True King

14 13 - Go Away


Notas iniciais
Olá O titulo significa "Indo Embora", ou algo assim eu espero. Boa leitura ♥

Theon odiava calor e areia. Odiava tanto quanto odiava o frio do Norte. Estava feliz por partirem de Dorne, porque há muito estava com vontade de viajar.

Doran cedera-lhes um navio, muito mais luxuoso do que com o qual vieram do Norte. Era grande, seus mastros eram de ouro maciço e sua madeira era de um estranho tom de amarelo lustroso. Tudo que provinha de Dorne parecia ser assim, brilhante e bonito.

Olhou o mar e percebeu o quanto sentia falta dele. Suas vagas lembranças das Ilhas de Ferro tinha aquele mesmo gosto e cheiro, o sal que grudava na pele, tudo lhe trazia um ar estranho de estar realmente em casa. Mas ai se lembrava de Ned e de toda a sua vida no Norte, sentia-se triste pelo homem que o criara.

Era um homem honrado e não merecia morrer de tal forma. Sempre pensou no Senhor morrendo de velhice ao lado Catelyn, enquanto Theon lhe faria uma visita – a última− e depois voltava para a sua terra natal.

Pensar naquilo o fazia viajar nos seus sonhos de criança, porem agora, já homem sabia que provavelmente o pai já lhe deserdara e que a irmã era a herdeira do velho Balon. Sorriu pensando que talvez fosse assim melhor, nunca fora muito bom com números quem dirá que poderia gerenciar um castelo e suas próprias ilhas.

− O mar de Dorne é bonito, não é mesmo? – Arianne Martell apareceu atrás de si. Theon ainda ficava constrangido com a beleza da garota – tinha belos cabelos escuros, rosto em forma de coração e olhos escuros tão maliciosos quanto sua dona.

− É mesmo – Concordou sem desviar os olhos da água. Arianne não se foi, ao contrario do que esperava. Aproximou-se dele, roçando seus seios em seu braço – Deseja alguma coisa, Lady Martell?

Arianne sorriu maliciosamente. Apenas você, querido.

− Creio que minha intenção seja apenas observar esse belo mar, Lorde Greyjoy – Provocou-o – É claro que há nesse navio coisas mais interessantes de se fazer do que apenas admirar, você não acha?

− Não entendo onde quer chegar... – Theon entrou na brincadeira, assumindo um tom irônico e levemente malicioso − ... Lady Martell.

Arianne lançou-lhe uma piscadela. Entendera a provocação também. A lula teria que entender que aquele jogo apenas víboras jogavam.

− Estou me sentindo muito religiosa hoje, meu senhor – Ela disse. Seus olhos de serpente escondiam um terrível segredo – Gostaria de se juntar as minhas preces para os Sete?

− Creio não ser possível, minha senhora. Sou um devoto ao Deus Afogado de Pyke.

Arianne estava claramente perdendo a paciência com o Greyjoy. Seu sorriso tornara-se mais feroz e determinado.

− Não gostaria apenas de me ver ajoelhar? – Sugeriu, aproximando seu rosto perigosamente do rosto do herdeiro das Ilhas de Ferro. A respiração de Arianne roçou em sua bochecha.

Theon Greyjoy sentiu seu sangue correr rapidamente, como fogo abrasante em suas veias. Afastou-se abruptamente.

Quando foi falar-lhe sobre sua ousadia, Robb surgiu ofegante. Procurara os dois por todo o navio e os encontrou, corados e embasbacados.

Robb franziu o cenho numa expressão confusa e maliciosa.

− Estão ocupados?

− Estávamos apenas conversando sobre o mar, deuses e seus devotos – Lançou um último olhar malicioso a Theon, este que não passou despercebido por Robb, que largou uma estrondosa gargalhada.

− Jon nos espera, para uma reunião – Informou-lhes após um tempo.

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Política deixava ambos entediados, tanto Theon quanto Arianne. Poucos minutos após o inicio da conversa, já não havia mais nada há ser dito, porém não era isso que o rei dragão e jovem lorde pensavam. Discutiam estratégias e mais estratégias, nada que fosse de seus profundo interesse.

− Você os conhece bem, não é mesmo Arianne? Os Tyrell – Pediu Jon fazendo com que a princesa de Dorne saísse de seus devaneios.

− Oh, mas é claro que eu os conheço. Lady Margaery é uma de minhas melhores amigas – Respondeu vagamente.

− Conversei com minha mãe há uns tempos atrás. Eu e ela chegamos a conclusão de que poderei oferecer uma outra união por meio de um casamento com o Jardim de Cima – Jon divagou por um momento − O que pode nos dizer sobre isso?

− Quem pretende compromissar? – Arianne finalmente começava a se interessar pela conversa.

− A mim – Respondeu para sua surpresa.

− Talvez eles aceitem – Sacudiu os ombros em descaso – Porém a rainha dos espinhos não se contenta tão facilmente, sugiro que tenham em mente uma segunda opção – Não pode deixar de notar a ponta e esperança e alegria que faiscara nos olhos do futuro rei de Westeros

− E que sugere? – Pronunciou-se Theon. Arianne o olhou e depois encarou Robb.

− Você colherá a flor mais bonita de Jardim de Cima, meu jovem lobo.

A expressão de Robb fora acusadora por um momento, mas depois deixaram o assunto cair em desdém.

Algum tempo depois Arianne fora dispensada, os homens discutiram guerra e a dornesa não era boa nem com estratégias ou com espadas.

No seu quarto, sentiu a brisa mais refrescante que vinha a pequena janela. Sabia que já tinham deixado o mar de Dorne, porem tal frescor não era normal na Campina.

Como diriam os Stark o inverno está chegando, este já estava bem próximo, talvez até demais.

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Mais tarde, ao deitar-se em sua cama para descansar, Jon teve um sonho de dragões ou talvez fosse de lobos, nunca soube os diferenciar.

Tudo que via era neve para todo lado. Estava tão frio que nem mesmo o sangue quente que Jon possuía pode esquentá-lo. Então os viu, pontos negros no deserto branco. Estavam distantes e segundos depois estavam tão perto que seu fôlego se esvaiu.

Conforme se aproximavam, cantavam uma canção que nenhum homem vivo jamais ouvira, que nenhuma língua poderia descrever. O seu rei usava uma coroa de gelo e seus olhos azuis brilhavam azuis, com crueldade. Vinham junto com o frio e a morte os acompanhava de perto.

O Rei do Inverno olhou para Jon e sorriu-lhe – se é eu aquilo poderia ser considerado um sorriso − com seus dentes brancos como a neve. Aproximou-se tanto que o Targaryen podia sentir sua presença gelada. Jon não conseguiu correr e o Rei da Noite tocou-lhe o pulso. Uma rajada de frio e morte correu-lhe pelo corpo. Pensou jamais sentir calor novamente, e talvez não sentisse, poderia até mesmo estar morto.

Jon desperta assustado. Está em segurança, não há neve e nem homens mortos sem nome a lhe perturbar.

Jon puxa as cobertas pela primeira vez em meses. Os pesadelos não voltaram a assombrá-lo naquela noite. Em vez disso, sonhou com cabelos ruivos e uma bela donzela.