Troublemaker

20 Tudo O Que Eu Não Imaginava


Notas iniciais
Heey pimpolhos ♥ Vocês estão bem? Como passaram a páscoa? *-* Não tenho mto o que dizer, apenas que aproveitem o capítulo de hoje, com uma presença que talvez será uma surpresa pra vocês :P Boa leitura *3*

Dias de jogo eram sempre a mesma rotina. Acordar mais cedo que o normal pelo nervosismo, comer pra caramba pela ansiedade e passar a tarde com Gray.

Bom, naquele sábado em questão, era Gray quem estava na minha casa, já que eu ainda estava de castigo e não podia sair. E apesar de Igneel ter ficado apreensivo com a vinda do Fullbuster, ele abriu uma exceção apenas para aquele dia. Digamos que eu usei a desculpa do Lyon ao meu favor. Meu pai sabia da difícil relação entre eles dois, então apenas deixou que o Gray viesse e tentasse se distrair um pouco.

— Ur vai na partida de hoje? – Perguntei, como se não quisesse nada.

Estávamos na cozinha comendo uma receita de um doce estranho da Lucy, que ela acabou fazendo pela primeira vez e saiu tudo errado. Mas até que estava comestível.

— O que você acha? – Gray revirou os olhos, colocando mais uma garfada daquela coisa estranha na boca. – Ela já me ditou mil vezes que não quer nenhuma briga. – Falou, deixando claro que aquele era um provável pedido que não seria atendido.

— Eu não acredito que vocês realmente estão comendo isso. – Lucy apareceu de repente, com uma voz indignada. – Mamãe me disse mas eu achei que ela estava brincando. Era pra ela ter se livrado desse desastre! – Ela suspirou, quase derramando-se na bancada.

— Não está tão ruim assim… – Resmunguei. – Só estranho, igual você. – Dei de ombros, recebendo um olhar fulminante e rindo.

— Você vai mesmo jogar hoje, Gray? – Ela simplesmente me ignorou, e foi inevitável não me emburrar.

— Qual é Lucy, não é só porque o imbecil do Lyon provavelmente estará lá que eu vou dar uma de covarde. Eu vou arrebentar a cara dele se ele ousar fazer alguma graça.

— Ah, tenho certeza que sim. – Ela riu debochada.

— O que é? Não está acreditando em mim? – Ele a desafiou com o olhar, mas Lucy não se intimidou.

— Você só diz da boca pra fora, Fullbuster. Quando o ver depois de tanto tempo, aposto que vai querer abraçá-lo! – Lucy riu alto, e Gray fingiu estar bravo.

— Nunca! Você é louca, Lucy! O que se passa em sua cabeça pra dizer algo desse tipo?

E então os dois começaram a brincar entre si, esquecendo completamente que eu estava ali. Aquilo era um porre, eu não merecia.

Retirei-me da cozinha e fui até a sala, jogando-me de qualquer jeito no sofá e fazendo minha típica cara de emburrado. Qual é, desde quando Lucy e Gray eram tão “íntimos” assim? Bom, claro, ela passou dois dias da semana no intervalo com ele e Jellal, e só depois houve consentimento em ficarmos todos juntos, com Juvia, sem haver problemas. Mas caramba, já estavam nessa intimidade toda em tão pouco tempo?

Até que avistei Michelle vindo saltitando e sorrindo grande até mim, e já previa que estava pra ouvir bobagens.

— Eu vi! Eu vi tudinho! Você está com ciúmes, não é?! – Ela cantarolou, sentando-se ao meu lado e mexendo em algumas mechas do meu cabelo.

— Eu só queria ficar com meu amigo em paz, e então Lucy apareceu e atrapalhou tudo… – Resmunguei, me largando ainda mais no sofá.

— Não. Não foi isso. Você não me engana, Natsu-nii. Aliás, – falou alto, largando rapidamente meu cabelo – não sei porque estou falando com você, eu estou brava! Você me dedurou pra Lucy ontem! – Ela emburrou, me olhando feio.

— Eu estou tentando fazer você encontrar seu juízo. – Dei de ombros, pouco me importando com aquele pequeno drama.

— Eu já tenho juízo. – Sorriu sapeca, inquieta no sofá. – Vai ter jogo hoje, né?!O Loke vai jogar? – Ela perguntou toda esperançosa, fazendo-me querer chacoalhá-la por alguns segundos até que os parafusos voltassem ao lugar certo.

Não era possível que ela ainda podia ser tão teimosa quanto àquilo.

— Você só vai me escutar quando se ferrar, não é?! – Conclui, bufando.

— Eu só não consigo ver que o Loke seja do modo como você o descreve. Ele é legal comigo, nii-san.

— Ele é legal com todo mundo, mas com as garotas é só até conseguir o que quer.

— Mas comigo é diferente.

— Então tá. Saia com ele, Michelle. Caia na lábia dele. Mas depois não vem me dizer que não te avisei. – Me irritei, levantando-me e dirigindo-me até o meu quarto com pressa.

Era eu que estava com pouca paciência, ou as pessoas que estavam gostando de me irritar naquele dia?

Sentei na beirada da minha cama e joguei a cabeça entre os joelhos, tentando acalmar-me. O que era mesmo que Miyuki dizia quando eu perdia a paciência..? Bom, eu não me lembrava, mas eu tinha certeza que ela sempre me fazia um cafuné após. E eu definitivamente estava precisando de um pouco de atenção de mãe agora.

— Só seja paciente com ela. – Escutei alguém entrando em meu quarto, e observei ser Erza, ainda de pijama. Ela era sempre assustadora, mas desse jeito até ficava fofa. Mas não que eu fosse admitir isso em voz alta. – Você está fazendo sua parte, então fique tranquilo.

Como atendendo ao meu pedido mental, ali estava Erza. Ela era dura muitas vezes, mas ótima com conselhos. Era minha irmã mais velha afinal, que assumiu o papel de cuidar de mim junto ao nosso pai. Se eu não pudesse contar com Erza, então não haveria mais ninguém pra contar.

— Eu não sei ser um irmão mais velho, Erza-nee. – Suspirei, jogando-me em minha cama, encarando o teto atentamente.

Ela riu alto, e a ouvi se aproximando, logo sentindo minha cama se afundando com ela sentando ao meu lado.

— É sua primeira vez, então não se cobre tanto. E ela só tem quinze anos. Você já teve essa idade, se lembra de como era um diabinho teimoso, não é?! – E riu de novo, sendo acompanhada por mim. – Ela só vai aprender quebrando a cabeça. E se ela for como você, o que parece ser, vai precisar quebrar a cabeça muitas e muitas vezes antes de criar juízo.

— Você diz como se não tivesse aprontado também. – Reclamei, lhe mostrando a língua.

— Papai teve mais trabalho com você, infinitamente. Nem dá pra comparar. Dá pra juntar minhas merdas com as do Zeref e ainda assim não daria o tanto de merda que você fez, sua peste! – Ela me deu um peteleco na testa, sorrindo. – Infelizmente, como eu disse, Michelle é muito parecida com você, então estou vendo que papai terá que lidar com mais reclamações na escola de novo. E ela ainda não desgruda de você, então eu realmente estou preocupada com o que será do futuro dessa pobre coitada.

— Aff, Erza. Vai se ferrar. – Resmunguei, empurrando-a de leve e a fazendo rir. – Eu nem apronto mais tanto assim…

— Só melhorou depois que virou capitão do time. – Falou, como se quisesse dizer que se não fosse por aquilo, eu ainda estaria causando problemas ao Igneel. – Só com responsabilidades pra entrar nos trilhos, hein?! – Me deu um murro fraco no ombro. – De qualquer forma, eu não vim aqui para falar sobre a Michelle, só aconteceu de eu ouvir a conversa enquanto eu ia buscar minha vitamina. Eu vim falar que amanhã temos um ensaio importante, daquela dança do casamento. Preciso que cancele seus compromissos, se tiver algum, ok?!

— Eu estou de castigo, Erza. Que compromisso eu teria? – Bufei, já que aquilo era algo óbvio.

— Você está de castigo? – Ela soou extremamente surpresa. – O que aconteceu?

— Como assim? Eu achei que você soubesse. – Respondi, e ela continuou surpresa. – Igneel se irritou a toa. – Apenas expliquei. – Qual é, onde você estava pra não saber que eu estava de castigo, é sempre você quem fica jogando na minha cara essas coisas.

— E-eu… E-eu não… N-não fiquei muito em casa esses dias… – Ela corou completamente, deixando-me confuso. Como se estivesse se sentindo culpada.

Culpada por que não sabia do meu castigo, ou culpada por que ela estava aprontando?

Aquilo era suspeito.

— Falando desse jeito até parece que você está traficando drogas. – A acusei, e ela apenas desviou o olhar. – Por Kami, Erza! Não me diga que você realmente está traficando drogas?!

— Claro que não! – Ela se levantou rapidamente, olhando-me com exasperação.

— Mas é tipo isso então, pra agir dessa forma. – A acusei novamente, e ela se enrolou em frases que pareciam mais incógnitas.

E como um lapso, me lembrei de algo que aconteceu na escola, na manhã passada.

“— Jellal… Jellal! Ei, imbecil! – O chamei a atenção, balançando as mãos em frente ao seu rosto. E só então ele finalmente me percebeu. – Você escutou o que eu disse? Por que está com essa cara de retardado o dia inteiro?

— Estava se divertindo ontem, é idiota?! – Gray o provocou, socando seu ombro.

— Mas o que é que vocês querem? Me deixem em paz… – Ele resmungou, abrindo um sorriso.

Como assim ele estava sorrindo enquanto o xingávamos?

— Você está bêbado, Jellal? – Perguntei, e ele me olhou incrédulo.

— Às dez da manhã? Óbvio que não.

— Então pare de agir como um retardado e preste atenção no que estou te falando.

— Impossível. Ele não vai prestar atenção em nós, vamos ter que nos contentar com um Jellal bobão até que ele se esqueça do encontro que teve. – Gray murmurou, rindo.

— Encontro? Você está saindo com alguém? – O questionei, totalmente surpreso.

Qual é, o Jellal saindo? Quem era a louca?

— Dessa vez a beijou? – Gray perguntou, me ignorando totalmente.

— Ooh… – Jellal sorriu maliciosamente. – E como beijei… – Resmungou baixo, sorrindo cada vez mais.

Eu não estava acreditando que ele estava saindo, Gray sabia, e nenhum dos dois me contaram nada.”

Ah meu Kami!

Eu não estava acreditando.

Aquilo não podia ser real!

— Não! Não, não, não! Por favor, não me diz que foi você quem saiu com o imbecil de merda do Jellal! – Me levantei rapidamente, olhando-a desacreditado. E ela simplesmente ficou quieta, me encarando ainda mais culpada que antes. – Erza!

— Me desculpa, mas o que eu podia fazer?

— Não sair com ele, oras! Que tipo de pergunta é essa? E você ainda o beijou! Por Kami, o que há de errado com as mulheres dessa casa??? – Eu perguntei retoricamente, andando de um lado para o outro com as mãos na cabeça.

— Q-quem di-disse que o beijei? – Ela ficou totalmente corada.

— Claro que foi o imbecil que você está saindo, quem mais seria? – Me enervei.

— Olha, eu sei que você não gosta da ideia, mas eu acho que gosto do Jellal.

— Não! Não repita isso novamente! Você está me fazendo ter uma hemorragia auditiva.

— Natsu, pare com isso. Não é nenhum crime eu gostar do seu amigo. – Ela revirou os olhos, com os braços cruzados. – Eu achei que ele era um chato igual o Gray, mas ele é charmoso até, e está sempre me agradando. Além de ser insistente. Então eu dei uma chance, e acabei me surpreendendo.

— Esse é o fim do mundo, é a única explicação! – Choraminguei, saindo do meu quarto, deixando-a sozinha.

Aquilo definitivamente não estava acontecendo.

Eu não estava escutando minha irmã mais velha dizer que gostava do meu amigo mais idiota. Também não escutei que eles saíram e se beijaram. Eu estava sonhando! Ou melhor, tendo um pesadelo. Era isso. Eu iria acordar em algum momento.

Por favor, Kami, faça eu acordar logo.

— Natsu… Por favor, deixa de ser idiota… – A escutei me seguindo, mas simplesmente a ignorei.

Eu tinha um outro objetivo agora, e definitivamente envolvia o traíra que estava na cozinha, “batendo um papinho” com a Lucy. E eu ia “bater um papinho” com ele, no estilo mão na cara.

— Você! – Apontei pra ele, que me olhou sem cerimônias. – Você sabia do Jellal e da Erza! – O acusei, e ele sorriu meio sem graça, e pela cara que fazia, deveria estar tentando formular uma desculpa satisfatória. – Não adianta tentar se explicar. Isso é traição! Você é meu melhor amigo, e a Erza é minha irmã! Você deveria ter me avisado, pra eu quebrar a cara daquele viado!

— Natsu… Eu te avisei que ele não desistiria fácil, assim como eu disse que não estava mais aguentando ele falar da Erza e o mandei agir logo. O que eu posso fazer se eu achava que a Erza iria simplesmente castrar aquele idiota? Ela é imprevisível, cara. – Ele deu de ombros, como se não fosse nada demais. – Além do mais, foi Lucy quem o incentivou e o ajudou a agradar a Erza… – Ele tentou segurar a risada, olhando maliciosamente para a Heartfilia, que ficou extremamente sem graça.

— Ah, mas é claro que sim… – Simplesmente falei, desistindo daqueles dois. É claro que Lucy também sabia. Provavelmente até Michelle e Zeref deveriam saber. E Igneel. Até Layla. Menos eu. – Quer saber, foda-se. – Irritei-me de uma vez, indo até o meu quarto buscar minha mochila para ir para a escola.

Eu realmente não me importava se iria mais cedo do que deveria, mas eu iria. Precisava esfriar a cabeça, e eu já imaginava a melhor forma.

***

— Hey, garoto. – Acariciei a crina de Fukutsu, o corcel da Fairy Tail. – Novamente estou vindo após tanto tempo. Me desculpe, eu estou realmente ocupado ultimamente. – Eu estava dentro de seu estábulo, e abri a porta para que pudesse puxá-lo para fora com as rédeas. – Como tem passado? Estão cuidando bem de você? – O puxei, levando-o até onde estavam as selas, preparando uma para que eu pudesse montá-lo. – Você sabia que meu pai vai se casar de novo? – E como se tivesse me entendido, Fukutsu relinchou, se inclinando pra cima. – É, pois é. E minha vida virou de cabeça para baixo desde então. – Terminei de amarrar a sela, e o montei. – O que acha de fugirmos juntos? – Sugeri, e logo ele começou a correr para fora do estábulo, se decepcionando por ainda se encontrar dentro da arena de treino.

Correu por toda a extensão da arena, tentando encontrar alguma saída, alguma brecha, qualquer coisa, e eu não pude evitar rir.

— Você não gosta mesmo desse lugar, não é?! Eu te compreendo. – O acariciei, tentando fazê-lo se acalmar um pouco. – Desculpa te dar falsas esperanças, nós não iremos fugir hoje. Mas um dia, quem sabe.

Ficamos cavalgando por alguns longos minutos, e então, como uma miragem fantasma, avistei uma garotinha ao lado do portão que dava para o estábulo, e ela parecia estar me chamando. Fiz Fukutsu cavalgar até lá e me deparei com uma pequena figura, com longos cabelos loiros ondulados e olhar infantil.

— O que acha que está fazendo, Natsu-san? – Ela indagou, olhando-me séria. – Esse corcel vai participar da competição hoje, e ele precisa ser preparado. Você está atrapalhando, ele vai perder o foco. – Cruzou os braços, visivelmente irritada.

— Me desculpe, mas… Eu te conheço? – Perguntei, já que ela havia pronunciado meu nome. Eu sabia que não tinha a visto antes, porque provavelmente eu não me esqueceria de quão pequena ela era, e como seus cabelos eram realmente bonitos.

— Acho que não… – Ela ficou um pouco sem graça ao dizer. – Eu sei quem você é porque você é o capital do nosso time de basquete. – Ela se explicou. – E esse corcel é o meu, com o qual eu vou competir hoje. Se você não se importar de sair daí de cima…

— Você é a competidora? – A cortei, ainda mais incrédulo. – Mas você é tão pequena! E tão criança! Qual é a sua idade? Como passou no teste pra ficar com o Fukutsu?

— Eu sou do segundo ano, pra sua informação. – Ela respondeu emburrada. – E fui a melhor jóquei, com uma pontuação superior á qualquer pessoa. – Aproveitou para se gabar, puxando as rédeas do corcel de minhas mãos. – Desça logo daí! Eu preciso treinar!

— Impossível, você não pode ser estudante do segundo ano. Minha irmã do primeiro ano é maior que você. – Continuei montado, desafiando-a.

— Então verifique meu nome na lista das provas, idiota. Mavis Vermilion, eu sou a melhor estudante dessa escola, do segundo ano ‘A’.

E então meu queixo literalmente caiu. Aquela era Mavis? A incrível Mavis, que sempre ficava em primeiro nas provas semestrais? A Mavis que o diretor sempre usava como exemplo em broncas na sala? Eu não estava acreditando.

Desci do corcel observando de perto aquela pequena garota que dizia ser Mavis. A medi da cabeça aos pés e recebi um olhar ameaçador. Ela poderia ser fofa, mas o olhar assustava. E então fiquei cara a cara com Fukutsu e comecei a acariciá-lo no focinho.

— Certo. Você gosta dela, amigão? – E para me responder, ele simplesmente se desvencilhou do meu carinho e ficou dando cabeçadas na Mavis, se esfregando nela e a fazendo rir.

Ele até mesmo a derrubou no chão, mas nada disso impediu que ele continuasse se jogando nela e ela rindo.

— Ok, ok! Já entendi, seu traíra. – E então afastei seu focinho pra longe, ajudando Mavis a se levantar.

— Obrigada, Natsu-san. Desculpe te chamar de idiota, foi por impulso. Você parece um tanto com seu irmão em teimosia. – Ela deu de ombros, sorrindo.

— Zeref? Você o conhece? – Fiquei ainda mais surpreso.

Aquela garotinha iria me surpreender mais quantas vezes em tão poucos minutos?

— Bom, sim. – Ela ficou um tanto cuidadosa com as palavras após perceber que revelou conhecer meu irmão, e eu apenas a fiquei observando. Até que ela pareceu mudar de ideia e começou a tagarelar. – Ele foi meu professor particular de química e biologia por um tempo, e foi ele quem me pediu para participar da competição de jóqueis para ficar com o Fukutsu. Ele queria que eu cuidasse do corcel, já que ele era importante para sua mãe. – Ela sorriu doce, e em um rápido movimento, montou nele. – E pelo jeito pra você também.

Espera… Então era Mavis a aluna do meu irmão? Eu sabia que ele ensinava alguém antes, mas não que fosse ela. Não era a toa que Mavis pudesse ser tão inteligente então.

Mas tinha outra coisa. Ele a pediu pra cuidar do corcel? Isso só significava que ele confiava nela ao extremo. E eu conhecia meu irmão, ele não confiava nas pessoas facilmente, ainda mais para deixar nas mãos dela algo tão sentimental e especial como o cavalo que nossa mãe amava.

Eu sei que ele conhecia o corcel porque Zeref também estudou na Fairy Tail, e na época mamãe já cuidava dos cavalos daqui. Fukutsu era um pouco mais novo e menor, mas mesmo assim já era o cavalo preferido dela.

Mas, pensando bem, também tinha a possibilidade de o próprio Zeref ter uma ligação com Fukutsu que eu desconhecia.

Assim como com a pequena garota.

— Mavis… Você e meu irmão… Vocês tem uma relação além de aluna e professor? – A questionei apenas por curiosidade, e ela ficou um tanto corada, não me encarando de fato, mas ao chão.

Eu apenas perguntei por perguntar, mas ali estava a resposta que eu não esperava.

— Ah, bem… Nós estamos namorando vai fazer quase um ano. – Ela revelou baixinho, como se estivesse me segredando algo muito, muito confidencial.

— Namorando? – Quase engasguei ao repetir aquilo. – Você e Zeref? Zeref Dragneel? Você tem certeza disso?

Eu sei que era ridículo a forma como eu estava lidando com aquela confissão, mas não parecia ser verdade. Eu conhecia Zeref, ele não era do tipo de namorar. E ele não era do tipo de conquistar garotas também. E ali estava, sua suposta namorada me revelando sobre eles dois.

Como meu irmão podia ter uma namorada e esconder um namoro de um ano de mim?

— Eu sei que parece estranho, e é muito tempo pra manter um relacionamento ás escondidas da família, mas eu estou tentando convencê-lo a contar á vocês, principalmente ao Igneel, mas ele acha que vocês não vão aceitar muito bem, porque eu sou muito nova. – Disse tristemente, e então me mandou um olhar incerto. – Você não vai ficar bravo, não é?! Eu te contei porque você perguntou, e também porque eu supus que você possa me ajudar a fazê-lo mudar de ideia. Ele te ama, Natsu-san, já perdi as contas de quantas vezes Zeref me falou sobre você, então eu acredito que você vai apoiá-lo, certo?! – Me questionou, cheia de esperanças.

Eu estava sentindo como se estivesse sendo colocado entre as paredes. Zeref era mais velho e Mavis deveria ter dezesseis anos. É claro que aquilo era estranho. Eu até o entendia esconder esse relacionamento, provavelmente eu também esconderia se fosse ele. Mas eu apoiá-lo? Eu também amava meu irmão, mas aquela situação era diferente. Eu não sabia o que pensar, de fato. Aquilo estava sendo confuso demais pra mim.

— Eu não vou arranjar confusão por causa disso, mas eu preciso conversar com o Zeref antes, entende?! – Finalmente me pronunciei, e ela fez um biquinho, cabisbaixa. – Hoje foi um dia de muitas informações, e esse sábado ainda nem acabou. Eu preciso de um tempo pra processar tudo ainda.

Ela continuou cabisbaixa, mas murmurou um “tudo bem” baixinho.

— Eu preciso ir treinar agora, meu jogo começa em uma hora. Nós nos falamos outra vez, certo?! – Sorri pra ela, tentando a deixar menos triste. Voltei-me para a saída e me dirigi até lá. – Cuide bem do corcel e boa sorte na competição. – Gritei, já distante de onde Mavis estava.

Próximo capítulo:

— Gray já criou coragem e deixou de ser um bundão com ela? – Lyon sorriu maliciosamente, fazendo eu entender porque muitas vezes Gray sentia vontade de socá-lo só de olhar para sua cara.

— Bom, ele desistiu completamente depois de você ter feito seu papel de babaca. – Falei, e ele gargalhou, achando graça em sabe-se lá o quê.

— Então ele não gostava mesmo dela, ou não teria desistido fácil. – E então suspirou, observando seu time se aquecendo na outra metade da quadra. – É bom assim, princesas como a Juvia precisam de príncipes ao seu lado, não de plebeus.

Notas finais
O que acharam? *-* Ficou bom, péssimo, chato, aceitável? o/// A opinião de vocês é muito bem vinda, eu juro que não mordo *O* Vocês gostaram da ideia da Mavis? o/ eu sempre quis escrever sobre age gap, eu acho algo interessante de se tratar... Se vocês acertarem a diferença de idade entre eles, eu dou um beijo e docinhos pra vcs ♥ SAHSAHAHUASs' Como será que o Natsu vai lidar com o Jellal quando vê-lo pessoalmente? o// E como será que vai ser esse jogo contra a Lamia Scale? Enfim! Obrigada por todas as reviews, os acompanhamentos, os favoritos, tudo ♥ Eu me sinto super feliz com as palavras de vocês, sempre me dá um ânimo a mais pra escrever *-* Obrigada por acompanharem até aqui e até semana que vem ♥