True love memories
7 Hope
Regina
Eu simplesmente não entendo aquela loira estúpida! Num momento ela quer saber sobre mim e começa a se interessar em ter minha companhia. Me protege, me defende a todo custo (o que até me surpreendeu totalmente). Até não entendi todo aquele medo dela de o homem poder ter me machucado. Mas num outro momento ela não quer ser minha amiga e não me quer por perto para ajuda-la. Praticamente me expulsou para que eu voltasse, como se eu fosse algum cachorro sarnento. Ela não tinha limites! Abro as portas da entrada do castelo com força, irritada e impaciente. Subo até meu quarto e olho para o espelho analisando meu pequeno corte no pescoço. Suspirei num arrepio súbito ao lembrar dos dedos de Swan tocando nele, percorrendo aquele olhos verdes claros pelo meu rosto, me prensando contra aquela árvore, falando num desespero de não querer me colocar em perigo. Meu ar havia faltado a todo momento. Sentia meu coração martelar nos ouvidos e segurava para minhas bochechas não tornarem-se rubras.
Várias dúvidas me preenchiam os pensamentos. Tais como: Quem ela realmente era? Como conseguiu ter dado uma surra em três homens com o dobro do seu tamanho? E por que usava sua magia só em último caso, e como ela tinha magia? E mais tantas outras perguntas que eu daria tudo para ela responder. Por que ela tinha que ser tão misteriosa? Minha cabeça nunca esteve tão confusa. Não importa mais! Eu nunca mais desejo ver aquele rosto novamente. Rosto delicado com traços angelicais, a boca levemente fina e rosada. Olhos tão hipnotizantes como esmeraldas reluzentes. Não, eu realmente nunca mais quero ver na minha vida!
— Majestade.. — Por que ainda perdia meu tempo pensando numa loira desconhecida? — Majestade.. — Não faz sentido não é mesmo? — Majestade!
— O QUE É? — Me viro impaciente e irritada. Um dos guardas estava ali em pé a minha frente.
— Desculpe interromper, mas uma mulher deseja vê-la.
— Uma mulher? — Minhas sobrancelhas se estreitaram. — Como ela é?
— Ela é loira, minha rainha.. e o resto eu não pude reparar. — Só pode estar de brincadeira. Como Emma tinha voltado tão cedo? Uma alegria cresceu dentro de mim e meus lábios quase se abriram num sorriso, mas antes mesmo de aparecer ele se dissipou. E logo voltei ao meu mal humor, ainda magoada com as palavras daquela loira. Quem ela pensa que é pra aparecer assim depois de tudo? Passei pela porta do meu quarto, descendo até o andar de baixo em passos pesados.
— Swan, como se atreve?? Quem você pensa que é para.. — Exasperei descendo as escadas vendo a mulher de costas. Mas logo reparei que não era ela quando se virou e abriu um sorriso desconcertado.
— Esperava outra pessoa..? — A mulher mais baixa perguntou, arqueando uma sobrancelha. Ela trajava um vestido verde. Na verdade tudo o que ela usava era verde. Como, sapatos, prendedores de cabelo e tudo mais.
— Quem é você? — Perguntei ao ficar cara a cara com a moça.
— Permita-me apresentar rainha. Sou Tinker Bell. — Se curvou de leve, em reverência.
— Olá Tinker Bell, meu nome é Regina. — Retribui educadamente.
— Eu sei quem você é. E estou aqui para te ajudar! — Disse num tom doce.
— Como.. me ajudar? — Fiquei confusa.
— É claro que sim.. — Ela começou a flutuar e seu tamanho diminuir, duas asas cresceram em suas costas. — sou uma fada, estou aqui para ajudar você a encontrar o seu caminho.
— Então você... é minha fada madrinha?
— Mais ou menos isso. — Sorriu abertamente enquanto voava, mas logo ela cresceu e suas asas sumiram de repente.
— Isso é ridículo.. não sou mais uma princesa.
— Não significa que não precise de amor, paz e alegria.
— Eu acho que isso significa sim. — Cruzei os braços desconfiada. — Já perdi tudo que era parecido com isso.
— Não acha que pode encontrar outro alguém a quem amar?
— Do que está falando fada? — Era praticamente impossível para mim.
— Tudo acontece com um propósito Regina. Entendo que o primeiro amor nunca se é esquecido, mas devemos tentar amar novamente. Encontrar o amor verdadeiro enquanto vivemos e você ainda tem uma chance.
— Você está equivocada. Melhor ir embora, por que está aqui? Por que motivo iria querer me ajudar?
— Olha.. — Ela olhou um ponto qualquer, pensativa. Depois me encarou e tirou um colar do pescoço que continha um vidrinho pendurado nele com uma espécie de pó dentro do mesmo. O pó começou a criar um brilho intenso. — Está vendo isso? Isso é pó mágico. Ele só brilha desse jeito perto de alguém com a esperança de encontrar o amor verdadeiro. Você ainda acredita que pode Regina. — Meus olhos se arregalaram de leve.
— Eu não posso. Não há como acreditar, isso não pode estar certo.
— Se eu liberar o pó, ele vai te guiar até o seu amor verdadeiro e na hora que você vê-lo.. vai saber que o encontrou. Não tenha dúvidas, apenas acredite rainha. — Ela pegou uma de minhas mãos com um sorriso confiante nos lábios. Pensei por um momento se deveria acreditar nas palavras daquela fada que tinha aparecido do nada já me dando instruções de como encontrar minha felicidade. Mas eu não tinha nada a perder, porém estava com medo. E se ela estivesse certa? O que eu faria?
— Tudo bem.. — Assenti sem pensar e logo ela já abria o pequeno vidro e o pó havia saído, deixando uma trilha brilhante pelo caminho até o céu. Um pouco do pó caiu sobre mim e quando dei por conta, estava flutuando pelo ar. — Minha nossa, o que.. como eu...?
— Se acalme Regina, o pó também vai lhe guiar até lá, é só me seguir. — Na sua forma de fada, ela voa até o céu seguindo a trilha. Dei um impulso pra cima, um pouco assustada e surpresa.
Logo eu já estava ao seu lado, voando pelo céu escuro da noite, mas as estrelas iluminavam junto com a linda lua. Aquela sensação era maravilhosa. Sentir todo o mundo e todos os problemas abaixo de você. Se sentir livre e suave. Voar era simplesmente perfeito.
— Nossa, isso é tão maravilhoso. — Abri um sorriso e fechei meus olhos.
— É sim.. — Tinker Bell sorria ao meu lado, admirando minha alegria ao esticar os braços e olhar tudo tão pequeno lá embaixo. — Olha, parece que chegamos. — Ela desceu voando, continuando a seguir a trilha de pó brilhante. A segui, inclinando pra baixo e sentindo tudo aumentar. Logo eu estava no chão e ela ao meu lado já na sua forma natural. — É aqui. — Paramos em frente a uma taverna.
A porta estava fechada e só era ouvido algumas risadas e conversas do lado de dentro. Engoli em seco e suspirei. Então era isso? — Fica calma.. — Suas mãos tomaram as minhas e seu sorriso ainda estava ali. A fitei um pouco confusa e insegura. — saiba que você tem a escolha.. se ainda não estiver pronta, então tudo bem. Mas se você quer ser feliz.. quer ter um amor verdadeiro novamente na sua vida, essa é a chance. Estou aqui lhe ajudando e dando essa oportunidade a você, por que você merece Regina. Merece ter a vida que deseja, ter seu final feliz.
— Mas e se.. eu não conseguir, e se der tudo errado Tinker? Eu... não sei. — Meus olhos se marejaram e minha respiração aumentava com mais frequência.
— Acho que é melhor se arrepender de ter tentado do que não ter feito. Você vai conseguir! É só abrir a porta.. e você vai saber. — Respirei fundo tentando me acalmar e fechei os olhos brevemente. Certo, era a hora!
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Emma
— Até que enfim! — Disse a mim mesma enquanto bufava. Finalmente, depois de andar muito encontrei a taverna que se encontrava num vilarejo mais distante. Com os pés cansados e sentindo muita sede, abri a porta recebendo alguns olhares inconvenientes. Cheguei perto do balcão de madeira velha e pedi uma cerveja para um homem que limpava alguns copos atrás do móvel.
Assim que ele colocou a caneca na minha frente, tomei tudo numa sentada só, matando a minha sede. Ao acabar bati a caneca no balcão e espirei pela boca, sentindo o líquido descer pela minha garganta.
— Eu disse a você querida, sou o capitão mais charmoso que vai conhecer! — Olhei por cima do ombro, virando meu rosto em direção a voz conhecida. Avistei Hook no fundo do local entre duas garotas pouco vestidas. Ele parecia meio bêbado e não parava de dar risada. Revirei os olhos, pensando em como poderia arrancar informações sobre meu livro com aquele homem nada modesto. Não era o Killian que eu conhecia.
Eu teria que improvisar. Qual a melhor maneira de persuadir Hook bêbado? Jogando charme, é claro. Desabotoei alguns botões do meu colete, deixando um belo decote a mostra. Soltei meus cabelos, antes presos a um rabo de cavalo, e deixei cair pelas minhas costas ajeitando um pouco para o lado com a mão.
O homem atrás do balcão já me olhava com outros olhos, o que por um lado era bom. Me ergui do banco e respirei fundo caminhando até o capitão sorridente. Assim que colocou os olhos em mim não desgrudou até eu chegar perto da sua mesa e apoiar as mãos ali, deixando o inicio dos meus seios descancaradamente no campo de sua visão; o que fez ele sorrir maliciosamente e mandar as outras garotas embora. — Olá capitão Hook. — Analisei seu rosto barbudo entrando no teatro.
— A que devo a honra love? — Seu olhar deixava claro suas segundas intenções comigo. Sorri de canto fitando seus olhos.
— Apenas pensei que um capitão bonito como você poderia me pagar uma bebida. — Passei as costas dos meus dedos de leve no seu gancho, ainda na mesma posição.
— Mas é claro.. qualquer coisa por você, loirinha linda! — Me segurei para não revirar os olhos e forcei um sorriso. Depois de um tempo tendo que aguentar a encenação, já estávamos fora da taverna. Ele praticamente se agarrava a mim na tentativa de caminhar direito, sem falar muita coisa com coisa. — Você é linda, sabia? — Comentou com a voz arrastada. Puxei seu colarinho com as mãos, o colocando contra a parede abruptamente. — Nossa.. que selvagem ela..
— Para de enrolar Hook. Onde está meu livro?
— O que..? Do que que você ta falando, hein? — Disse meio tonto.
— Do livro que você comprou de uns três homens. Um livro de história. Onde está?? — Pressionei seu corpo com mais força contra a parede, fazendo ele gemer levemente de dor.
— Olha.. que tal você fechar essa boquinha e me beijar, hum? — Suspirei irritada.
— Foi você quem pediu. — Acertei meu joelho no seu estômago com força, o que fez ele grunhir.
— Uau.. trouxe um chicote também? — Sorriu safado se recuperando do golpe. Impaciente, eu iria bater nele de novo mas parei na mesma hora.
— Não foi ele que comprou o livro. — Ao ouvir a voz eu me virei e meus olhos se arregalaram, enquanto minhas sobrancelhas se arqueavam. — Foi eu. — Era outro Killian na minha frente. Um sóbrio e com uma voz mais doce e cuidadosa. Ele se aproximou e deu um soco no outro "eu" dele o fazendo desmaiar.
— Mas.. como.. — Sussurrei confusa.
— Olá Swan, sentiu saudade? — Sorriu de canto, arrumando a bolsa no braço. — Não faz essa carinha de confusa. Sou eu, Hook. Bom, o verdadeiro dessa vez. Esse aí era o meu eu do passado.. provavelmente não gostou de conhece-lo. — Fez uma careta encarando ele mesmo desmaiado.
— Bom.. não, não gostei de conhecer nenhum pouco. — Revirei os olhos. — Então você veio como eu? — Franzi o cenho.
— Quando aquele portal.. ou seja lá o que era aquilo, te puxou. Eu estava logo atrás de você e corri para te ajudar mas já era tarde demais então eu pulei pra te salvar e aqui estou eu!
— Você voltou no tempo junto comigo.
— É isso aí. Mas infelizmente nos separamos de alguma forma. Procurei você por todos os lugares, mas não te achava. Aí avistei alguns ladrões carregando o livro, aquele que você tinha em mãos antes de ser sugada pra cá. Então eu comprei deles. Mas acho que você foi procurar o capitão errado, não é?
— Sim.. mas achei que tinha vindo sozinha pra cá. — Passei a mão no cabelo, um pouco confusa.
— Pelo menos uma boa notícia você já recebeu love. Você não está mais sozinha nessa. — Ele abriu um sorriso que por mais estranho que pareça não consegui retribuir.
— Tá certo. Mas e ele? — Apontei para o Killian desmaiado.
— Ele está tão podre de bêbado que mal vai lembrar o próprio nome amanhã. Relaxa! — Lançou-me uma piscadela.
— Okay. Agora precisamos achar um jeito de sair daqui. Precisamos ir até o Rumple. — Comecei a caminhar e ele me seguiu.
— O crocodilo? Por que?
— Porque ele é o único que pode nos ajudar a se mandar desse tempo confuso.
— Espera Emma. — Ele pegou meu braço, me fazendo fita-lo.
— Já é noite. Precisamos acampar e amanhã cedo vamos até ele.
— Não podemos esperar Hook. A cada segundo que passamos aqui, corremos o risco de alterar algo que não devemos.
— Não vamos conseguir sair dessa se estivermos mortos. Acredite, andar na floresta a noite não é algo muito aconselhável. — Pensei por um momento. Acabei concordando e Killian me pediu para segui-lo.
Andamos um pouco pelo começo da floresta, mas em seguida paramos. Ele já estava preparado. Acabou tirando alguns cobertores da bolsa, então espalhamos por ali para poder deitar. Por muita insistência de Hook, forcei-me a usar meus poderes para acender a fogueira. Lembrei de como tinha aprendido e sorri de canto.
Comemos algo que ele tinha trazido na bolsa também, e depois adormecemos. Eu estava muito na expectativa de sair daquele lugar e voltar logo pra casa, só espero que nada tenha mudado. Uma pessoa em particular invadiu meus pensamentos antes de pegar totalmente no sono, e o nome... prefiro nem comentar.
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