura, indo até suas costas. Ai minha nossa.. nossa, nossa! Desci a mão sob sua calça, confundindo com o bolso o que fez ela arregalar os olhos e quase.. gemer?
— No bolso, é no bolso! — Sussurrou contra minha boca. Senti as maçãs do meu rosto queimarem.
— Está bem. Me desculpe.
— Tudo bem. — Abriu um sorriso de canto, como se tivesse gostado daquilo.
Mas na verdade quem realmente tinha gosta foi eu.
Finalmente encontrei o bolso e tirei a faca dali, voltando o braço á posição anterior com cautela para não atingir Swan. Entreguei a faca na sua mão.
— Okay, tá vendo aquela corda um pouco afastada? — Ela mirou com a faca na corda livre perto da árvore.
— Sim. — Acompanhei seu olhar.
— Vamos ter que tentar dar um impulso até eu conseguir cortar a corda. Então nos livramos dessa armadilha. — Assenti.
Ao dar o impulso nossos lábios por um fio não se tocaram. Arfei. Por que aquela porcaria de rede tinha que ser tão pequena?
Depois de algumas tentativas Emma quase conseguiu cortar a corda esticando todo seu braço pra fora. Mas infelizmente ela desequilibrou e a faca caiu das suas mãos até o chão. O que a deixou furiosa.
— MAIS QUE MERDA! — Suas mãos chacoalhavam a rede com raiva. Até então finalmente ela perceber que aquilo era inútil e parar soltando o ar com força.
— Me deixar surda não vai adiantar de nada. — Retruquei.
— Pelo menos eu estou tentando. Sendo que nem foi eu que colocou a gente aqui!
— Acha que estarmos presas é minha culpa? — Travei o maxilar e trinquei os dentes.
— Claro que é! Você começou a discutir e andar pra longe de mim de novo e olha no que deu!
— Ah é mesmo? Me desculpe se não adivinhei que tinha uma armadilha logo embaixo dos meus pés. Devo ter me esquecido que sou uma caçadora e não uma rainha! — Proferi as palavras ironicamente.
— Você se acha tão superior por ser rainha não é? Acha que pode fazer o que bem entender sem pensar nas consequências. — Cuspiu as palavras me olhando dentro dos olhos. Mas que maldição! Tudo o que eu queria no momento era sair dali e ficar o mais longe possível dessa loira ingrata.
— Eu daria tudo pra não ser o que sou hoje Swan! Daria qualquer coisa pra voltar no tempo e mudar tudo e então eu seria feliz. Ter sido rainha foi a pior coisa que já me aconteceu então não venha falar que é um motivo pra mim me vangloriar! — Retribui irritada.
Silêncio.
Nossa Respiração ofegante se misturando era tudo o que chegava ao meus ouvidos.
— A culpa é minha. — Ouvi ela dizer com pesar. — Sabe.. tudo isso. É culpa minha. Eu apareci do nada. Você só quis ajudar e eu fui uma idiota. — Suspirou lentamente descendo o olhar. — Estraguei tudo. — Acompanhei sua expressão angustiada. — A verdade é que.. qualquer pessoa daria tudo pra ter sua amizade e seu respeito como eu tive, só que eu não soube valorizar.
— Está errada. Ninguém daria nada. — Tombei a cabeça pra trás e seu olhar subiu.
— Como não daria? Você é tão... bondosa e amável. — Desci meu queixo ficando com o rosto na mesma altura que o seu. Isso já era muito perto. O que era perigoso demais. — Eu sei que está agindo fria assim porque ficou magoada. Mas pelo que te conheci não parece ser você. Eu fico pensando se é um tipo de defesa. — Como essa mulher que conheci há poucos dias, me desvendava tão facilmente?
— Eu só queria ajudar Swan. — Comentei inconformada.
— Eu sei.. eu sei. — Seus olhos passearam pelo meu rosto com calma.
Um forte arrepio percorreu meu corpo ao sentir seus dedos no meu pescoço e o polegar se arrastando pelo meu queixo. — Só tentei proteger você. Nada pode acontecer com você. — Fechei os olhos brevemente com a carícia. E notei que minhas mãos já enlaçavam sua cintura. (Até mesmo por não ter muito espaço para onde coloca-las.) Seu polegar subiu até o meu lábio superior e contornou o desenho da minha boca delicadamente. Por um instante eu havia esquecido como respirar. Abri meus olhos, por tê-los fechado novamente e encarei a imensidão verde que agora se encontrava mais escura. As pupilas dilatas e de novo engolindo em seco. Ela parecia nervosa, mas seu olhar indicava pura luxuria e intensidade, misturado a outra coisa que não pude decifrar. — Me desculpa? — Sussurrou com a voz rouca. Como não desculpar??? Céus!!
Se o desespero falasse, estaria dizendo pra mim atacar os lábios dessa loira impossível. Agora.. eu devia ouvi-lo?
Inclinei a cabeça de leve, apenas esquecendo que eu tinha um cérebro e seguindo o órgão descontrolado dentro do meu peito que implorava para continuar com aquilo. A ponta do meu nariz tocou o seu e nesse momento seus olhos não desgrudavam da minha boca, trilhando até meu olhar.
Sua boca se entre abriu e assim eu senti sua respiração descompassada. Fechei os olhos percebendo que seus lábios roçaram nos meus e sua mão se enterrou em meus cabelos. Senti tanto desejo. Um turbilhão de desejos nada puros. Uma corrente elétrica passou pelo meu corpo com força. Eu estava prestes a cometer uma loucura, mas algo me dizia que era a loucura mais gostosa da minha vida.
— Olha só o que temos aqui. — Quando dei por mim, meu corpo estava se chocando ao chão em segundos. Abri os olhos e a rede não nos prendia mais meu corpo nem o de Emma. Ergui meu olhar vendo um homem se aproximar e estender a mão para mim. — Miladi.. — Ele sorria com educação e um certo brilho para mim. Pensei por um momento, mas em seguida coloquei minha mão na sua.
— Regina, não! — Ao me levantar senti minha cintura sendo agarrada por Swan, me afastando do homem.
— O que foi? — Indaguei preocupada.
— É ele. Foi ele quem acertou Hook com a flecha!
— Você quer dizer o pirata que estava com você?
— Sim! Eu vi você de longe quando o deixou de joelhos. — Seu tom foi de pura raiva. O homem loiro de olhos azuis pareceu ponderar. Ele carregava um arco e flecha nas costas. Parecia ser do bem pelo que percebi.
— Aquilo foi um acidente, eu sinto muito.
— Como se atinge uma pessoa com uma flecha por acidente? A não ser que você seja um arqueiro de meia tigela! — A loira cuspiu as palavras em direção a ele que sorriu de canto.
— Eu não erro senhorita. Foi um dos meus homens. Estávamos caçando. Ouvimos o barulho na mata, achamos que era um urso e quando percebi vi que meu amigo havia acertado o seu.
— Não acredito em você.
— Tudo bem, mas se tivesse sido de propósito eu não seria um bom homem. Acha que um homem mal tiraria vocês da armadilha dele?
— Então é sua armadilha! — Esbravejou Swan se aproximando dele. — Você planejou isso pra se passar por bonzinho agora, não foi?
— Swan, não seja paranoica. — Me pronunciei a fitando. Percebi que ela não gostou nem um pouco de eu ter defendido o homem que sorriu novamente. — A armadilha pode ser dele sim, mas ele nos soltou. Não vejo razão para ele querer ferir o seu pirata. Uma pausa se fez. Emma analisava o arqueiro cerrando os olhos.
— Vocês parecem com fome. — Disse num tom carismático. — Por que não venham comigo? Estamos acampando aqui perto. Acabamos de caçar e temos comida. É o mínimo que posso fazer por ter atingido seu amigo. — Seu olhar estava sempre fixo em mim mas agora tinha se voltado para Emma.
— Acho uma boa ideia. — Sugeri com um olhar reprovador para ela.
— Regina..
— Precisamos comer Senhorita Swan. — A essa altura minha barriga já roncava.
— Muito bem. Permitam-me apresentar. — Se curvou de leve num sorriso galanteador. — Sou Robin Hood.
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Emma
Bufei.
Bufei de novo.
E de novo.
Caminhávamos em direção ao acampamento de Robin. Eu nunca gostei daquele cara. Sempre tão esquisito e se passando por "bonitão". Não que ele seja, com certeza tudo se adquiria a ele menos beleza. Com tantas pessoas que poderíamos cruzar tinha que ser justo ele. Não tinha gostado NADA do olhar que ele lançou para Regina. Obviamente deve ter se atraído por ela. Droga! E claro que ela o defendeu. Ela acreditava mais nele, um desconhecido, do que em mim? Que inferno! Por que ele tinha que ter atrapalhado aquele momento que me deixou sem estruturas?
Estar tão perto de Regina me enlouquecia. Me deixava desesperada para beija-la, para toca-la. Quando meus lábios tocaram os seus de leve, apenas pude sentir a textura macia daquela boca carnuda. Estava prestes a roubar o beijo mais lascivo que poderia, até esse merdinha estragar tudo!
Merda.
Por isso não queria ficar perto dela, por isso eu a afastei e a deixei tão brava. Porque eu sabia que se ficasse apenas alguns minutos com ela eu não aguentaria e deixaria de ouvir minha mente que relutava contra aquele sentimento há muito tempo. Não sabia o que ela sentia por mim. Quer dizer, eu sou praticamente uma desconhecida pra ela, por que teria algum interesse em mim? Mas a forma como ela me olhava e sempre queria manter distância era duvidosa.
Tudo o que eu queria era aquela Regina novamente. Doce e gentil, meiga e amável. Que me tratou tão bem como nunca. Que quis me ajudar e ficar do meu lado. Mas eu tive que estragar tudo! Poderia também ter sido para protege-la mas não era só isso. Porém parecia inevitável ficar longe dela, pois sempre nos esbarrávamos de uma forma ou de outra. Horrível e ao mesmo tempo maravilhoso. Confuso? Sem sombra de dúvida!
— E qual seria o nome da mulher mais bela que já vi? — Olhei a minha frente onde Robin acompanhou Regina ficando ao seu lado. Ele abriu o maior sorriso a fitando. Cerrei os punhos quando ela retribuiu o sorriso.
— Me diga você. — Disse com modéstia. Muita modéstia. Pois ela era a mulher mais linda de todo o universo.
— Acho que é Regina, não? Ouvi sua amiga dizer. — Os dois agiam como seu eu nem estivesse ali, o que me irritou mais ainda.
— Nós não somos.. amigas. E sim, isso mesmo. — Aquilo quase me fez saltar fumaça pelos ouvidos mas resolvi ficar quieta. Se eu abrisse a minha boca só sairia porcaria.
Os dois continuaram sorrindo um para o outro e trocando perguntas banais. Robin era um babaca.
Definitivamente um babaca. Parecendo um cachorro atrás do osso.
Bufei.
Minha vontade era de evapora-lo com a minha magia e puxar Regina para te-la só pra mim.
Ela é minha!
Bom.. não ela não é. Mas o pior de tudo era que eu queria que fosse. Mais que qualquer coisa que já desejei na vida.
Tratei de parar com o pensamento. Afinal eu não estava ali pra isso. Se ela quisesse conversar com ele e os dois se atraírem, tudo bem. Que mal tem né?
Mal nenhum. Nenhum mesmo.
Exceto pela minha vontade de estrangula-lo, mas isso não chega a ser uma coisa ruim. Não pra mim pelo menos.
— Chegamos. — Robin anunciou enquanto saímos das árvores e pisamos num campo aberto onde havia tendas e barracas. Algumas pessoas passando por ali fazendo seus afazeres e outros sentados em volta de uma fogueira. — Podem ficar a vontade. São bem vindas aqui. — Ele sorriu abertamente e caminhou até um homem robusto que estava de costas. — A comida já esta pronta amigão? — Puxou o outro para um abraço que foi retribuído.
— Acabou de sair da fogueira meu querido. — Deu uma risada e se afastou de Robin olhando para mim e Regina. — Temos convidadas?
— Temos sim. Lembra daquele homem que acabamos acertando sem querer enquanto caçávamos?
— Sim eu lembro.
— Era amigo delas. Eu resolvi me desculpar, as convidando para o jantar.
— Claro. — O homem se aproximou e sorriu educadamente. Cruzei os braços. — Eu peço desculpa pelo amigo de vocês. Confesso que minha pontaria é péssima!
— Eu concordo. — Falei seca. — Meu amigo quase morreu por sua causa!
— Emma! — Exclamou Regina frustrada. Como assim?
— Eu realmente sinto muito. Espero que ele esteja melhor.
— Bom se estiver não vai ser por sua causa. — Respondi ríspida.
— Podia tentar ser no mínimo educada Senhorita Swan. — Fitei com indignação a morena ao meu lado.
— Tudo bem Milady. Ela esta com raiva pelo amigo, se fosse eu estaria do mesmo jeito. — O arqueiro fedorento se intrometeu num sorriso tranquilo.
— Bom, melhor eu trazer a comida antes que ela me mate. — O grandão se afastou rapidamente recebendo um tapinha nas costas de Robin.
— Por favor, se sentem. — Indicou a mãos para perto da fogueira onde ele sentou e Regina logo sentou ao seu lado. Suspirei algumas vezes antes de fazer o mesmo. Logo o seu amigo trouxe dois bratos, alcançando a mim e a "Madam Mayor". O almoço parecia ser coelho.
— Espero que gostem. A caçada anda um pouco fraca. Coelho foi tudo o que conseguimos. — Como eu disse, coelho.
— Não se preocupe, nem imagino o quanto deve ser difícil caçar! — Aquele tratamente tão doce de Regina estava me dando náuseas. Revirei os olhos e comecei a comer a comida.
— Com o tempo se pega a prática. Claro que.. você precisa ser acompanhado por alguém que saiba o que esta fazendo.. — E continuou explicando sobre caça enquanto eu queria me matar. Regina comia e sorria com sua explicação. Eu observava a cena sem piscar. — E pra onde estão indo? — Nem percebi que ele tinha acabado de explicar.
— Não é da sua conta. — Me meti a falar.
— Estamos em busca de algo. — Regina me ignorou completamente.
— É mesmo?
— Sim, temos um longo caminho pela fren..
— Eu acho que isso é irrelevante no momento. — A cortei. Um silêncio pairou no ar.
— Vocês deviam ficar. Só por essa noite. — Sugeriu o sujeito olhando atentamente para a minha... para a morena.
— Bom, talvez seja melhor mesmo. Nós..
— Regina, eu posso falar com você um minuto? — Me levantei indicando com a cabeça que eu PRECISAVA ter aquela conversa. Ouvi seu suspiro longo ao repetir o meu ato.
— Com licença Robin.
— Claro. — Ele sorriu ainda sentado. Se ele abrisse mais uma vez aquele sorriso pra ela eu socaria seu rosto.
Nos afastamos um pouco. Seus braços se cruzaram e sua testa enrugou.
— Pode me explicar por que está agindo dessa maneira? — Esbravejei.
— Eu ia fazer a mesma pergunta.
— Sério? Por que quem está de agradinhos com o inimigo é você!
— Pare de me acusar por tentar ser educada, Swan!
— Educada? Regina ele atirou no Hook!
— E você acha que eu ligo pro seu namoradinho pirata?
— Namoradinho? Do que está falando?
— Não vem com essa. Vai me dizer que não ficou se insinuando para ele naquela taverna agora!?
— O que... como você...? — Estreitei as sobrancelhas.
— Não importa. A questão é, que Robin está tentando se desculpar sendo gentil. Devíamos retribuir!
— É mesmo? Quer retribuir mais alguma coisa pra ele também? — Grunhi furiosa.
— E se importa? — Sorriu ironica com as mãos na cintura.
— Só não acho certo isso. Temos que continuar!
— Quer saber Swan, eu já cansei de você. Pode ir se quiser mas eu vou ficar por essa noite.
— Você sabe que ele convidou por que esta interessado em você não é? Viu o jeito como ele te olha? — Senti meu sangue ferver de uma maneira ardente como se eu fosse explodir a qualquer momento.
— Por que se importa?? — Voltou a perguntar quase gritando. Os olhos arregalados. A expressão frustrante em sua face. — Fala Swan! Por que? Eu quero saber! — Pude sentir a martelada nos meus ouvidos vindo do meu peito agitado. Com a respiração ofegante eu me aproximei num piscar de olhos. — Por que se impor.. — Amassei meus lábios contra os seus e segurei seu rosto entre minhas mãos. Naquele momento não existia mais nada, e muito menos o ar. Eu me vi flutuando num belo paraíso, como se estivesse no meu melhor sonho entre seus lábios.
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