True love memories
9 I'm coming with you.
Notas iniciais
Regina estava perplexa, parada feito uma estátua olhando a cena de Emma carregando o corpo de um homem desconhecido nos braços. Tal homem que ao vê-lo melhor ela não gostou nada de reconhece-lo como o pirata que a loira dava em cima na noite anterior. — Quem é ele? — Foi tudo o que saiu de sua boca. Sua pergunta foi de todos os jeitos a mais fria possível.
— Não dá tempo de explicar, preciso que me ajude ou ele pode morrer! — Praticamente gritou em desespero para a morena que ainda não se movia. — Regina não está vendo a flecha no meio do estômago dele? Por favor! — Implorou assustada.
— Tudo bem. — Suspirou e em seguida chamou uma das empregadas para trazer o médico real. — Ele precisa ir para o quarto, temos que deita-lo. — Sugeriu a rainha, dando espaço para Emma passar e ordenando dois guardas levarem o pirata para cima.
Ao deitarem Killian na cama a loira logo ficou do seu lado e segurou sua mão, o fitando desmaiado e meio pálido. — Calma Hook, aguenta ai! — Sussurrou para ele.
— Não se preocupe. O médico vai cuidar dele. — Comentou a morena tentando conforta-la. Emma apenas assentiu com a cabeça. Logo o médico apareceu com uma pequena caixa e duas empregadas ao seu lado.
— Muito bem, preciso que todos saiam do quarto e me deixem salva-lo. — Mandou num tom profissional se aproximando e examinando o moreno.
— Vou esperar do lado de fora. — Disse a loira analisando o sangue nas suas mãos e se dirigindo a porta onde Regina estava escorada. Logo as duas saíram e uma das mulheres fechou a porta.
— Precisa lavar essas mãos. Venha comigo.
— Não. Eu vou ficar aqui e ver se ele vai ficar bem. — Respondeu Emma sem encarar a outra.
— Por que está aqui? — Cruzou os braços analisando-a.
— Porque foi o primeiro lugar em que pensei vir. Achei que você poderia ajuda-lo.
— E por que ajudar o homem que roubou o seu livro?
— Porque ele não roubou. Além do mais eu deveria deixar um homem morrer? — Uma pausa se fez.
— Claro que não, ainda mais se gosta dele não é?
— Como assim? — A loira se escorou na parede, confusa. Naquele momento a porta se abriu e uma das empregadas pediu autorização a Regina para pegar algumas ferramentas que ajudariam a tirar a flecha de Killian. Ela permitiu observando as vestes da serva sujas de sangue. Um berro se ecoou do quarto. Era o grito do pirata. Emma quis abrir a porta e ir até ele mas Regina a impediu.
— Deixe o Doutor fazer o trabalho dele.
— E se ele estiver matando Killian?
— Não está. Pode acreditar se ao menos não confia em mim. — Disse com uma mão no ombro da loira a bloqueando.
— Não é isso. Você não entenderia.
— Escute Swan. Eu não me importo! Resolvi te ajudar por que não sou uma pessoa má, mas assim que o médico salvar esse pirata quero você longe daqui, entendeu? — A rainha olhou nos olhos de Emma com o mesmo típico tom autoritário. Mas a loira sabia que era um tipo de defesa.
— Tudo bem. E obrigado pela ajuda. Não queria envolver você nisso mas.. não soube mais pra onde ir. — Respirou fundo em desânimo. "Parece que eu servi pra alguma coisa" Pensou Regina. "Só pensei nela o caminho todo, deve ter sido por isso!" Pensou Emma.
Depois disso a empregada tinha voltado com as ferramentas e entrou no quarto rapidamente. Mais gritos eram-se ouvidos e a loira já estava muito preocupada. Quando iria intervir e abrir a porta o doutor a abre um pouco antes.
— Consegui retirar a flecha mas o ferimento é grave e profundo. Fiz todo o possível, agora ele só precisa de repouso e paciência até se curar. — Comentou um pouco ofegante com sua caixa de volta em mãos.
— Obrigada Doutor. — Regina agradeceu observando Emma ir até a beirada da cama para ver o homem já desmaiado de novo.
— Por nada, majestade! — Sorriu e se retirou junto as duas ajudantes.
— Droga Hook.. — Murmurou a loira nervosa fitando ele com seu abdômen enfaixado e um pano úmido repousando em sua testa. — você tem que ser forte, ouviu?
A rainha se aproxima com cautela vendo o estado frágil e abalado da loira. Cogitou que Emma conhecia muito bem o pirata e gostava dele. Uma pontada dolorosa atingiu seu interior ao constatar isso.
— Ele pode ficar..
— O que? — Swan fitou os olhos castanho com surpresa.
— Ele fica até se recuperar.
— Não. Eu acho um jeito de coloca-lo em outro lugar.
— Apenas aceite Senhorita Swan. — Emma olhou de volta para Killian apreensiva, depois voltou a olhar para a morena.
— Você é uma boa pessoa Regina. — Sorriu levemente de canto para a outra que apenas retribuiu num curto movimento com a cabeça.
— Ele precisa de água. — Caminhou até ao lado da cama onde havia duas vasilhas com água. Uma menor que a outra. Com a menor ela depositou um pouco do líquido dentro da boca do moreno. — E você também. — Em seguida com a outra deu para a loira lavar as mãos e
assim ela o fez.
— Obrigada. — Regina depositou a vasilha no lugar e voltou a olhar Emma pensativa. — Eu não posso ficar. Tenho que ir atrás de algo que pode nos levar pra casa.
— O que quer dizer com isso?
— Eu preciso que ele fique aqui se recuperando enquanto eu vou arrumar uma solução de sairmos daqui.
— Nós? Você e esse pirata?
— Sim, ele veio comigo. Então.. você pode fazer isso por mim? — Pediu com cautela. — Olha depois disso eu sumo totalmente da sua vida. Não precisa se preocupar, nunca mais vai me ver de novo. — Não era exatamente o que Regina queria, ou era?
— Com uma condição.
— Diga..
— Eu vou junto com você buscar o que precisa.
— Regina eu..
— Não foi um pedido. — Arqueou uma sobrancelha num tom sério. Emma não soube o que fazer. Hook precisava da sua ajuda e a condição era essa. Suspirou.
— Beleza.. combinado!
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Emma
Eu andava de um lado para o outro em frente ao castelo. Por que Regina tinha que ser assim? Mas que droga! Ir com ela nessa busca poderia colocar ela em perigo. Ou eu apenas estava com medo de ficar perto dela por muito tempo, com a confusão de sentimentos que eu me encontrava. Talvez seja os dois. Tudo o que eu queria era ficar o mais longe de sua presença possível, nunca mais ter que olhar para aquele rosto de novo. Por que diabos eu não sabia controlar minhas vontades, pensamentos e desejos sobre essa morena teimosa!? Logo eu parei de andar e fitei ela chegando perto com roupas diferentes mas que me pareceram totalmente atraentes. Um colete bege tomado por uma camada felpuda por cima dos ombros estava sobre seu corpo até um pouco abaixo do seu quadril, junto a um cinto marcando a cintura. Com uma blusa de manga comprida branca por baixo e na parte inferior do corpo, uma calça marrom colada as suas pernas torneadas e pra completar, uma bota da mesma cor mais escura calçava seus pés.
— Algo errado? — Perguntou num tom seco passando por mim direto. Tínhamos combinado em não usar cavalos, pois o caminho todo seria percorrido pela floresta.
— Não.. — Disse mais pra mim mesma já que ela ia na frente. Ela carregava uma bolsa nas costas. Seus cabelos presos a uma trança dirigida completamente ao lado do rosto com alguns fios soltos. Caramba, eu nunca fui tão detalhista a ponto de reparar essas coisas em alguém, mas quando se tratava de Regina era impossível não deixar de notar. A segui em passos apressados até conseguir ficar ao seu lado. — Por que está indo tão depressa se não sabe pra que lado devemos ir? — Ela parou e pareceu impaciente ao me fitar dentro dos olhos.
— Então diga. — Sua expressão foi de desdém numa mistura de irritação. Apanhei o mapa da mochila e o abri para vê-lo seguindo as instruções de Hook.
— Devemos ir pra essa direção. — Me movi para o lado entrando floresta a dentro. Guardei o mapa de volta e continuei andando, sabendo pra onde ir dessa vez. Um silêncio incômodo se fez enquanto caminhávamos passando pelas árvores e tudo o que é verde. Regina sempre tentava ficar na minha frente, talvez para não ter que falar comigo. Também, do jeito que a tratei eu não a culpo. Fui uma idiota, mesmo fazendo o que achava ser certo. E olha nós aqui novamente... uhull! Parabéns Emma! Outro ponto negativo pra você! Claro, como se eu quisesse ter pontos positivos com a "Madam Mayor". Desci o olhar (sem controlar) até a região glútea de Regina, que se movimentava em
consequência de suas pernas. Pensei em tantas coisas que não deveria ao admirar aquela vista. Como por exemplo minhas mãos apertando firme aquele farto bum bum e depois... Ok, chega! Chacoalhei a cabeça e suspirei tentando me distrair com qualquer outra coisa que não fosse o lindo corpo daquela mulher. — Regina, por que veio? — Perguntei curiosa, ficando ao seu lado.
— Vai ver eu estava atrás de uma aventura Swan. — Nem se quer olhou pra mim.
— Acho pouco provável vindo de voc..
— Você não sabe nada sobre mim! — Me cortou friamente. — Pare de agir como se soubesse.
— Tudo bem. — Engoli em seco travando o maxílar. — Escuta Regina.. — A parei de andar bloqueando seu caminho. — eu.. e-eu.. — Merda, eu tava gaguejando?? Mas olha esses olhos tão castanhos e carregados de brilho me encarando? Não tem como raciocinar direito. — não quis magoar você.. eu só..
— Eu já entendi. Você não quer amizades, só quer voltar pra onde veio.
— Não é isso.. bom também, mas você não podia correr mais perigo. — Me aproximei de leve, quase invadindo seu espaço pessoal.
— Por mais que eu seja uma rainha e que já estive indefesa, eu sei me cuidar. Muito obrigado! — Ironizou apoiando as mãos na cintura.
— Eu realmente queria que você pudesse entender. — Eu precisava. Desci o olhar para seus lábios entre-abertos. Droga, droga, droga! Ela se aproximou e tomou meu espaço pessoal.
— Vamos continuar. — Podia jurar que por pouco sua voz não falhou. Eu queria beija-la. Não, eu necessitava desesperadamente do seus lábios carnudos nos meus como alguém perdido á semanas num deserto escaldante desejava por um pingo de água que fosse. Cerrei os punhos no intuito de controlar a mim mesma. Não consegui proferir uma palavra, apenas assenti e continuamos a caminhar. Pude respirar assim que ela se afastou.
Paramos no riacho que pra mim já era conhecido e tomamos um pouco de água, guardando também em seguida. Em nenhum momento Regina me olhava, parecia que queria evitar ao máximo de minha presença estar por perto. Na verdade isso era até bom, por que era exatamente o que eu queria também... exatamente isso!
— Quanto tempo até chegarmos lá? — Ouvi sua voz e me despertei.
— Mais ou menos três dias.
— Já está anoitecendo. Devíamos acampar. — Sugeriu tirando a bolsa do ombro. Tínhamos andado uns seis quilômetros após o riacho.
— Okay. — Acabei pegando minha mochila também e retirando um cobertor para sentar. Assim ela fez o mesmo, mas não se sentou.
— Vou pegar lenha para a fogueira. — Logo ela já se afastava e não pude dizer nada, só suspirar e revirar os olhos. Me sentei e peguei o meu livro analisando se algo já tinha se apagado. Por sorte estava do mesmo jeito, o que me fez ficar aliviada. O problema era as consequências do que eu estava fazendo, mas não podia pensar nisso agora.
— Maldição! — Regina apareceu na mata tentando se equilibrar com um monte de lenha nos braços. Me aproximei rapidamente a ajudando e pegando um pouco dos galhos.
— Vamos fazer um tipo de ritual? Pra que tanta lenha? — Perguntei a acompanhando.
— Nunca se sabe. Pode faltar. — Despejamos pelo chão e juntamos num pequeno monte.
— Tá, e agora? — Cruzei os braços. De repente ela mexeu os dedos e uma pequena faísca saiu do monte de lenha, criando o fogo. Arqueei as sobrancelhas um pouco surpresa.
— Agora precisamos descansar Senhorita Swan. — Ela se sentou e começou a aquecer as mãos no fogo.
— Como aprendeu a usar magia? — Me atrevi a perguntar me assentando também. Ela pareceu pensativa.
— Falo se me falar também. — Finalmente suas íris encontraram as minhas.
— Justo. — Sorri de canto.
— Está bem.. Eu nasci assim, mas nunca pratiquei.
— Então como fez o fogo?
— Minha mãe me ensinou algumas coisas. Ela era muito poderosa. — Notei que sua feição se fechou ao tocar no assunto.
— Pois é.. eu também nasci assim. — Ela me fitou surpresa. — Sou a salvadora de onde venho. Isso era meio que pra me fazer especial.. o problema é que não me sinto dessa forma.
— Por que? — Suas sobrancelhas se estreitaram.
— Eu não sei. Eu.. encontrei tudo o que queria na minha vida, mas algo parece que sempre faltou e o pior é que.. eu não sei o que é.
— Por isso usa sua magia como último recurso? Por não se sentir especial? — A encarei por alguns segundos.
— Isso e também.. tenho medo de usar e acabar machucando alguém. — De novo. — Por isso eu só uso quando eu realmente quero ferir alguém.
— Você tem medo da magia tomar conta de você, e se tornar algo que não quer. Não é? — Era exatamente isso. Ou ela lia meus pensamentos (o que seria um problema) ou estava passando pelo mesmo que eu. Vamos considerar a última opção.
— É isso mesmo.
— Entendo.
— Bom, então.. temos mais em comum do que imagina majestade. — Abri um sorriso maroto.
— Fala como se isso fosse uma coisa boa. — Revirou os olhos desviando o olhar.
— Diz aí. O que faz pra passar o tempo?
— Agora tem interesse? — Seu tom foi sarcástico.
— Só to tentando puxar papo. Ver se temos mais alguma coisa em comum.
— No momento eu prefiro passar meu tempo dormindo. — Se acomodou no cobertor ao se deitar. — Boa noite! — Essa era a Regina que eu conhecia. Nunca cedia, ainda mais depois de magoada.
— Boa noite Rainha. — Sussurrei e me deitei pensativa até adormecer.
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