True love memories
2 How many questions!
Notas iniciais
Abro os olhos lentamente, e tudo parecia embaçado. Minha visão foi melhorando aos poucos e nitidamente consegui enxergar o lugar onde estava. Olhei para o lado e me surpreendi com o que vi. Regina estava dormindo tranquilamente, com a cabeça sobre o travesseiro da cama, estava por cima do cobertor com um vestido branco, solto. Nunca tinha visto seus cabelos longos e ainda mais num penteado de princesa. Alás aquela nem parecia a morena sarcástica e mal humorada com quem eu convivia, pelo menos enquanto estava dormindo. Fitei o cômodo ao redor e vi que estava no mesmo quarto que havia entrado na noite anterior. "Droga, o que eu fiz?" Pensei levando a mão a cabeça vendo que o meu outro braço estava enfaixado.
Sinto que alterei algo que não devia, e agora as coisas podem se desorientar e talvez nada aconteça como tem que acontecer. Preciso procurar alguém que possa me ajudar, mas quem? Não sei nem em que época estou. Me virei olhando Regina que estava querendo acordar. Ela começou a abrir os olhos e de imediato me olhou e algo meio esquisito aconteceu, sério, bem esquisito. Ela sorriu. E foi um sorriso grande, de orelha a orelha. Estreito as sobrancelhas confusa.
— Que bom que já acordou estranha. — Começa a se espreguiçar e bocejar, passando as mãos nos olhos. Como eu já estava assentada, ela se senta também e volta a me fitar. — Espero que o braço esteja melhor.
— Bom, acho que está. A dor parou. — Sorri de canto com seus olhos nos meus. Mas em que época eu estava para Regina ser tão solidária e boazinha?
— Você praticamente desmaiou ontem.
— Eu só vi tudo se apagar, deve ter sido pela dor.
— Deve ter sido mesmo. — Ela me analisava, e o que parecia ser cada detalhe de mim. — Oh, me desculpe. — Se levantou rápido e arrumou suas vestes. — Eu acabei pegando no sono vendo você dormir. — Eu estava vendo a morena corar, é isso mesmo produção? Só pode ser alguma pegadinha. — E você ainda não me falou quem você é.
— Eu.. — Abri a boca mas eu estava espantada. Regina era uma perfeita princesa com um sorriso alegre. Nunca a tinha visto assim. — Eu, eu sou Emma. Emma Swan. — Fiquei em pé e me aproximei para apertar sua mão, afinal ela não me conhecia.
— O que significa.. isso? — Perguntou apontando para a minha mão em sua direção.
— É tipo um cumprimento. Você pega sua mão e aperta a minha, sabe? — Confusa, ela leva sua mão a minha. Pego e aperto de leve, a soltando depois.
— É assim que você se direciona a sua rainha no seu reino?
— Bom, não.. — Coloco as mãos no bolso de trás da minha calça e olho para os lados. — Onde estou? — Desviei o assunto fingindo que não sabia de nada.
— Esta no meu castelo, sou a rainha. — Num tom superior ela fala.
— Tá, sei. Mas vem cá, existe um rei também? — Precisava saber mais.
— Sim, ele se chama Leopold e também tem sua filha inconveniente. — Cuspiu as últimas palavras. Então, quer dizer que o rei ainda tava vivo.
— Entendi. Aconteceu algo recentemente com você? Tipo, alguma tragedia?
— Você tem um jeito estranho de proferir as palavras Senhorita Swan. — E lá vamos nós para o "Senhorita Swan" de novo. Revirei os olhos. — E por que está fazendo essas perguntas? — Isso estava errado, eu não deveria nem estar falando com ela na verdade.
— Nada. Eu preciso ir. — Peguei e andei até a porta do quarto saindo por um corredor.
— Onde vai? — Regina me seguiu e nunca me pareceu tão curiosa. — Não pode sair assim.
— Claro que posso, onde fica a saída? — Disse enquanto andava. Ela se colocou na minha frente me fazendo parar.
— Tenha mais respeito. Se estou dizendo que não pode sair, não saia.
— É, parece que você ainda é você. — Murmurei bufando.
— Do que está falando?
— Escuta Regina, eu preciso sair daqui tá bom? É questão de vida ou morte e preciso que me ajude com isso. — Pego seus ombros e assim ela me olha com as sobrancelhas arqueadas.
— Mas eu tenho muitas perguntas para lhe fazer ainda.
— Você não pode. E de qualquer forma eu não vou poder responde-las okay? — Vi uma escada logo atrás dela e desci, chegando ao andar de baixo.
— O que você quer dizer com isso? — Ando até uma enorme porta, que parecia ser a principal, a ignorando. Beleza, Emma você está na floresta encantada, aqui com certeza não tem carros ou coisas do tipo.
— Pode me emprestar um cavalo? — Abro as portas e dei de cara com uma chuvarada intensa, relâmpagos pra todo o lado e praticamente tomei um banho de chuva em segundos. Dois guardas apareceram do meu lado e fecharam as portas, me empurrando de volta pra dentro. Suspiro ao ver a morena de braços cruzados.
— Podem largar ela. — Os homens me largaram. Puxei meus braços revoltada e eles se afastaram.
— Você não pode me prender aqui "majestade". — Ironizei a última palavra.
— Olhe o tempo. Você não pode sair agora. E sim eu posso prender você aqui por que sou a rainha, mas eu não faço essas coisas.
— Ainda não. — Digo num sussurro sem ela perceber. — Assim que a chuva parar eu vou embora!
— Enquanto isso, por que não se limpa? Posso pedir para os empregados prepararem algo pra você comer o que acha? — Olhei estranha para ela. Desde quando ela é assim?
— Por que tá sendo tão boazinha? — Estreito meus olhos em sua direção.
— Porque eu quero te ajudar, além disso você salvou minha vida. É o mínimo que posso fazer. — A morena se aproxima e me guia para cima, subindo as escadas.
— Você é mesmo Regina Mills? A rainha má? — Olhei pra ela confusa.
— Rainha má? Sou apenas rainha. Não acho que o "má" se qualifique para mim.
— Isso é novidade. — Ela me fita numa mistura de curiosidade e confusão.
— Chegamos. Aqui é um dos maiores quartos do castelo, sem mencionar o meu. Pode ficar a vontade, vou mandar trazer roupas secas pra você. — Regina abriu as portas e adentrou o quarto que realmente era enorme e muito bonito.
— Obrigada, muito gentil da sua parte. — Abro um sorriso olhando ao redor.
— Se precisar de mim, é só me chamar. — Me retribuiu o gesto e fechou as portas do quarto.
Respiro fundo e ando até a janela. Tiro um pouco da cortina e olho para o tempo. Que droga, nem isso estava me ajudando naquele momento. Bom, já que eu estou aqui, e por um milagre com uma Regina que ainda não desejou tacar fogo na minha cara acho que vou aproveitar pra descansar pelo menos um pouco. Quanta loucura já tinha acontecido. Quando pensei que ia ter pelo menos um descanso isso vem me acontecer, parece até que eu tenho um alvo nas minhas costas pra esse tipo de coisa.
Passo a mão livre nos cabelos e vejo que minha roupa estava ensopada. Vejo que no canto do enorme quarto tinha uma banheira. Vou até ela e coloco meus dedos ali, sentindo a água morna. Começo a retirar minhas roupas e junto com elas, o pano que enfaixava meu braço. Não sentia mais nenhuma dor, o que era bom. Entro na banheira, me deliciando com aquela água no meu corpo. Mergulho molhando os cabelos e logo começo a me limpar com uns frascos que estavam sobre um criado mudo ao lado dali. Os produtos eram cheirosos, e mesmo eu não fazendo ideia do que era fui me limpando igual. Ao terminar, pego a toalha e começo a me secar. Caminho até a cama onde estava um vestido, parecido com o que Regina tava usando. Reviro os olhos e o visto. Me aproximo do espelho e faço uma careta. Aquela definitivamente não era uma roupa que eu curtia usar, mas não queria abusar da generosidade da "Madam Mayor".
Já limpa e com os cabelos molhados eu saio daquele quarto e desço as escadas. Sigo caminhando para dentro do gigante castelo, olhando em volta. O castelo parecia como qualquer outro, não era sombrio ou nada do tipo. Me aproximo de uma parede onde estava um enorme quadro e o observo curiosa. Um homem de idade estava sobre o trono e no seu colo uma menina morena e sorridente. Passo minha mão por ele até chegar na menina e um sentimento de saudade toma conta de mim.
— Gostou do quadro? — Dou um pulinho, levando um pequeno susto. Me viro e Regina estava ali me encarando.
— Ele é legal. — Me afasto e dou de ombros. — São esses que você mencionou antes?
— Sim.. — Ouço seu suspiro e quando olho em seus olhos, vejo que estavam marejados. Regina podia não ser ela mesma ali, mas carregava a mesma amargura e tristeza consigo, eu podia sentir.
— Você está bem?
— Estou. — Ela pareceu se recompor de uma hora pra outra tomando sua postura intocável. Isso com certeza, sempre foram traços de Regina Mills. — Seu braço melhorou?
— Sim, como a dor sumiu acho que não preciso usar mais nada, mas eu agradeço pela ajuda. — Passei a mão no ombro com um leve sorriso.
— Está com fome?
— Morrendo.
— Morrendo? — Perguntou assustada. Sorri de canto.
— É modo de falar Regina.
— Que tal majestade? — Deu a indireta e caminhou até uma enorme, enorme MESMO mesa com tantas porções que meus olhos se perderam.
— Nossa.
— Sirva-se! — Disse e se assentou na ponta da mesa, retirando a tampa da bandeja do seu prato e pegando seus talheres. Me sentei e fui devorando tudo o que via pela frente, estava com a barriga doendo de tanta fome e aquele banquete era muito tentador.
Ouvi um sorriso pelo ar e ergui minha cabeça com a boca ainda cheia. Regina parecia um pouco espantada com a minha atitude mas sorria divertida. — O que foi?
— Você come pior que um homem Srta. Swan. — Numa leve risada ela comenta.
— Se é pra comer, tem que comer bem não é?
— Você é filha de camponês?
— Na verdade não.
— Por que não me fala mais de você? — Deu uma garfada no seu prato e mastigou a comida silenciosamente.
— Eu não posso.
— Qual o motivo de tanto segredo?
— Não acreditaria se eu dissesse. — Regina respira fundo encarando o prato. — Por que ta tão interessada em mim?
— Só estou curiosa. Você surgiu do nada no meu castelo e me salvou, não acha um pouco incomum?
— Bom, depende do seu ponto de vista. — Sorri sem graça e ela me encarou. Aquele olhar de quem diz "Quer por favor, calar a boca?" — Eu estava andando pela floresta, e avistei o seu castelo. Chamei quando entrei mas não tinha ninguém, então quando vi você caindo. Decidi te salvar. Foi isso.
— Por que estava vagando pela floresta? — Ela parecia mesmo interessada em mim.
— Com todo respeito "majestade" não é da sua conta.
— Como você é difícil Swan. — Exasperou a morena se levantando e me fuzilando com o olhar.
— Eu não sou obrigada a falar da minha vida pra você Regina. — Eu queria muito falar, queria mesmo. Ela poderia me ajudar, mas como eu falaria? Isso poderia alterar muita coisa, fazer um estrago e eu não podia arriscar. Fiquei em pé a acompanhando e ela caminha para perto de mim, praticamente invadindo meu espaço pessoal e fitando meus olhos com uma certa intensidade. Aquilo me pareceu um pouco nostálgico. Franzi o cenho e olhei no fundo daquela imensidão castanha. Algo parecia estar tão diferente nela, eu percebia. Seu rosto sem aquela maquiagem forte, estava mais natural, realçando seus lábios. Mas perai, por que eu estou olhando os lábios de Regina? Pisquei os olhos desviando para suas íris. Quanta beleza num só rosto. Aquela parecia uma Regina diferente. Me pergunto, e se for a verdadeira Regina? Uma bondosa e um pouco nervosa, mas de bom coração?
— Tem razão. — Infelizmente ela se afasta e suspira. Pelo que vi ficamos minutos naquele contato mas me pareceu segundos. — Me desculpe.
— Posso te fazer uma pergunta? Mas você tem que prometer que não vai se enfurecer, okay? — Ela assentiu e eu tomei coragem. — Você teria outro tipo de roupa pra me emprestar? — Pergunto risonha.
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