True Love
36 Bem-Vinda Emmanuelle
Notas iniciais
***Marco***
Diego estava tentando entrar no quarto de Francesca a todo custo, mas os médicos não deixavam, porque o estado dela estava super complicado, e eu estava com muito medo. Um medo que eu jamais senti em relação a uma mulher.
_Diego – interferi quando ele tentava buscar argumentos para dar ao médico. – É melhor esperarmos que os médicos façam o trabalho deles, nos não podemos fazer nada.
_Tudo bem – ele se rendeu em um suspiro frustrado.
_Você precisa se acalmar cara. – falei assim que ele se sentou ao meu lado. – Não podemos perder a cabeça em uma hora como essas. – aconselhei. – Ela precisa de toda nossa positividade.
_Você tem razão. – ele disse meio desgostoso. – Me mataria se algo ocorresse com ela.
_Eu também não saberia o que pensar ou como agir. – falei recostando minhas costas no apoio da cadeira e fechando os olhos, desejando que aquilo não passasse de um mero pesadelo ridículo e sem graça.
_Você está apaixonado por ela? – ele perguntou e eu me assustei.
_Por que está me perguntando isso? – revidei com outra pergunta ainda de olhos fechados. – Não faz sentido.
_Só me responde. – ele insistiu e eu suspirei cansado. – Eu sei que você não está com aquela Ana.
_Não sei Diego, minha relação com a Francesca é complicada, não sabemos direito o que sentimos um pelo outro.
_Por que complicada? – estava querendo saber demais pro meu gosto.
_Porque sim Diego. – respondi o olhando sério agora. – A Francesca não quer está comigo tendo uma ligação eterna com você, que é o bebê. Por tais motivos não conseguimos ficar juntos.
_Então quer dizer que... Ela não sente nada por mim? – ele parecia magoado. – Ela só não está com você por causa da minha filha não é?
_Não sei direito. – falei vendo uma expressão de tristeza tomar sua face. – Eu sei que você a ama, e o que vocês tiveram um com o outro foi muito forte, mas... Ela parece confusa demais, e eu acho que foi por isso que ela se afastou de nós por um tempo.
_Você acha que eu e ela ainda temos chance?
_Não sei. – falei vendo o quanto ele ainda a queria. – Mas eu não abriria mão de Francesca se ela quisesse ficar comigo.
_Eu também não abriria. – ele disse firme.
_De qualquer jeito, vocês terão um laço para sempre. – suspirei e ele sorriu largamente.
_Pelo menos isso...
***Violetta***
_Amor – León me chamou e eu estava com as pálpebras pesadas, quase as fechando. – Você não devia ter tomado tanto calmante. – falou fazendo um carinho em meus cabelos, enquanto eu estava deitada em seu peito.
Estávamos sentados em um sofá, na sala de espera ao lado da que estávamos antes. Eu e León comemos, quer dizer, ele comeu, eu não consegui engolir nada que estava em minhas mãos, por mais gostoso que o alimento era.
_Eu to com sono. – falei ignorando as palavras anteriores dele.
_É... Esse é o efeito pra quem se droga com calmantes. – ele disse rindo fraco, e eu tentei sorrir... Tentativa falha.
_Ela já está bem? – perguntei coçando meus olhos para tentar me manter acordada.
_Sinto muito, mas ainda não recebemos notícias sobre a saúde dela. – ele disse segurando minha mão e mais uma vez o medo de que ele partisse desse mundo me atingiu violentamente.
_Diz que ela vai ficar bem... – murmurei sentindo algo que nunca havia sentido por Francesca: Compaixão.
***León***
_Ela vai ficar bem meu amor... – falei beijando o topo e sua cabeça.
Violetta estava relaxada, acho que ela tinha cochilado. Seu corpo estava mais solto, e sua respiração estava audível. Fiquei acariciando seu braço enquanto esperava o tempo passar, já que estava se passando das três da manhã e eu estava tentando fazer com que ela se acalmasse, e finalmente ela conseguiu, não sei por quanto tempo, mas...
O doutor apareceu naquela salinha e sorriu ao nos ver.
_Vocês são os acompanhantes de Francesca Reys, certo? – perguntou e eu assenti. – Devo informar que ela finalmente reagiu. – sorri. Menos uma preocupação para a Violetta. — E ela quer ver o tal Diego, é você? – perguntou me olhando desconfiado e eu neguei.
_Vou avisá-lo – falei e ele assentiu saindo. – Violetta – sussurrei em seu ouvido e a mesma se mexeu. – Acorde amor.
_O que foi? – ela resmungou irritada e eu ri.
_Tenho boas notícias. – falei e ela prontamente abriu os olhos se sentando corretamente ao meu lado. – Francesca reagiu aos medicamentos.
_Sério?! – ela parecia não acreditar.
_Sim, sério. – falei e ela abriu o sorriso mais lindo de todo o mundo.
_Quando podemos vê-la?!
_Acho que em breve, pois ela chamou o Diego para entrar primeiro.
_Esses dois viu... – ela suspirou engraçadamente e eu ri.
***Francesca***
Acordei estranhamente bem e mal. Olhei em volta e pude perceber que estava conectada a vários tubos, e um deles estava me incomodando. Tinha um troço em meu nariz, e aquilo me dava cócegas, ao mesmo tempo em que me irritava.
_Consegue me dizer como se sente senhorita Reys? – um cara velho de jaleco branco me perguntou com uma prancheta na mão.
_Estranha. – respondi tentando espirar o ar, mas parecia que os meus pulmões estavam bloqueados.
_Calma, é normal – ele disse dando uma risada fraca (eu não vi graça). – Você já saiu do estado de perigo. Não corre mais riscos nenhum... Espero.
_Tudo bem cadê minha filha?! – perguntei impaciente já que eu nem sequer vi o rostinho meigo do meu bebê. – E eu não mandei chamar o pai da criança?! – perguntei vendo que os meus pedidos não foram atendidos.
_O pai do bebê está aguardando eu autorizar a entrada, e sua filha está passando por alguns exames, precisamos verificar se ela é realmente saudável ou não.
_Meu Querido, ela é minha filha, é claro que está saudável. – respondi arrancando aqueles fios do meu nariz.
_Ei vai devagar! – ele disse parando meus movimentos. – Você parece uma criança malcriada.
_Malcriada é a sua mãe. – lhe joguei um olhar mortal.
_Veja como fala comigo – ele disse bravo.
_Vai chamar o pai da minha filha, por favor! – falei me sentando e cruzando os braços.
Ele bufou e saiu do quarto. Velho estressado é um caos. Terminei de tirar aquele monte de fios que estavam conectados em mim, mesmo o médico velhote não aprovando. A porta se abriu e eu pude ver um homem, de jaqueta de couro preta e uma calça jeans apertada... Entrar em meu quarto. Sorri ao ver Diego.
_Fran... – ele disse vindo até mim e me aconchegando em seus braços, em um abraço super carinhoso e confortável, apenas retribuí e me deliciei com o cuidado e a preocupação que ele estava tendo comigo naquele instante. – Tive medo de nunca mais poder ver esse sorriso tão lindo em sua boca.
_Obrigada pela preocupação. – falei assim que nos afastamos.
_E onde está nossa filha? – sorri ao ver a empolgação e também ao ouvir o pronome “nossa”.
_Está fazendo alguns exames.
_Como você está? – ele perguntou se sentando na beirada daquela cama de hospital.
_Acho que bem – respondi com um sorriso no rosto.
_Você deixou nos muito preocupados. – ele disse pegando em minha mão, e dando um carinho beijo na mesma. – A Violetta quase teve um surto.
_Ela ainda está aqui? – perguntei surpresa.
_Sim, ela passou a noite e a madrugada tentando relaxar e se entupindo de calmante. Tanto que ficou meio grogue. – rimos.
_Não acredito... Quem mais está aqui? – perguntei curiosa.
_Eu, a Violetta, o León e o... Marco. – ele disse me olhando sério.
_Hum – olhei para o canto do quarto já que ficou um clima meio estranho depois da fala dele. – Está cansado?
_Não... Passaria tudo de novo se fosse necessário.
_Não fale bobagens Diego. Não suportaria passar por tudo isso novamente. – falei olhando aqueles olhos escuros que pareciam me decifrar a cada segundo que se passava.
Escutei um barulho, e eu rapidamente olhei para a porta, que se abria lentamente. Logo a imagem de uma mulher alta e magra, com um jaleco branco apareceu com alguém em seus braços, enrolado em uma manta rosa.
Olhei para Diego que sorria abobadamente, eu não devia estar muito diferente. Senti meus olhos ficarem marejados, e eu nunca havia sentido isso antes, mas era bom, algo puro e sincero, algo para vida inteira.
A enfermeira esticou os braços me entregando aquele pequeno ser que fazia pequenos e quase inaudíveis sons. Peguei-a em meus braços e tirei a manta que estava enrolada em seu pequeno e tão frágil corpo. Ela era tão pequena, tão linda, tão minha, que eu não tive como não soltar algumas poucas lágrimas enquanto a admirava.
_Ela é tão linda – pensei em voz alta totalmente emocionada.
Diego pegou na mãozinha dela balançando um pouco e eu ri daquele momento tão perfeito. Uma família. Algo tão bom, que eu nunca tive. Seria essa a hora de construir um lar, uma família com o pai de minha filha? Eu não queria que ela crescesse sem o pai, como eu, queria que todos tivessem presente.
_Seja bem-vinda Emmanuelle – Diego disse baixinho.
Gostamos desse nome. Foi uma escolha intima de nós dois. Pedimos opinião até para a família de Diego, que nos deu super apoio. Esse foi o nome da mulher que me pôs no mundo, mas eu nunca tive a chance de conhecer. Minha mãe.
...
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