True Colours
3 Capítulo 3 - O verdadeiro começo

Capítulo 3 —O verdadeiro começo
Assim que deu o horário do intervalo, Camilla foi a primeira a sair da sala. Foi em direção ao refeitório de sua faculdade, que já estava cheio, e sentou-se na mesa de sempre para esperar por seus amigos.
De manhã, antes de ir à faculdade, teve uma briga com sua mãe, apenas porque havia chego às cinco da manhã de uma festa em pleno dia de semana. Afinal, qual era o problema nisso? Camilla já tinha 20 anos, não era mais dependente de sua mãe.
Ela estava estressada, e por conta disso não tinha paciência para esperar seus amigos e muito menos para comer. Quando decidiu que iria embora sem ver as últimas aulas, seus amigos chegaram e sentaram.
— Tô te falando cara – o rapaz conversava com a outra menina, Daisy –, depois que eles se casaram... – ele olhou para Camilla, ela parecia triste e distante – Credo, que cara é essa?
— Olha o jeito que você fala com ela Félix – disse Daisy. – Tá tudo bem Milla?
Camilla apenas assentiu, ainda distante.
— Não parece...
— Sabe do que ela precisa? De uma festa!
Daisy lançou um olhar de aversão.
— De novo falando sobre essa festa...
Enquanto os dois conversavam, Camilla apenas ouvia ruídos dos barulhos emitidos pelas outras mesas e por seus amigos. Ela não estava com humor para ficar um segundo mais lá. Mas... Não fez nada a respeito. Botou um breve sorriso no rosto e fez questão de se socializar:
— Uma festa seria boa ideia. Quando? – A fala parecia forçada, mas ninguém percebeu.
— Pelo menos alguém se interessa nisso, não é Daisy? – Félix alfinetou, e Daisy mostrou-lhe o dedo médio, nada amigável – Será nesse domingo, na minha casa, meninas e rapazes de graça, bom... Só os bonitos... Vai que lota de feios... Vocês vão?
Félix era estudante de Artes Cênicas e estudava na mesma sala de Daisy. Embora o curso fosse ridicularizado pelos estudantes da faculdade, Félix era conhecido por todos por suas festas incríveis e por sua personalidade agitada. Há quem desconfiava que ele usava drogas. Há quem tinha certeza.
Suas feições se assemelhavam bastante à de artistas, principalmente porque se encaixava nos estereótipos de "ator galã": bonito, altura mediana, musculatura levemente aparente, olhos claros e o cabelo platinado.
— Festa em pleno domingo à noite? Tem aula no outro dia de manhã, sabia disso? Estou fora – respondeu Daisy.
— Eu também não irei...
Os amigos olharam para Camilla chocados. Ela nunca, nunca havia recusado um convite para uma festa, principalmente para festas onde não precisaria pagar nada. Não importava que dia fosse, ela sempre estava lá.
Além de chocados eles também estavam confusos. Por que ela recusou? Aconteceu algo com ela? Será que era por isso que ela estava diferente nesse dia?
• • CAMILLA, A INCOMPREENSÍVEL • •
Camilla Gebara, 20anos. Branca de pele levemente rosada, tem olhos verdes e cabelo loiro escuro, evita o sol ao máximo por conta de suas sardinhas. Costuma ser o tipo de garota que todo homem gosta, com breve exceção de seu corpo magro, como de modelo (mas com seios voluptuosos). Cursa o 3º ano de Artes Cênicas pois gostava, mas atualmente, só quer ter o diploma mesmo.
— Bom – Félix começou –, a culpa não é minha se vocês são antiquadas. Vou dar uma volta senão eu morro de tédio perto de vocês... – e saiu da mesa.
— Não liga pra ele não Milla, você sabe que ele não vive sem nós.
— Quero ver como vai ficar a questão dos banners que ele gosta de fazer já que ele não pode colar mais nada na universidade.
No fim das contas Félix colou vários banners da festa em todos os murais disponíveis, mesmo sabendo que não podia. Em cada banner era possível ver uma pequena folha grampeada escrito "ME PROCESSEM" com letra de mão.
— Você começou a trabalhar essa semana, não é mesmo? – Novamente a voz de Camilla parecia um pouco forçada – Como está indo por lá?
— Horrível... Eu estou me dando muito mal por lá. Quebrei praticamente tudo que relei...
Camilla riu espontaneamente.
— E seus colegas de trabalho?
— São legais. A "chefe" é rígida, mas ao mesmo tempo simpática. Mas ela briga direto com o cozinheiro, vai saber o porquê.
— E já está pensando em sair com algum dos rapazes? – Camilla perguntou confiante. Ela era uma das garotas mais bonitas de seu curso, e certamente fazia muito sucesso com os rapazes. Claramente, Camilla não deixava de aproveitar a vida ao máximo.
— Credo, não! – Daisy respondeu num susto – Um cara é super sério, e o outro só sabe fazer brincadeiras. Não tem meio termo por lá... E eu não estou disposta a sair com ninguém por enquanto.
— Você diz isso porque não viu nenhum cara gostoso o suficiente.
Repentinamente Daisy começou a imaginar todos os rapazes que conhecia. Realmente nenhum deles era "gostoso o suficiente" para despertar algum interesse. Quando imaginou o Félix, ela só soube fazer uma cara de nojo, ele é bonito, mas é definitivamente um não. Imaginou até o Rajesh, e quando Abner apareceu em sua mente, decidiu parar de pensar a respeito. Já estava imaginando demais...
Depois de todas as aulas acabarem, Camilla foi de carona para sua casa com Félix. Talvez fosse por querer curtir a vida e sair com diversos rapazes, que ela não percebia a forma como o amigo a olhava. Embora Félix fosse do mesmo feito, sempre agia diferente com ela.
Assim que parou o carro em frente à casa de Camilla, Félix perguntou:
— Você não vai mesmo na minha festa?
— Acho melhor não. Ultimamente estou tendo problemas por sair demais. Mas se você convencer bem, a Daisy pode acabar indo.
Ele tinha uma ótima relação com Daisy, mas o que sentia por ela era totalmente diferente do que sentia por Camilla. Mas nunca se sentiu a vontade de dizer isso a ela.
— Também acho, ela mora perto de casa... – Respondeu distante, e Camilla saiu do carro.
Ao entrar em sua casa, presenciou sua irmã mais nova, Jéssica de 13 anos, fazendo o almoço. Ela estava segurando uma faca grande, muito parecida com um cutelo, cortando a salada. Camilla se espantou.
— Meu Deus Jessy, o que você está fazendo com essa faca de cortar mato?!
— É só uma faca normal – a irmã se assustou. – Não é não?!
Camilla encarou aquela faca por um momento, pasma, gesticulou um não, e foi para o seu quarto. Jogou a bolsa no chão e deitou-se na cama. Se pudesse fazer qualquer pedido, certamente seria sair daquela casa com sua irmã e deixar sua mãe sozinha...
Se as brigas ocorressem esporadicamente não haveria nenhum problema. Mas elas aconteciam todos os dias. Sempre por um motivo fútil.
Ela sacudiu a cabeça. Tinha que dar um jeito de esquecer tudo aquilo... Pegou o celular e ligou para o primeiro rapaz que imaginou.
— Ian? Oi, é a Camilla, tudo bem? Tá afim de se divertir um pouco?
E certamente, o rapaz não discordou.
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