True Colours
4 Capítulo 4 - Comida de graça

Capítulo 4 -Comida de graça
Domingo era o dia da preguiça, e Daisy simplesmente passou o dia assistindo televisão dentro daquela grande casa, sozinha. Mas não era para ela estar sozinha... Sua madrasta não estava em casa. Havia dito mais cedo que iria no supermercado fazer compras, mas Daisy bem sabia que era mentira. Não passava de uma desculpa para sair de casa para se encontrar com aquele cara... Quem faz compras em pleno domingo?
Diana havia saído de casa por volta das cinco da tarde, e mesmo depois de três horas ainda não havia voltado. Daisy tentou ligar para ela algumas vezes, mas não adiantou em nada.
"Eu vou deixar uma mensagem de voz para ela... Quero ver me ignorar assim de novo", pensou.
Daisy então tentou ligar pela última vez, ela não atendeu e caiu na caixa de mensagens.
— Olha Diana! Já passou das oito da noite e você ainda não voltou para casa – ela dizia furiosa por dentro. – Espero que não esteja com aquele caipira de novo... Da próxima vez que ele se atrever em pisar aqui na minha casa, eu juro que farei algo que vocês dois irão se arrepender! – Desligou.
Ela jogou o celular no outro sofá e tentou se desestressar. Por que Diana havia mentido pra ela? Por um momento imaginou que seria verdade a história de ir no mercado, pois não havia muito o que comer. A fome tinha a deixado estressada.
Foi à cozinha procurar por alguma coisa, mas só havia bolachas e alimentos que deveriam ser cozidos, e por sua breve experiência na cozinha, sabia que seria péssima ideia tentar cozinhar algo.
— Ah... – suspirou – Vou na mercearia mesmo.
Por sorte, havia uma mercearia a poucas quadras da casa de Daisy que ela costumava ir quase todas as semanas. Colocou em sua cabeça que somente iria comprar o necessário para matar a sua fome, embora soubesse que não iria resistir a alguns chocolates se tivesse.
Ela vestia um short surrado, uma blusa larga, com um chinelo simples e um coque mal feito, e decidiu que iria assim mesmo à mercearia, afinal não ficava tão longe de sua casa e praticamente ninguém a veria na rua.
Daisy desceu a rua a pé em direção a mercearia naquela noite, pouco a pouco, sem muita pressa. O bairro onde morava era um dos melhores da cidade, e por conta disso, não era nem preciso portões em frente as casas.
Conforme foi aos poucos avistando a mercearia a alguns bons metros de distância, ouvia uma música alta que parecia vir do mesmo lado da rua que estava. Ela não se lembrava de ter uma casa de shows naquele bairro, mas pôde perceber que era apenas uma festa. Havia algumas pessoas do lado de fora daquela casa, usando roupas lindas e que pareciam ser caras.
"Vou para o outro lado da rua", pensou.
Quando terminou de atravessar a rua, passava exatamente em frente àquela casa. Ela apenas olhava para frente, de certa forma querendo ir àquela festa... Vai que havia comida...
"Não! Siga em frente... Continue a andar, continue a andar".
— Eu não acredito! – Ela pôde ouvir do outro lado da rua, no meio da multidão. Apenas fingiu que não era com ela e continuou andando – Daisy!! Eu sabia que você viria!
Ela conhecia aquela voz... Apenas soltou um "ah não" e se virou para ver quem era. Félix vinha correndo em sua direção, vestia uma camisa social e uma calça jeans, como a maioria dos rapazes naquela festa.
— Eu sabia que você viria na minha festa! – Ele dizia entusiasmado – Tá incrível lá dentro, vamos entrar!
— Não, eu estou indo na...
— Vamos sim! – Félix a cortou – Vamos sim. Você vai adorar. Só tem gente bonita – Ele pegou Daisy pelo braço e puxou-a para o outro lado da rua, sem ela relutar.
— Félix, a gente tem aula amanhã, não posso ficar...
— Relaxa gata. Só dá uma passadinha ao menos, organizei com tanto amor... Tem todo tipo de bebida que você quiser, comida, doce...
— Espera! Você disse comida? – Daisy interrompeu, com um brilho nos olhos. Félix sabia que não era difícil de comprar a amiga.
— O que você quiser – ele respondeu com um ar sedutor.
Félix então levou Daisy para dentro de sua casa e apresentou os cômodos. Por algumas vezes Daisy perdeu o amigo de vista por conta do tanto de gente que havia, e como aquela casa era grande.
Ao chegar na cozinha se espantou com o tanto de salgados que havia. Aquilo tudo era como um paraíso que até se esqueceu que não estava vestindo roupas adequadas para uma festa.
Ela deixou qualquer possível vergonha de lado e atacou algumas coxinhas, pasteizinhos, sempre intercalando com alguns doces, mas sem botar uma gota de bebida na boca.
— Daisy? – Ela ouviu a voz vindo de trás de si. Estava com a boca cheia quando se virou para ver quem era – Não sabia que você gostava de festa. Na verdade de comer tanto assim... – O rapaz apontou com um breve sorriso.
Era o Abner. Estava vestindo roupas menos formais que a maioria, seu cabelo estava arrumado e usava seus piercings de sempre. Ainda assim, arrumado, conseguia emanar um ar de bad boy.
Daisy tentou responder algo, mas apenas saiu um barulho constrangedor por conta do tanto de comida que havia em sua boca. Engoliu tudo de uma vez, e respondeu:
— Eu já estou de saída, na verdade – e riu sem jeito pelo barulho que havia feito.
— Só porque eu acabei de te achar? – Ele deu uma olhada no que Daisy estava vestindo e riu – Você não planejava vir aqui né?
— O Félix me trouxe a força...
— Então vem beber comigo.
Daisy olhou para Abner, tímida. Ele era direto e ela já havia se acostumado com isso, mas por algum motivo, esse convite parecia ser diferente do tipo de Abner que ela estava acostumada.
— Não posso – ela disse sem jeito –, eu tenho aula amanhã de manhã. Mas obrigada!
— Ah, sério? – Abner fez uma cara forçada de tristeza – Tem Brejja[1]. Do sabor que você quiser.
A expressão de tímida que Daisy estava subitamente passou para uma de interesse. Era impossível para qualquer pessoa dizer não para uma Brejja.
— Só uma!
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