Troublemaker

28 Sentimentos Recíprocos?


Notas iniciais
Oláaa pimpolhinhos ♥ Vocês estão bem? Depois do capítulo passado, muita gente pediu pra que eu colocasse o ponto de vista da Lucy sobre o que aconteceu, e bem... Eu meio que atendi ao pedido (não só porque vocês pediram, mas porque seria necessário :P) A maior parte do capítulo ainda é narrado pelo Natsu, mas lá um pouco depois da metade é a Lucy quem narra, e vocês vão saber a parte porque eu deixei marcadinho ;D Gostaria de deixar aqui meus agradecimentos aos novos favoritos, acompanhamentos e reviews, e principalmente à recomendação da Mary Maia, que nossa, me deixou tãaaaaaaaaaaao feliz *-----* Obrigada pelas palavras gentis e fofas, eu quase chorei quando vi, assim como fico com toda nova recomendação :P Vocês são demais, gente, obrigada por me darem tanto apoio com troublemaker ♥ Por enquanto é isso. Espero que gostem, boa leitura *3*

— Você é péssimo nisso. – Michelle constatou pela vigésima vez, rindo alto. – É sério mesmo que você já namorou antes?

— Em minha defesa, minha ex também gostava de mim e as coisas eram sempre muito mais fáceis de resolver. – Dei de ombros, jogando-me ainda mais no sofá.

— Lucy também gosta de você, caso você não tenha notado. – Ela deu um peteleco em minha testa, enquanto eu ri alto.

— Não, não do jeito que eu queria.

— Oh! Então você admite que gosta da Lucy. – Michelle se agitou ao meu lado, batendo palmas de forma exagerada.

— E isso não estava claro desde o momento que eu te falei que a beijei? – Revirei os olhos, enquanto Michelle ficava ainda mais sorridente.

— Ah, que incrível!!! Isso é demais, sério! Vai ser tão legal quando vocês casarem! – Ela falava com os olhos brilhando.

— Por Kami, Michelle… Nós não estamos sequer namorando e você já está falando em casamento. Controle-se.

— E o que você pretende fazer? Se minha mãe ver como vocês estão, ela vai perceber que aconteceu algo no zoológico, sem dúvidas!

— Eu sei. Mas não faço ideia de como resolver isso. – Bufei, me lembrando novamente do beijo de mais cedo, que sequer fora correspondido. – Eu não posso subir lá no quarto da Lucy e pedir desculpas, porque eu realmente não me arrependo do que fiz.

— Então não peça, oras. Diga logo que você gosta dela e pronto. – Michelle soou séria pela primeira vez desde começamos a conversar, deixando-me um tanto surpreso. – Facilite as coisas, Natsu. Você só tá perdendo fingindo que não sente nada por ela. – Me deu uma bronca, me deixando ainda mais chocado.

Quem era aquela e o que fizeram com a Michelle?

— Certo… – Respondi pensativo, vendo que ela estava certa, no final. – Aliás, obrigado por ter recusado o convite da Lucy pra ir conosco. – Me lembrei, bagunçando seus cabelos.

— O que eu não faço por você, cabeção?! – Michelle riu, bagunçando meus cabelos de volta. – Mas você sabe que está me devendo uma, não é?!

Claro. Eu seria inocente demais se não imaginasse que algo assim aconteceria.

— O quê, exatamente? – Revirei os olhos, já me preparando mentalmente para o que estava por vir.

— Primeiro fale com a Lucy, depois eu falo o que quero. – Ela soou convicta, sorrindo convencida.

Sorri de volta, jogando uma almofada nela.

Zeref, Mavis e agora Michelle estavam me falando a mesma coisa. E eu já havia beijado a Lucy, então a cagada já estava feita. Ou eu fingia que o que aconteceu foi uma besteira, – o que eu não conseguiria fazer – ou eu dizia a verdade logo.

E eu definitivamente iria dizer a Lucy. Claro que não naquela noite, porque a volta do zoológico foi extremamente desconfortável, e ela não deveria nem querer olhar pra mim uma hora dessas. Mas eu só não podia mais ficar escondendo pra sempre.

***

Já estávamos na sexta, na véspera do casamento, e minha casa estava uma bagunça só. Eram presentes para um lado, decorações de sabe-se lá que diabos do outro, cartas aqui, listas de afazeres acolá.

A semana toda foi corrida, e acabei não tendo a oportunidade de conversar com Lucy a sós, o que não estava ajudando em nada. Ela sequer dirigira alguma palavra a mim naqueles últimos dias.

Neste momento eu estava na escola, no fim do treino. Quando o treinador deu como encerrado e nos liberou para irmos, fui avisá-lo mais uma vez que eu não poderia aparecer amanhã no último treino antes de viajarmos de novo, por conta do casamento. Ele não batia muito bem da cabeça e vez ou outra esquecia algumas coisas, então era sempre bom ficar reforçando.

Fui tomar um rápido banho para me livrar do suor, e quando saio, surpreendo-me ao me deparar com uma líder de torcida próxima do vestiário, encostada na parede e meio impaciente.

É, eu estava falando da Lucy mesmo. Só que sem o uniforme, pra minha tristeza.

— Você demora demais. – Ela se queixou quando me viu, parecendo um pouco irritada. – Vamos logo, Zeref está te esperando.

— Zeref? – Perguntei incerto. O que meu irmão estava fazendo ali? Eu conseguia ir pra casa sozinho. – Por que ele está aqui? Aconteceu alguma coisa?

Já andando á minha frente, terrivelmente apressada para alguém que ainda não tinha se recuperado do tornozelo, ela apenas bufou alto o suficiente pra que eu conseguisse ouvir.

— Você se esqueceu do ensaio, não é?! – Ela constatou o óbvio, me olhando por cima do ombro. – Típico. – Falou meio azeda.

E eu estava simplesmente sendo alvo de sua irritação.

— Eu não me esqueci, eu só não achei que fosse ser tão cedo. – Contei uma pequena mentira, porque eu tinha esquecido mesmo.

— É, perdemos dois ensaios, o casamento é amanhã… Temos que correr contra o tempo. – Explicou, evitando me olhar dessa vez.

— Você tem certeza que vai conseguir aguentar tanto tempo de ensaio com o seu pé assim? – Perguntei, um pouco preocupado.

— Não preciso que se preocupe comigo, Dragneel. Eu sei me cuidar. – Ela ralhou.

Uau, que bicho a havia mordido?

Continuamos em silêncio até encontrarmos o carro do meu irmão, na entrada da escola, e Erza também estava ali. Foi inevitável os dois não sentirem a tensão que envolvia eu e Lucy, que era até mesmo sufocante. Zeref ficou me mandando olhares questionadores pelo espelho retrovisor, e eu só pude dar de ombros, sem saber como reagir.

A ida até o salão foi tediosa, e por algumas vezes meu irmão tentou quebrar o silêncio puxando conversa com Lucy, que respondia monossilabicamente. Nem mesmo quando Erza tentou, Lucy não deu bola.

Ao chegarmos lá, as coisas não pareceram melhorar, principalmente porque Lucy tinha que dançar comigo e ela sabia disso.

Eu só estava faltando ter um ataque de riso em sinal de total desespero, mostrar que aquilo tudo era loucura, que não fazia o mínimo sentido Lucy me tratar daquele jeito. Droga, eu não tinha cometido um crime ou algo assim! Eu só a beijei! Só encostei minha boca na sua! O que havia de errado nisso? Pra quê me tratar daquela forma?

Foi por isso que a peguei pra dançar determinado de que tiraria aquilo a limpo, nem que pra isso fosse preciso fazer alguma loucura.

Nas três primeiras vezes que passamos a coreografia, tivemos que parar pelo menos umas dez vezes, porque ou eu ou Lucy fazíamos algo errado. Os professores já estavam quase nos mandando desistir e ir embora pra casa, mas ao invés disso, eles pediram pra que nós dois passássemos a coreografia inteira sozinhos, sem Erza e Zeref dançando ao nosso lado, sem troca de parceiros no meio da música, e sem a ajuda dos professores. Só eu, Lucy, a música e a coreografia.

— A gente pararia de errar tanto se você passasse a confiar mais em mim e que eu vou te guiar certo. – Falei perto de seu ouvido, enquanto já dançávamos.

— Confiar em você e ser beijada depois? – Ela devolveu, dando uma pisada em meu pé de propósito. – Não, obrigada.

— Você está reagindo exageradamente á algo que dá pra resolver com uma conversa, Luce.

— Ah, então você acha que eu estou exagerando? – Ela perguntou, usando um tom de sarcasmo facilmente detectável. – Você me beijou sem pedir, e roubou meu primeiro beijo. Eu não me lembro de ter te dado tanta liberdade assim, Dragneel.

Eu já sabia que Lucy nunca tinha beijado, mas eu simplesmente tinha me esquecido desse detalhe, e a escutá-la falando que eu fui o primeiro a lhe beijar me deixou um pouco surpreso na hora.

— Você é realmente muito inocente pra não ter percebido que eu estava tentando te chamar a atenção o dia todo. – Admiti, suspirando pesado. A parte agitada da música estava chegando, e precisávamos nos empenhar em dançar ao invés de conversar. E quando a parte calma voltou, a segurei mais próxima. – E eu fui muito idiota de não ter dito antes que você me deixa doido, Luce.

Seu corpo enrijeceu debaixo de minhas mãos, e ela errou uma pequena sequência de passes, que logo a ajudei a consertar sem que fosse muito notado.

— Você disse que não era um encontro. – Ela ralhou, um tanto corada.

— Ah, e não era. Mas eu não consegui colocar isso na cabeça. – Falei, rindo.

Por algum motivo, eu estava me sentindo melhor confessando aquilo à ela. Mesmo que Lucy não aceitasse, mesmo que não gostasse de mim da mesma forma. Só por eu estar dizendo, já estava me livrando de um peso enorme.

— Eu não sei o que falar, Natsu… Você… Você não pode simplesmente se confessar assim…

— E por que não?

— Porque somos irmãos, idiota! – Lucy praticamente gritou, e então se embaraçou ao perceber que ainda estávamos sendo assistidos.

— Não somos não. Um teste de sangue diria exatamente ao contrário.

— Você entendeu o que eu quis dizer, Natsu. – Ela revirou os olhos.

— Não é porque agora nossos pais estão casados que somos irmãos, Luce. Uma coisa seria isso tudo acontecendo quando ainda fossemos crianças, aí provavelmente eu te consideraria minha irmã hoje em dia. Mas não somos crianças, e eu não posso tratar como irmã alguém por quem eu estou atraído desde quando eu bati o olho. – Falei, a olhando seriamente, e notando Lucy engolindo em seco, um tanto surpresa. – A Michelle é fácil de considerar minha irmã, você não.

Ela fechou os olhos e começou a negar, mas o que ela estava negando eu não sabia exatamente.

— As coisas não funcionam assim, não é porque você quer que vai ser do seu jeito. – Ela abaixou a cabeça, ruborizando levemente.

E então o diálogo com a Layla no hospital veio á tona novamente.

— Algo me diz que você está se referindo á sua mãe. – Chutei.

Ela continuou da mesma forma, sem ao menos concordar ou negar. E foi assim que notei que eu estava certo com meu palpite.

— Então quer dizer que a Layla é seu único impedimento pra concordar comigo que não somos irmãos? Você acha que nós podemos ter algo a mais, Luce?

— Não existe a possibilidade de “nós”, Natsu. – Ela falou rapidamente, me olhando repreensiva.

— Ah não?! Nem um pouquinho? – Perguntei novamente, olhando-a ficar cada vez mais sem graça. – Se eu te beijasse de novo, você não me corresponderia então?

— Eu te bateria. – Lucy falou baixinho, ruborizando cada vez mais.

Nossa dança terminou bem nesse momento, mas eu não a soltei, e ela também não tentou sair. Continuamos da mesma maneira, no meio da sala, nos encarando como se estivéssemos sozinhos, nos desafiando mentalmente sobre quem é que agiria primeiro.

— Então me bata, por favor. – Falei em meio a um sorriso, me aproximando dela, para lhe beijar outra vez.

— Ótimo! Os dois foram ótimos! – O professor de dança logo quebrou o clima, batendo palmas alto, sequer notando que estava estragando um momento.

Ou talvez ele tenha feito aquilo de propósito.

Lucy logo se afastou e foi beber água, tentando manter distância de mim.

— Acho que por hoje já deu. Vocês todos estão ótimos, não esqueceram nada dos passes, com certeza vão arrasar amanhã.

***

Por um momento eu achei que teria problemas na volta pra casa, mas Erza e Zeref fingiram não ter presenciado absolutamente nada. O que facilitou muito as coisas pra mim, pra falar a verdade.

Quando chegamos, já de longe eu podia ouvir conversas e risadas animadas vindo de casa, e só pude concluir que havia visitas nos esperando. Mas a surpresa foi grande quando me deparei com pessoas que eu nunca tinha visto antes. Até notar que quem as estava recebendo era Layla, e não meu pai. Então logo conclui que deveriam ser seus amigos convidados do casamento.

E tamanho foi meu susto quando escutei Lucy soltando um gritinho atrás de mim, passando sem delicadeza alguma ao meu lado para abraçar uma garota pequena de cabelos azuis.

— Levy!!!

— Lucy!!!

— Ah meu Deus, eu não acredito que você está aqui!

— Nem eu!

E as duas ficaram assim, abraçadas e histéricas por algum tempo.

Layla chamou a mim e aos meus irmãos e nos apresentou ao senhor e senhora McGarden, pais da Levy, e Gajeel Redfox, um metaleiro com cara de merda, namorado da garotinha.

— Que é isso? Obra da Michelle? – Ele perguntou, mexendo em meu cabelo como se tivesse alguma liberdade para isso e rindo exageradamente de forma estranha. Assim como ele era.

O que me deixou irritado, claro.

Por Kami, como aquela garotinha fofinha podia namorar esse otário?

Os quatro ficaram para o jantar, por convite do meu pai e insistência da Layla, e a mesa não conheceu o silêncio por muito, muito tempo.

Quando chegou a hora da sobremesa, os adultos resolveram todos ir pra varanda conversar, com exceção do Zeref, que saiu pra se encontrar com a Mavis antes mesmo do jantar, e Erza, que depois do jantar disse que iria dormir por estar muito cansada. Acabou que ficou apenas eu, Lucy, Michelle, Levy e Gajeel na sala de jantar, aproveitando o melhor bolo de chocolate do mundo.

— Por que você não me disse que estava vindo pra cá, sua ridícula? – Lucy perguntou á Levy, que apenas riu.

— A tia Layla pediu que ficasse em segredo, e eu não poderia estragar a surpresa dela.

— Mas você deveria ter deixado escapar uma dica, oras. Qualquer coisa. Eu realmente não te esperava por aqui.

— Ué, nossas mães são grandes amigas, é claro que minha mãe viria ao casamento. Você deveria saber disso, cabeça de vento. – Levy revirou os olhos, comendo mais um pedaço do bolo. Então virou-se para me encarar, já que estávamos quase de frente um para o outro. – Mas e você? É o Natsu, não?! Lucy me falou muito de você. – E então ela riu, dando uma piscadinha.

— Levy! – Lucy protestou, ficando ruborizada.

— O caçula Dragneel problemático, prazer. – Me apresentei, erguendo minha mão sobre a mesa em sua direção, e ela logo a apertou em um cumprimento sem pensar duas vezes.

— Ah, então você sabe dos apelidos que a Lucy te dá.

— Só chutei, ela é um pouco previsível nessas coisas. – Respondi, olhando divertido pra Lucy, que provavelmente queria se enfiar em um buraco agora.

— Não só nessas coisas, pelo jeito… – Michelle comentou baixinho do meu lado, colocando ainda mais lenha na fogueira.

O que acarretou em uma gargalhada generalizada, e uma Lucy emburrada.

— Mas então… Desde quando seus pais sabem sobre o namoro de vocês? – Lucy logo mudou de assunto, perguntando isso pra Levy, que olhou gentilmente para o brutamontes e deu um sorrisinho.

— Faz algumas semanas. Acredita que ele teve coragem de ir falar com os meus pai por conta própria? Mesmo eu avisando que ele poderia ser assassinado? – E então ela riu, e o brutamontes revirou os olhos.

— Eles estavam mais com medo de mim do que eu deles. – Ele falou. – Quase chamaram a polícia, acharam que eu estava abusando da filha deles, acredita bunny girl? – E então ele soltou a risada estranha dele novamente.

— Bunny girl? – Perguntei, curioso.

— Eu já falei pra parar de me chamar assim, idiota! – Lucy ralhou com ele, ficando cada vez mais vermelha.

— Esse era um apelido que eu não conhecia... – Constatei divertido, olhando para o brutamontes e para a baixinha curioso.

— Lucy uma vez fez uma peça na escola e teve que se vestir de coelha, mas ficou mais engraçado do que todo mundo imaginava e esse apelido pegou e ficou assim por algum tempo. – Levy explicou, achando graça na situação da amiga.

— Você não me contou dessa peça, Luce. – A provoquei, mandando um sorrisinho sacana pra ela, que estava sentada á minha frente.

— Porque não importa! Já passou faz anos! Esse idiota que não supera as coisas. – Ela ficava cada vez mais irritada, querendo se afundar em sua cadeira.

— Eu tenho fotos, se você quiser ver… – Michelle comentou, com cara sapeca.

— Não ouse, Michelle Heartfilia! – Lucy esbravejou no mesmo momento.

Pelo jeito estávamos todos de acordo que provocar a Lucy era algo muito divertido.

— Sobre o que estão conversando, meninos? – Layla apareceu de repente, sorrindo e colocando uma mão em meu ombro, daquele jeito de mãe quando quer pedir pra bagunça acabar mas faz disfarçadamente.

Pelo jeito ela estava escutando o que estava acontecendo.

— Estamos apenas falando como amanhã vai ser divertido, mãe. – Michelle comentou, o que me fez revirar os olhos e a olhar um tanto desacreditado.

Ela estava mentindo bem na cara da Layla quando ela já sabia de tudo. Mesmo que fosse algo tão simples, ainda assim parecia uma tentativa perigosa quando se tratava da Layla. Por Kami, Michelle era louca.

— Claro… – Layla soou um tanto irônica, mas disfarçou bem para quem não estava atento. – Bom Levy, seus pais já estão indo embora, mas se você quiser dormir aqui, ficar mais um pouco com a Lucy… Será muito bem vinda. – Ela falou gentilmente, o que deixou Levy bastante animada. – E o Gajeel também, claro. Ele pode dormir no quarto do Natsu, não é querido?! – Ela me perguntou.

Sinceramente, se ela achava isso uma boa ideia, Layla deveria estar viajando. Nem em um universo paralelo aquela seria uma boa ideia. Não tinha cabimento algum.

E por sorte, o brutamontes pareceu pensar a mesma coisa que eu.

— Ah, não. Obrigado, mas eu prefiro ir para o hotel mesmo… – Ele falou, sem disfarçar seu jeito rude. O que não me surpreendia em nada, pra falar a verdade.

— Não espere que eu vá junto, porque eu vou ficar com a minha amiga. – Levy o avisou, puxando Lucy para mais perto para abraçá-la.

— Eu já sabia. – Ele falou, rindo. – Até amanhã então, baixinha. – Ele se levantou da cadeira, e Levy fez o mesmo pra poder abraçá-lo. – Até amanhã, bunny girl, pink boy.

É, o pink boy foi pra mim e ele tinha muita sorte da Layla ainda estar por perto, ou eu juro que arrancaria a língua dele e faria ele engolir.

Fomos todos nos despedir dos pais da Levy também, e assim que saíram, ela e Lucy correram para o quarto e Michelle ficou junto comigo, me ajudando com a louça.

— Você já conversou com a Lucy, cabeção? – Michelle me chamou a atenção.

— Hoje, na hora do ensaio. – Falei, revirando os olhos.

— Jura?! O que você falou? O que ela respondeu? Vocês estão namorando? – Ela perguntava ansiosamente, com o olhos brilhando.

— Eu falei que gosto dela, e ela falou que não existia possibilidades de acontecer nada entre nós. – Dei de ombros.

— Ela disse isso? – Michelle soou totalmente chocada, me olhando de forma surpresa. E então ficou me observando por um tempo, franzindo o cenho logo após. – Você não parece ter levado a sério.

— E eu não levei. – Sorri grande, vendo ela ter a mesma reação. – Eu quase a beijei de novo, e ela teria deixado se o professor de dança não tivesse interrompido.

— Por isso ela ainda está meio estranha… – Ela concluiu. – De qualquer forma, é bom que agora a Lucy saiba que você gosta dela. Talvez ela pare um pouco com a paranoia e não leve mais tanto a sério o que mamãe disse. – Deu de ombros, pensativa.

— A Layla falou com ela? – Perguntei, não tão surpreso quanto poderia. Não era bem uma novidade, pra falar a verdade.

— Falou. E eu estava no corredor ouvindo tudo. – Michelle falou, sorrindo travessa. – Mamãe disse que seria bom para todos nós se vocês dois ficassem bons irmãos. Porque seria chato se tivesse brigas e tudo o mais. Mas a gente sabe que tinha algo a mais nas entrelinhas, e ela falava de namoro.

Ficamos por um tempo em silêncio, enquanto eu pensava sobre aquilo. Por que, exatamente, Layla achava que aquilo não era uma boa ideia?

Bom, àquela hora do campeonato eu realmente não me importava mais. Hora ou outra eu descobriria, mas não seria seguindo suas regras.

— Entendi. Vou ter que decepcionar a sua mãe, então… – Falei, decidido.

***

Lucy

Eu e Levy subimos para o meu quarto, onde ela logo se jogou em minha cama sem pensar duas vezes – ou ao menos perguntar se podia. Mas ela era minha melhor amiga, então é claro que faria coisas assim.

— Eu estou realmente surpresa que sua mãe deixou você e o Gajeel namorarem assim, sem causar problemas. – Comecei uma conversa, sentando-me na cadeira da escrivaninha e virando-me de frente para Levy.

— Ah, minha mãe arranjou problemas! Ela primeiro quis chamar a polícia, depois exigiu uma conversa séria com os pais do Gajeel. – A vi revirando os olhos, enquanto eu ria discretamente. – Minha mãe o chamou de marginal na frente dos pais dele, Lu! – Levy parecia desesperada ao se lembrar daquele dia, enquanto ficava cada vez mais difícil segurar minha risada. – Depois falou que ele era um pedófilo, e que não o queria mais ver perto de mim. Pra você ter uma ideia da confusão, quem teve que acalmar minha mãe foi meu pai!

— Meu Deus, o negócio foi feio então! – Conclui.

O pai da Levy era daqueles que a queria longe dos meninos, e quase enfartava só de saber que ela respirou o mesmo ar que alguém do sexo masculino que não fosse ele. Por isso Levy estudava em uma escola só para garotas.

— Os pais do Gajeel ficaram muito irritados e ofendidos, e eles estavam quase proibindo realmente que nos víssemos. Eu estava me sentindo na própria história do Shakespeare, eu da família Capuleto, Gajeel da família Montecchios. Quem acalmou as coisas fomos nós dois. – Levy falou, agora sorrindo timidamente.

— E agora está tudo certo? Entre seus pais e seus sogros? – Perguntei, me divertindo com aquela história.

— Tá naquelas, né?! Mas só deles permitirem que nós namoremos, já é o suficiente pra mim.

— Eu ainda fico me perguntando o que foi que você viu nesse brutamontes. – Revirei os olhos, jogando minha cabeça para trás e olhando para o teto.

— Você sabe que ele não é bem um brutamontes, Lu. – Levy falou sonhadoramente, como uma boba apaixonada.

— Assim como você não está parecendo uma bobona falando desse jeito, não é?! – Constatei, a vendo revirar os olhos pra mim, no que eu ri. – Estou feliz que esteja aqui, amiga. – E então me sentei ao seu lado, a abraçando forte.

Levy me abraçou com a mesma intensidade, e ficamos assim durante um longo período de tempo.

— Você faz falta lá, Lu. – Ela choramingou. – Espero que aquela tal Lisanna que você me falou não esteja te roubando de mim. – Levy falou brava, me fazendo rir alto.

— Ela é uma ótima amiga, mas nem se compara á você! – A tranquilizei.

— Ótimo! Agora anda, desembucha… Me conta tudo sobre a escola nova e os garotos.

Sentei-me mais confortavelmente, assim como Levy, e passei a noite contando sobre todas as coisas que aconteceram na escola e todas as pessoas que eu conheci desde que cheguei ao Japão. Entretanto, por alguma razão, eu evitei citar o Natsu em tudo. Por algum motivo, eu não queria que Levy soubesse que ele participou de alguns eventos da minha vida, tipo quando eu machuquei meu pé e foi ele quem me ajudou, ou quando saí com ele ao zoológico naquela semana.

Na verdade, nem eu mesma queria ficar me lembrando muito dele. Natsu me provocava, me deixava irritada, me fazia querer socá-lo toda vez que eu o olhava. Por quê? Por que quando ele me ajudava eu me sentia daquela forma? Por que quando ele era gentil eu só sentia vontade de fugir de perto da sua presença?

E aquele sentimento só aumentava desde que ele me beijou.

Idiota. Eu sequer dera o direito dele fazer isso, e ele simplesmente me beijou. E ainda vinha com conversa que eu o deixava doido.

Deus, como eu odiava isso.

— Eu achei que você e o Natsu estudavam juntos. Você quase não o citou. – Levy comentou, me fazendo sair de meu devaneio.

— E acha certo, nós estudamos juntos. – Comentei, mal conseguindo disfarçar a acidez em minha voz.

O que fez Levy sorrir grande e me deixar confusa.

— Ah, entendi. Você gosta dele. – Ela falou sapeca, me mandando um sorrisinho e um olhar maliciosos.

Era só o que me faltava, minha melhor amiga achar que eu gostava daquele idiota.

— Nem morta! – Repreendi, levantando-me um pouco irritada. – Ele é um idiota.

— O que há de errado? Ele tem namorada? – Levy perguntou, bastante pensativa.

— Não, Levy. – Revirei os olhos. – Eu só não gosto dele.

— Ele a menosprezou na frente dos amigos?

— Claro que não! Caso contrário eu já teria arrancado o saco escrotal dele com uma faca cega.

— Então o que ele fez pra você estar assim? – Ela perguntou, me olhando curiosa.

E após eu ficar um tempo em silêncio, me recusando a lhe responder, ela se levantou calmamente e foi se dirigindo até a porta.

— O que está fazendo? – Perguntei estupefata, indo atrás dela. Levy simplesmente me ignorou e continuou andando, se dirigindo até as escadas. – Levy!

— Eu vou falar com a Michelle, oras. Se você não vai me contar, sua irmã me conta. – E então se virou com um sorrisinho sacana pra mim. – Ou eu posso perguntar diretamente para o Natsu.

— O quê? – Fiquei chocada, não imaginando que minha amiga poderia ir tão longe assim. – Você não ousaria, Mcgarden!

— Ah não?! – E então começou a descer as escadas mais rápido, fazendo eu me desesperar.

— Ok, ok! Eu te conto! – Me dei por vencida, suspirando pesado e segurando ela firme pelo braço, para que não desse mais nenhum passo.

Levy sorriu vitoriosa e continuou o caminho de volta para o meu quarto, enquanto eu a seguia logo atrás, me certificando que ela não escaparia.

— Certo. Sem enrolações e sem mentira. Só diga logo o que diabos aconteceu com vocês. – Ela falou, do seu jeitinho mandão.

Quando Levy falava assim, eu sabia que não tinha alternativa alguma, a não ser realmente contar.

— Terça nós dois fomos ao zoológico, e depois que comemos e conversamos bastante, ele me beijou. – Revelei, fechando meus olhos e evitando encarar minha amiga, porque eu já conseguia imaginar muito bem como seria sua reação.

— Ele te beijou? – Ela perguntou, querendo confirmar o que eu havia acabado de dizer. – E você está assim por que ele te beijou? Pelo amor de Deus, Lucy! – Levy reagiu exageradamente, agarrando meus ombros e me balançando pra frente e pra trás. – O que há de errado em ele te beijar? Você é linda, inteligente, engraçada, ele deve ter adorado a conversa, ficou todo encantado e te beijou. Sério, você estava criando uma tempestade num copo d’água por causa disso?

— Tem tudo de errado, Levy! – Dessa vez foi minha vez de a segurar firme nos ombros, mas sem balançá-la como ela fez comigo. – Ele me beijou sem pedir, roubou meu primeiro beijo! Ele até mesmo disse que nossa saída foi como um encontro, quando ele tinha deixado claro que íamos sair só pra nos conhecer. E depois vem com papo que gosta de mim. Por Deus, ele não tem ideia de como isso é errado.

Levy se surpreendeu ao escutar a última parte. Seus olhos se arregalaram e sua boca estava aberta em um quase perfeito ‘o’.

— Ele disse que gosta de você? Quando??? – Ela parecia desesperada pra saber, me balançando pelos ombros novamente.

— Por que isso importa? É errado, Levy. – Me livrei de seu aperto, indo para o outro lado do quarto, longe dela e de seu olhar curioso e interrogativo.

— Por que é errado? Ele é algum tipo de psicopata? Um doente mental? Ele tem alguma doença séria que faz ele dizer mentiras? Por que é errado, Lucy? – Ela ficou me questionando, me deixando ainda mais farta daquele assunto.

— Porque somos irmãos, Levy! – Gritei, quase da mesma forma vergonhosa daquele dia na aula de dança.

Isso a fez ficar quieta por um tempo, e a notei sentando em minha cadeira e mexendo em minhas canetas em cima da escrivaninha.

— Você o considera seu irmão? – Ela perguntou baixo, me olhando firmemente.

— O quê? Como assim? – Fingi que não entendi, quando na verdade eu tinha escutado muito bem.

— Você o vê como seu irmão? Consegue tratá-lo assim? – Levy perguntou novamente, agora mais séria que antes. E como resposta, recebeu meu absoluto silêncio. – Como eu imaginei. Você vai se arrepender se continuar querendo seguir as regras impostas pela sociedade, Lu. Não tem problema gostar do Natsu, tampouco ter um relacionamento com ele que não condiz com a fraternidade que esperam de vocês. Se você o quer como seu namorado, deveria levar mais isso em consideração do que o que os outros dizem e esperam. – E então ela bocejou alto, levantando os braços para o alto e se espreguiçando. – Acho que já passou da hora de nós dormirmos. Amanhã será um dia muito cheio, Lu.

Aquela frase foi como um ponto final, como se Levy quisesse dizer que não queria mais conversar sobre aquilo porque não queria saber o que eu achava, uma vez que eu estava errada e ela certa.

Emprestei um pijama meu para que Levy pudesse usar, e dividimos a cama ao dormir. Mas eu passei longe de conseguir pregar os olhos. Na verdade, o que Levy tinha dito estava martelando em minha cabeça de uma forma que eu não imaginava que ocorreria.

Ela estava certa? Eu gostava do Natsu daquela forma? Eu queria correspondê-lo? Era por isso que eu me sentia tão estranha ao seu lado?

O mais importante, aquilo seria correto?

Notas finais
Eu espero muito, muito mesmo que vocês tenham entendido como a Lucy se sente com relação ao Natsu, porque nem ela mesma se entende SAHHSASHUAAHUSs' Mas é porque a Lucy nunca se apaixonou antes, por isso essa confusão de sentimentos o/ De qualquer forma, algumas coisinhas aconteceram hoje o/ → Natsu finalmente se confessou! (Demorou, querido) → Lucy deu uma titubeada ali, será que ela teria batido mesmo nele ou correspondido o beijo? :P → Erza agora sabe, se ela já não sabia antes... Será que vai ter conversinha entre irmãos? → Levy e Gajeel apareceram, yeeeey o/ → É bem capaz que o Natsu veja as fotos da "bunny girl", porque a Michelle é dessas :P → A conversa da Levy com a Lucy foi pra deixar a loirinha ainda mais confusa, mas em breve ela vai se ligar das coisas :P SHUAUAHs' O que vocês esperam para o capítulo que vem? Lembrando que finalmente é o casamento o/ Espero que tenham gostado do capítulo de hoje, obrigada por me aturarem até aqui e até quinta que vem ♥