True love memories
1 Who are you?
Notas iniciais
Mais uma noite sombria se passava por aquele enorme castelo, situado na floresta encantada. Dentro dele havia uma rainha solitária e desesperançosa que se encontrava sentada sozinha numa mesa farta que daria para duas famílias inteiras ou até mais. Um suspiro longo foi dado por ela. As lágrimas insistiam em descer, como se de alguma forma aquele ato iria tirar o peso de suas costas, por tanto sofrimento que passara. Cada lágrima que caía era pesada, seus olhos marejados. Todas as suas esperanças se esvaíram bem debaixo do seu nariz, sentia-se inútil, desamparada, abandonada, traída, amargurada. E tantos outros sentimentos negativos que lhe atormentavam a mente. Não sentia fome, nem sono. A vida tornara-se vazia, sem sentido. Todos que ela um dia amou tinham se ido. Seu amor verdadeiro tinha se ido, sua mãe. Agora tudo o que lhe restava era conviver com o rei Leopold e sua filha imprestável e linguaruda quando eles estavam presentes, o que era bastante raro. A mulher morena agradecia por isso. Ter que aturar a pirralha que arrancou o amor de si, todos os dias seria um total pesadelo. Perdida em seu sofrimento ela mexe o garfo no prato, sem nenhuma vontade de comer aquela comida.
— Sabe que existe um jeito de acabar com esse sofrimento, não é minha querida? — Na outra ponta da mesa, uma fumaça cor vermelho escuro se formou mostrando Rumplestiltskin com seu sorriso maléfico.
— Me deixe em paz. — Retrucou a rainha com a voz embargada, porém autoritária.
— Ora, vamos Regina.. não quer se vingar? De tudo o que fizeram pra você?
— Eu não vou entrar nos seus joguinhos, e não vou me entregar ao mal como a minha mãe fez. Não serei igual a ela. — Fitou os olhos do homem engolindo o choro trancado na sua garganta.
— Vai viver sempre neste castelo, vivendo uma vida atormentada enquanto pode usar o poder que tem dentro de você e ter paz ao se vingar de todos que te feriram?
— Eu nunca terei paz, não depois que Daniel se foi. E já me vinguei. Minha mãe planejou tudo o que aconteceu, agora está trancada num lugar onde jamais sairá. Está acabado.
— Mas e a garotinha que provocou tudo isso? Snow White.. acha que ela deve ficar impune? — Rumple se levantou e caminhou lentamente para perto dela.
— Ela é só uma criança, não sabia o que estava fazendo. — Seus dentes tricaram ao dizer aquilo. Claro que ela não pensava dessa forma, queria matar a menina com as próprias mãos porém não poderia dar o gostinho para o feiticeiro se aproveitar e leva-la para o lado sombrio.
— Mentira. Nós dois sabemos que você quer sua vingança Regina. Posso te ajudar com isso.
— Tudo o que eu quero agora, é ficar sozinha.
— Afogando as mágoas no próprio choro? Quanta fraqueza!
— Fica longe de mim! — Se ergueu da poltrona fuzilando o outro com o olhar que apenas sorria.
— Quando se der conta do que realmente precisa fazer, sabe onde me encontrar. — Deu uma risada e sumiu assim como surgiu.
Regina cerrou os punhos e trincou os dentes novamente, ainda de pé. Sua vontade era de sumir. Queria mais que tudo se vingar, mas não poderia ir para o lado negro, ser como a mãe era a pior coisa do mundo para ela. Mas como continuar vivendo uma vida como aquela? Sendo sustentada pelas mesmas pessoas responsáveis por acabar com sua felicidade. Mundo cruel, destino terrível que ela tinha traçado. A oferta de Rumple era tentadora, mas como aceitar?
Com raiva ela se dirige para seu quarto, e passando pela cama de casal enorme, chega até a sacada que dava para o salão principal, um andar abaixo. Suas mãos apertaram com força o corrimão.
— Por que? — Grunhiu e balançou suas mãos ali. — Por que? Por que? — Continuou balançando com força até que se desprendeu, e o apoio havia caído, a fazendo cair junto enquanto gritava em desespero até o chão.
Aconteceu tudo rapidamente, seu corpo bateu em alguma coisa que amorteceu sua queda e sua visão falhou. — AAAII.. — A morena abriu os olhos e percebeu que estava em cima de uma pessoa. Ergueu o rosto e deu de cara com uma mulher fazendo uma careta nada agradável com os olhos fechados. Assim que os abriu, fitou os olhos da rainha por alguns segundos. Regina se surpreendeu ao olhar aqueles olhos verdes brilhantes. — Regina? — A morena se levanta rapidamente com a respiração descompassada pela queda.
— Quem é você? — Perguntou confusa vendo a loira continuar com as caretas e se sentar no chão.
— Um obrigado já servia. AAUU.. — Colocou a mão direita no ombro esquerdo e gemeu de dor. — Acho que desloquei o ombro.
— Você.. você salvou a minha vida. — Regina observou cada traço do rosto angelical da mulher. Os cabelos loiros caiam como cascata pelos seus braços.
— É o que eu geralmente faço. — Sorriu de canto ainda com dor. — Ou pelo menos costumo tentar fazer.
— Deixe eu lhe ajudar. — A rainha se inclina, ajudando a loira a ficar em pé. — Você esta bem?
— To sim, foi só o ombro mesmo.
— Você poderia ter morrido tentando me salvar.
— Mas não morri, afinal você não é tão pesada assim. — Sorriu e Regina a acompanhou admirando a audácia da mulher ao se dirigir a rainha daquela forma.
— Venha, precisamos cuidar disso. — Com cuidado, a morena a guiou pelo castelo até seu quarto real e a sentou na cama. — O que eu posso fazer pra tirar sua dor? — Ela perguntou confusa olhando a loira.
— Vem aqui. — Chamou e a outra se aproximou, ficando a sua frente. — Agora pega meu ombro com as duas mãos. — Rapidamente a mulher misteriosa pegou as mãos dela e as colocou no seu ombro. — Tente coloca-lo no lugar. Aí cara, isso vai doer.
— Mas eu.. — Sem rodeios a loira a guia com uma mão, colocando seu ombro no lugar. O que lhe arrancou um gemido alto de dor.
— Pronto, acho que deu. — Se deitou na cama se contorcendo pela dor.
— Eu vou pegar um pano para prender seu braço, espere um instante. — Regina foi até um armário rústico no canto do quarto e abriu uma gaveta pegando o pano e voltando para a cama.
Assim que chegou perto viu que a mulher havia dormido ou simplesmente desmaiado pela dor. Então sem pensar a morena enrolou o pano no seu braço até seu ombro, colocando um tipo de apoio ali e a empurrou para perto dos travesseiros. A loira parecia dormir tranquilamente como um anjo. "Deve estar exausta" pensou a morena, colocando os cobertores sobre o corpo da outra. Deitou ao seu lado apenas observando-a ressonar. Algo naquela mulher misteriosa intrigou a rainha, e ela mal podia esperar para o dia seguinte e lhe encher de perguntas.
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