True Love

42 Não sei o que fazer


Estou caminhando pelas ruas frias e com pouca luz da comunidade, olhando em volta esperando Tyler aparecer. Encosto-me em uma parede perto de um beco, onde estão vários viciados fumando e cheirando, aquele cheiro penetra minhas narinas e sinto aquela sensação ótima que eu sentia, a minha vontade é ir lá e fumar junto com eles. Mas por que não? Estão todos chapados, se eu der uma mixaria por um saquinho de cocaína, eles nem vão perceber. Afinal, eu posso me controlar, e a Elena não precisa saber. Desencosto da parede e caminho lentamente em direção deles.

—Um viciado, nunca esquece seu vicio não é? – escuto a voz de Tyler atrás de mim.

Paro de andar e me viro em sua direção.

—Trouxe? – pergunto não querendo tocar no assunto.

—Claro – ele se aproxima com uma pasta na mão – esse é o cara – ele me entrega a pasta e vejo a foto do homem, é rico, mas nem tão influente.

—Por que ele? Parece ser mais um babaca rico – digo olhando a ficha.

—Não sei, meu chefe que dá as ordens e eu só as cumpro, sem perguntas.

Olho para ele.

—Como? Você tem um chefe? Eu pensei que você...

—Tenho, ele pediu para eu achar alguém para eliminar esse cara, e eu pensei em você, que mata a sangue frio.

—Eu só matei uma vez, e... – digo sem querer citar o cara que estava atrás de Damon.

—Exatamente, a primeira pessoa que você matou, você não sentiu arrependimento, se sentiu bem por fazer aquilo, sem preocupar com nada, só abriu aquele sorriso quando viu o corpo dele morto, eu me lembro, eu estava lá – diz com um tom orgulhoso de mim — e claro que tem muita gente assim, mas é difícil eles não ficarem arrependidos com o primeiro assassinato.

—Tá que seja... Posso saber quem é o chefe?

—Não, e sem mais perguntas, faça seu trabalho, que você ganhará seu dinheiro.

—Tem prazo?

—Ele te deu três semanas, para você ver os movimentos dele e fazer tudo com cautela.

Concordo com a cabeça.

—Boa sorte – ele dá um sorriso.

Dou as costas para ele e caminho até o ponto de ônibus, voltando para a casa dos Gilbert.

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POV Elena

—Quanto tempo nós não fazíamos isso? – digo entrando no cinema ao lado de Matt.

—Muito tempo – diz – afinal você terminou comigo, estava com outro cara e ainda me odiava por uma coisa horrorosa que eu fiz, então sim, faz muito tempo.

Nós dois rimos. Paramos em frente ao painel que mostra os horários dos filmes.

—Qual filme? – pergunto.

—Tem aquele de ação – ele aponta.

—Ah não, sem tiroteio e mortes – observo lentamente – tem um de comédia, você ama filmes de comédia – digo olhando para ele, que está olhando para o painel.

—É, pode ser – diz e dá um sorriso para mim.

Ficamos na fila de ingressos, compramos e ficamos na fila para pegar a pipoca.

—Uma média? – pergunta ele.

—Não! Pega uma mega, eu tô morrendo de fome!

Ele arregala os olhos, que me faz rir.

—Uma mega? Você nunca come uma mega!

—Mas hoje eu vou e se deixar eu como sozinha.

Ele ri.

—Tudo bem, gordinha.

Encaro-o.

—Do que você me chamou?

—Nada – diz dando um sorrisinho.

Começo a dar tapas no braço dele.

—Ai, ai, desculpa, ai.

—Desculpa nada! – continuo batendo nele – me perdoe o homem mais lindo da terra, que tem olhos azuis, cabelos loiros, um corpo... – paro de falar ao sentir o cheiro da pipoca e manteiga, depois o cheiro dos chocolates e balas, mistura de cheiros bem salgados com doce, que embrulha a minha barriga e... Saio correndo da fila, empurrando pessoas para todo lado, sem pedir desculpas por eu estar com uma mão na boca, enquanto escuto a voz de Matt atrás de mim chamando meu nome, corro até o banheiro feminino, não tem quase ninguém, obrigada Deus! Corro até a cabine vazia, me ajoelho em frente do assento sanitário e vomito. Mas que droga o que está acontecendo comigo? Talvez eu tenha mesmo que ir ao médico, alguma infecção, ou pode ser alguma doença, amanhã eu vou. Saio da cabine e vou até a pia, vejo que meu rosto está meio pálido, vomitei muito! Jogo água no meu rosto e na boca, tiro um batom da minha bolsa e o passo, dá para disfarçar essa palidez, preciso de comida, ou algo para me hidratar. Saio do banheiro e vejo Matt totalmente preocupado.

—Não me deixaram entrar, você está bem? – pergunta me segurando levemente pelos braços e me analisando.

—Estou, eu só passei mal.

—Quer ir ao médico? Para casa?

—Não! Vamos assistir, não quero estragar o dia.

—Podemos marcar depois, você pode não estar bem – diz com seus olhos azuis totalmente preocupados.

—Eu estou bem! Lembre-se que curso medicina, eu saberia se eu não estivesse, prometo que amanhã passo no médico ok?

Ele suspira.

—Tá, vai querer pipoca?

—Não, não – digo me lembrando daquele cheiro totalmente enjoativo.

—Tudo bem, vou pegar para mim, senta aqui – ele me levou até um longo banco, onde já tinha algumas pessoas sentadas – e me espera, qualquer coisa grita.

Rio e concordo com a cabeça, sento-me e o espero. Pelos meus conhecimentos de medicina, não devo ter nada grave, não tive nenhum sintoma, não entendo o que está acontecendo, mas para prevenir, amanhã irei ao hospital.

—Aqui – ele entrega uma garrafa de água – precisa se hidratar.

Sorrio e pego a garrafa. Entramos na sala e assistimos ao filme, rimos bastante e mantive distancia daquele saco de pipoca. Matt me levou para casa, mas logo foi embora, ele precisava resolver uns problemas do trabalho. Subo para o meu quarto e sento-me na ponta da cama, fico pensando no porquê de todos esses enjoos, mas nada vem a minha mente. Pego meu celular e abro meu calendário para ver se tem algo da faculdade essa semana, ainda bem que não, estou exausta. Mas percebo que a minha menstruação não veio esse mês, já está no final e nada, por que não... Não, não! Não pode ser! Dores abdominais, tonturas, dores de cabeça, muita fome, enjoos e menstruação atrasada. Meus olhos começam a encher de lágrimas, como isso pode estar acontecendo? Deus me diz que é um engano, não posso, não dá! Eu não posso estar... Estar... Estar grávida. Meu coração está acelerado, minhas mãos tremendo e estou suando frio, não sei o que fazer, isso tem que ser outra coisa, não pode ser! Só que nenhuma doença vem a minha mente com esses sintomas, não tem doença com todos esses sintomas juntos, a única coisa que sobra é a gravidez. EU NÃO POSSO! Levanto-me da cama e começo a andar de um lado para o outro. Como vou criar meu filho sozinha? Stefan não liga para mim, só pensa em mulheres, drogas e assaltos, que tipo de pai que meu filho vai ter? Não, eu não posso! Não dá!

—Calma, Elena, calma – digo respirando fundo. Não se desespere antes de ter algo comprovado, coloco meus sapatos, pego minha bolsa e desço as escadas rapidamente.

—Vai sair de novo? Daqui a pouco sai o jantar – escuto a voz da minha mãe, viro-me em sua direção.

—Eu já volto, é rápido, prometo que estarei pro jantar.

Ela dá um sorriso e concorda com a cabeça. Saio em passos rápidos, abro a porta principal e vejo o meu carro atrás do de Jeremy, caminho rapidamente e paro na frente dele, e vejo Stefan conversando com o motorista da minha mãe em um canto. Meu coração acelera mais ainda, não, ele não vai querer ter um filho. Entro no carro e peço para o motorista me levar até o centro da cidade. Saio do carro e caminho pelas ruas atrás de uma farmácia, então a vejo, paro em frente dela e fico olhando. E se der positivo? O que vou fazer? Como vai ser minha vida? Não pode dar positivo, não pode! Entro e caminho até o balcão onde tem uma mulher com roupa totalmente branca.

—Boa tarde – diz ela sorridente.

—Onde estão os testes de gravidez? – pergunto sem a mínima educação, não me importo com isso.

—Tenho alguns aqui – ela se abaixa atrás do balcão e pega uns cinco tipos diferentes – qual marca a senhorita deseja?

Fico olhando para eles, sem saber o que responder. Aprendi um pouco sobre gravidez, os professores sempre disseram que os testes são muito eficazes, difíceis de errar, e caso tivesse duvida sempre bom comprar dois de diferentes marcas.

—Quero todos – digo.

—Como? – pergunta a mulher surpresa.

—Quero todos! – grito e vejo que ela se assusta, e outras pessoas na farmácia me olharam.

—Tudo bem – diz ela pegando todos e jogando dentro de uma pequena cesta verde.

Pego a cesta e levo até o caixa, minhas mãos estão tremendo, meu coração está para sair pela boca e estou suando muito. Coloco a cesta em cima do balcão e a mulher vai passando os preços lentamente, LENTAMENTE.

—Dá para ir mais rápido? Estou com pressa! – digo grosseiramente.

Ela me olha e ignora o que eu peço. Reviro os olhos. Estou batendo meu pé constantemente no chão, estou muito nervosa. Ela me fala o preço, entrego as notas do dinheiro, com a mão tremendo, ela me olha confusa e logo me dá a sacola. Saio apressadamente da farmácia, quase correndo, chego ao meu carro.

—Dirija, rápido! – digo e o motorista faz o que peço.

Chegamos em casa, em alguns minutos, saio do carro e subo correndo para o meu quarto. Tranco a porta e vou ao meu banheiro. Jogo todos os testes em cima da pia, pego um e abro, faço tudo o que se pede e espero os minutos para sair o resultado, sinto que meu coração vai sair voando, estou suando demais e não aguento mais sentir minhas mãos e pés tremendo. Depois dos minutos esperados, pego o teste e vejo: dois traços azuis. Grávida. Minha respiração começa a ficar ofegante.

—Não! Não! Tenho mais quatro – digo e abro o outro rapidamente.

Fico um bom tempo fazendo os testes, e em todos deu positivo. Estou sentada no chão do banheiro, abraçando minhas pernas e chorando desesperadamente. Eu não sei o que fazer agora, não sei se conto ou não ao Stefan, eu simplesmente quero sumir. Eu sempre quis ter um filho, mas depois do casamento, com um homem que sei que será um pai exemplar. Mas o Stefan? Se fosse tudo como era antes, eu diria sim que ele seria o pai perfeito, mas agora é como se eu não o conhecesse. Mas também, não quer dizer que eu irei tira-lo, ou joga-lo em um orfanato, irei ama-lo do jeito que ele merece, afinal ele não tem culpa de nada, serei a mãe e pai que ele precisa, não vou abandonar meu filho, eu e Stefan cometemos algum erro em alguma hora, e agora não podemos culpar a criança, só não sei o que fazer.

Notas finais
E ai? Digo e repito: TEFINHO EM SEU DARK SIDE, AMO DEMAIS! Elena e Matt: melhor amizade. ELENA GRÁVIDA SIM SENHOR! Estou me tremendo que nem ela, o que dizer de um baby Stelena? Quero muito! Mas o que será que vai acontecer hein? Ela vai contar pro Stefan? Ele vai querer essa criança? E a família dela? Comentem o que vocês acharam, bora bombar nesses comentários, esse capítulo foi só tiro! Enfimm, aguardem os próximos, beijos!