True love memories
8 I need your help
Notas iniciais
Abro os olhos de súbito num leve suspiro. Ergo meu tronco e me sento olhando ao redor da floresta até meu olhar parar em Regina. Mas não a Regina que eu havia conhecido, a meiga e gentil. E sim a Regina de Storybrooke, aquela que eu conhecia muito bem. Com seu terninho azul e saia lápis colada ao seu corpo, sem faltar os saltos num belo scarpin preto. Seu olhar sobre mim curioso, porém intenso (como sempre). Seus lindos cabelos negros caídos sobre os ombros e a boca marcada num tom vermelho forte pelo batom. — Regina... — Sussurrei surpresa e me levantei para encara-la melhor. — como veio parar aqui?
— Me siga Miss Swan. — Ordenou com aquele leve tom autoritário e se virou, caminhando floresta a dentro.
— Espera! — A segui rapidamente sem me importar em deixar Hook sozinho enquanto dormia. Ela estava muito a frente, mesmo eu correndo para alcança-la e quando vejo eu a perco. — Regina?? — Percorro meus olhos para todos os lados, olhando em círculos mas ela tinha se ido e um desespero forte tomou conta de mim. Como se um estilhaço me cortasse de dentro pra fora até minhas entranhas. Me ajoelhei pela dor e gemi alto apertando meus olhos. A sensação era a pior que eu já havia sentido. Senti uma gota de suor descer pela minha têmpora e arfei me sentindo fraca. — REGINAAA? — Gritei alto. Parecia que todo meu ser implorava para que ela voltasse. Algo me dizia que só ela poderia parar aquela dor insuportável.
Continuei gritando seu nome em desespero, mas parei ao ouvir um grito de socorro, um grito sufocante. Mesmo com a dor eu tinha que ajudar a pessoa que gritava. Com todas as minhas forças eu me coloquei em pé e caminhei rapidamente até sair das árvores e avistar a mulher que eu almejava encontrar. Regina chorava compulsivamente, mas agora era ela com o vestido branco e os cabelos cumpridos, o rosto mais delicado mesmo rubro pelo choro. — Emma.. Emma me ajude!! — Ela implorava, como se sentisse a mesma dor que eu. Eu sabia que era a mesma dor. Mas enquanto eu me aproximava dela, a dor ia sumindo e aquela agonia sessava. Ao chegar perto de Regina a puxei contra mim com todas as minhas forças e a abracei apertado. Assim que fiz isso, eu me senti em casa, no meu lugar. Todo o resquício de dor e sofrimento tinha se esvaído. E o sentimento de tê-la tão perto foi revigorante e maravilhoso.
— Eu to aqui. Faço qualquer coisa por você. — Não sei por que disse aquilo. Simplesmente saiu. Comecei a chorar de alegria enquanto não soltava seu corpo dos meus braços.
— Me salve Emma.. — Ela se afastou apenas para me olhar nos olhos. Muito perto. — preciso que me salve. — Peguei seu rosto com uma das mãos, fazendo uma carícia delicada ali.
— Mas como.. como eu posso fazer isso? — Alternei meu olhar entre seus olhos, um pouco ofegante. Meu coração acelerava a cada batida.
— Você vai dar um jeito.. você sempre dá. — Então me puxou, colou seus lábios nos meus num beijo envolvente e cheio de amor. Não senti mais o chão, eu estava desprovida de qualquer fôlego. Mas tudo voltou ao normal quando ela se separou num sorriso apaixonado e foi se afastando de mim.
— Regina.. — O chão se desmanchou ao seu redor e meus olhos se arregalaram. Corri para segurar sua mão, mas já era tarde demais. Ela tinha caído nas trevas e eu berrava por ela em vão. — REGINAAA...
— Swan!
— REGINA! — Me sentei abruptamente em desespero pelo ar. Olhei ao meu lado onde Killian estava segurando meu braço e com o olhar apreensivo. Não, foi tudo real demais pra ter sido só um sonho! Ao recuperar o fôlego me levantei meio atordoada. — Hook? O que foi?
— Me diga você. Estava gritando por Regina. Por que? — Estreitou as sobrancelhas me fitando.
— Eu não sei.. deve ter sido um pesadelo, sei lá. — Movi as mãos não querendo falar sobre aquilo.
— Tá.. você está bem?
— Sim, claro. — Respirei fundo esfregando os olhos. — Já amanheceu. Temos que ir. — Peguei o cobertor onde estava deitada e o dobrei entregando a Killian.
— Sabe pra que lado fica o castelo do Rumple? — Ele perguntou pegando sua bolsa e colocando a alça sobre o ombro.
— Não fica muito longe. Tem um riacho aqui perto, podemos parar pra beber água e depois seguir o caminho.
— Que tal um banho, só você e eu? — O fitei enquanto ele sorria de canto com divertimento. — Brincadeirinha. — Mostrou as mãos numa leve risada.
— Você não tem jeito, né? — Revirei os olhos e fomos caminhando até o riacho.
— Se quiser dar um jeito em mim, sou voluntário.
— Vai ter que procurar outra pessoa.
— Mas.. — Senti sua mão no meu braço e parei de andar, me virando a ele. — achei que antes de vir pra cá, estávamos.. — Ele sorriu sem graça um pouco receoso.
— Tudo o que eu quero agora é voltar pra casa Killian. Pra minha família e o meu filho. — Tentei parecer dócil, mas não saiu tanto como planejei.
— Tá certo. Tudo bem. — Concordou retirando seu braço. Me pareceu um pouco decepcionado. Sorri bem de leve e continuei caminhando. Logo comecei a ouvir o barulho da corrente das águas, e mais a frente estava o riacho.
Enquanto Hook tomava água e guardava um pouco na sua garrafa eu estava agachada observando meu reflexo na água limpa. Levei os dedos até meus lábios e fechei os olhos. Feito isso um flash passou rapidamente pela minha cabeça, o flash do sonho quando Regina me beijou. Podia jurar que era tão real. Seus lábios prensados nos meus. Nosso corpo colado, respirações se misturando. Abri meus olhos de supetão e respirei fundo espantando aquele pensamento. Afinal, era só um sonho não é? Eu não teria mesmo que salva-la. Mas afinal salvar de que?
Acabei pegando um pouco da água nas mãos e tomando um grande gole, depois passando pelo meu rosto. Em seguida saímos dali e fomos em direção ao castelo de Rumple. O caminho todo foi percorrido em silêncio. Acho que deixei Killian constrangido, mas afinal não estávamos ali pra discutir sobre a nossa relação e sim para tentar ir embora de uma vez e voltar pra casa. Eu não conseguia ter ânimo para aquele clima, pelo menos não depois do sonho que tive.
— Chegamos. — Me despertei dos pensamentos e vi que estávamos na frente do castelo. Killian ia na minha frente já abrindo as portas. — Aquiii, aquiii crocodilo! — Hook chamou como se fosse um tipo de cachorro.
— Você! — Rumple já o inforcava sem ao menos encosta-lo.
— Rumple, deixa ele em paz! — Me aproximei rapidamente.
— E por que eu deveria fazer isso my dear?
— Porque ele não é o Killian que pensa que é. — Eu não tinha o convencido muito bem, pois ele continuava a deixar Hook em agonia. — Eu posso provar! Pare, por favor. — Pedi educadamente e depois de um tempo, quase estrangulando o moreno ele parou, deixando-o finalmente respirar.
— Então prove. — Mexeu as mãos com seu sorriso sádico. Me aproximei de Killian o ajudando a ficar em pé. Perguntei se ele estava bem, e o mesmo assentiu me entregando a bolsa.
Em instantes tirei o livro escrito "Once Upon a time" e o entreguei nas suas mãos, hesitando um pouco. — Este livro contém todas as histórias que já aconteceram, e as que vão acontecer. — Comentei enquanto ele foleava.
— Bom.. — Ele parou por um instante e ficou pensativo. — este livro é autêntico. Mas algumas páginas estão em branco.
— O que? — Me aproximei e coloquei o livro por sobre a mesa, foleando rapidamente. Ao final realmente algumas páginas estavam em branco e logo eu me apavorei. — Como isso aconteceu? Ele estava completo eu podia jurar! — Passei as mãos nos cabelos e andei de um lado para o outro.
— Se o que me disse for verdade, queridinha.. se vocês são mesmo do futuro e se perderam neste tempo trazendo esse livro junto, temo que vocês estejam fazendo algo errado. Mudaram o curso de alguma maneira e ao fazerem isso, bloquearam o que era pra acontecer, então o futuro que estava neste livro, vai deixando de existir. — Explicou o senhor das trevas com calma.
— Eu acho que.. inevitavelmente mudei algumas coisas. — Sussurrei pensativa e assustada.
— Que coisas Emma? — Hook me perguntou. Eu havia salvado Regina. E se isso talvez era pra acontecer e eu intervi? Talvez fosse pra outra pessoa salva-la, não eu. Droga!
— Não importa agora.. — Me viro em direção a Rumple que me analisava, com um olhar suspeito. — Rumple você precisa nos ajudar ou o futuro todo já era!
— Existe uma varinha mágica. Conhecida como a varinha mais poderosa de todo o reino. Eu venho tentando obtê-la há muito tempo.. — Ele juntou as mãos me olhando nos olhos. — Se você conseguir traze-la para mim, posso usa-la para levar vocês de volta e tudo voltar ao normal.
— Lá vem o "mas" — Ironizou Hook encostado a parede.
— O que o pirata quer dizer com isso? — Perguntou o feiticeiro impaciente.
— Que você sempre quer algo em troca. — Apoiei as mãos na cintura.
— Tem razão.. me tragam a varinha e estamos de acordo. Vocês voltam pra casa e todo mundo sai ganhando. — Soltou uma risadinha encostando as mãos.
— Fechado. — Digo e Hook se aproxima de mim.
— Cuidado ao confiar nele Swan. — Sussurrou para que apenas eu ouvisse.
— No momento não tenho muita escolha. — Respondi vendo Rumple se aproximar com um pequeno mapa em mãos.
— Este mapa vai te guiar até onde está a varinha.
— Se sabe onde está, por que você mesmo não se teletransporta pra lá e a toma? — Com certa curiosidade eu indaguei.
— Porque existem obstáculos para chegar até lá que pra mim são.. mais complicados.
— O que quer dizer com isso? — Killian se pronuncia.
— Vai saber quando chegar lá.. — Respondeu a mim, se afastando logo em seguida. Peguei o pedaço de papel e coloquei na bolsa junto com o livro.
— Rumple, onde devo... — Vejo uma mulher com roupas de empregada aparecer. Era Bela.
— Bela?
— Me desculpe, eu conheço você? — Perguntou confusa, a mim.
— Saia daqui, vá procurar outro canto para limpar! Vamos! — Ordenou Rumple a ela que assentiu.
— Não devia falar assim com o seu amor verdadeiro. — Comentei caminhando até a saída.
— O que disse? — Ele perguntou surpreso. Me virei para fita-lo e apenas sorri de canto abrindo as portas e indo o mais depressa possível para fora dali.
— Então.. esse lugar onde vamos encontrar a varinha é muito longe? — Killian me pergunta enquanto caminhamos pela floresta. Pego o mapa na bolsa e começa a olha-lo.
— Me parece que sim. Você é bom com mapas, sabe pra que lado devemos ir? — Ele ficou ao meu lado, analisando o mapa nas minhas mãos.
— Estamos aqui. — Apontou o dedo para o centro do mapa, na região da floresta. — Devemos ir para o oeste e seguir reto..- Passou o dedo percorrendo o caminho até onde devíamos ir. — Por sorte o caminho não parece tão perigoso. Chegamos lá em mais ou menos três dias.
— Três dias? É muito tempo!
— Bom, você podia nos teletransportar, não é?
— Você sabe que não posso usar magia a esse ponto. — O encarei friamente.
— Tudo bem.. seguimos a pé. — Deu de ombros e andou a minha frente, mas logo caiu de joelhos. O que me deixou apavorada.
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— Majestade? — Ouço a porta se abrir e um guarda inconveniente me chamar a atenção, arrancando-me do meu descanso sossegado e
angustiante.
— Fale. — Ordenei sem me mover da cama.
— Ela está aqui novamente. Hey, espere!
— Você não me dá ordens. — Revirei os olhos e resolvi me sentar na cama. Me levantei e fitei a loira baixa a minha frente, me analisando com desconfiança.
— Regina o que foi aquilo?
— Por que não vai embora, fada? Já tive uma mãe e da ultima vez não deu muito certo então a saída fica por ali. — Apontei para a porta com o indicador. Na hora em que abri aquela porta eu congelei e meu coração tinha disparado. Só pude ver por breves segundos que Emma estava ali, soltando seus cabelos e os ajeitando. Logo ela andou até um pirata e ficou se insinuando para ele. Aquilo me enfureceu. Fechei a porta e pedi para Tinker me levar imediatamente de volta para o castelo. Eu não podia fazer isso com ela ali, algo me dizia que eu não podia. E também não queria encontra-la de novo nunca mais.
— Eu não entendo por que fechou a porta e não foi até seu amor verdadeiro.
— Porque ele não existe. Isso é bobagem.
— Sabe o que eu acho? Acho que está com medo. — A fitei estreitando os olhos. — Medo de se apaixonar e se decepcionar de novo.
— Não diga tolices. — Murmurei.
— Ouça, eu só quero ajudar.
— Está ajudando alguém que não quer e não precisa ser ajudada. Agora vá embora. — Fui curta e grossa. Estava irritada, por que na única chance de encontrar meu final feliz aquela loira tinha que estar lá? Maldição!
— Tudo bem. Quando precisar, pode me chamar. — Dito isto ela se retira. Respiro fundo lentamente, deslizando meus dedos pelo rosto. Não pude nem ver ao menos em que direção o pó mágico me guiava naquela taverna. Eu estava tão nervosa com a presença de Swan que mal pude formular algum pensamento.
Logo desci para o andar de baixo na tentativa de comer alguma coisa. Assim que desço as escadas as portas se abrem bruscamente revelando a pessoa que eu menos desejava ver nesse mundo. Emma carregava um homem nos braços, seu olhar foi de desespero até o meu. — Regina preciso da sua ajuda!
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