True Love
37 Você achar justo?!
Notas iniciais
***Violetta***
_Amor – chamei León que estava super concentrado em alguma coisa que estava vendo no celular. Ele apenas resmungou para que eu continuasse. – Porque não vamos comer alguma coisa? – perguntei me aproximando mais de onde ele estava sentado.
_Porque nós acabamos de comer. – ele disse sem me olhar.
_Eu não comi, você comeu.
_Está com fome agora? – ele perguntou guardando o celular e me olhando com um sorriso no rosto. Eu assenti. – Vou comprar algo para você comer. Espere-me aqui. – sorri e ele se foi.
Fique aguardando o Diego que não saia de dentro do quarto de Francesca nunca. Sério, os dois devem estar em um momento super família lá dentro. Tipo, eu queria ver o bebê, mas também não queria interrompê-los.
Marco estava impaciente, andando de um lado para o outro, era óbvio que ele também queria ver a Francesca.
_Então Marco... – roubei sua atenção e ele me olhou. – Não quer ir para casa descansar um pouco? Você parece exausto. – a verdade é que eu estou exausta.
_Não, quero ver a Francesca, depois eu descanso. – ele disse se sentando na poltrona, seus olhos estavam vermelhos.
_Você gosta dela mesmo né? – perguntei quase que em uma afirmação e ele abriu um sorriso super bobo.
_Está na cara não? – rimos. – Não consigo mais esconder.
_É... Quando nos apaixonamos por alguém, fica difícil de agüentar a distancia.
_É mais difícil agüentar um concorrente muito mais forte que eu. – ele disse suspirando. – Diego tem muito mais chance de ficar com ela... Eles têm uma filha, eles são uma família.
Antes de eu dizer algo León entrou com um copo e um salgado na mão. Eu sorri agradecida e ele se sentou ao meu lado enquanto o Marco se levantava para ir atrás de Francesca em seu quarto.
_Do que estavam falando? – León perguntou dando-me as coisas que ele havia comprado.
_Francesca – respondi dando uma mordida no salgado. – Ele está apaixonado por ela, mas acha que não tem chance.
_Entendo. – ele suspirou.
_Não quer mesmo? – perguntei oferecendo o lanche e ele negou.
_Estou cuidando da minha alimentação, não quero engordar. – ele disse sério e eu ri. – O que foi? Um homem não pode querer se cuidar?
_Como se seu corpo fosse o ideal.
_E não é? – perguntou sorrindo convencido.
***
Depois de um tempo lá fora, Diego e Marco liberaram o quarto de Francesca, e eu e León fomos vê-la. Eu estava ansiosa para ver o bebê.
_Licença. – falei abrindo a porta do quarto.
Eu e León entramos no quarto, e Francesca estava com ela no colo, enrolada em uma manta rosa clarinha. Francesca sorriu ao nos ver, ela parecia bem contente. Nós nos aproximamos da cama para vê-las melhor, e Francesca descobriu o rostinho do neném.
_Ele é a coisa... Mais linda que eu já vi na minha vida. – falei encantada com aquele ser pequeno e frágil que mais parecia uma boneca, tão perfeitinha. – Ela é tão meiga...
_Encantadora. – León disse com o braço ao redor de minha cintura, observando a filha da Fran dormindo serenamente.
_É a minha razão. – Francesca disse olhando com amor para criança em seus braços. – Pena que está dormindo agora, ela é uma graça acordada, e muito calminha, pelo menos parece ser.
_Ela tem alguns traços do Diego. – falei vendo certa semelhança, naquele ser pequeno de pele meio morena.
_Alguns? – Francesca disso e nós rimos. – Foi muito engraçado ele tentando a pegar no colo. – ela disse com um sorriso imenso, parecia muito feliz. – Diego é muito desajeitado, mas cuidadoso.
_Pai de primeira viagem. – falei e ela riu assentindo. – Vocês estão bem?
_Acho que sim.
_Quando sairão do hospital? – León perguntou se sentando na poltrona que estava ao lado da cama.
_Amanhã à noite, eu acho. – Francesca disse ninando a garotinha em seus braços, que dormia tranquilamente. – Por quê?
_Venho buscar vocês. – León disse e eu sorri.
_Por quê? – ternou a repetir e eu ri. – Não quero incomodar.
_Não vai incomodar Francesca. – me pronunciei. – Diego vai trabalhar, e não poderá vir para cá, e Marco tem que resolver umas coisas, então nos oferecemos para te levar para casa.
_Tudo bem... Muito obrigada. – ela disse sorrindo agradecida para nós.
***
_Hm – a massagem de León era excelente.
Estávamos na casa dele. Diego e Marco estavam no hospital, e Marco vai ficar lá com ela até amanhã de manhã e o Marco até a tarde, então não tinha porque eu e o León ficarmos lá.
_Sabe o que eu estava pensando – ele disse finalizando a massagem e eu suspirei em reprovação. – Por que não viajamos?
_Viajar? – perguntei, ficando com o corpo, virada pra cima, ainda deitada na cama dele. – Para onde?
_Vamos para Barcelona. – ele disse e eu o olhei.
_Barcelona? – perguntei assustada. – O que faremos em Barcelona?
_Muitas coisas. – ele disse pegando em minha mão. – Vamos ir à praia, tem muitas coisas para se fazer amor.
_Nunca viajei para lá, mas meu pai me dizia que lá era bem bonito.
_Você nunca me contou sobre seu pai. – León disse se jogando do outro lado da cama, virando de lado para mim. – Nem sobre sua mãe.
_Eu não tive mãe. – respondi o olhando nos olhos. – E meu pai está distante.
_Não quer me contar? – ele perguntou aproximando seu corpo do meu.
_Não me sinto confortável te dizendo isso.
_Tudo bem, mas quando quiser se abrir... Estarei ao seu lado te ouvindo. – falou acariciando meu rosto.
_Espero ter você pra sempre comigo.
***
_León estou com fome. – reclamei assim que acordamos de um soninho de trinta minutos.
_Jack está de folga, teremos que preparar alguma coisa. – ele disse suspirando alto. – O que quer comer.
_O que você sabe fazer? – perguntei me debruçando em seu peito, ficando por cima do mesmo. – Vamos testar suas habilidades.
_Hã... Bom, acho que nada. – ele disse rindo.
_O que você come quando ela não está em casa? – perguntei curiosa.
_Porcarias. – falou dando de ombros. – Vou até um restaurante, ou peço uma pizza. Alguma coisa eu tenho que comer.
_E como você mantém esse corpo amor? – perguntei. – Você come muita besteira, até mesmo quando Jack está aqui.
_Bom, eu vou à academia, pratico exercício físico, e acho que é isso.
_Se eu tivesse essa “dieta”, eu viraria uma baleia imensa.
_Você é linda. Não precisa de nada de dieta. – ele disse e eu ri. – Vamos pedir uma pizza? – perguntou.
_Prefiro fazer uns sanduiches naturais. – falei e ele ficou um tempo me analisando.
_Vamos pedir pizza. – disse tirando-me de cima vagarosamente dele e indo até a sala ligar para a pizzaria. León não era muito fã de lanches naturais.
Levantei-me também e dei uma ajeitadinha na cama que estava amassada. Fui até o armário de León, que tinha um grande espelho, e me vi, estava normal. A porta de seu guarda roupa estava entreaberta. Corri a porta para o lado e pude ver uma pequena caixa que estava aberta. Era feita de madeira, e por dentro forrada em um pano vermelho.
Peguei a pequena caixa em minhas mãos, e a analisei. Assim que vi o que tinha dentro me assustei. Tinha uma aliança e uma fotografia. Na foto estava o León, e uma mulher de olhos claros, azuis e cabelos castanhos escuros. Ambos sorridentes, se olhando apaixonadamente, de mãos dadas.
Peguei a aliança e vi que estava escrito por dentro o nome da mulher: Stephie. Respirei fundo tentando manter a calma, o que é difícil quando você encontra objetos da ex do seu namorado que significam muito para ela.
_Violetta... – escutei a voz de León. – O que está fazendo?
Olhei para ela que estava me olhando surpreso. Eu não sou de mexer nas coisas dele, mas me bateu uma curiosidade. Guardei a caixinha de volta no lugar e fechei a porta do guarda-roupa, direcionando meu olhar ao dele.
_Por que tem aquelas coisas guardadas?
_Violetta – ele disse se aproximando de onde eu estava. – Não gosto que mexam naquela caixa. – ele disse sério, mas ainda calmo.
_Você não pode guardar coisas que te lembram um passado doloroso. – falei baixinho, para não me exaltar.
_E você acha que é fácil esquecer alguém que você amou mais do que a vida, e te deixou dias antes do casamento? Desapareceu sem ao menos mandar um recado, ou falar para onde iria?
_Eu sei o que isso. – falei triste. – Eu passei por um fim de relacionamento terrível, mas nem por isso tenho coisas guardadas dele.
_Claro... Mas traição não é pior que abandono.
_Não é pior? – ri ironicamente. – Você acha que é fácil, descobrir que o seu namorado, a pessoa que jurava te amar e te respeitar, traiu você, com uma mulher, que é mil vezes diferente de você? E que ficaram se encontrando durante meses, enquanto ele me dizia coisas bonitas, e tentava fazer com que eu me entregasse a ele, sendo que ele estava com outra. Você acha que é mais difícil ser abandonado, do que ser humilhada, pisada, te jogarem na cara que ela era melhor do que eu, em todos os sentidos. Você acha isso justo?! – perguntei, e nessas horas lágrimas rolavam pela minha face. – Você acha justo... Chamarem-me de coisas feias, pensarem o pior de mim só por estar com o homem errado, pelo homem que me fez chorar, e entrar numa depressão ridícula?
...
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