True Love
25 Dia de mudanças
Notas iniciais
Estava em meu quarto, debaixo das cobertas, fazendo? Nada em especial. Apenas refletindo na minha vida, que do nada virou de ponta cabeça. Um novo emprego, uma relação conturbada, mas o grande amor que eu sinto pelo León, e uma amizade com a Francesca, o que eu nunca
Minha vida havia mudado depois que eu o conheci. Fiquei mais anormal, eu diria. Agora eu vejo que estava cansada daquela vida monótona, onde eu fazia as mesmas coisas todos os dias.
Olhei para o a minha cômoda, e me lembrei de um assunto que eu fiz questão de esquecer. Lá em cima vi o envelope que o Germán havia me enviado. O que será que ele queria comigo?
Levantei-me rapidamente e peguei o envelope, voltando para debaixo das minhas cobertas, pois estava um pouco frio. Abri o envelope, e ainda havia o dinheiro que ele havia mandado.
_Dez mil – murmurei enquanto via o valor escrito no papel. – Quem entrar aqui, e ver esse dinheiro vai achar que eu roubei um banco – falei baixo achando graça daquilo.
Peguei outro papel que eu nem tinha percebido que estava lá dentro, era tanto dinheiro que eu fiquei um pouco hipnotizada por tantas notas em um envelope só. Era um papel dobrado em quatro partes. Abri com cuidado e vi a letra um pouco difícil de ler, mas nada impossível.
Querida Violetta,
Sei que você pode estranhar todo este dinheiro, mas é uma forma que eu achei para te pedir desculpas. Eu não sei como você se encontra hoje, não sei da sua situação financeira, ou se está casada, grávida, com filho, já que foram dois anos separados, mas eu espero que esteja bem, e espero ter mandado a carta para a casa certa...
Vou te explicar o motivo do meu sumiço. Eu precisava espairecer, estava muito cansado, me desculpe se isso te prejudicou, eu juro que na época só estava pensando em mim.
Por favor, assim que ler esta carta me ligue, deixarei o meu número anotado no final da carta. Estou com muitas saudades, espero que esteja bem.
De seu pai, um abraço.
(97765-4498)
Que surpresa. Talvez seja boa, ou não. Que bom que meu pai se preocupou comigo. Mas não precisava todo este dinheiro, porque é muita coisa. E ele pensa mesmo que eu posso ter me casado? Ou ter tido filhos?
Ri com isto, nunca pensei em ter uma família, mas todos esses pensamentos mudaram assim que eu conheci o León, no qual morro de amores. Gravei o número dele em meu celular, quando eu tivesse coragem eu ligaria, me senti muito mal quando meu pai foi embora, ele me abandonou, nem pensando em como eu iria sobreviver. Ele tinha dinheiro, mas as empresas estavam afundando, então eu não sei como ele se encontra financeiramente, acho que ele está bem, por ter me mandado tudo aquilo de dinheiro, ou não né?
Meu celular começou a tocar, e eu levei um sustinho, pois o mesmo estava em minhas mãos, então me assustei quando ele vibrou e começou a tocar aquela música chatinha que eu tinha escolhido como toque.
_Oi?
_Violetta? – Era Ana. – Tem um minuto para falar comigo?
_Claro – falei. – Não estou fazendo nada, pode falar o quanto quiser.
_Queria te fazer uma pergunta. É verdade mesmo que você vai parar de trabalhar para o Maximiliano, e ir para uma galeria, trabalhar com a Ludmila? – perguntou.
_Sim – falei feliz, por ter me lembrado daquilo. – Irei trabalhar com a Ludmila.
_Me abandonará naquela empresa com um chefe ridículo? – perguntou divertida e eu apenas fui capaz de rir. – Estou brincando, espero que você tenha um ótimo trabalho com ela.
_Obrigado Ana – falei contente. – Amanhã nos vemos, vou buscar minhas coisas na empresa – falei.
_Ok né. Beijos.
Desliguei o celular e guardei aquele dinheiro de volta ao envelope, juntamente com o pequeno bilhete. Levantei-me da cama e fui até a minha cômoda, abrindo a primeira gaveta e tirando algumas coisas que eu tinha: como fotos com meu pai. Na verdade tudo que ali havia, era relacionado ao meu pai, e tudo que vivemos juntos.
Eu não usaria aquele dinheiro, apenas guardaria, para depois lhe entregar de volta, para ele ver que eu não preciso disso, que estou bem desde que ele largou-me sem se importar com as conseqüências.
***
Assim que amanheceu o dia, eu me levantei, não iria trabalhar, pois iria pegar minhas coisas na empresa de Maximiliano Ponte. Eu não estava apressada, poderia passar lá qualquer hora do dia, sem aviso ou telefonema.
_Violetta – Francesca disse entrando em meu quarto, que estava aberto. – Queria te fazer um convite. – falou com um sorriso de lado.
_O que? – perguntei enquanto ia até o armário pegar uma roupa para eu vestir.
_Queria perguntar se gostaria de ir comigo ao shopping – falou um tanto tímida. – Comprar umas coisinhas para o meu filho, e preciso da ajuda do seu bom gosto. – falou sorrindo.
_Mas... Você não deveria saber o sexo do bebê, antes de sair comprando roupinhas e acessórios? – perguntei tirando o vestido do meu armário.
_Sim – falou e eu a olhei, confusa. – Vou ao médico hoje – disse com um sorriso brotando nos lábios. – Hoje saberei se é uma menina ou um menino que estou esperando.
_Ai que máximo – falei aproximando-me dela. – Por que não me contou que era hoje?
_Esqueci – deu de ombros.
_Eu bem que queria ir, mas tenho que ir a empresa, buscar minhas coisas. – falei.
_Não tem problema, meu médico é mais tarde, e você pode ir buscar as coisas agora, né? – perguntou e eu assenti. – Então, você vai agora, eu vou com você, e depois vamos ao médico. E de lá partimos para o shopping, e também para uma loja de bebê que tem ao lado, que é perfeita, um sonho de consumo.
_E deu para perceber que você está muito ansiosa. – comentei e logo depois rimos.
_É claro que estou. – falou assim que se controlou. – E... O Diego disse que vem aqui à noite, para saber o sexo do bebê. – disse e eu assenti. – Ele está muito ansioso também.
_Que bom né? Mas... Por que ele não vai com você para fazer o ultrassom? – perguntei. Afinal ele era o pai.
_O Diego está trabalhado muito ultimamente – Francesca disse um pouco séria. – Ele anda muito cansado, e por isso não tem tempo de me acompanhar nas consultas, mas faz questão de saber tudo o que está acontecendo comigo e com o bebê. – explicou.
_Ele te ama muito – comentei e a mesma abaixou a cabeça. – E eu sei que você também o amou. – falei sorrindo.
_Fico triste por saber que tenha acabado – disse quase que em um murmúrio. – E que foi por um erro meu. – disse. – Mas fico feliz em saber que esse sentimento ainda não acabou nele. Porque eu posso não amá-lo, mas eu sei que independente de tudo, nós teremos para sempre uma forte ligação... A menos que ele morra.
_Não fale uma coisa dessas – falei.
_Ninguém sabe o dia de amanhã Violetta – suspirou.
_É, mas ninguém espera que o dia de amanhã seja a morte – falei assustada com tamanha tranqüilidade que ela encarava aquilo.
_Bom, eu vou fazer o café. – disse saindo.
***
Assim que terminamos de nos arrumar, saímos de casa e fomos em direção ao meu trabalho, quer dizer, o meu antigo trabalho, e não imaginam como estou feliz em saber que vou sair de lá, não que ele seja ruim, é que é muito bom inovar, sabe?
_Estou cansada – Francesca murmurou com as mãos nas costas.
_Nós não estamos andando nem há dez minutos. – falei parando para a mesma tomar fôlego e continuarmos o caminho.
Depois de mais ou menos uns dois minutos, ela pareceu se recuperar, porém estava com um mal-estar perceptível, não falei nada, mas aquilo me preocupou, devem ser efeitos da gravidez dela.
Depois de um longo tempo, chegamos à grande empresa de Maximiliano Ponte, Francesca apenas observou o lugar, ela nunca havia visto ou sequer se interessado onde eu trabalhava, ou passava quase o meu dia todo lá dentro.
Enquanto a mesma estava distraída, vi Marco se aproximar. Como assim? O que ele faz aqui uma hora dessas? Devia estar na cafeteria, e não passando por aqui. Ele me olhou e indicou que eu não falasse nada, e eu obedeci. Foi se aproximando vagarosamente de Francesca, até que cobriu os olhos da mesma, com sua mão. Ela ficou assustada, mas não disse nada, e depois de um tempinho sorriu, acho que ela sabia que era ele.
_Marco?! – uma figura feminina bem reconhecível aos meus olhos saiu de dentro da empresa, bem nervosinha eu diria. Era Ana. – O que está fazendo aqui? – perguntou achando estranho, pois o mesmo estava com Francesca entre os braços.
_Oi Ana – ele disse um pouco sem graça. – Eu estava apenas passando.
_E quem é ela? – perguntou apontando para Francesca que até então se mantinha calada perante a situação.
_Minha amiga – eu respondi, roubando sua atenção, que até então não tinha percebido minha presença. – Viemos buscar minhas coisas.
_Ah, Oi Vilu – disse vindo em minha direção e me dando um beijo na bochecha.
A mesma foi até o Marco, lhe dando um selinho, Francesca saiu um pouco incomodada com aquilo, vindo para o meu lado. Assim que ela terminou de cumprimentá-lo, voltou a nos olhar com um sorriso satisfeito, como se aquilo que fez, fosse apenas para dizer que ele era dela.
_Eles são namorados? – Francesca perguntou em um sussurro, me fazendo rir baixo com aquela pergunta.
_Não.
_Estão ficando ou algo do tipo? – perguntou novamente.
_Acho que sim – respondi ainda rindo.
Depois disso, ela fechou a cara e não disse mais nada. Apenas ri. Ela estava tão acostumada com os carinhos do Marco, que nem parou para pensar que ele poderia ter outra pessoa, e isso pelo visto, a fez ficar com um pouco de ciúmes. Ri ao pensar isso.
Depois de um tempo Ana encarando Francesca e Francesca encarando Ana, arrastei Francesca comigo para dentro da empresa, já estava ficando tarde, e logo a Francesca teria que ir ao médico, e eu não a iria atrasar.
_Violetta – uma voz masculina soou atrás de mim, e eu reconhecia bem. Era o Estevam. – Posso falar com você um minuto. – disse assim que eu me virei.
Assenti um pouco desgostosa, e ele me deu um beijo na bochecha, me cumprimentando, acho. Ele me olhou por uns segundos, e sorriu, e vamos dizer que eu não entendi muito bem, esses sinais, apesar de prever o que significavam.
_Fiquei sabendo que você trabalhará em outro lugar – disse me olhando nos olhos, e eu me senti um pouco incomodada por ele tentar me enxergar tão profundamente. – Sentirei falta de sua presença aqui na empresa.
_É, isso tudo também vai me fazer falta – falei generalizando com um simples sorriso no rosto. – Agora eu tenho que ir pegar minhas coisas. Com licença. – falei passando por ele, mas o mesmo segurou o meu braço.
_Quer ajuda? – neguei rapidamente. – Então tá... – suspirou se aproximando de mim, beijando-me novamente a bochecha. – Até mais. – apenas sorri e me retirei de lá.
Agarrei o pulso da Francesca, e a puxei até a minha sala e da Ana. Entramos e eu logo vi a pilha de folhas dos relatórios que a Ana teria de fazer, pelo visto daria um trabalhão, a mesma estava gastando seu tempo com o Marco.
_Aquele cara bonitão estava te dando o maior mole – Francesca comentou roubando a minha atenção com sua risada.
_É o Estevam – murmurei.
_Ah, era esse o cara por quem você vivia suspirando? – perguntou cruzando os braços, irritantemente e eu apenas assenti. – Agora eu vejo que você tem bom gosto para escolher homens – riu. – Esse Estevam é lindo e o León então...
_E o Marco, hein colega? – perguntei e ela cessou os risos. – Vi que ficou com ciúmes. – provoquei dando uma gargalhada.
_Não seja idiota – murmurou com a cara fechada.
_Aquela é a minha amiga Ana, que está buscando conquistar o coração tão disputado do Marco – falei um tanto irritante, confesso.
_Como assim “disputado”? – perguntou com os olhos arregalados.
_É... Por você e por ela né? – ri e ela revirou os olhos. – E também pelas mulheres que passam pela cafeteria e o olham com uma ousadia incrível – provoquei novamente.
_Violetta – suspirou. – Somos apenas amigos...
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