True Love
20 Recuperação
Notas iniciais
Reconheço essa voz. Meu corpo congela, não consigo mexer nenhuma parte dele. Engulo o choro e fico reproduzindo aquela frase milhares e milhares de vezes em meu cérebro. Meu coração acelera tanto, que é capaz de eu senti-lo, enquanto minha respiração fica ofegante e minha vontade é de gritar de felicidade. Não sei como agir, só quero que isso seja real e não um sonho, ou algum tipo de alucinação.
Levanto minha cabeça devagar e olho para Stefan, e vejo que ele está com os olhos abertos e vidrados em mim.
–Meu Deus! – grito e começo a chorar de felicidade.
Minhas pernas tremem, minhas mãos suam e meu coração bate fortemente, é como se cada parte do meu corpo ficasse feliz por vê-lo acordado. Sem pensar duas vezes, me levanto rapidamente e pulo em cima dele. Ele dá um gemido de dor, mas não me importo. O abraço e choro em seu ombro. Sinto seu braço que não está engessado pressionar sobre as minhas costas, bem fracamente, mas sinto, e é a melhor sensação do mundo.
–Não acredito, não acredito... – fico repetindo.
–Calma, eu estou aqui – diz ele com a voz fraca.
Estou quase me afogando com o meu próprio choro, estou tão feliz que é impossível de descrever essa felicidade. ELE ACORDOU!
Paro de abraça-lo, mas continuo em cima dele. Fico olhando-o para ver se é verdade mesmo, e quando percebo que isso tudo é real, volto a chorar com um sorriso no rosto. Ele levanta sua mão lentamente, por estar bem fraco e a põe no meu rosto, fecho meus olhos e tento me concentrar nesse simples toque, que faz todos os pelos do meu corpo se arrepiar.
Abro meus olhos e vejo que ele está com um sorriso bem fraco.
–Não estou acreditando que você voltou – digo com lágrimas rolando pelo o meu rosto.
–Eu sempre estive aqui – ele me olha de um jeito, que eu fico hipnotizada – mas se você continuar me apertar e continuar em cima de mim, vai me perder de novo – diz com uma voz de dor.
Rio e saio de cima dele. Sento na cama e ele faz o mesmo com dificuldade.
Ele olha para o braço engessado.
–Mas que merda.
–Pois é, parece que recebeu uma boa surra.
–Nem me fale – diz revirando os olhos.
–Ah meu Deus ele acordou – escuto a enfermeira entrar no quarto.
Olho para ela e vejo que está surpresa. Ela corre até o médico e depois volta com ele, sento na poltrona e espero ele fazer alguns exames com Stefan.
–Parece que você está muito bem, acho que no final dessa semana você pode voltar para casa, mas vai ter que ficar voltando aqui para fazer alguns exames.
–Tudo bem – concorda Stefan.
O médico dá um sorriso para ele e sai.
–Olha casa com ela ouviu? – diz a enfermeira apontando para mim – com certeza essa é a melhor namorada que você pode ter.
Ele dá um sorriso malicioso para mim e olha para a enfermeira.
–Por quê? – pergunta ele. Vejo que em sua expressão tem um olhar pervertido.
Abaixo a cabeça. Mas que droga!
–Todo o tempo que você esteve aqui, ela não te deixou sozinho nem um minuto, ficou com você 24 horas por um mês, sem desistir e ainda assim dormindo ao seu lado, sério case-se com ela – diz ela orgulhosa.
Levanto meu rosto e olho para Stefan. Ele está com um sorriso de ponta a ponta.
–Com certeza ela é a mulher da minha vida – ele olha para mim – pode deixar que eu seguirei seu conselho.
Estou sem expressão, meu rosto está queimando de vergonha e não sei o que falar.
Ela dá um sorriso e sai do quarto.
Suspiro.
–Então tudo isso é verdade? – pergunta ele.
Graças a Deus que ele está fraco e não pode se levantar, e tentar me seduzir como sempre, porque agora eu não iria resistir.
Olho para ele e vejo seu sorriso sexy de lado, que me deixa louca.
–É.
Vejo que fica feliz com a resposta.
–Fiz tudo isso porque você é meu melhor amigo, me importo com você, sem contar que você sempre cuidou de mim e sempre esteve ao meu lado, então eu precisava passar isso com você.
–Ah é? E sobre dormir ao meu lado?
Droga ele me pegou!
–Hã... É... – pensa Elena, pensa! – é que... É que a poltrona estava desconfortável, ai eu dormi com você.
Vejo que todas suas expectativas somem. Rio de sua cara. Levanto-me e sento a cama.
–Você acaba de acordar e tentar jogar seu charme? Acho que desejo que você fique mais um dia desacordado.
–Duvido muito – diz com uma sobrancelha levantada, totalmente sexy.
–Então duvide.
–Sabe o que eu acho?
–O que?
–Que você mentiu sobre o negocio de amigo e blá, blá, blá.
–Ah é?
–Acho que tem alguém apaixonada por mim.
–Seu idiota – pego uma almofada e bato nele.
Ele começa a rir e gemer de dor.
–Tá eu me rendo – diz levantando o braço.
–Acho bom mesmo – digo.
–Com certeza você disse a verdade.
Reviro os olhos.
–Você não vai me contar o que aconteceu para você parar aqui?
–Os traficantes para quem eu devo, me pegaram lá na comunidade e pediram o dinheiro, eu disse que eu não tinha, então eles começaram a me espancar e... – diz ele com dificuldade em se lembrar – e eles disseram que se eu não pagasse pessoas que eu amo iriam sofrer.
Fico pasma.
–Damon – diz ele.
–Ah não – digo – eles não podem machucar uma criança.
–Eles podem – ele tenta se levantar.
–Não, não, pode ficar ai, você não vai a lugar nenhum!
–O que? Meu irmão corre perigo.
–Stefan não!
Ele me encara nervoso.
–Se meu irmão morrer...
–Ele não vai!
Ele se encosta na cama e suspira.
–Não posso perdê-lo.
–Não vai, eu já disse.
–Não pode me prometer isso.
–Posso, porque eu pagarei suas dividas.
–Não, de jeito nenhum!
–Stefan é a vida do seu irmão.
–Eu vou pagar tudo isso, não você, é uma grana alta.
–Tenho dinheiro.
–Não!
Bufo.
–Não vou ser um covarde, eu vou resolver os meus problemas, meu pai não ficaria orgulhoso de mim.
–Ele ficaria feliz se você salva-se a vida do seu irmão.
–Eu vou! Com o meu dinheiro.
–Onde vai achar dinheiro?
–Do mesmo jeito que eu ganhava.
–Não, de jeito nenhum.
–Não tem outro jeito.
Penso.
–Vou te pagar salário.
–Elena eu ganho mais dinheiro roubando...
–Eu vou te pagar e ponto final!
Ele suspira.
–Tá.
–Vamos resolver isso juntos, escutou?
Ele concorda com a cabeça.
Sorrio.
–Senti falta disso – abraço-o.
–Não sei como – diz ele.
–Nem eu.
Ficamos calados, eu aconchegada e seu corpo, enquanto ele acaricia minha cabeça, só ficamos sentindo o toque um do outro.
–Você teve algumas visitas – digo ainda deitada nele.
–É? Quem veio?
–A Hanna e o Damon quase vieram todos os dias.
–Ele está bem?
–Sim, se acalme.
Ele relaxa.
–Quem mais?
–O Klaus, nunca me falou dele.
–Resumindo ele é meu melhor amigo.
–É ele contou várias coisas que vocês faziam.
–Não acredite em nada – diz ele rapidamente.
Rio.
–Não sei de nada.
Ele bufa.
–Aquele filho da puta deve ter falado merda.
–Claro que não – me lembro o que Klaus me disse, sobre o que Stefan contou a ele sobre mim. Dou um sorriso.
–Alguém mais?
Afasto-me dele e me sento na cama.
–Uma mulher – digo.
–Mulher?
–Sim, alta, loira, cabelos longos e cacheados – ele faz uma expressão de tipo “que merda!” – anda como vadia, se veste como vadia, fala como vadia, ou seja, uma vadia – dou um sorriso sínico.
–Katherine.
–Acertou! – digo ironicamente.
–O que ela te disse? Pelas suas ironias e seu jeito de falar, não foi nada bom.
–Na verdade... Foi péssimo! Sério, ela é vagabunda, odeio ela com todas as minhas forças.
–Elena, o que aconteceu?
–Primeiro ela disse que era sua namorada, me xingou e me tratou mal, então eu disse para ela sair, ela não quis, falei uma coisa , ela se irritou e me deu um tapa na cara – ele se espanta – e ai eu dei outro, ela ia continuar, mas a enfermeira chegou, então ela foi embora.
–Não acredito que aquela vadia bateu em você – diz ele irritado.
–Pois é, e ainda me enviou uma mensagem de ameaça.
–O que?! – ele grita.
–Calma, ela é ridícula, relaxa.
–Elena, o que dizia a mensagem?
–Stefan, calma...
–Elena!
–Tá calma – pego meu celular e dou a ele.
Ele lê a mensagem.
–Mas que merda! Quer merda! Você não deveria ter irritado ela!
–Está defendendo ela?!
–Não, claro que não! Mas eu conheço a Katherine, ela é perigosa, ela virá atrás de você e fará você pagar pelo o que fez.
–Não tenho medo dela.
–Deveria ter.
Me assusto com sua frase.
–Tá, eu tomo cuidado.
–Não! Elena você precisa de mim.
–Que?
–Preciso ficar ao seu lado 24 horas.
–Posso usar um segurança...
–Não, eles não a conhecem como eu conheço.
–Tá, pode ser – não queria aceitar, não vai dar certo, estou tão vulnerável a ele.
–Meu Deus você só me mete em encrencas – diz ele.
–Ah é? Eu? – dou uma risada – querido pense bem.
–Olha eu tenho meus problemas, mas eu os resolvo sozinho.
–Claro que não! Se você não tivesse a mim, você já teria se arrependido de tantas coisas.
Ele me encara.
–Pare de se achar.
–Estou mentindo?
–Está – diz ele com uma voz engraçada, que nos faz rir.
–Mas que você não vive sem mim, isso sim é verdade – digo com convicção.
–Você acredita nisso mesmo?
–É a verdade – digo.
–Ah coitada.
–Coitada? Assuma isso, você me ama demais, não vive sem mim.
–E se eu disser que é verdade? – diz ele seriamente, sem estar brincando como estávamos. Sua voz sai meio rouca e sensual, que faz meu corpo estremecer.
–Você estará se rendendo – digo desafiando.
Ele dá um sorriso.
–Não gosto de patricinhas.
–Ei! – pego uma almofada e bato em seu rosto.
Ele ri sem parar.
–Isso é bullying comigo, ouviu? – bato de novo.
–Tá parei – diz ele se rendendo.
Largo a almofada e fico encarando-o.
–Para de me olhar desse jeito, está me dando medo – diz rindo.
–Idiota – dou um tapa em seu braço.
POV Stefan
Já se passaram alguns dias e agora estou em casa de novo, quer dizer na casa da Elena. Estou deitado na cama, esperando-a fazer um lanche para nós dois, porque ela disse que essa é minha primeira noite em casa de novo e precisamos comemorar. Minha cabeça começa a doer.
–Hum, parece que eu soube de alguns segredinhos seus né mocinho? Sabe o que eu posso dizer sobre isso? – sinto ela apoiar sua mão em meu rosto e acariciar – que eu penso o mesmo sobre você. Pois é, não é só você que é hipnotizado ouviu? Esses seus olhos ai fazem o mesmo comigo, isso não é legal – diz ironicamente – eu te amo, Stefan, como amigo, mas eu te amo – dá um beijo em minha bochecha.
O que foi isso? É como se eu me lembrasse do que a Elena falou para mim, enquanto eu estava em coma. Que segredinhos ela está falando? Ela disse que pensa o mesmo sobre mim? E pelo que ela disse, ela sente uma atração por mim, então isso me deixou muito feliz, porém a frase para estragar tudo “Eu te amo, Stefan, como amigo, mas eu te amo”, sim isso doeu, doeu tanto que minha vontade é de quebrar tudo o que tem pela a frente e chorar muito, só que eu não posso fazer nada! Não posso obriga-la a se apaixonar por mim, infelizmente.
–Voltei – diz ela entrando no meu quarto, me tirando dos meus pensamentos.
Ela me entrega um prato com um lanche e senta ao meu lado.
–O que foi? – pergunta ela.
–O que?
–Você está pensativo.
–Acho que eu estou tendo lembranças de quando eu estava em coma.
Ela fica surpresa.
–Sério? O que é?
–Hã... O Damon me contando algumas histórias, só isso – minto.
–Que legal – diz ela empolgada – se lembra de mais algo?
–Não, mais de nada.
Depois de comermos e conversar, ela decide ir dormir.
–Quer que eu durma aqui? Vai que acontece algo.
Com certeza, quero muito, é a única coisa que quero agora.
–Não precisa, acho que fico bem – digo.
–Tem certeza?
–Se você quiser tudo bem, mas acho que eu ficarei bem.
Ela pensa.
–Só hoje.
Abro um sorriso tão grande, que acho que não cabe na minha boca. Lá vamos nós de novo, dormir em uma cama de solteiro.
Me afasto e ela deita ao meu lado.
–Boa noite – diz ela com o seu rosto bem próximo ao meu.
–Boa noite – digo olhando para os seus lábios.
Olho em seus olhos e vejo que ela está encarando meus lábios também, e então olha para os meus olhos. Ficamos nos olhando, um observando o outro calado. Até que ela fecha seus olhos e eu continuo a observar sua beleza, como ela pode ser tão linda até dormindo? Seus lábios vermelhos me chamam, mas eu não me atreveria beija-la, ou eu faria isso? Talvez ela espere por isso, ou talvez não. Não sei o que fazer, então só fico olhando-a, até eu adormecer.
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