True Love
10 Ótima e má noite
Notas iniciais
Senti suas mãos em minhas costas, mas precisamente procurando algo, não identifiquei o que era, mas assim que senti onde sua mão estava eu meio que me desesperei. Com calma e tão vagarosamente, Leon, abaixava o zíper de meu vestido, apenas me agarrei, ainda mais, nele. Logo ele parou, e deslizou suas mãos até os meus ombros, tentando abaixar a alça de meu vestido. Continuávamos nos beijando, de forma nenhum um pouco conveniente, mas tão intenso era o beijo, que não conseguíamos parar, ou interromper. Mas quando senti a alça de meu vestido, quase que “saindo” pelos meus braços, voltei á realidade. Não poderia me entregar á ele. Não era o certo. Usei o resto de minha sanidade para separar meus lábios do dele, no começo foi difícil, pois ambos estávamos amando isso. Assim que ele percebeu que eu, ou melhor, uma parte de mim, não queria aquilo, parou de tentar abaixar meu vestido, e lentamente nossos lábios se afastaram.
_Não era... C-Certo... – disse baixinho por conta da tremenda falta de ar que estava me atingindo.
Antes de Leon falar algo, escutei alguma coisa sendo quebrada, rapidamente olhei para o lado e vi Jack com uma cara extremamente assustada, e aparentemente surpresa, muito surpresa...
_Desculpe – era a Jack. – Não queria interrompê-los, apenas me assustei com o que vi, na verdade não me assustei apenas me surpreendi. – explicou ela se agachando para pegar os cacos da taça que ela havia deixado cair.
Olhei para o Leon, e eu fiquei mal, porque não nos encontrávamos numa situação muito legal. As alças de meu vestido estavam caídas de meus ombros, e atrás, ele estava totalmente á mostra, deixando minhas costas nuas. Os lábios de Leon estavam borrados, e seus cabelos bagunçados, eu não deveria estar diferente. Abaixei a cabeça e a balancei negativamente, eu não devi ter ousado aceitar esse jantar... Não devia... Leon levantou meu rosto, e eu olhei aqueles olhos, tão lindos. Ele deu um suspiro pesado e me olhou um pouco sem graça.
Levantei as alça do meu vestido, totalmente envergonhada. Jack ainda presenciava a cena, muito assustada. Leon me virou de costas, e subiu o zíper do meu vestido, enquanto eu arrumava a frente do mesmo. Logo que acabamos, me virei novamente para ele. Leon sussurrou um: “desculpas”, eu apenas sorri um pouquinho forçada.
Jack já havia saído da sala. Não esperei Leon dizer mais nada e peguei minha bolsa novamente, saindo logo do apartamento dele, não estava mais agüentando ficar tão perto dele.
Peguei um taxi, porque não seria louca de andar sozinha, de noite, nunca! Chegando em minha casa, deparei-me com uma cena um tanto “nojenta”. Francesca se engolindo com um homem, no sofá, na sala... Aquilo embrulhou meu estômago. Bati a porta com força e os dois se separaram. Francesca limpou o batom borrado e arrumou o vestido, que havia subido devido esse “momento”.
_Esse é o... – ela pareceu pensar. – Tomás, né?
_Sim sou o Tomás. – ele disse se levantando e vindo em minha direção, me deu um beijo na bochecha e me olhou sedutoramente, ignorei isso. – Prazer. – Assenti, mas não disse nada, afinal não era um prazer encontrá-lo ali, em minha casa.
Fui para o banheiro tomar banho, estava cansada e precisava relaxar, como sempre, mas hoje foi um dos poucos dias, que eu me senti bem e divertida. Passar o dia ao lado do Leon foi especial e mágico, ele é realmente um poço de qualidades. Mas ainda assim, não me sentia segura com ele, não me sentia muito confortável, sem contar que o Leon é muito... Ousado... Saí do banho enrolada em minha toalha, pensava que Tomás já havia ido embora...
Antes de chegar ao meu quarto, deparei-me com uma figura. Tomás. Assustei-me e ele sorriu, me olhando de cima abaixo. Senti minhas bochechas queimarem, mas não por vergonha, e sim por perceber o quanto ele era safado! Ele não estava com a Francesca?!
_O que está fazendo aqui? – perguntei um tanto calma.
_Você é... Linda – disse olhando minhas pernas que não estavam cobertas, devido eu estar apenas de toalha.
_Onde está a Francesca? – perguntei ignorando totalmente o seu comentário bem ousado. – Você não deveria estar com ela? – perguntei novamente.
_Digamos que... Ela está num sono profundo. – Tomás disse rindo. – Muito profundo...
_Como assim? Não entendi. – realmente não entendi e fiquei extremamente confusa. – Francesca não é de dormir cedo, o que houve?
_Você é ingênua... – ele disse se aproximando de mim. – Mas até que essa sua “lerdeza” te deixa bem atraente, sabia? – falou afastando meus cabelos molhados que estavam em meu rosto.
_O que você fez com ela? – perguntei cerrando minhas pálpebras. Minha fixa acabou de cair. Será que, realmente, ele dopou a Francesca? Deu algum tipo de “boa noite cinderela” e ela apagou? Ele seria capaz de uma barbaridade dessas?!
_Nada... – ele riu. – O que eu dei á ela, não fará nenhuma diferença. Francesca apenas irá dormir um pouquinho, demais. E quando acordar terá apenas uma pequena tontura, nada de mais, está vendo? – falou cinicamente.
_Saia da minha casa – eu disse pausadamente.
_Eu posso até sair... – ele começou. – Mas só com uma condição – impôs. – Passar a noite aqui, com você. – disse sussurrando, como se quisesse “seduzir” a minha pessoa.
_Não vou passar a noite com você. – disse o empurrando com certa força e brutalidade. – Se quiser passe á noite na rua, mas dentro de minha casa você não fica, e se não sair por bem, vai sair mal, acompanhado da polícia. – falei ameaçadoramente e ele riu.
_Quem vai sair perdendo é você – riu mais alto e logo se retirou.
Ouvi a porta sendo aberta e logo depois fechada com força. Ótimo, ele havia ido embora! Direcionei-me ao meu quarto e lá tranquei a porta, agora sim poderia dormir tranqüila e sossegada...
***
Acordei com um barulho irritante... Meu celular com um despertador infalível! Abri os olhos com certa dificuldade, pois eram ainda sete e meia. Eu tinha que estar no serviço ás oito.
Levantei-me contra a minha vontade, e logo fui em direção ao banheiro. Lá tomei banho e fiz o resto de minha higiene matinal. Coloquei minha saia preta, “colada” um pouquinho acima dos joelhos e uma blusa branca, social, que Francesca, por incrível que parece, havia me dado de presente de aniversário ano passado. Esse era o meu “uniforme”. Prendi meus cabelos molhados num “rabo de cavalo” bem alto, passei um brilho em minha boca, e pronto, chega! Saí do banheiro e fui até meu quarto pegar minha bolsa e minha pasta, para ir ao trabalho. Assim que fiz isso, fui em direção á sala, e deparei-me com Francesca, com um bolo de dinheiro em cima da mesa.
_O que significa isso? – perguntei assustada. – Por acaso não roubou um banco, não é?
_Largue de ser trouxa. – respondeu dando um suspiro altamente pesado. – Isso aqui veio para você. – Fiquei muito confusa. – O correio veio entregar isso, e estava no seu nome, apenas abri para ver, não se preocupe, não peguei nada, e se te conforta, está aqui o valor que o tal cara te deu, se quiser pode contar. – explicou. – E a propósito... Quem é German Castilho?
_German? – perguntei abismada. – Meu... Pai? – parecia que meu raciocínio havia parado. – Eu não quero esse dinheiro. Não quero nada dele. – falei.
_Você que sabe – deu de ombros. – Vou deixar esse dinheiro no seu quarto, e quando você chegar do serviço, você vê o que faz com tudo isso aqui. – ela disse calma? Francesca estava serena logo de manhã cedo? Que bicho á mordeu?
_Você está bem? – perguntei.
_Por que acha que eu estou mal? – tem sempre uma pergunta em vez de uma resposta definitivamente clara!
_Não sei... Está calma. – falei. – O tal Tomás, ontem, te apagou, não é? – perguntei apenas para confirmar, pois já sabia a resposta.
_É Violeta... – ela disse esfregando os olhos — É...
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