True Love
11 Dia de trabalho
Notas iniciais
_Não quero te incomodar – falei calma. – Eu já estou indo, qualquer coisa que precise me ligue. Eu, provavelmente, só irei voltar de noite. Tenho trabalho extra. – sorri de lado e me retirei de casa.
O caminho até o escritório foi curto. Eu não morava tão longe, então era só caminhar um pouquinho que eu já estaria lá.
Cheguei á frente do meu local de trabalho, e deparei-me com Broadway, o segurança. Ele como sempre, assim que me viu, abriu um largo sorriso, e abriu a porta para eu entrar, e como sempre retribuí.
_Bom dia, senhorita Castilho – cumprimentou-me.
_Bom dia, Broadway. – sorri e adentrei ali.
Fui surpreendida assim que entrei. Ana, minha “colega” de trabalho, veio toda afobada para cima de mim. Ela arrumou os óculos quando já estava próxima de mim, e respirou na tentativa de abaixar os ânimos.
_Violeta, a Ludmila está aqui. Ela veio observar nosso trabalho. – falou. – E provavelmente criticará alguma coisa, como o seu atraso. – falou cruzando os braços.
_Não estou atrasada. – resmunguei.
_A não? São exatamente oito e cinco. A senhorita devia estar aqui, ás oito! – ela disse ignorante, revirei os olhos e suspirei. – Você sabe muito bem que a senhora Ferro, odeia atrasos, principalmente quando são as secretarias que estão ligadas ao seu marido, ou seja, eu e você.
_Eu sei Ana – falei. – Por falar nisso... Você já começou os relatórios? – perguntei e ela negou. Essa menina não tem iniciativa para nada. – O que você fez até agora?
_Nada oras. Estava te esperando! – falou grossa.
Saí de lá o mais depressa possível e fui falar com o Napoleão, mais conhecido como Napo. Ele era o braço direito de Maximiliano Ponte, porque o Napo era irmão adotivo de Ludmila.
_Olá Castilho – ele se pronunciou assim que me viu entrando na sala dele.
_Olá, senhor Ferro. – falei formalmente por estar em ambiente de trabalho. – Vim apenas pegar as pastas do Dr. Ponte. Preciso fazer uns relatórios urgentes. – expliquei.
_Claro – ele disse indo até uma prateleira e pegando as pastas, logo entregou á mim. – Tome cuidado com isto. Tem muito valor para todos nós da empresa, e se algo ocorrer com estas pastas, não só o seu emprego estará perdido, como o meu também, então não deixe nada de errado ocorrer com elas. – deu as mesmas ordens, como sempre. Apenas assenti e me retirei dali o mais depressa possível.
Fui á minha sala, mas antes tive uma interrupção.
_Devo lhe dizer que está muito bela, senhorita Castilho. – esse era o Estevam Gonçalves. Um cara totalmente inteligente e devo dizer também que atraente. Todas daquele escritório davam mole para ele. Estevam era um legitimo cavalheiro, educado e gentil eram suas palavras ideais. Seu perfume, toda vez que eu passava ao seu lado, me encantava, e eu parecia uma menininha quando estava falando com ele. Se me sinto atraída por ele? Óbvio! Fala sério, quem não se encantaria com um homem moreno, dos olhos castanhos tão carinhos como aqueles, além dos seus preciosos cachinhos.
_Obrigada, Estevam – falei timidamente. – O senhor também se encontra muito... Belo.
_Obrigado á você pelo elogio. – agradeceu. – Tenho que ir – ele disse sorrindo. – E a propósito, tenha um bom dia, Castilho. – ele disse.
_Você também – falei retribuindo seu sorriso.
Fui para minha salinha, com aquele monte de pastas nas mãos. Ana estava fazendo uns registros no computador. E eu teria que relatar tudo o que se passava dentro daqueles “humildes” contratos.
_Nem te conto – Ana falou ainda olhando a tela do computador.
_O que? – perguntei abrindo a primeira pasta, para ver do que se tratava aquele contrato.
_Tenho um encontro com aquele gatinho da cafeteria da Angeles. – ela disse se desligando um pouco do computador, e me olhando com um largo sorriso no rosto. – Ele me chamou para sair, anteontem. – continuou.
_Nossa... Parabéns para você e ao Marco – falei ligando o meu computador. – Aonde irão? – perguntei fingindo-me de interessada, pois o que eu queria era terminar aquilo logo.
_Vamos á um restaurante, aqui perto. – ela disse alegremente. – E você?
_O que é que eu tenho? – perguntei largando a caneta e a pasta.
_Está saindo com alguém? – perguntou e eu neguei. – Não minta para mim, Violeta. Eu vi você entrando num carro preto, altamente caro, com um homem extremamente lindo. – falou me olhando de uma maneira esquisita.
_Por que você não para de tomar conta da minha vida? – perguntei indignada com tamanha intromissão da garota. – Com quem saio ou deixo de sair é problema meu! – falei.
_Ai desculpas – falou voltando ao computador. – Mas deixa eu te dar um recadinho básico: O Estevam não vai gostar nem um pouquinho disso. – Ana disse com um sorrisinho vitorioso nos lábios.
_E desde quando eu me importo com Estevam? – perguntei e ela riu. – Olha Ana, presta bem atenção no que eu vou te dizer, eu não me importo com a opinião do Estevam!
_Violeta, ele quer você e você quer á ele. – ela disse e eu neguei. De repente, veio um filminho na minha cabeça. Lembrei-me do meu jantar com o Leon, das coisas que ele me disse, e sem querer, e nem sei como, senti a sensação do que aqueles lábios me fizeram sentir. – Violeta, está me escutando?! – Ana falou impaciente.
_O que estava pensando? Sério, parece que você viajou para outro mundo e se esqueceu de voltar, o que houve? – perguntou. Eu neguei e ela me insistiu. – Me conta, eu sou sua amiga, e você sabe que pode confiar em mim. – Bom, amiga, ela não era, mas eu sei que de alguma forma, eu podia confiar nela. Ana sabia dos meus maiores medos, e também de algumas coisas pessoais que eu á contei, então podemos dizer que ela era a minha “amiga”.
_Eu... Quase passei á noite com um homem que eu conheci na balada. – falei e ela arregalou os olhos. – E sim, foi aquele que veio me buscar na porta de casa, com o carro preto, que você viu. Nós estávamos saindo para jantar.
_Nossa! – ela disse dando um gritinho. – Que máximo! A certinha passou á noite com um cara que conheceu na balada! – comemorou.
_Não passamos á noite juntos! – repreendi. – Quase passamos! E eu nunca deixaria isso acontecer... Nunca. – eu disse.
_Eu sei que você é... Bom, eu sei que seria sua primeira... Vez... – senti minhas bochechas queimarem. – Mas Violeta, escuta: você tem que deixar alguém entrar nesse seu coração aí, porque cedo ou tarde você vai perceber que está sozinha, sem um homem pra te dar amor. E um conselho: Nem todos os homens são iguais ao Pedro. – Ana disse e logo se retirou com os registros, me fazendo ficar pensando nisso...
Suspirei pesadamente e logo voltei a fazer o meu trabalho.
***
_Senhorita Castilho – Estevam havia entrado em minha sala. – Gostaria de dizer que o Dr. Ponte, mandou avisar que, ele quer esses relatórios entregues na sexta-feira, para a senhorita ter mais tempo livre. – falou.
_Obrigada pelo comunicado. – falei comemorando mentalmente, pois não ficaria muito acumulada durante a semana.
Estevam deu um sorrisinho meio que tímido, e logo se retirou. Girei a cadeira onde eu estava, e quase gritei. Agora sim, meu tempo seria ótimo. Ana voltou e me encarou confusa, apenas ri.
***
_Tchau Ana, até amanhã. – falei. Já eram cinco da tarde, hora de ir á minha casa.
_Tchau Violeta, até amanhã. – disse Ana atolada nos registros.
Saí de minha sala e fui até um armário onde minhas coisas eram guardadas. Peguei minha bolsa, e logo o fechei. Passei pelo Estevam e o mesmo se despediu de mim, logo já estava na porta, pronta para ir para casa.
_Até amanhã senhorita Castilho. – Broadway disse abrindo-a para mim.
_Até, Broadway....
...
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