True Love
43 Grávida
Já se passou uma semana desde que eu descobri que estou grávida, eu fui ao hospital e fiz o exame, estou grávida, quando a médica me afirmou isso chorei por muito tempo nos braços de Caroline, que é a única que sabe de tudo isso. Ela passou uns dias aqui em casa, me apoiando e me dando conselhos, e ela finalmente me convenceu que tenho que contar ao Stefan, ele é o pai e tem que saber mesmo querendo ou não o bebê. Desço as escadas e sento a mesa, onde estão meus pais e meu irmão.
—Desculpe o atraso – digo me sentando.
—Tudo bem – diz meu pai.
Percebo que Jeremy está me olhando fixamente, olho para ele e ele fala sem emitir nenhum som: “você está bem?”. Concordo com a cabeça e dou um sorriso forçado. Começo a comer, com aquela fome incontrolável de grávida, tento me conter, para não transparecer nada.
—Então filha, o Jeremy me contou que você e o Stefan terminaram – diz minha mãe.
Olho para ela e fico meio sem o que fazer.
—Sim – digo e dou outra garfada na comida.
—E agora você voltou a sair com o Matt né? – ouço o tom de malícia em sua voz, olho para ela e está com seu sorriso vitorioso.
—Sim, voltamos a ser amigo – digo.
—E podem ser mais que isso, afinal...
—Não, Matt é meu amigo, só isso! Não consigo mais imaginar ele como algo a mais.
—Mas imagina os netinhos – “netinhos”, essa palavra deu um frio na minha barriga — com os olhos azuis dele e com o tom do seu cabelo, seriam tão lindos – diz imaginando a cena – já com aquele marginal, seria crianças sem classe e...
—Já chega! – digo dando um tapa na mesa, todos me olham assustados – eu vou pro meu quarto – digo me levantando e indo para a saída da cozinha. Estou morrendo de fome, volto para a mesa e pego minha taça e meu prato, e subo para o meu quarto.
Sério que ela foi falar de netos? Logo agora que estou com um na minha barriga? Não sei como vou contar isso a ela, o desprezo que ela falou dos meus filhos com Stefan era nítido, como vou dizer que sim, ela vai ter um neto de um “marginal”. Isso está me dando muitas dores de cabeça! Estico-me na cama, para pegar o celular que está em cima da minha cômoda, abro as mensagens com Stefan e acabo lendo a última que ele enviou há semanas “eu te amo e sempre vou te amar, não importa o que aconteça, você será a única mulher da minha vida”. Meus olhos se enchem de lágrimas e sinto meu coração apertar, como ainda posso ama-lo depois de tudo que ele fez comigo? Que ódio de mim mesma! Bom, vamos ao que interessa: “oi, eu preciso falar com você, amanhã às duas da tarde no jardim, por favor, é muito importante”. Fico com o dedo em frente ao botão enviar, ainda estou com o pé atrás, estou com medo da reação dele, que acredito que não será a melhor, ele vai me desprezar, me olhar com um olhar frio e me deixar desamparada, vou sofrer mais do que já estou sofrendo. Porém, essa angustia está me matando, eu PRECISO contar a ele, independente da sua reação, ficarei mais aliviada contando. Aperto o botão e a mensagem envia. Solto um longo suspiro e bloqueio o celular, volto a comer, e então escuto o barulho de mensagem, abro a mensagem: “está tudo bem?”. Por que ele ainda finge em se importar? Por quê?! Bloqueio o celular, não vou responder. Volto a comer, quando termino leio um livro e acabo caindo no sono.
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Estou sentada no sofá da sala, mexendo no celular, quando ouço passos na sala, olho em volta e vejo Jeremy em pé, me olhando preocupado.
—O que foi? – pergunto.
Ele senta ao meu lado.
—O que está acontecendo? – pergunta.
—Como assim?
—Tem alguma coisa errada, Lena! Você está diferente, anda triste, com olheiras e chorando pelos cantos, o que vem te incomodando?
Fico olhando em seus olhos castanho escuro, eu quero contar, mas não posso, não sei se estou preparada, sei que ele vai me acolher, porém não agora, já vou contar pro Stefan hoje, não quero contar a outra pessoa.
—Nada – persisto na mentira.
Ele bufa.
—Como nada? – pergunta nervoso – Caroline passou uns dias aqui, e eu só escutava você chorando e ela tentando te acalmar! – ele está quase gritando, então respira fundo – Lena, eu sou seu irmão, sabe que pode contar comigo sempre, não importa o que aconteça, sempre estarei ao seu lado – ele segura minha mão e a acaricia com o polegar.
Olho o relógio dourado pendurado na parede da sala, e vejo que está marcando 14h15min.
—Preciso ir, estou atrasada, prometo que te conto tudo depois – dou um beijo em sua bochecha e saio correndo.
Entro no jardim e vejo Stefan sentado no banco, de cabeça abaixada e balançando a perna, ele está nervoso. Fico parada olhando para ele, agora que estou perto de contar a verdade, não sei o que dizer, vou chegar e falar: “oi, vamos ter um filho!”. Droga, quero muito voltar para casa e me trancar em meu quarto... Na verdade, posso fazer isso, ele não me viu entrar, dou as costas para ele e caminho até a porta de casa.
—Elena! – escuto sua voz.
Merda, merda! Respiro fundo e me viro em sua direção, mesmo distante, percebo que está preocupado, caminho lentamente em sua direção, sento-me ao seu lado no banco e fico olhando para frente, sem dizer nada.
—Você ia furar comigo? – pergunta.
Olho para ele.
—Isso não é um encontro – digo.
—Eu sei, mas você marcou comigo aqui e de repente desiste? O que você vai me contar de tão importante?
Fico calada olhando em seus olhos, estou desesperada.
—Não sei como te dizer isso – digo e abaixo a cabeça – se nem eu ainda acredito que isso está acontecendo.
Sinto sua mão segurar a minha, meu corpo todo estremece, há quanto tempo eu não sinto o seu toque? Quantas semanas?
—Você está bem? Estou ficando preocupado – diz me olhando.
Respiro fundo e olho para ele.
—Estou bem – digo e vejo que ele relaxa os ombros – é que... Eu tenho tido alguns sintomas bobos que eu pensei que não seria nada... – ele fica tenso, provavelmente deve estar pensando que estou com câncer, ou sei lá, droga Elena! Escolha as palavras certas! – e ai percebi que minha menstruação estava atrasada – pelo seu olhar vejo que ele sabe do que estou falando, porém fica calado – e eu fiz testes de gravidez, fui ao médico e... – fico calada olhando para ele – estou grávida.
Percebo que sua respiração está ofegante, ele está surpreso e meio assustado, então começa a encarar o chão. Eu não sei o que está se passando pela cabeça dele, se está feliz ou com raiva, não consigo entender suas expressões.
—Por favor, me diz alguma coisa, esse silêncio está acabando comigo.
Ele fita meus olhos e abre um sorriso, um sorriso que ele nunca abriu para mim, o mais bonito e perfeito, seus olhos verdes estão brilhando como nunca brilharam. Ele está feliz? Ele me abraça, me assusto com o que ele faz.
—Não acredito, eu vou ser pai! – diz ao meu ouvido muito feliz.
Ele está feliz, não acredito que ele está feliz. Abro um sorriso e retribuo o abraço, me afundando em seu ombro largo e as lágrimas começam a descer pelo meu rosto. Essa foi a primeira coisa que eu queria quando eu descobri que estou grávida, o seu abraço. Estou chorando por sentir falta desses abraços, dos seus toques, do seu cheiro, estou chorando por ele ter ficado feliz, não esperava por isso, e estou chorando porque sei que isso não vai dar certo, estamos separados, não sei como isso vai funcionar e nem a reação da minha família.
Ele se afasta do abraço e põe suas duas mãos em meu rosto, e seca as lágrimas com seus polegares, abro um sorriso por poder sentir isso novamente.
—Só não entendo como isso aconteceu... Quer dizer, sempre tivemos cuidado.
—Eu também me perguntei milhares de vezes, e ai me lembrei daquele dia depois que sai do hospital, o médico disse que eu estava totalmente curada, não precisava mais de medicamentos ou cuidados, fazia muito tempo que não... – isso é muito estranho, conversar com o seu ex sobre relações sexuais que tiveram – a gente não transava e ai ficamos meio...
—Ah me lembro – diz percebendo meu constrangimento – não pensamos em cuidados.
—Sim, provavelmente foi aquela noite.
—Bom, acho que essa nossa falta de cuidado foi boa, porque eu estou muito feliz – diz me olhando, como se estivesse fascinado por cada canto do meu rosto. Eu deveria me afastar, mas não quero — eu vou ser pai – ele sorri.
—Sim – digo sorrindo.
Ele dá um longo beijo em minha testa, fecho os olhos e me permito sentir esse gesto dele, e então me abraça novamente. Como eu queria que esse momento continuasse especial, mas não posso, não posso fugir da realidade e fingir que estamos felizes. Afasto-me de seus braços e seco minhas lágrimas, olho para ele seriamente e vejo o sorriso sumir de seu rosto, ao ver que eu vou falar algo sério.
—Eu realmente fico muito feliz por saber que você gostou da noticia, e que vai me ajudar e apoiar com...
—Claro, por que pensou que eu não ficaria feliz ou não te apoiaria? – pergunta.
—Porque você disse para mim que não era homem de uma mulher só, você me traiu e me contou tudo friamente, como se não se importasse com os meus sentimentos.
Vejo que ele se lembra de tudo isso, e também vejo arrependimento.
—Não quer dizer que eu vá te largar com um filho meu – diz.
—Ah que dizer sim... Mas já esqueci isso, então quero que saiba que sim, vamos criar nosso filho juntos, amando e cuidando dele do jeito que uma criança merece, porém não quer dizer que voltaremos a ser um casal – vejo ele fica triste com isso, mas quem errou foi ele – vamos ser pais para ele, vou te respeitar e espero que faça o mesmo a mim, só que o meu ódio por você não diminui, nunca vou te perdoar por aquilo, por ter brincado com os meus sentimentos e simplesmente... – várias lágrimas começam a descer pelo meu rosto – e simplesmente me tratar como se eu não fosse nada para você.
Ele se aproxima para me abraçar, me levanto.
—Bom, você já sabe de tudo – seco minhas lágrimas – espero que você não esteja mentindo para mim novamente, e não se preocupe, você vai ficar sabendo de tudo – seus olhos estão cheios de lágrimas, por quê? Foi ele que estragou tudo! Por que está querendo chorar? – vai participar da gravidez como um pai, não vou afastar isso de você, eu prometo – ele concorda com a cabeça e dou as costas para ele, e volto para casa.
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