Troublemaker
43 Você Aceita?
Notas iniciais
As aulas já haviam voltado no segundo dia do ano novo. Era um pouco inconveniente, já que isso estragava planos de viagens e coisas do tipo, mas não bem pra mim ou pra minha família. A gente ainda estava aprendendo a se ajeitar depois do casamento, e se fossemos fazer alguma viagem, todos juntos, seria somente depois que o ano letivo acabasse.
O que eu também achava um pouco complicado, já que a faculdade ao qual eu pretendia ir tinha um calendário bastante apertado, com as aulas começando assim que as minhas do colegial terminassem.
Resumindo, eu sequer teria um descanso dos estudos.
Mas ao menos as coisas seriam menos teóricas e mais práticas.
Só que o foco agora ainda não era minha faculdade. Claro, nossos jogos já tinham acabado, e em breve eu poderia receber uma bolsa ou algo do tipo, e isso me deixava bastante nervoso, mas ainda tínhamos alguns meses pela frente do último ano do colegial.
E, claro, o baile de formatura.
Prometi à Lucy que a pediria para ir comigo de um jeito um pouco mais decente, e agora eu pretendia cumprir. Porém, arranjar ideias para um pedido original e aceitável era um pouco mais difícil do que eu imaginava. Por isso, eu andava pela escola na hora do almoço tentando pensar em algo, e me frustrava por não conseguir raciocinar pelo menos um pouco.
Então acabei apelando pra primeira pessoa que eu sabia que me ajudaria muito bem.
Entrei em um corredor da qual eu já estava bastante familiarizado, mas não frequentava há algum tempo, e observei que havia mais gente ali do que o normal pra hora do almoço.
— Parece que o professor tá planejando uma prova surpresa pra ferrar a gente e… Aí meu Kami! Aquele é o Natsu-sama?! É o Natsu-sama! Olha, olha! Ele é tão lindooooo. – Escutei uma das garotas do primeiro ano praticamente gritando poucos metros atrás de mim, e instantaneamente todos os alunos que ainda estavam pelos corredores começaram a me olhar.
Era um pouco estranho ser observado e conhecido por todo mundo, mesmo que isso fosse desde que eu entrara pro time de basquete. Provavelmente eu nunca me acostumaria.
Por conta disso, tentei ser rápido em encontrar a sala que eu queria, e a invadi sem muita cerimônia. Vi a pestinha no fundão com um grupinho misto, rindo escandalosa do jeito dela. Fiquei um pouco ao longe apenas observando uma piadinha bastante indecente que um dos seus colegas contava, e pouco a pouco, todos foram ficando em silêncio e me observando, talvez até um pouco intimidados.
Talvez eles ainda não soubessem que eu e a peste éramos irmãos agora.
Ela foi a última que notou que algo estava errado, e só então resolveu se virar pra checar o responsável pelo repentino silêncio de seus amigos, e pareceu bastante surpresa ao me ver.
Bom, não era pra menos, até minutos atrás eu sequer sabia qual era sua sala.
— Natsu-nii. – Ela sussurrou meio sem graça e envergonhada, me divertindo por dentro.
— Que bonito os papos que você tem com seus amigos, imagina o quão orgulhosa a Layla ficaria. – Zombei, vendo-a arregalar os olhos por um momento, e depois se emburrar.
— Você não falaria nada, idiota. Por que tá aqui? Aconteceu alguma coisa? – Perguntou, deixando seus amigos para vir até mim.
— Não… Ainda não. Mas preciso da sua ajuda. Tá livre agora?
— Depende… – Michelle disse com uma sobrancelha levantada, fazendo sua cara de cínica de sempre. – Não tô livre não, mas se o assunto me interessar, quem sabe… É sobre a Lucy?
— Sim, é sobre a Lucy. – Revirei os olhos, vendo-a sorrir grande.
— É claro, sempre é! – Ela riu convencida, e começou a me puxar pelo braço para fora. – Pra que serei necessária?
— Vou te contar quando estivermos em um lugar… Seguro… – Comentei meio sem jeito, passando novamente por aquele corredor sendo o centro das atenções, e agora com ainda mais cochichos, já que eu estava com Michelle.
— Ah, você é famoso, Natsu-nii. Mas já tem dona, ok?! – Ela falou a última parte praticamente aos berros, para que todos pudessem ouvi-la, e me deixando ainda mais embaraçado.
— Pelo amor de Kami, pirralha! Vão achar que eu tô te namorando desse jeito!
— Nem eu, e nem minha irmã, já que ainda não teve nenhum pedido né… – Michelle me deu uma bronca, puxando minha orelha com uma força um pouco exagerada.
— Ah! Para com isso! Quem você acha que é? Respeito aos mais velhos não existia no seu antigo país? – Puxei a orelha dela de volta, e confesso, foi bastante infantil, mas estávamos falando de mim e Michelle juntos. – Se continuar, eu vou ir atrás da Mavis. – Me emburrei, dando um empurrão de leve nela.
— Eu sou assim tão fácil de substituir? – Michelle fingiu surpresa exagerada, me empurrando de volta. – Que crueldade, nii-san. Mas anda, me diga logo o que quer.
— Você sabe do baile de formatura, não é?! Bom… Eu preciso de ajuda com o meu pedido.
***
Mesmo que o campeonato já tivesse terminado, o diretor resolveu fazer alguns jogos amistosos entre as classes da Fairy Tail, com exceção dos terceiros anos. O velhote estava fazendo isso para nos poupar tempo para os estudos, pra entrar na faculdade e coisas assim, mas isso não se aplicava para mim ou Gray, já que nossa bolsa estava praticamente garantida, e continuaríamos no esporte. Por conta disso, alguns alunos do segundo ano nos chamaram para jogarmos pela sala deles com seus times.
Ficou combinado que teríamos dois treinos depois da aula, antes do primeiro jogo, e aproveitei essa oportunidade para deixar uma pequena mensagem no armário da Lucy, que eu esperava que ela pudesse entender minha letra, e atender aos meus dois únicos e singelos pedidos ali.
Talvez não fossem tão singelos assim pra ela, mas isso poderíamos discutir mais tarde quando ela viesse me encontrar na quadra.
Por razões de força e técnica, eu e Gray estávamos representando salas diferentes. Isso era até uma vantagem pra cada time, porque eles nos conheciam, e sabiam que daríamos tudo de nós para derrotar o outro. E eu não preciso nem dizer que eu tinha absoluta certeza que meu time ganharia.
Era diferente jogar com a sala que eu estava representando, porque apenas um deles estava no time oficial da escola, e eles tinham um ritmo completamente diferente. Mas aos poucos fomos melhorando nossa comunicação e conexão, e ao final do primeiro treino estávamos bastante satisfeitos.
Fomos para o banho, e cerca de quinze minutos depois aquela parte do ginásio estava vazia. Bom, não completamente, já que uma líder de torcida absurdamente gostosa estava na arquibancada me observando com seriedade.
Sorri com malícia, e andei calmo até onde ela estava, recepcionando-a com um beijo quente, e em seguida balançando meus cabelos molhados pra molhá-la também.
— Ah, Natsu! Qual é o seu problema? – Ela reclamou em meio a empurradas e risadas.
— Eu sabia que viria! – Disse com um grande sorriso, já que eu não conseguia me controlar vendo-a daquela forma.
Lucy era sempre linda de qualquer forma, mas eu não podia mentir, era um tipo de fetiche vê-la de cheerleader. Ainda iríamos transar com ela vestida assim.
Poderia ser naquele dia, já que o ginásio estava todo pra nós, mas eu a chamei para outros propósitos.
— E por que com o meu uniforme? – Ela balançou o meu bilhete no meu rosto, me olhando com curiosidade.
— Porque eu gosto, ué. Você não gosta de me agradar? – Devolvi, e recebi um tapa fraco no braço, escutando-a rir também.
— Você é um idiota. E eu mais idiota ainda de fazer os seus gostos! Mas por que você queria que eu viesse depois do treino?
— Tenho uma proposta pra fazer! – Exagerei na animação ao anunciar, e se ela já estava desconfiada, ficou mais ainda depois disso.
— Que proposta, Dragneel?
— Vamos fazer uma partida de basquete. O primeiro que fazer cinco cestas, ganha! Mas… – Fiz um curto suspense, puxando-a até o centro da quadra, pegando algumas bolas que estavam guardadas no quartinho que tinha ali. – Quem perder vai ter uma consequência. – E então entreguei uma bola para ela.
— Que consequência? – Lucy não disfarçou a total desconfiança ouvindo o que eu dizia.
— Se eu perder, faço o que você quiser durante um mês! E se você perder… – Me aproximei lentamente até perto de sua orelha, sorrindo disfarçadamente com o que eu diria. – Você faz o que eu quiser por uma noite. – Sussurrei, e a vi se arrepiando com aquilo.
— S-seu… Tarado! – Ela me empurrou, e notei seu rosto bastante vermelho, me divertindo.
— Ah, você sabe, não precisa aceitar, eu sei que vai se sentir intimidada com as minhas habilidades e essas coisas, mas prometo pegar leve. – Dei de ombros, batendo a bola no chão e sorrindo convencido.
— Intimidada? – Ela revidou, agora séria e sorrindo meio sadicamente, deixando-me até arrepiado por alguns segundos.
E então ela jogou a bola para o aro, acertando uma cesta em cheio, de uma distância que, oficialmente, valeria três pontos. E claro, isso me pegou totalmente desprevenido. Tentei disfarçar esse fato, mas Lucy já tinha notado que havia me impressionado.
— Droga, Heartfilia. O que você não sabe jogar? – Reclamei, e ela começou a gargalhar.
— Futebol. – Ela deu de ombros, apontando para a bola no meu braço. – Vamos jogar então? Já tô ganhando de um à zero.
— O quê você disse? – Joguei minha bola também para marcar uma cesta, e olhei convencido para ela quando a bola atravessou o aro.
— Assim não vale! Você está pra se tornar um jogador profissional, eu sou só uma mera torcedora.
— Seu ponto também não valeu, eu não disse que tinha começado. – Resmunguei com um bico no rosto, fazendo manha.
Eu geralmente só agia daquele jeito… Sempre.
Não com a Lucy, claro. Mas agora era diferente, eu precisava jogar todas as minhas cartas pra ganhar o que eu queria.
Ouvi-a rindo, e então Lucy pegou outra bola do chão, e começou a me desafiar.
Por razões de querer me divertir com ela, eu deixei que Lucy a todo momento conseguisse empatar comigo. Não pra rir da cara dela mais tarde, mas porque passar um tempo com ela era sempre muito bom, e me fazia extremamente bem. Eu poderia vencer facilmente se quisesse, mas porque eu fazia aquilo por anos. E Lucy não estava nada mal pra apenas uma cheerleader.
Mesmo que eu já tivesse acabado de tomar banho, não me importei muito em correr por toda a quadra atrás dela, muitas vezes a derrubando e roubando-lhe um beijo, e depois a bola, enquanto ela me xingava. Ficamos nessa por mais ou menos uns dez minutos, até que já estava quatro à quatro.
— Ah, olha só, parece que alguém vai ter que fazer minhas vontades durante um mês. – Lucy zombou, batendo a bola no chão continuamente, enquanto eu estava na sua frente, a marcando.
— Ah, olha só, parece que alguém tá muito confiante pra achar que vai ganhar essa. – Devolvi, ameaçando lhe roubar a bola.
Mas Lucy foi mais rápida, e me deu um drible atrapalhado, jogando a bola direto para a tabela.
No momento que ela jogou, eu soube que estava ferrado. A bola estava indo direto pro aro, pra uma cesta certeira, e meu objetivo pra aquilo tudo estava indo por água abaixo. Mas eu não podia deixar. Então, investi tudo o que podia na minha velocidade e dei um pulo o mais alto que consegui, pra que eu pudesse tocar na bola por último.
A intenção na verdade era poder para-la, mas era uma falta grave tentar impedir uma cesta de acontecer, e eu tinha certeza que Lucy sabia dessa regra. Por isso me esforcei para ser o último a tocar a bola, e fazer uma cesta de enterrada.
Cai no chão de mal jeito, mas o ponto estava feito.
Não podia mentir, fiquei bastante satisfeito com a forma como Lucy ficou surpresa e me olhou como se eu a tivesse traído. Bom, de certa forma, eu me aproveitei da sua jogada, mas depois de todo o meu planejamento para um pedido decente, eu não podia simplesmente perder agora. Não mesmo.
— Isso… Isso foi injusto! Natsu! Isso foi muito injusto! Como você pôde? – Ela veio pra perto de mim batendo o pé, e ficou me olhando de cima com bastante raiva e as mãos na cintura, me divertindo.
E eu apenas continuei sentado no chão, rindo da situação.
— Não, não. As regras são bem claras, o ponto é atribuído para aquele que tocar a bola por último. Eu toquei por último, o ponto é meu. Por isso eu ganhei a aposta! – Sorri convencido, e Lucy me olhou feio de novo.
— Não tem essa de regras, não vale! Você roubou!
— Se as regras não valem, ainda assim eu continuo com o ponto. E eu ia parar sua cesta de qualquer forma, aí sim eu estaria fora das regras e você reclamaria do mesmo jeito. – E então me levantei para encará-la melhor, e fazê-la apreciar meu sorriso da vitória. – Vamos, Luce! Admita que eu ganhei!
— Nunca! Isso foi roubo! – Ela fez bico, virando-se de costas e batendo o pé no chão
— Não roubei nada, só tirei proveito da situação. – A abracei, dando uma mordiscada de leve no seu pescoço.
— Ou seja, roubou!
— Ah, Luce… Não se chateie! Juro que não fiz por mal, minhas intenções pra nossa noite são as melhores possíveis! Confia em mim. – Sussurrei pra ela, apertando meus braços ao seu redor ainda mais, sem dar chances dela escapar.
— Eu te conheço o suficiente pra saber que você não tem boas intenções. – Ela resmungou, tentando se soltar à qualquer custo.
— Que crueldade, Luce. – Fingi ter ficado magoado com suas palavras, o que não era de todo uma mentira.
Poxa, eu não pensava besteiras o tempo inteiro. Claro que quando a vi com o uniforme de cheerleader eu pensei em muitas obscenidades, mas nem sempre sou assim.
— Vamos fazer assim, eu te deixo fazer essa cesta que você não fez, e a gente cancela a minha, certo?! – Propus, e ela me olhou meio desconfiada.
— E daí eu venço a aposta?
— Claro que não. – Não consegui evitar a gargalhada, deixando Lucy ainda mais mal humorada.
— Idiota.
— Mas agora é sério. Suba em meus ombros, Luce. – A soltei para me ajoelhar de costas pra ela, vendo-a ficar um pouco embaraçada. – Prometo que não vou fazer nada de mal. Só vou te ajudar a fazer uma cesta de enterrada.
Embora ainda desconfiada, Lucy colocou suas pernas em meus ombros e praticamente me cegou quando a levantei, soltando um grito que eu agradeci suas pernas terem abafado.
— Luce, assim nós vamos cair, me deixa ver o caminho. – Reclamei, e então seus dedos se enfiaram em meus cabelos e o puxaram com uma força bastante exagerada. – Pelo amor de Kami, confia em mim, Heartfilia! – Lhe dei uma bronca, e passei a segurar suas pernas firmemente, pra que ela acreditasse em mim.
Fui em busca de uma bola jogada no meio da quadra, e a entreguei pra Lucy, correndo até o outro lado da quadra, para a cesta ao qual não usamos durante nossa “partida”.
— Vai, é só se jogar. – Falei, deixando-a o mais próxima possível do aro.
— O que… Natsu, tem algo aqui e… – E então a vi parando pra ler o pequeno bilhete escrito com muito sacrifício na tabela, e seus olhos se arregalando em total surpresa. – Isso… Isso foi você que fez? – Ela passou a me encarar, esperando, talvez ansiosa, pela minha resposta.
— Ah, bem… Sim… Rendeu algumas piadinhas do pessoal da outra sala, e coisas assim, mas eu vou me vingar quando eles notarem que minha acompanhante do baile é a mais gata de todas! Claro, se ela aceitar né?! – Não consegui evitar ficar sem graça, me abaixando para colocá-la no chão com cuidado.
Lucy passou os olhos de novo para o pedido, e depois para mim, e fez isso mais algumas vezes, bastante pensativa.
Era algo simples, escrito em canetinha, um pedido pra ela ir ao baile comigo. Para não ter dúvidas que o pedido fosse pra ela, ainda estava assinado seu nome no começo, e o meu sobrenome no fim. Tudo ideia da Michelle, claro.
— Antes que responda… – Interrompi seus pensamentos, e aqueles grandes olhos curiosos se dirigiram para mim, esperando por algo mais. – ...Eu preciso te lembrar que eu ganhei a aposta. Ou seja, a noite que você faria tudo pra mim, tecnicamente seria a noite do baile. Me acompanhar, sabe. Mas se você quiser que eu atribua essa aposta pra alguma outra noite nossa… – Resmunguei malicioso, ao qual recebi um tapa bem merecido no braço, rindo da careta que ela fazia. – E tem outra coisa também. Foi difícil, mas eu consegui isso antes mesmo de ter ideia para o pedido. Eu conversei com a Layla, e acredite se quiser, ela permitiu que eu te acompanhasse. Agora só preciso saber mesmo se você acha isso uma boa ideia. – Terminei de falar em um sussurro praticamente, me lembrando da pequena conversa com a “sograsta”.
“– Layla, a melhor madrasta de todas! Você tá muito ocupada agora? – Entrei com toda a minha cara de pau no escritório do meu pai, na qual ela usava também algumas vezes.
Ela me dirigiu um olhar de esguelha e foi como se todas as minhas intenções tivessem sido descobertas só com aquele olhar.
— Por que eu tô com uma impressão esmagadora que você vai me pedir algo? E algo que tenha relação com a minha filha... – Ela continuou me olhando sob os óculos que usava, aquele olhar fatal, da qual eu temeria se ela fosse o Ciclope.
Layla estava sentada na cadeira do meu pai, bastante concentrada com alguns papéis que pareciam importantes, e por dentro já comecei a orar para não ser linchado por atrapalhá-la logo nesse momento, e ainda mais pra tratar do assunto que me levou até ali, que eu sabia que ela não ia ficar muito feliz.
— Ah, que previsível que eu tô ficando. – Resmunguei, me sentando na cadeira de frente para a mesa, encarando-a da forma mais séria que eu conseguia. – Bom, sim, é sobre a Lucy… Mas olha pelo meu lado, eu tô vindo te pedir permissão de algo antes de fazer, então eu mereço créditos, não é?! – Continuei sendo cara de pau, e a vi revirando os olhos.
— Do que se trata? – Perguntou sem rodeios, tirando os óculos pra me observar melhor, deixando os papéis de lado.
E acabei engolindo em seco.
— Então… No fim do ano letivo vamos ter o baile de formatura, você sabe. Eu ia chamar a Lisanna pra ir comigo, mas ela já tem par, então ela me sugeriu chamar a Lucy, e eu pensei ‘ah, por que não?’, e sabe, é uma boa ideia até, porque ela mora aqui comigo, ia ser tudo mais fácil e…
— Desembucha, Natsu!
— Certo, certo. Eu quero levar a Lucy. Mas! – A interrompi logo que percebi que Layla negaria sem nem pensar direito. – Tem algo que você tem que levar em consideração. Tem um cara na minha sala que quer chamar a Lucy também. Ele é aquele lá que ajudou a Michelle a matar aula, e ele tá sempre atrás de todas as garotas da nossa escola. Justamente o tipo de cara que você não quer que a Lucy se envolva. Pensa bem, se eu não pedir, ele vai acabar pedindo, e as chances da Lucy aceitar ir com ele são bem grandes. – Falei, dando de ombros, como se estivesse dizendo “a responsabilidade agora está toda em suas mãos”.
Layla me olhou bastante desconcertada, e eu percebi que a desconfiança ainda estava ali. Provavelmente ela devia achar que eu estava inventando aquela história só pra que ela concordasse comigo. O que não era total mentira, porque eu não sabia muito bem quais eram as intenções do Loke.
— Eu vou precisar argumentar mais? – Perguntei com uma careta, vendo que ela não estava inclinada a me permitir nem um pouco. – Olha, pensa bem, é só uma noite na escola. Uma noite juntos antes de eu ir viajar pro campus. Depois disso eu vou começar a faculdade, estarei bem longe, tudo o que você quer!
— Não quero te ver longe, querido. Só não queria esse tipo de relacionamento entre vocês. – Ela me corrigiu, coçando os olhos cansados e suspirando. – Bom… É a noite de formatura, não?! Eu posso ceder dessa vez!”
Foi difícil me controlar para não comemorar lá mesmo, mas consegui esperar até ir pro meu quarto.
E agora eu estava ali, cheio de expectativas, encarando Lucy e esperando o meu tão sonhado “sim”. Notei quando ela deu uma última olhada para o pedido, e baixou o olhar soltando um sorriso de lado.
E aquele sorriso, meus amigos, me destruiu por completo. Me destruiu mais do que a resposta que eu finalmente obtive.
— Não vou dizer sim só porque ganhou o jogo e a aposta, de forma injusta, que fique registrado! Mas vou dizer sim porque quero. – E então ela me pegou desprevenido ao me puxar para um rápido beijo, me abraçando logo em seguida e rindo em felicidade.
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