True Love
24 Apenas Lira e Vargas.
Notas iniciais
Senti uma mão em meu ombro. Assustada, me virei para trás, encontrando Melanie com uma expressão triste no rosto. Passei a mão pelos meus olhos, e sequei minhas bochechas. Melanie me puxou até a cozinha e eu fui junto com ela.
_Você não devia ter escutado aquelas baboseiras – disse pegando um copo de água gelada para mim. – Minha mãe, a maioria das vezes, ou sempre, diz o que não tem que dizer. – disse me entregando.
_Tudo bem – murmurei com a voz um pouco fraca. – Talvez... Ela esteja certa – disse um pouco triste, mas ela tinha razão, eu não era do mesmo nível de classe social deles.
_Você pirou? – Melanie perguntou em um tom de indignação. – Você é a pessoa certa. Minha mãe está errada. León não pode ficar com a Lara, ou com qualquer outra mulher de poses. Ele não merece nenhuma delas, merece alguém como você. Alguém humilde de coração. – falou com um sorriso nos lábios.
_Mas seus princípios... – Ela me cortou.
_Esquece esses princípios – disse olhando em meus olhos. – O único princípio que devemos seguir, é o de ser feliz, nada mais. – sorri. – Minha mãe me chama de rebelde, revoltada e atrevida por não obedecê-la. – riu. – Mas ela não entende que eu e o León, somos diferentes do Rafael. – falou com a cabeça baixa. – Rafael é um homem manipulado, faz tudo que a minha mãe quer, não se importa com as conseqüências, só quer ver o dinheiro aumentando e o nosso sobrenome se espalhando pelo mundo. – disse com certa raiva.
Antes de continuarmos nossa conversa, ou os desabafos da Melanie, León entrou ali com uma cara séria. Melanie saiu, talvez para nos deixar sozinhos e conversarmos sobre esse jantar ridículo.
_Desculpe por desaparecer por um tempo. – disse com a voz baixa e até rouca. – Minha mãe fala demais. – sorrir levemente.
_Claro... – suspirei. – Agora eu sei o porquê de você conhecer a Lara e a Ludmila. – falei o olhando, e ele permanecia em certa distancia e imóvel. – Por que não me contou que a sua família era tão complicada? Ou que estava de casamento arranjado com outra? – perguntei ainda calma.
_Desculpa... – murmurou abaixando a cabeça. – Mas não estou de casamento arranjado ou marcado com a Lara. Somos apenas amigos, ela não gosta de mim como homem, e eu também não gosto dela como mulher, temos apenas uma amizade.
Assenti, e depois de longos minutos em silêncio, León estendeu a mão, para eu levantar e voltarmos para a sala de jantar, porque já começávamos a ouvir que o jantar seria servido. Dei minha mão a ele, e fomos em direção à sala.
Voltamos para sala e nos sentamos à mesa, junto com as outras pessoas. Rafael, o irmão de León em nenhum segundo parava de me olhar. Ele não tinha uma boa expressão enquanto tentava me decifrar como à senhora Vargas.
Tentei ignorar o fato de que eu estava muito triste e principalmente horrorizada com as palavras que a mãe dele disse de minha pessoa, deveria dizer a todos daquela mesa a quão mal aquela mulher era.
_Tenho uma notícia para dar a todos. – Rafael disse se levantando e finalmente parando de me olhar daquele jeito estranho e constrangedor. A senhora Vargas fez uma cara super ansiosa, enquanto ele pegava na mão de sua esposa, Alicia, e a ajudava a se levantar. – Minha esposa, Alicia Lira Vargas, e eu, teremos um filho. – disse abrindo um largo sorriso.
_O que? – A mãe dele disse com os olhos marejados enquanto sorria largamente para o filho. – Alicia está grávida? – perguntou se levantando também. Alicia apenas balançou a cabeça positivamente sorridente. – Que felicidade!
León não demonstrou nenhum tipo de emoção com aquilo. Olhei para a Melanie que estava distraída jogando o tomatinho cereja para cima e para baixo. Achei legal o fato de uma gravidez naquela família. León teria um sobrinho ou sobrinha, e aquela mulher seria avó. Tenho dó do neto dela.
_Fico realmente muito contente com essa notícia – a senhora Vargas disse com uma das mãos no ombro do pai de León, ele era bem calado, quase não o ouvi falar. – E espero que seus irmãos sigam os mesmos passos que você, grande Rafael. – minha garganta fechou naquela hora. – Espero que eles se casem com pessoas como a Alicia, de classe superior e conhecimento imbatível. – meu estomago embrulhou. – E assim seremos uma grande família, focada nos negócios e produzindo grandes gerações com o sobrenome Vargas, e agora Lira, que eu espero ser o único sobrenome no qual nos socializaremos. – assim que ela disse aquilo todos olharam para mim.
_Vou vomitar – murmurei com as mãos na barriga, fazendo León me olhar um pouco preocupado. Aquelas palavras não me fizeram bem.
Levantei-me atraindo ainda mais olhares para mim. Saí daquela mesa às pressas, indo até a sala, pegando a minha bolsa e dando o fora daquela casa que me davam ânsias. Praticamente voei para fora do local, e não estava a fim de dar muitas explicações.
***Francesca***
_Castillo! – a chamei pela décima vez batendo na porta do quarto dela. – O León deixou mais de cinqüenta mensagens no meu celular, e ainda ligou milhares de vezes do telefone fixo atrás de você. – falei um pouco de nada alto, pois não era necessário que eu gritasse para ela me escutar. – Então, eu sugiro que você saia do quarto e dê explicações para o seu namorado e para mim, que não sei o que está acontecendo.
Voltei para sala, depois de esperar uns três minutos pela resposta de Violetta, que não veio. Meu querido amigo, o Marco, estava comigo, me fazendo companhia, ele tem sido uma boa pessoa comigo, nesses tempos.
_Nada? – perguntou e eu assenti. – Deve ter acontecido alguma coisa, ou ela brigou com o tal León. – Marco disse pegando uns dos biscoitos que eu havia comprado na padaria.
_Pode ser... – murmurei, e pela primeira vez na história, eu estava me preocupando com aquela garota, por mais que ela seja estranha, não era normal uma pessoa se trancar por quase um dia e meio no quarto e não sair para nada.
_Já sei – disse sorrindo. – E se você ligar para o namorado dela, quem sabe ele não vem e tira ela daquele quarto.
_Não – murmurei. – Se os dois estiverem brigados... Vai ser pior, e ela não me perdoaria nunca. – expliquei.
_Tá – murmurou. – Mudando de assunto... Como vai o garotão que está aí dentro? – disse fazendo cosquinhas em minha barriga, me fazendo dar risada.
_Quem garante que é um menino? – perguntei tirando sua mão dali. – Pode muito bem ser uma garotinha.
_Bom, se for uma menina com certeza será tão linda quanto à mãe. – falou parando com os risos e me olhando, me deixando um pouco sem graça. – Diego teve sorte de ter você na vida dele, pena que não soube aproveitar.
_Acho que não – ri. – Ele deve ter tido muito azar.
_Não, ele teve sim. – falei. – Você é muito meiga, carinhosa... – eu iria interrompê-lo. – Por mais que você diga que era rebelde, não gostava de regras, e não as obedecias, fazia coisas erradas... Eu não consigo enxergar isso em você. – falou acariciando meu rosto. – Só consigo ver uma mulher, que necessita de cuidados como qualquer outra.
_Marco... Eu...
Antes de nós falarmos algo, ouvimos um estrondo e rapidamente olhamos para trás. A Violetta tinha batido a porta. Olhei para a mesma, que não estava com uma cara nada saudável. Ela estava com seu robe, e bem abatida.
_Violetta... – murmurei indo até ela. – Que bom que saiu do quarto, pensei que fosse morrer lá dentro – disse assim que estava em sua frente. Percebi que ela havia chorado, e muito, porque seus olhos estavam vermelhos e levemente inchados. – O que aconteceu? – perguntei preocupada.
Antes de ela responder, Marco apareceu atrás de mim, me dando um breve susto.
_Fran, eu vou deixar vocês sozinhas – falou. – Amanhã nós nos falamos. Ok? – disse e eu assenti. – Se cuida. – falou me dando um beijo na testa e eu sorri. – Tchau. Tchau Violetta.
_Tchau Marco – me despedi e ele se foi.
Voltei minha atenção à Violetta, que estava indo em direção à sala. Fui atrás dela, porque eu ainda queria explicações. Ela se sentou, e eu me sentei na poltrona a sua frente.
_Quer me contar o que aconteceu? – perguntei calma, enquanto via certa tristeza em seus olhos que estavam sem brilho algum.
_Francesca – murmurou com uma voz horrivelmente falha. – Não sei se quero te falar.
_Às vezes é melhor desabafar – aconselhei. – Aconteceu alguma coisa entre você e o León? – perguntei prevendo que seria isto. – Ele te disse coisas que você não gostou? Ou te fez algo?
_Não – disse com a voz chorosa. – A família dele não me aceita. – disse trêmula. – Não aceita, porque não sou rica, não tenho família, e porque não posso aumentar o dinheiro que eles têm. – falou caindo em um choro sentido.
_Não fica assim – falei indo me sentar ao lado dela. – Eles ainda não viram que você é uma excelente pessoa. – falei ponde meu braço em seus ombros.
_Não, você não entende. – disse tentando normalizar sua fala. – O León já está envolvido nisso, a mãe dele já até achou uma esposa para ele.
_Esposa? – perguntei assustada. – Casamento arranjado? – perguntei abismada e ela apenas assentiu com seus olhos inundados por lágrimas. – Que horror... – murmurei. – Mas o León aceitou isso?
_Não aceita – disse passando a mão pelos olhos. – Ele falou que me ama, e prefere a mim a uma mulher cheia de riquezas. – disse.
_Então não entendo o motivo desta sua tristeza repentina. – falei confusa já que o namorado dela não queria aquilo.
_Francesca, eu ouvi a mãe dele falando coisas horríveis de mim. – ela disse. – A senhora Vargas me chamou de vadia. – disse com a voz evidentemente magoada, assim como sua expressão.
_O que? – perguntei surpresa.
_Acho que ela acha que eu sou uma aproveitadora – disse. – Mas quando eu conheci o León, eu não sabia que ele era rico, muito menos que ele tinha uma família tão preconceituosa, e uma mãe que odeia garotas pobres.
_Calma... Você pode até não ser podre de rica, mas é muito boa de coração, e não é uma aproveitadora como aquela mulher diz. Muito menos uma vadia. – falei apoiando sua cabeça em meu ombro.
_Fran, ela me odeia – murmurou. – Eu senti ânsia só de ouvir a voz dela, aí me deu uma vontade imensa de colocar tudo pra fora quando ela me humilhou em frente a todos daquela mesa.
_Ela fez isso? – perguntei indignada e ela murmurou um sim. – Ela não presta. Você pode não ter dinheiro, mas é mil vezes melhor do que essa tal senhora Vargas. – falei vendo um pequeno sorriso se formar em sua boca. – E o León te ama. Tenho certeza que ele fará de tudo para te fazer feliz, longe desse monstro que você tem como sogra. – ela soltou um pequeno riso.
***Violetta***
Depois de um tempo conversando com a Francesca e vendo o esforço que ela estava fazendo para me consolar, resolvi tomar um banho, precisa espantar todos os vestígios daquele trágico jantar com os pais do León, onde finalmente eu descobri até onde a minha “sogra”, é capaz para me separar do León.
Assim que terminei meu banho, peguei meu celular e vi que estava descarregado. Coloquei o carregador e liguei-o na tomada. Assim que ele ligou, vi que tinha um monte de ligação perdida e algumas mensagens.
Chamadas Perdidas
Estevam 977763212
León 935463022
Estevam 977763212
León 935463022
León 935463022
E as outras eram todas do León. Estranhei o Estevam ter me ligado durante esse pequeno tempo em que meu celular estava sem bateria. Eu não iria retornar, não estava a fim de falar com o Estevam e nem saber o porquê dele ter me ligado duas vezes. Li aquelas mensagens, e eram todas de León, querendo saber se eu estava bem, ou onde eu havia me enfiado. Uma das mensagens me chamou atenção, era número desconhecido, mas logo que eu li de quem era, ficou tudo mais claro.
Violetta? Oi aqui é a irmã do León, Melanie, espero que se lembre de mim. Tomei a liberdade de roubar seu número da agenda telefônica do meu irmão, mas eu precisava falar com você. Eu quero pedir desculpas pela minha mãe, realmente aquela foi uma das atitudes mais sujas que ela já teve. Eu vi, nos seus olhos, que você realmente ama o meu irmão, e eu fiquei muito contente em perceber isso, nunca o vi tão feliz, como está com você. Seja bem-vinda à minha família tão maluca, espero que você e o León consigam vencer estes desafios juntos.
Beijos da Mel.
Sorri ao terminar de ler aquela mensagem. Ela e o León realmente não tinham nada a ver com aquela família ridiculamente preconceituosa, que queriam que eu desaparecesse da vida do meu namorado.
Do meu quarto, escutei a campainha tocar, e em poucos minutos a Francesca ir atender. Escutei ela dizer: “Ela está no quarto”. Não conseguir escutar a voz do ser indesejável naquele momento, mas logo a porta do meu quarto se abriu, revelando a imagem de um homem, um homem que fazia o meu coração saltar de meu peito.
_O que faz aqui? – perguntei surpresa com a sua visita.
_Estava preocupado com você – León disse se pondo em minha frente, e eu logo me levantei. – Fiquei preocupado já que você não respondia minhas mensagens e nem atendia minhas ligações.
_Desculpa, meu celular estava descarregado – falei apontando para o objeto ligado à tomada. – O que quer comigo?
_Queria saber o porquê de você ter saído daquele jeito do apartamento dos meus pais, sem se despedir de ninguém. – falou em um tom calmo. – Isso não causou nenhuma boa impressão para a minha mãe. – riu enquanto colocava uma mexa do meu cabelo atrás de minhas orelhas.
_Eu... – suspirei. – Ouvi uma parte da sua conversa com a sua mãe. – respondi rapidamente olhando os olhos dele que, pelo que eu entendi, não entendia o motivo de eu ter feito aquilo. – Sei que foi errado, mas eu só estava te procurando, porque todos que estavam ali estavam me olhando estranhamente, e eu não conseguia mais ficar ali. – expliquei. – E eu me ofendi com o que a sua mãe me disse, e me senti muito humilhada com o que ela disse na mesa. – falei abaixando a cabeça.
_Você não devia se importar com isso. – falou colocando sua mão em meu queixo, levantando a minha cabeça delicadamente. – Eu te falei como eles eram, e como eu tinha medo de que isso te afetasse.
_Eu pensei que não fosse não sério assim – falei um pouco triste. – Achei que você tivesse exagerado um pouco – falei olhando aqueles olhos verdes que me olhavam com certa preocupação.
Em questão de segundos, León tirou sua mão de meu queixo, envolvendo-me em um abraço apertado, mas muito aconchegante. Apenas me encaixei melhor entre seus braços, e recostei minha cabeça em seu peito.
_Me desculpe – falou beijando minha cabeça. – Não queria que as coisas fossem assim. – falou me apertando mais forte. – Te amo...
...
Fale com o autor