True Love
7 Viagem
Notas iniciais
Abro a porta do meu quarto, já estou com a minha mala, dou de cara com Stefan.
–Ai que susto! – digo.
–Desculpe, não queria te assustar...
–Tudo bem... Estava me esperando?
–Sim, eu já estou pronto – ele olha para a gravata desamarrada no pescoço – não totalmente pronto.
Aproximo-me.
–Será que voce nunca vai aprender? – digo fazendo o nó.
–É complicado.
–Não exagera... Prontinho.
–Obrigado.
Dou um sorriso, pego minha mala e começo a arrasta-la até a escada.
–Deixa que eu levo – ele pega a mala e começa a descer as escadas, desço atrás.
–Obrigada – caminho até o táxi, que está na frente da minha casa, entro no táxi. Stefan coloca a mala no porta-malas e senta ao meu lado no táxi – nos leve até o aeroporto de Mystic Falls, por favor – digo.
Chegamos ao aeroporto, depois de alguns minutos embarcamos no avião.
Olho para ele, ao meu lado, e o vejo meio tenso.
–Está com medo?
–É... É que... Tenho medo de altura.
Sorrio.
–Sério? Um cara que bateu em quatro homens sozinho tem medo de altura?
–Todo mundo tem que ter algum medo, não é?
–Segura minha mão, talvez te ajude.
Ele olha para a minha mão e entrelaça a sua na minha.
–Agora tente se acalmar.
Ele sorri e concorda com a cabeça.
–---------------------------------------------------------------
–Senhores passageiros...
Acordo com a voz da aeromoça, olho ao meu redor e vejo que estou deitada no ombro de Stefan. Levanto minha cabeça rapidamente e olho para ele.
–Calma, o que foi? – pergunta.
–Hã... É que eu me assustei com a voz da aeromoça – minto.
Tá fiquei meio tensa por estar tão perto dele daquele jeito.
–Está tudo bem, já chegamos.
–Que ótimo.
Olho para minha mão e vejo que ela ainda está entrelaçada com a dele.
Solto a minha mão.
–Desculpa, eu me esqueci de soltar... – diz sem graça.
–Tudo bem, o que importa é que voce conseguiu relaxar durante a viagem.
Meu telefone toca, abro minha bolsa e um sorriso abre instantaneamente.
–Oi meu amor – escuto a voz de Matt.
–Oi amor.
–Como foi a viagem?
–----------------------------------------------------------------
Chegamos ao hotel, caminhamos até a recepção.
–Olá senhora, posso ajuda-la? – pergunta a recepcionista.
–Eu fiz uma reserva no nome Elena Gilbert.
–Tudo bem, vou checar – ela começa a olhar o computador – sim, um quarto de solteiro, certo?
Ah merda! Como posso ter esquecido o Stefan?!
–Isso... Tem algum outro quarto no hotel?
–Não, estamos lotados.
–Nenhum?
–Nenhum.
–Não dá para colocar uma cama, ou colchão no meu quarto?
–Infelizmente não, senhora.
Olho para ele.
–Tudo bem, eu durmo no sofá do quarto, sem problemas.
–Tem certeza? – pergunto.
–Sim.
–Ótimo, pode me dar a chave?
–Tenha uma boa tarde – ela me entrega o cartão do quarto.
Caminhamos até o elevador e entramos.
–Desculpa, é que eu fiz essa reserva antes de saber que voce tinha que vir, afinal meu pai que inventou isso.
–Tudo bem, não tenho esses tipos de problemas.
–Eu podia pagar outro hotel para voce.
–Não daria certo, sou seu segurança lembra?
–Ah é... Ah que droga! Desculpa, mesmo.
–Não se preocupe comigo.
Saímos do elevador e entramos no quarto.
–É eu acho que vou ter que dormir na poltrona.
Mordo o lábio e olho para ele.
–Desculpa! Nem para ser um sofá.
–Elena, está tudo bem, sério.
Estou com pena dele, mas não posso dividir uma cama de solteiro com ele, sei lá o que poderia acontecer... Afinal percebo que tem um clima entre mim e ele.
–Ok, então vamos arrumar nossas roupas – abro o armário vazio.
–Não preciso, deixo na minha mochila mesmo –diz.
–Ah não! Dá para nós dois dividir, por favor, já vou fazer voce dormir em uma poltrona, pelo menos aceita o guarda-roupa – faço uma cara de súplica.
Ele ri da minha cara.
–Já que insiste.
Passamos algum tempo guardando as roupas e conversando.
–Podíamos ir à piscina... Afinal só vou ter aula amanhã, o que me diz?
–Não dá, eu não trouxe nada para usar na piscina.
–Então leva isso – pego uma quantia em dinheiro e dou a ele – compra na loja do hotel.
–Não, não posso aceitar.
–Por favor, aceite – coloco o dinheiro em suas mãos.
Ele fica me olhando e dou um sorriso.
–Tá, mas só aceito dessa vez.
–Tudo bem.
–Vou indo, te encontro lá em baixo – ele sai.
POV Stefan
Comprei um short e um chinelo, já estou na área da piscina sentado em uma cadeira. Vejo alguns caras olhando para algum lugar, olho para o mesmo lugar, vejo Elena se aproximando de biquíni.
Se alguém me vesse nesse exato momento, poderia ver a baba que está escorrendo pela a minha boca. Essa mulher é muito linda, deixa qualquer homem de queixo caído. Não consigo parar de olhar suas curvas, o jeito em que o vento bate em seu cabelo e seu lindo sorriso.
–Oi, qual é o seu nome? – pergunta um cara a ela.
–Meu nome é não te interessa – ela continua a andar, sem ligar para ele.
Senta ao meu lado.
–O que foi? – pergunta.
–O que foi o que?
–Voce estava me olhando de um jeito estranho.
–É que... Voce está muito linda.
Ela sorri envergonhada.
–Pelo jeito chamou atenção de muitos caras.
–Não, claro que não.
–Tem certeza? Todos estão te olhando.
Ela me encara, olha para uma mulher muito bonita loira, que passa em nossa frente e fica olhando para mim e sorrindo.
–Parece que não é somente eu – diz ela.
–O que? – pergunto.
–Voce também está atraindo as mulheres.
–É... Aquela loira é bem interessante – digo olhando para ela do outro lado da piscina.
–Quer ir até ela?
–Não, eu estou em trabalho.
–Pode ir.
–Sério? Mas e se...
–Vai.
POV Elena
O vejo se distanciar, sinceramente eu não queria que ele fosse, queria que ele ficasse comigo, mas ele veio até aqui comigo... Ok, eu senti um pouco de ciúmes! Sério, parece que estou ficando louca, ou sei lá.
O vejo colocar a mão nos quadris da mulher e puxa-la para mais perto.
Não vou ficar aqui.
Levanto-me e caminho até a porta do hotel.
–Já vai? – pergunta o mesmo cara que tinha perguntado o meu nome.
Não respondo e continuo a andar, ele se enfia na minha frente, reviro os olhos.
–Dá para sair da minha frente?
–Só se voce deixar eu te pagar um drink.
–Eu namoro tudo bem?
–Com aquele ali? – ele aponta para Stefan, o vejo beijando a mulher loira, eu não precisava ter visto aquilo! – parece que ele está te traindo.
–Ele é meu segurança, meu namorado está longe daqui.
–Então, já que ele não está aqui... – ele me puxa pela a cintura.
O empurro e dou um tapa em sua cara.
–Não encosta mais essa sua mão suja em mim!
Volto a andar, paro na frente do elevador. Sinto uma mão apertar a minha boca e me segurar.
–Caladinha – diz o mesmo cara – voce não quis ir por bem, vou ter que ir por mal.
Meu coração acelera e entro em desespero, tento me soltar, mas ele me aperta mais. Entramos no elevador, ele me vira para ele.
–Finge que estamos nos beijando – ele me puxa e começa a me beijar, fecho a boca, mas ele morde o meu lábio.
Começo a chorar, tento gritar, mas não consigo. Estou com tanto medo, não sei no que pensar, só queria fugir desse maníaco. Tento me acalmar, mas não consigo, choro desesperadamente.
O elevador abre, ele me segura e tampa minha boca, andamos pelo o corredor, até chegar a um quarto, ele abre e entramos. Ele tira sua camisa, a enrola e prende na minha boca, me vira de costas e enrola um fio em minhas mãos, então ele me puxa e me joga na cama, sobe em cima de mim.
–Agora vamos nos divertir muito – diz ele passando a mão no meu rosto.
Ele tira a minha canga que está presa na minha cintura, e começa a passar suas mãos em todo o meu corpo. Começo a me debater, mas ele dá um tapa na minha cara.
–Se tentar qualquer coisa, vai apanhar, é melhor se comportar – diz.
Choro tanto, que não encontro mais lágrimas para chorar. Estou com tanto medo, eu só queria estar em qualquer outro lugar.
Ele começa a beijar meu corpo e apertar meus seios.
Escuto um estrondo, ele se assusta e sai de cima de mim. Olho para frente e vejo um segurança do hotel. Ele segura o homem.
–Vamos resolver isso na policia, seu pervertido nojento! – grita o segurança arrastando-o.
Outro segurança aparece e vem até mim. Ele tira a toalha e me solta.
–Voce está bem, senhorita?
–Estou – digo secando as minhas lágrimas e tentando me acalmar – como me acharam?
–Vimos vocês na câmera de segurança.
–Obrigada – abraço-o e volto a chorar – obrigada, meu Deus.
–Só fizemos o nosso trabalho.
–Elena? – escuto a voz de Stefan, sua cara de preocupação é notável.
Afasto-me do segurança, levanto-me da cama e corro para os braços de Stefan.
–Meu Deus, o que aconteceu? – pergunta desesperado.
–Quase fui estuprada – digo soluçando de tanto chorar.
Ele se afasta e me analisa, secando as minhas lágrimas.
–Quem foi o desgraçado?
–Ele já foi levado.
Ele passa a mão no cabelo estressado.
–Vou matar ele!
–Stefan, eu estou bem.
–Não, não está! Sabe da primeira vez que eu te vi, voce estava com essa cara olhando para mim, com medo e em desespero... E eu nunca mais queria ver isso.
Seguro sua mão.
–Olha não aconteceu nada, estou bem, vou ficar.
Ele me abraça e me acolhe em seus braços.
Não sei como, mas me sinto bem em seus braços, me sinto protegida, parece que nada ou ninguém pode me machucar. Ele me faz tão bem.
–----------------------------------------------------------------------
–Ela é tão bonita e tem um sorriso lindo...
–Já chega! – grito impaciente.
–O que foi? – pergunta Stefan.
–Voce já está falando dessa mulher há horas, não aguento mais!
–Pensei que pudéssemos conversar, não?
–Podemos, mas não sei se voce percebeu, que tudo o que aconteceu hoje foi por sua causa!
–O que? – ele pergunta se levantando.
–É! Se voce não tivesse ido se pegar com aquela loira azeda, não teria acontecido nada disso!
–Voce está brincando, não é?
Levanto-me e me aproximo dele.
–Estou com cara de quem está brincando? Se voce estivesse comigo, não teria acontecido nada!
–Voce que pediu para eu falar com ela!
–Eu só queria ser legal... Mas parece que voce não é competente o suficiente para recusar e fazer seu trabalho direito!
–Está me chamando de incompetente?!
–É isso mesmo!
–Ah que bom, então acha um cara que possa ser seu segurança, já que não sei fazer o trabalho – ele pega um casaco e vai até a porta.
–Voce vai aonde?
–Não te interessa, afinal sou bem incompetente – ele sai e bate a porta.
Bufo.
Me jogo na cama e tento me acalmar.
Uma junção de ciúmes e raiva está dentro de mim, ciúmes por ele ter se pegado com aquela loira e raiva por causa dele aconteceu tudo aquilo. Eu só queria esquecer tudo o que passei hoje e tentar relaxar, mas não consigo! Fiquei com tanto medo e apavorada, é impossível esquecer. Sem contar que fiquei a tarde inteira na delegacia dando depoimento, e só fui voltar agora de noite. Quero que essa semana passe logo, quero ir embora, mas preciso ficar pela a faculdade.
–---------------------------------------------------------------
Já se passaram três dias e eu e Stefan não nos falamos, ainda estou muito magoada com ele, não consigo falar com ele. Sem contar que ele está saindo com aquela loira vadia, mesmo depois de toda a nossa discussão.
–Vai ter algum compromisso hoje a noite? – pergunta ele, enquanto caminhamos pelo o corredor.
–Não, por quê?
–Porque vou sair com a Rebekah – a loira vadia.
Paramos na frente do meu quarto.
–Divirta-se – dou um sorriso falso para ele e entro no quarto, bato a porta na cara dele.
–-------------------------------------------------------------
Escuto umas vozes e uma luz entra no quarto, sento-me na cama e vejo Stefan na porta beijando Rebekah. Ele entra e se assusta ao me ver.
–Desculpa, se eu te acordei – diz ele com uma voz irônica.
Ligo o abajur.
–Dá para tentar fazer menos barulho quando voce chega com a sua vadiazinha?
–Vadiazinha? Não a chame desse jeito! – ele fica com raiva.
–Mas é o que ela é!
–Por acaso voce está com ciúmes de mim?
Começo a rir.
–Ciúmes? De voce? Stefan tenho coisa muito melhor.
Ele se inclina perto de mim e me encara.
–Mas não é o que parece.
Ficamos nos olhando.
Elena se controle, por favor!
–Talvez seu namorado não esteja dando conta – ele aproxima seu rosto bem próximo do meu — e voce quer alguém como eu para te deixar mais feliz.
Fico parada, olhando para ele.
Me afasto.
–Na verdade não, estou muito feliz com ele, afinal não sou louca para eu querer voce.
–Talvez seja.
–Acho que não – o empurro da minha cama e desligo o abajur – boa noite.
–--------------------------------------------------------------------
–Ah, mas que merda! – escuto Stefan reclamando.
–O que foi dessa vez? – pergunto.
–Estou dormindo nessa poltrona há cinco dias, minhas costas estão doendo!
Nós voltamos a nos falarmos, mas ainda brigamos como sempre. Ainda estou meio chateada, porém não poderei ficar assim sempre.
–Quer dormir aqui? – pergunto.
–Não, se eu estou todo doído, imagina como voce ficaria.
–Estou falando comigo.
Ele me olha e estranha.
–Tem certeza?
–Sim – digo.
Eu sei que não deveria fazer isso, mas coitado não dormiu uma noite em uma cama, e sei que eu não aguentaria dormir em uma poltrona, afinal é só uma noite, nós dois em uma cama de solteiro juntos... Ok, não é uma boa ideia, só que eu sei quem eu amo, o Matt e ninguém vai mudar isso!
Ele tira a camiseta, sério que vai dormir sem camiseta? Tento não olhar, mas acabo olhando para seu grande peitoral e abdômen definido, e sem querer acabo mordendo o meu lábio. Stefan deita na minha frente, nossos corpos ficam bem próximos, consigo ouvir sua respiração e nossos narizes quase se encostam. Sinto seu peito estufando e voltando por causa da sua respiração.
Ele fica me olhando, olhando para minha boca e fico olhando diretamente em seus olhos.
–Obrigado – agradece.
–Por o que?
–Me deixar dormir aqui.
Sorrio.
–Seu sorriso é tão lindo – diz.
Por que ele tem que complicar tanto? Não posso me apaixonar por um cara que é drogado, que vive no mundo do crime, com quem eu estou sempre brigando e depois ficamos nos olhando... Ele é o tipo de cara com que eu nunca deveria me relacionar, o oposto de mim, um cara problema que só me traria sofrimentos... Mas esse sorriso dele, seu jeito de se preocupar comigo e o brilho dos seus olhos verdes, me deixam fascinada por ele.
–Boa noite – digo.
–Boa noite.
Fecho os olhos, meu corpo treme e minhas mãos soam, estou com tanto medo de sentir algo em minha boca. Meu coração está tão acelerado que eu consigo ouvi-lo. Escuto a sua respiração ofegante, abro os olhos e o vejo me olhando.
Viro-me para o outro lado da cama.
Assim é mais garantido que não iremos no beijar, mesmo que eu queira, não vou beija-lo e nem se quer me apaixonar por ele!
Fale com o autor