Troublemaker

29 Vamos Fugir, Lucy?


Notas iniciais
Heeeeeeeey xuxus ♥ Estão bem? Lá vamos nós com mais um capítulo ♥ Espero muito que vocês gostem, de verdade ♥ Boa leitura *3*

Sábado, fim da tarde, dia do casamento.

As coisas estavam incrivelmente tranquilas e serenas. Mas isso só estava acontecendo porque as mulheres da casa estavam no salão, ainda.

Enquanto isso, Zeref, eu e Igneel estávamos terminando de nos arrumarmos, sem alguém nos apressando, sem alguém ditando ordens, sem alguém a quem eu iria querer socar se ouvisse a voz mais uma vez.

Meu pai parecia bem calmo, e eu acho que ele estava assim porque ainda não deveria ter caído a ficha que ele estava se casando.

E as coisas estariam bem calmas comigo também, se eu não estivesse perdendo uma briga de dez a zero para uma maldita gravata.

— Pai… Você sabe amarrar essa porcaria? – Perguntei, por pouco não amassando a gravata e a jogando longe, para demonstrar meu descontentamento e nervoso.

— Não. – Ele riu, se divertindo com a minha situação. – Eu estou esperando a Layla chegar pra fazer isso.

— Você sabe que ela não vai voltar pra cá, não é?! A Layla vai do salão direto pra igreja, pai. – Revirei os olhos.

Qual é, qualquer um saberia disso.

Ele me olhou incrédulo, e então pareceu se lembrar desse detalhe. O suspiro de decepção que ele deu foi algo muito hilário, mas eu segurei a risada porque meu pai deveria estar extremamente nervoso, ainda mais agora que não iria se encontrar com a Layla antes e não sabia amarrar a gravata.

— Erza vai voltar com a Lucy e a Michelle, acho que uma delas deve saber como faz isso… – Zeref murmurou da escada, também aparentando ter perdido uma luta feia com a gravata.

Já dava pra notar que a família Dragneel não tinha jeito algum com roupa social.

— Como é que você vai trabalhar se não sabe amarrar uma gravata, pai? – Perguntei, não acreditando que logo Igneel, um advogado importante, não sabia o básico da vestimenta padrão do seu dia a dia.

— Sua mãe me ajudava, Erza me ajudava, e agora é Layla quem me ajuda. – Ele deu de ombros, como se depender de alguém fosse muito melhor do que aprender por conta própria. – Aliás, que horas são? Layla disse que eu preciso estar na igreja às seis e meia.

— Ainda tem tempo de sobra, pai. – Zeref falou, se aproximando de nós e segurando Igneel pelos ombros, o olhando sério. – Eu nunca achei que iria ao seu casamento um dia.

Igneel riu alto e puxou meu irmão para um abraço, que devolveu tão forte quanto.

— Eu também nunca imaginei que teria um filho de quase trinta anos que se recusa a sair de casa. Eu acho que estamos quites.

— Ah, pai! Qual é! Falta quatro anos ainda… Arredonda pra vinte e cinco mas não fala trinta, por favor. – Zeref parecia extremamente ofendido, enquanto meu pai se divertia ainda mais.

Ele já tinha problemas com a idade desde sempre, mas acredito que veio a piorar depois que ele começou a namorar a Mavis.

— É bem capaz de até o Natsu se casar e você continuar no meu pé. – Igneel murmurou, bagunçando os cabelos dele.

— Seus dias nunca mais seriam os mesmos depois que eu fosse embora, por isso ainda estou aqui prolongando sua felicidade. – Zeref zombou, se jogando ao sofá.

Quase no mesmo instante, Erza chegou em casa, e Lucy e Michelle vieram logo atrás. Elas ainda não estavam vestidas, como eu imaginei que seria, mas os penteados e a maquiagem já estava feito. E se Lucy já estava linda daquele jeito, eu não conseguia nem imaginar o quão perfeita ficaria com o vestido.

Elas passaram por nós apressadamente, como se estivessem super atrasadas, e todas foram para os seus quartos sem ao menos falar conosco.

Não me surpreenderia se elas sequer tivessem nos visto.

Longos minutos depois, que deu tempo de eu preparar algo para comer e repetir, as três desceram de novo, já com seus vestidos. Os três eram iguais, mas era aquela mesma história do uniforme das líderes de torcida, na Lucy ficava infinitamente melhor.

Sem ofensas, irmãzinhas.

— Pai, a Layla pediu pra te perguntar se sua mala já está pronta. – Erza falou, se dirigindo até ele e arrumando sua gravata, sem que ao menos ele pedisse.

— Mala? Que mala? – Igneel perguntou, e instantaneamente Erza já ficou mal humorada.

— Pra lua de mel, pai! Vocês vão pegar o avião hoje a noite, se esqueceu?

Igneel fez uma careta e Erza revirou os olhos.

Claro que meu pai esqueceu. Como é que alguém lembraria de algo á poucas horas do casamento? Layla estava exigindo de mais de alguém que sequer sabia amarrar uma gravata, sendo que a usava todos os dias.

— Vamos logo arrumar suas coisas, eu te ajudo. – Erza começou a puxá-lo para cima, batendo o pé de forma irritada.

— Espera! Arrume minha gravata também, Erza. – A chamei, tentando soar tão desesperado quanto eu realmente estava.

— Peça pra Lucy, eu vou ajudar o papai. Estamos atrasados. – Ela gritou lá de cima.

Escutar aquela sugestão foi como música para os meus ouvidos. Virei-me para Lucy e ela aparentava surpresa pelo que escutou, se vendo sem saída.

— Você sabe? – Perguntei, e ela confirmou timidamente com a cabeça.

Não precisei dizer nada e Lucy logo já estava vindo em minha direção. Entreguei aquele pedaço inútil de pano em sua mão, e gentilmente ela passou em volta do meu pescoço, ajeitando-a embaixo da gola da minha camisa.

Por um momento eu me lembrei daquele maldito sonho em que ela invadiu o meu quarto, e fechei os olhos pra não dar indícios que eu estava amando aquela sensação.

— Eu não achei que você iria combinar com roupa social… – Ela murmurou, concentrada em dar o nó.

Aquilo me fez abrir os olhos no mesmo momento.

— Isso foi um elogio? – Perguntei, tentando disfarçar o sorriso que queria aparecer em meu rosto.

Mas ela não respondeu.

Ou talvez a careta que ela fez já era uma resposta.

— Você também está muito linda, se quer saber. – Sussurrei, pra que apenas ela ouvisse.

Lucy ruborizou e se afastou alguns centímetros, ajeitando a gravata e também o meu terno. Suas mãos passaram delicadamente pelo meu ombro, descendo por quase todo o meu braço, e seus olhos me mediram até os pés.

— O quê? Tem algo de errado? – Perguntei, também me olhando, um pouco preocupado que eu tivesse feito algo que não deveria.

— Não. Não, está tudo certo. – Lucy logo tratou de me acalmar. – É que… Minha mãe disse que sua roupa foi escolha sua, eu realmente não esperava por algo tão bonito. – Confessou, rindo um pouco embaraçada. O que me fez rir também.

Como Lucy estava de salto, agora estava da minha altura. Mesmo um pouco afastada, ela estava próxima o suficiente. Sua boca pequena, aberta em um meio sorriso, me convidava silenciosamente para um beijo. Seu penteado, muito bem feito, me chamava calmamente para desfazê-lo. E aquele pescoço branquinho clamava sigilosamente para que eu o marcasse.

— Lucy. – Ouvi meu irmão a chamando, me tirando de meu devaneio. Ela estava um tanto corada pela forma que eu a encarava, mas nada disse. – Você poderia me ajudar também, por favor? – Ele perguntou, se aproximando de nós e mostrando a gravata em sua mão.

Lucy sorriu gentilmente e pegou dele, fazendo o mesmo processo que em mim, tirando a parte em que ela alisou meus braços.

Zeref agradeceu satisfeito e passou ao meu lado sussurrando um “senhor óbvio”, o que me fez revirar os olhos e sorrir. Como discordar? Não havia sequer alguém que pudesse me defender, nem eu mesmo.

Michelle então surgiu ao meu lado, mas para minha surpresa, nenhum sorrisinho malicioso adornava o seu rosto. Pelo contrário, ela estava séria e parecia preocupada, e eu fui entender o porquê segundos depois, quando olhei para suas mãos e a vi carregando o estojo de seu violino.

O que me fez lembrar algo.

— Eu nunca te ouvi tocando. – Comentei, e seus olhinhos curiosos passaram a me fitar, mas sem realmente prestar atenção em mim. – Será que não rola uma palhinha agora?

— Não a desconcentre, Natsu. Minha irmã está nervosa, não vê? – Lucy me repreendeu, ficando de frente à sua irmã e a segurando pelos ombros, abaixando um pouco para que pudesse ficar do seu tamanho. – Ei, vai dar tudo certo. Nós vamos ensaiar antes pra você ver que não esqueceu nada.

— Mas e se eu esquecer na hora, Lu? – Michelle soou como se fosse chorar a qualquer momento, e até mesmo eu estava com vontade de confortá-la da maneira mais gentil.

— Você não vai esquecer! Se o Natsu consegue se lembrar de toda a coreografia, então você consegue tocar essa música até de trás pra frente.

E é claro que eu precisava ser o exemplo de superação, de uma forma ofensiva. Acho que as pessoas se esqueciam que eu era o melhor de Magnólia em basquete. Não era como se eu fosse um completo inútil.

Mas ao ver Michelle me olhar daquele jeitinho inseguro e esperançoso, eu tive que concordar com o que Lucy disse. Pelo casamento e pela apresentação.

— Vamos, vamos logo! Estamos atrasados, precisamos ir agora! – Erza desceu as escadas com o nervo á flor da pele. Meu pai apareceu logo atrás com uma cara de quem já não aguentava mais o estresse da minha irmã e precisava de ar fresco.

As meninas ficaram de ir no carro da Erza, enquanto eu e Zeref iríamos com nosso pai, aproveitando que ele precisaria do carro mais tarde, já que iria da festa direto para o aeroporto. O ajudei a por as malas dele e da Layla no porta malas, e então seguimos para a igreja.

Zeref acabou dirigindo, porque o nervosismo do Igneel estava o fazendo agir sem muita prudência. E eu realmente não queria morrer naquela noite.

Fomos os primeiros a chegar, e Bisca, a organizadora do casamento, já estava na porta nos aguardando. Nos explicou calmamente e repetidas vezes como tudo ocorreria, como entraríamos e o que faríamos. Depois de cerca de meia hora de conversa, nós fomos liberados para o fundo da igreja, onde tinha um grande espaço, para passarmos a coreografia com Michelle tocando seu violino.

Durante o ensaio, por um momento eu quase parei de dançar apenas para admirar o talento incrível que Michelle tinha. Era claro que ela estava nervosa, mas o nervosismo não afetou sua música em momento algum. Séria e concentrada, ela tocou do começo ao fim sem nenhum erro.

Mas o momento mais difícil pra mim, com certeza foi ter que dançar com Erza. Parecia mais que era ela quem me conduziria, sem contar que ela não tinha sutileza alguma pra dançar.

— Como é que o Zeref consegue dançar com você? – Reclamei, e recebi um pisão no pé de propósito.

— Ops. – Ela murmurou, sorrindo.

Foi inevitável não revirar os olhos.

E passando por aquela situação, também me lembrei de algo que não tinha muita conexão, mas eu queria lhe perguntar fazia um tempinho.

— Você e o Jellal… Está tudo certo? – Perguntei baixo, vendo-a sorrir minimamente.

— Tudo certo. Você e a Lucy…? – Devolveu, olhando-me curiosa.

— Tudo certo. – Respondi da mesma forma, não conseguindo disfarçar totalmente minha insatisfação.

— Mesmo? – Perguntou novamente, franzindo o cenho. – Parecia que vocês estavam flertando ontem… Eu jurei que ia rolar um beijo.

— As circunstâncias não estavam tão favoráveis, no fim. – Dei de ombros, bufando. O que fez Erza rir.

— Então você está confirmando minhas suspeitas?

— Talvez.

Ela ficou me encarando por longos segundos, provavelmente pensando em algo pra falar ou tentando decifrar se eu estava dizendo a verdade. Não sei. Só sei que aquele olhar penetrante dela me deixava sempre muito sem graça.

— Você gosta da Lucy? – Ela finalmente perguntou, agora com uma atenção redobrada á minha resposta.

— Muito. Eu gosto muito dela. – Admiti, tendo total consciência de que eu estava ficando ruborizado naquele momento. O que me fez abaixar a cabeça, ainda mais embaraçado.

— Essa definitivamente não era a resposta que eu esperava ouvir. – Erza soou extremamente surpresa, e eu até podia entendê-la. – Você está diferente, Natsu.

— E isso é algo ruim? – Perguntei, também surpreso ao ouvir aquilo.

— Não, claro que não! Pra quem detestava a ideia do papai se casando e hoje está aqui participando desse momento… Você amadureceu muito nesse tempo. Eu fico realmente feliz e orgulhosa.

E como se estivéssemos em perfeita sincronia, a música acabou nesse exato momento. Mas Erza não me soltou. Na verdade, ela me puxou ainda mais para perto de si e me abraçou. Um abraço forte e confortável que eu não recebia dela fazia muito, muito tempo.

Erza já era naturalmente do meu tamanho, mas naquele dia usando salto ela estava um pouco maior, então seus braços envolveram os meus ombros. Uma de suas mãos se enroscaram em meus cabelos da nuca e sua bochecha se encostou á minha, deixando sua boca próxima ao meu ouvido.

— Eu te amo, pirralho. – Ela sussurrou, me surpreendendo completamente. – Parece que você esqueceu que eu sou sua irmã, não conversa mais comigo. – Confessou, me deixando ainda mais sem reação.

Eu não consegui retribuir o abraço porque logo ela me soltou, mas pude notar que seus olhos estavam marejados, como se ela estivesse a ponto de chorar.

— Você está nos dias de garota, não é?! – Perguntei, porque aquela realmente era única explicação para aquele momento todo.

E claro, eu recebi um soco em meu braço, que eu tenho que admitir que doeu pra caralho. Infelizmente Erza tinha uma mão pesada, e isso com certeza não foi herdado de nossa mãe.

— Eu estou falando sério, idiota. – Ela ficou mal humorada instantaneamente, fazendo-me rir. – E talvez eu esteja nos dias de garota, mas não vem ao caso… – Admitiu, fazendo biquinho. – A questão é que agora você só conversa com a Michelle ou com o Zeref. Acha que eu não percebo que me esqueceu totalmente?

Ouvir aquilo me fez sentir culpado, porque era verdade. Assim como fazia muito tempo que eu não conversava com Zeref, fazia ainda mais tempo que eu não conversava com Erza. Principalmente depois que ela começou a compactuar com a Layla indo para Nova Iorque em viagens com o Igneel.

É, eu era um idiota meses atrás.

Por isso, como um pedido de desculpas, a abracei de volta, esperando que ela não me batesse ou negasse.

— Desculpa, Erza-nee. Eu também te amo, sabia?! – Falei, tentando ao máximo me segurar para não começar a rir.

— Se me amasse teria conversado comigo sobre você e a Lucy… Acha que eu não sei que o Zeref já sabe? Ou que a Michelle sabe? Por que eu tenho que ser a última? – Ela continuou fazendo birra, e por um momento eu achei que ela começaria a bater o pé e se jogaria ao chão, como uma criança chamando atenção dos pais.

— Você também não me contou quando começou a sair com o Jellal. – Devolvi, cruzando os braços e tentando não me deixar influenciar pela pena de vê-la ali choramingando.

Ela havia feito o mesmo, não foi?!

Não que tenha passado pela minha cabeça me vingar. Na verdade, eu sequer tinha considerado aquilo até aquele momento. A questão era, Erza não estava em posição de me exigir nada quando ela tivera feito a mesma coisa.

— Ela não te contou porque fui eu que pedi. – Escutei alguém atrás de nós.

Me virei contrariado, já imaginando quem encontraria, mas não era como se eu esperasse vê-lo ali. Pelo menos não na cerimônia.

— Jellal! – Erza também pareceu surpresa, e foi até ele para que pudesse abraçá-lo. – Você disse que não daria pra vir!

— Porque eu achei que não. Na verdade, eu vou ter problemas com os meus pais por isso, mas essa parte eu resolvo mais tarde.

— Você sabe que eu não quero te trazer problemas com os seus pais, Jellal. – Erza falou, como uma bronca.

Ele apenas sorriu divertido e deu um rápido beijo em minha irmã pra desconversar, fazendo-me revirar os olhos e dar as costas, pra fugir rapidamente daquele momento nada legal pra mim.

Gray, Juvia, Ur e Ultear chegaram minutos depois, e foi aliviador vê-los.

— Tia Ur! – Fui cumprimentá-la, recebendo um forte abraço.

— Natsu! Que saudades, querido. – Ela me segurou pelos ombros. – Você e o Gray brigaram? Faz tempo que não aparece lá em casa. – Ur murmurou, olhando brava para o Gray.

— Não brigamos não, esse idiota não viveria sem mim. – O puxei pelo ombro, lhe abraçando parcialmente e sorrindo, enquanto ele revirava os olhos. – Eu estava de castigo. Mas logo eu vou lá te alegrar com minha presença, tia.

Ela sorriu, concordando com aquilo, e então fui cumprimentar Juvia e a diaba, vulgo Ultear.

Fiquei batendo papo com o Gray por um tempo enquanto os convidados iam chegando, porque até o casamento realmente começar, eu não teria nada pra fazer.

Não demorou muito e logo os pais da Levy, ela e seu namorado chegaram, o que deixou Lucy extremamente animada, e depois apareceu Lis e toda sua família.

Como era um casamento pequeno, somente os amigos mais próximos e alguns familiares compareceriam. O que me deixava particularmente feliz, porque já bastava o mico que seria ter que fazer a dança da Layla.

Ou ser pajem, coisa que eu ainda não estava muito conformado também.

Logo que chegaram todos os convidados, e meu pai já estava uma pilha de nervos pra lá e pra cá, a organizadora chamou todos nós, tia Ur e um amigo do meu pai, que eram os padrinhos do Igneel, e os pais da Levy, que eram os padrinhos da Layla. Reuniu nós no começo da igreja para nos arrumar conforme nossa entrada, e colocou os músicos para tocar.

— A noiva já chegou e está só esperando o meu sinal pra poder entrar, então vamos começar. – Ela nos avisou, o que só serviu pra deixar meu pai ainda pior.

— Layla já está aqui? Onde? Eu quero vê-la! – Igneel se desesperou, já querendo arranjar uma forma de sair da igreja.

— Calma, pai! Fique quieto, pelo amor de Kami! – Erza segurou forte em seus ombros, e vi Igneel fazendo uma careta com isso.

— Logo logo você vai vê-la, senhor Dragneel. – Bisca falou, se divertindo ao máximo em vê-lo daquela forma. – Vamos às ordens de entrada que eu falei, por favor.

Erza se colocou ao lado do Igneel, já que eles entrariam juntos e primeiro que todo mundo, depois os padrinhos ficaram atrás, então eu e Lucy, e Michelle atrás de nós, segurando um pequeno cesto de palha cheio de pétalas de flores.

Quando foi autorizada a entrada do meu pai e Erza e eles foram, recebidos por vários flashes de câmeras, uma música chata e vários sorrisinhos dos convidados, Bisca abriu a porta de uma discreta sala ao nosso lado, e Layla estava “escondida” ali, esperando que Igneel saísse para se colocar em posição.

— Mamãe! – Lucy logo a viu também, indo lhe abraçar. – Você está tão linda! Eu nem estou acreditando que está acontecendo mesmo…

Layla sorriu meio emocionada, com os olhos marejados, e então a organizadora apareceu rapidamente com um lenço em mãos.

— Nada de chorar, Layla! É seu grande momento, você não pode borrar a maquiagem.

Layla sorriu, meio sem graça, aceitando o lenço e secando cuidadosamente uma lágrima teimosa que escapou.

— Eu também não acredito que está acontecendo, querida. – Ela sussurrou, pegando seu buquê e entrelaçando o braço ao do Zeref, que a acompanharia pelo tapete vermelho.

Como toda noiva em seu dia, Layla estava linda. Não que eu fosse muito de reparar em detalhes, mas aquele vestido ficava realmente bem nela. Talvez se ela usasse vestido de noiva todos os dias, sequer ficaria estranho, porque ela parecia ter nascido pra usar aquele tipo de vestimenta.

Será que Lucy ficaria tão linda assim de noiva também?

Não que aquele tipo de pensamento precisasse de uma resposta agora. Eu tinha a impressão que demoraria a vê-la assim, mas provavelmente valeria a pena.

A não ser que eu não fosse o noivo.

É, eu estava precisando tomar um ar, porque minha linha de raciocínio estava saindo de meu controle. Como diabos eu estava pensando no meu próprio casamento? Eu não tinha sequer terminado o ensino médio.

Pior, eu sequer tinha algum tipo de relacionamento com Lucy que podia me dar uma dica de que realmente terminaríamos juntos dessa forma.

— Sortudo sou eu que vou acompanhá-la até o papai. – Zeref comentou, fazendo Layla rir de nervoso, e eu sair de meus devaneios loucos.

— Papai estava ficando doido longe de você, mamãe. – Michelle falou, rindo.

E eu fiquei extremamente surpreso ao vê-la chamar Igneel de pai. Não de uma forma ruim, claro. Aquilo era uma surpresa agradável, e eu tinha certeza que Igneel choraria de emoção do jeito que estava se a tivesse escutado.

— Lucy! Natsu! Coloquem-se em seus lugares, já vai ser a vez de vocês! – Bisca nos deu uma bronca, da qual eu acabei ignorando.

Me dirigi até Layla, observando que apesar de ela não demonstrar tanto, ela também estava uma pilha de nervos. Lhe dei um abraço que a pegou desprevenida, e por um momento até eu não sabia exatamente o que diabos eu estava fazendo.

Foi tudo muito automático.

— Sei que você e meu pai vão ser muito felizes. – Comentei em um sussurro perto de seu ouvido, no que fez ela me abraçar ainda mais forte e sussurrar um “obrigada, querido”.

— Natsu! Lucy! Vamos, vamos! Hora de entrar! – Bisca cortou nosso clima, apressando-nos ainda mais. – Fiquem ao lado esquerdo da noiva, não esqueçam!

Coloquei-me ao lado de Lucy, que a pedido da organizadora, entrelaçou o braço ao meu, e então começamos a entrar.

Era engraçado estar naquela posição. Ser observado por todos os convidados, ver meu pai lá na frente com aquela cara de bobão que choraria a qualquer momento, a banda logo atrás dele, os padrinhos em ambos os lados. A única parte boa daquele momento, provavelmente, era que Lucy estava comigo.

Antes que eu pudesse ficar ao lado dos padrinhos da Layla, observei Lisanna, Gray e Jellal juntos, e os três insinuando com o olhar que eu estava adorando aquele momento com a Lucy. O que eu podia fazer? Meus amigos me conheciam.

Depois de nós, foi a vez da Michelle, que entrou toda nervosa e por um momento quase esqueceu que precisava jogar as pétalas ao chão. E por conta disso, andou um pouco mais rápido do que deveria e foi questão de segundos pra ela estar ao nosso lado também.

— Respira, pirralha. Não é você que está se casando. – A provoquei, e ela me mostrou a língua, fazendo-me rir.

Instantaneamente, a banda mudou de música para aquela clássica de entrada de noiva, e todos os convidados se puseram em pé. Meu pai se agitou mais ainda em seu lugar, e eu estava vendo a hora que iria ele mesmo buscar Layla.

Vi ela, lá ao fundo ao lado do Zeref, sorrindo nervosa. Todo o caminho seus olhos não se desviaram uma vez sequer do meu pai, e ele estava impossivelmente mais bobão ainda. Quando Igneel foi buscá-la, primeiro deu um forte abraço em meu irmão, e então pegou Layla pela mão e lhe beijou ali, entrelaçando seus braços e indo sorridentes até a frente do cerimonialista.

O que veio a seguir foi um grande e chato discurso sobre amor e duas pessoas se unindo como um só, e coisas desinteressantes da qual eu ignorei completamente.

— Luce… Seu tornozelo não está doendo com esse salto gigante? – Sussurrei perto de seu ouvido, afim de não atrapalhar a cerimônia.

— Está. – Ela fez uma careta e apertou meu braço ao qual estava entrelaçada, como se quisesse deixar claro que realmente doía. – Mas eu ainda não posso tirar. Só depois que dançarmos.

— Sugiro que fuja comigo na próxima vez que eu pedir, assim você não vai cair e torcer o pé de novo. – Falei, usando aquelas exatas palavras justamente para deixá-la sem graça.

O que funcionou perfeitamente.

— Por que está dizendo isso com segundas intenções? – Ela devolveu, tentando parecer irritada.

— É, eu falei com segundas intenções, mas não foi de forma maliciosa. – Dei de ombros. – Só quis dizer que tudo seria diferente se simplesmente fugíssemos juntos, talvez assim você não precisaria se preocupar com o que sua mãe pensa de nós. – Acrescentei, sem saber de onde tinha saído tanta coragem pra dizer coisas como aquelas.

No mesmo segundo Lucy ficou completamente ruborizada e seus olhos se arregalaram em minha direção, não acreditando no que tinha ouvido. Ela quis soltar o braço do meu, mas segurei-o delicadamente e mostrei com o olhar a câmera que estava vindo em nossa direção gravar tudo. Sorri como se nada tivesse acontecido, enquanto ela ainda digeria o que eu havia acabado de dizer.

Se não estivéssemos no meio da cerimônia, claramente eu já teria dado uma risada exagerada diante a sua reação.

— Eu já disse que não existe a possibilidade de “nós”. – Ela sussurrou furiosamente assim que a câmera se foi, apertando o meu braço.

— Eu não acredito muito em você. – Desdenhei, vendo-a ficar ainda mais irritada.

— O que foi que deu em você pra começar a dizer essas coisas sem sentido, de repente? – Ela perguntou, enquanto seu rosto continuava tão ruborizado quanto antes.

— Não me importo mais com o que Layla acha ou não. Eu a escutei e deixei ela ser feliz com meu pai quando eu criava problemas, então ela vai ter que me dar a mesma oportunidade. – E então a olhei sério, mantendo um contato olho no olho, da qual Lucy não conseguiu desviar. – E eu sei que você só continua negando por causa dela.

Nesse momento, nossa atenção foi chamada pelo cerimonialista que pedia as alianças, e uma delas estava comigo, a que Layla colocaria em meu pai.

Foi muito contra minha vontade que tirei minha atenção de Lucy e nossa pequena discussão para entregar a aliança pra Layla, enquanto Zeref entregou a que estava com ele ao meu pai.

Foi tudo bem rápido a partir de então. Eles fizeram suas juras de amor, abraçaram os padrinhos e nós, os filhos, e logo já estávamos nos retirando conforme as ordens da Bisca. Quando vi, já estávamos entrando no carro da Erza para irmos até o local da festa, umas duas quadras dali.

Lucy quis fugir de mim assim que se viu livre da cerimônia, mas propositalmente Michelle a fez se sentar ao meu lado no carro. Não que eu tenha me aproveitado disso, mas não posso mentir que não fiquei feliz por tê-la ao meu lado toda a noite.

Agora a noite só iria começar, e tínhamos muito chão pela frente.

Notas finais
É, hoje teve vários abraços, bastante amor em família, um Natsu um tanto cara de pau... SAHUSAHUAs' Eu vou ser bem breve aqui pq estou extremamente cansada e com sono! Eu não sei como meus olhos estão abertos ainda, sério... São 2:40 agora, e eu tive alguns problemas pra fazer a revisão desse capítulo... Achei que ia conseguir postar e responder todos os comentários do capítulo passado, mas não vou conseguir, eu tenho a impressão que vou dormir em cima do teclado a qualquer momento. Por isso, peço desculpas antecipadamente! Hoje, quinta-feira, pela tarde (ou noite, talvez) vou responder todos vocês, prometo! Os comentários do capítulo passado e os desse, porque sexta eu vou viajar e só volto segunda ;D Enfim... Todos os personagens terão mais participações no capítulo da semana que vem, que é a festa. Juvia, Levy, Gajeel, Jellal, Lis, todos esses secundários super fofos que amamos ♥ (ou não, vai saber :P) O de hoje mesmo foi uma coisa mais familiar, foi um momento mais das Heartfilia e dos Dragneel, então não quis incluir mais que isso ♥ Espero muito que vocês tenham gostado, obrigada por me aturarem até aqui e ter tanta paciência comigo e muito obrigada por todo o apoio, desde os comentários até os favoritos/acompanhamentos ♥ Amo vocês ♥ Até quinta que vem >3