True Love
29 Pedido de Desculpa
Notas iniciais
Saio do quarto do Stefan e passo em frente a sala, vejo minha mãe sentada no sofá, ela olha para mim, desvio o olhar e continuo andando.
–Elena! – ela me chama, mas ignoro.
Piso no primeiro degrau da escada.
–Elena – ela segura meu braço, olho para trás – precisamos conversar.
–Ah sério? Eu acho que não – dou as costas.
–Filha, por favor.
Olho para ela.
–Para que? Para bater no meu rosto de novo? Ou pior, me sequestrar e me torturar?
–Pare com sarcasmos, sabe que odeio!
–Quem disse que estou sendo sarcástica? Eu não duvido do que você possa fazer.
Ela suspira.
–Por favor, vai ser rápido.
–Não, obrigada – volto a subir os degraus.
–Me desculpa – diz ela, paro de subir – eu não deveria ter batido em você, eu estava nervosa e acabei explodindo, a única coisa que eu nunca faria é te machucar – olho para ela – me arrependo por ter feito aquilo, desculpa.
–Só está pedindo desculpa pelo tapa?
–Sim, pelo que mais eu pediria?
Bufo.
–Você é ridícula, como eu ainda tento te ouvir? – digo furiosa e volto a subir os degraus, chego ao topo da escada e vou para meu quarto.
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Estou sentada a mesa da sala de estar, de novo, terminando os preparativos da festa de aniversário do Damon. Vejo Stefan passar apressado em frente da porta.
–Stefan! – o chamo.
Ele volta e para em frente da porta.
–Aonde você vai? – pergunto.
–Levar sua mãe a empresa, o motorista dela foi demitido e só sobrou eu.
–Boa sorte – digo.
Ele dá um sorriso.
–Obrigado – então sai depressa.
Depois de alguns minutos, Jeremy aparece.
–O que está fazendo? Vejo que ultimamente está passando muito tempo aqui, sempre com vários papéis e seu notebook – diz ele sentando ao meu lado.
–Estou organizando a festa de aniversário do irmão do Stefan.
–Aquele garotinho?
–Sim.
–Com certeza ele vai amar – diz.
–Espero, ele merece a melhor festa do mundo.
–Pelo que eu vejo sim, parece ser um menino bem legal.
–Ele é – volto as minhas pesquisas no notebook.
Jeremy fica calado, mas algum tempo depois ele quebra o silencio.
–Você falou com a mamãe? – pergunta.
Solto um suspiro e olho para ele.
–Não tenho mãe.
Ele me encara.
–Lena...
–Não tente defende-la, ela estava totalmente errada!
–Eu sei, não quero defende-la, quero reconciliar as duas.
–Por mim, podemos ficar assim para sempre.
Ele coloca sua mão sobre a minha.
–Vocês sempre foram tão unidas, não podem ficar assim por muito tempo.
–Se depender de mim, vai ficar assim. Jer, ela foi completamente preconceituosa, por eu estar namorando um cara de classe social menor que a nossa!
–Eu sei, eu fiquei bem horrorizado com isso, ela te bateu por causa disso.
Meus olhos se enchem de lágrimas.
–Acho que isso foi o pior, por causa desse preconceito ela teve a coragem de bater no meu rosto, sem piedade e sem remorso.
Ele começa a acariciar minha mão.
–Eu só queria que ela aceitasse e pensasse que ele me faz feliz.
–Uma hora ela vai entender.
–Duvido muito – uma lágrima desce pelo meu rosto – eu só queria minha mãe de verdade, a que quando eu era criança me protegia de tudo e de todos, que fazia de tudo para me ver feliz – desabo no choro, ele me abraça.
–Ei, calma – diz massageando minhas costas – vocês vão se acertar e ela vai perceber que ele só traz felicidade a você.
–Tem certeza?
–Tenho, eu prometo.
Afasto-me dele e seco minhas lágrimas.
–Eu quero que saiba, que eu apoio você e ele, não me importa se ele é pobre e as coisas que ele fez no passado, sei que ele mudou e sei que ele te faz feliz, é isso o que me importa.
Sorrio.
–Obrigada, meu irmãozinho está crescendo mesmo – digo orgulhosa.
Ele dá um sorriso.
–Sou o irmão mais novo dando conselhos a irmã mais velha.
–É, alguns milagres acontecem – dou de ombros.
Ele ri.
–Preciso ir para empresa, vai ficar bem? – pergunta.
–Vou, não se preocupe, pode ir.
Ele concorda com a cabeça e dá um beijo na minha testa.
–Qualquer coisa me liga.
–Pode deixar.
Ele se levanta e vai embora.
Essa briga que eu tive ontem com a minha mãe, me matou totalmente. Odeio ficar brigada com ela, mas parece que essa briga foi diferente das outras, parece que nunca vamos nos acertar, eu nem sei se eu quero fazer as pazes com ela, não consigo acreditar que ela teve coragem de bater na minha cara, isso dói e corrói meu coração, eu só queria que ela parasse com todo esse preconceito.
Escuto algumas batidas na porta, olho e vejo Matt.
–Vai embora – digo imediatamente.
–Não, precisamos conversar – diz adentrando a sala.
–Matt, vou chamar a segurança!
Ele para.
–Por favor, eu te liguei e enviei milhares de mensagens, você nunca me responde, agora que estou aqui, me dá uma chance de conversar.
Respiro fundo.
–Tá – ele dá um sorriso e senta ao meu lado.
–Sei que fiz aquela coisa horrível e agora eu percebi que eu fui um monstro, em pensar que era o certo – diz gesticulando com as mãos – eu tive um pensamento frio e completamente desumano, eu só percebi isso quando eu te perdi, quando eu perdi a mulher que eu mais amo nesse mundo, a mulher que faz eu todos os dias acordar com um sorriso, a mulher que quando eu encontro meus olhos brilham por ver a beleza dela, a mulher que quando eu penso nela eu solto um sorriso, a mulher por quem eu me apaixonei anos atrás e que hoje eu continuo a amando, mais do que nunca – ele coloca sua mão sobre a minha – a mulher mais importante na minha vida.
Meus olhos se enchem de lágrimas, não queria chorar ou sentir pena dele, mas eu o amo e ver ele desse jeito destrói meu coração, e ainda mais por eu não poder corresponder todo esse sentimento. Não quero que ele sinta isso por mim, meu coração não é mais dele.
Abaixo a cabeça e deixo algumas lágrimas descerem. Depois volto a fita-lo.
–Eu não sei o que te dizer... Eu percebo que você está arrependido, mas não sei se posso te perdoar por algo desse tipo, você soube daquele assassinato e não denunciou...
–Ele é meu pai, Elena. Eu não queria ve-lo na cadeia, ele fez minha cabeça e me fez acreditar que aquilo era o certo, e então eu pensei durante todos esses anos que ele fez o certo, mas quando você me disse todas aquelas coisas, eu percebi que estava errado e...
–Matt, não – interrompo-o – não quero mais tomar seu tempo – respiro fundo – eu não consigo te perdoar, não posso.
Ele fecha os olhos e suspira, depois volta a fitar meus olhos.
–O que eu posso fazer para ganhar seu perdão?
–Ficando longe de mim e da minha família.
Seus olhos estão cheios de magoa e arrependimento.
–Tudo bem – ele se levanta – mas nem por isso eu deixarei de te amar, nunca – ele me dá as costas.
Levanto-me.
–Eu posso te pedir uma coisa? – pergunto.
Ele se vira em minha direção esperançoso.
–Claro.
–Me esquece, se apaixone por outra pessoa e... Seja feliz.
Ele fica calado me olhando confuso.
–Não, não. Você é o amor da minha vida e eu...
–Eu estou com outro! – digo finalmente.
–O que?
–Eu estou namorando outra pessoa.
Vejo que está mais magoado do que antes.
Ele respira fundo.
–Quem é ele?
–Stefan.
Ele abaixa a cabeça, passa as mãos no cabelo e começa a andar de um lado para o outro.
–Lembro que você tinha me dito que não sentia nada por ele – diz ele olhando para o chão.
–Eu menti – digo arrependida.
Ele olha para mim e vejo lágrimas em seus olhos. Não é tão fácil ver o Matt chorar, acredito que nenhum homem, mas quando eu o vejo chorar sei que é por algo que ele se importa muito, e sei que as minhas palavras estão o machucando muito.
–Você o beijou quando estávamos juntos? – pergunta.
Fico calada, não sei o que responder. Eu o beijei algumas vezes, mas não sei se o Matt precisa saber disso... Tá ele precisa, só que eu não tenho coragem.
–Elena?
Desvio o meu olhar do seu, passo minha mão em minha testa e solto um suspiro.
–Matt, eu...
–Me diz se você o beijou! – grita ele estressado. Me assusto com esse grito, mas ele tem toda a razão de ter raiva de mim.
Engulo em seco.
–Sim – somente digo essa palavra e abaixo a cabeça, não quero olhar para aquele par de olhos azuis bravos e magoados.
Escuto seus passos, olho para ele e o vejo saindo da sala. Eu deveria ir atrás dele, mas isso é o melhor, queria que ele se afastasse de mim, eu consegui. Agora só me resta seguir com a minha vida.
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