Troublemaker

31 Proposta Aceita!


Notas iniciais
Oláaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa meus amores ♥♥♥ Vocês estão bem? Segunda fase de Troublemaker oficialmente começou, YEEEEEEEY õ/ Sim, eu tô animada. :P Enfim! Vou começar agradecendo os acompanhamentos novos, os velhos que ainda continuam, as reviews, as recomendações, o pessoal que indica Troublemaker pros coleguinhas, todos vocês que me apoiam e me ajudam de alguma forma ♥ Eu fico imensamente agradecida, e isso com certeza é algo que me ajuda a ter mais pique pra escrever ♥ Também gostaria de avisar que eu não vou desistir de Troublemaker, ok?! Eu tenho um compromisso com a fic e com vocês! E mais que isso, obrigada por todos compreenderem minha decisão de postar uma quinta sim, uma quinta não! Isso me deixou tão aliviada, sério! ♥ Mas chega de tagarelar... Hoje, vocês vão ver um lado do Natsu que não estava assim tão aparente no decorrer do enredo... Nessa segunda fase, ele vai fazer jus ao nome da fic ;D Então vamos lá... Boa leitura *3*

Logo depois que Igneel e Layla foram embora da festa, pedi ao meu irmão que me levasse para casa, já que eu teria que acordar cedo para viajar também.

Não escutei quando todos voltaram pra casa, tampouco os vi quando acordei e fiquei arrumando minhas coisas para ir pra Fairy Tail. Mas não me surpreendia, pra falar a verdade.

Deixei um recado na geladeira informando onde seria o jogo e que horas começaria, esperando que ao menos considerassem a ideia de irem me ver, afinal, era um jogo importante, que decidiria se nosso time iria pra final ou não.

Já estava pronto para sair, quando, para minha total surpresa, desce da escada um Jellal todo desgrenhado e semi nu, somente de cueca.

E não preciso nem dizer que o sangue me subiu no mesmo instante.

— Que porra é essa? – Perguntei entre dentes, e só então ele pareceu perceber minha presença.

Seus olhos se arregalaram, e ele ficou sem saber o que responder por algum tempo. Segurou firme no corrimão e ficou olhando discretamente ao redor, provavelmente pensando em algum plano de fuga.

Larguei minha mochila sem o menor cuidado onde eu estava, e andei com passos pesados em sua direção, o jogando na parede.

— Você dormiu com a minha irmã, seu imbecil?

Aquilo era o fim da picada. Namorar Erza, tudo bem, eu estava relevando, não estava? Mas dormir com ela, e ainda por cima em um quarto próximo ao meu? Aí ele já estava pedindo pra apanhar, e muito.

Jellal ficou quieto, apenas engolindo em seco.

— Me responde, caralho! – Gritei, o empurrando mais forte contra a parede.

— Natsu! – Erza logo apareceu, descendo as escadas correndo e se colocando de frente ao Jellal. – O que acha que está fazendo?

— Eu que te pergunto isso! Pelo amor de Kami, eu não acredito que você transou com ele. No quarto ao lado do meu, ainda!

— E o que isso diz respeito á você? É sua vida sexual? – Ela devolveu, olhando-me irritada. – Caí fora daqui e pare de agir como criança. Se tentar bater no Jellal, eu arranco teu braço fora.

Ficamos ali, longos e longos segundos, nos encarando raivosamente e trocando farpas, enquanto Jellal sequer ousou se mexer ou se pronunciar. Eu odiava quando minha irmã fazia isso. Odiava com todas as forças.

Com meu humor na casa do caralho, me dirigi até onde joguei minha bolsa e a coloquei de volta em meu ombro, saindo de casa.

— Se você não estiver na escola em dez minutos, eu te tiro do time! – Avisei Jellal, sem qualquer resquício de paciência em minha voz. – E hoje você fica no banco, imbecil. – Falei, batendo a porta com força.

***

Claro que foi uma ideia arriscada ter colocado Jellal no banco. Infelizmente ele era um dos nossos melhores jogadores, não era a toa que estava no time principal. Mas eu fiquei irritado na hora em que o vi naquela situação, e tomei aquela decisão não somente pra descontar minha frustração nele, mas na Erza também. E apesar de agora estar um pouco arrependido de não poder contar com o Jellal em um jogo importante, meu orgulho era maior e eu não daria meu braço a torcer.

Droga, por que eu ainda tratava Erza como se fosse uma irmã mais nova que precisava de cuidados? É claro que ela já fazia essas coisas, ela era três anos mais velha que eu. Se eu já fazia, quem dirá Erza, que sempre foi bem mais pervertida que eu e meu irmão juntos.

Mas de qualquer forma, eu não pediria desculpas. A culpa era toda e somente dela.

Convencer o treinador de que o Jellal precisava ficar no banco foi fácil. Precisei somente dizer que o vi bebendo na festa de casamento do meu pai, e pronto, Jellal estava oficialmente fora do jogo. Mas agora eu xingava o treinador por ter acreditado tão facilmente em minha mentira.

Felizmente Jellal levou a sério meu recado de estar na escola em dez minutos, e ele até mesmo chegou adiantado, de carona no carro da minha irmã. Erza ficou me olhando ameaçadoramente, e parecia estar me mandando um recado mental de que me mataria assim que eu voltasse, mas a verdade era que eu tava pouco ligando pra ela e suas ameaças.

Para minha sorte ela não desceu do carro e criou confusão ali mesmo, porque conhecendo minha irmã, ela faria aquilo sem problema algum.

Jellal passou por mim sem ao menos me encarar, e assim que o treinador o viu, o puxou para lhe dar uma longa bronca sobre beber na véspera de um jogo importante.

Gray tinha realmente sorte que eu não queria me vingar dele, ou ele estava ferrado na mão do treinador também.

Após um tempo reunidos, com todo nosso time completo e os outros competidores também no pátio conversando entre si, poucos minutos antes de nós sermos mandados para os ônibus avistei Mavis vindo alegremente até a minha direção, parecendo uma criança.

— Bom dia, Natsu-san! Como foi o casamento? – Ela perguntou docemente, me abraçando assim que me cumprimentou.

Fiquei um tanto desconcertado com aquela mania da Mavis que eu ainda não estava acostumado, mas a abracei de volta também. Não desconcertado pelo abraço em si, já que a Lis me abraçava o tempo todo, mas sim por ser a Mavis, minha cunhada que eu conhecia há tão pouco tempo.

— Bom dia, Mavis. Foi divertido. – Me limitei a dizer, sem realmente saber o que falar sobre a festa. “Divertido” não parecia a palavra certa, mas eu não estava exatamente em meu melhor momento pra analisar e escolher uma palavra que resumisse tudo. – Você vai competir hoje? – Perguntei, não evitando minha surpresa em vê-la.

As competições de jóquei raramente aconteciam em outra cidade, por ser muito trabalhoso deslocar os cavalos conosco. Precisava de todo um cuidado e carros especiais, e nem sempre a Fairy Tail tinha – ou queria – bancar tudo aquilo. Eu sabia que não teria competição para os jóqueis naquele dia, então estava mesmo curioso da presença da Vermilion ali.

— Não, na verdade eu só vou pra dar suporte ao pessoal. O Zeref disse que apareceria por lá, e eu não queria ficar em casa fazendo nada. – Ela deu de ombros, sorrindo sapeca.

O que me fez rir.

— Então vai torcer por mim hoje? – Questionei, bagunçando seus cabelos e a assistindo fazer um bico de descontentamento ao meu ato.

— Não mais depois disso!

E então ri de novo, mais alto.

— Tudo bem, eu posso sobreviver com essa. Só não vá virar a casaca de novo quando a Fairy Tail ganhar. – Avisei, e ela me mostrou a língua.

— Está muito confiante pra quem desfalcou o time propositalmente. – Mavis comentou, me desconcertando por ela saber sobre aquilo. – Não me olhe desse jeito, o Zeref que me contou o que aconteceu.

— Ah, ele estava acordado então… – Murmurei.

— Não. Erza acordou ele aos berros falando que ia matar você por ser tão criança. E ele ficou bravo, disse que também te mataria por tê-lo feito acordar com os berros da Erza. – E então ela tampou a boca, disfarçando um risinho. – Eu acho que você está muito encrencado, Natsu-san.

— E pelo jeito você vai ficar nos bastidores se divertindo com isso. – Resmunguei, e ela não conseguiu mais segurar a risada. – Obrigado, Mavis. Nada como uma cunhada tão fofa como você. – Comentei ironicamente.

— Claro, conte sempre comigo. – Ela sorriu, me abraçando novamente. – Aliás, será que tem espaço no seu ônibus pra mim? Eu realmente gostaria de sentar do seu lado e saber com detalhes sua noite com a Lucy ontem… – Mavis falou sugestivamente.

— Meu irmão fofocou isso também?! – Perguntei incrédulo, e ela riu, concordando com a cabeça. – Tudo bem, eu te conto.

***

Duas horas de viagem passaram voando com Mavis ao meu lado, já que ela gostava bastante de falar. Ao menos ela era legal e os papos nunca eram desinteressantes, ou a companhia dela só me faria querer me jogar pela janela.

Assim que chegamos, fomos direcionados para algumas salas da escola, onde serviram-nos um belo de um café da manhã. Como não passaríamos a noite naquela cidade, porque o jogo seria no começo da tarde, teríamos que nos acomodar na escola mesmo.

Mavis foi chamada por algumas amigas e se despediu de mim, dizendo que nos falávamos antes do jogo, e logo Gray apareceu me puxando para um canto, me olhando esquisito.

— Por que diabos você e Mavis Vermilion estavam conversando no ônibus como velhos amigos? – Ele perguntou, franzindo o cenho.

— Está com ciúmes, Gray? – Devolvi, franzindo o cenho também.

Ele me olhou incrédulo e começou a negar com a cabeça, então comecei a rir.

— Isso fica só entre a gente, tá?! Ela é minha cunhada. – Expliquei, abaixando consideravelmente o tom de voz.

E então recebi outro olhar milhões de vezes mais incrédulo que antes.

— Sem essa, Natsu. – Gray murmurou, olhando na direção em que Mavis estava, e depois pra mim. – Mavis e Zeref? – E então olhou pra ela novamente. – Mavis? Você tem certeza disso?

— Não, Gray. Na verdade, ela namora comigo. Hoje faz sete meses, inclusive. – Respondi sarcasticamente.

— Muito engraçadinho. – Ele revirou os olhos. – Enfim, foda-se isso, eu quero falar do jogo de hoje. – Gray mudou totalmente o tom de voz, passando a ficar sério. – Que merda passou pela sua cabeça quando você decidiu que o Jellal tinha que ficar no banco? Você sabe que estamos na semi final, não sabe?! Você é nosso capitão, Natsu. Não pode deixar sua vida pessoal atrapalhar nas decisões do melhor pro time. Você acredita mesmo que é melhor pra gente que o Jellal não jogue hoje? Nós vamos simplesmente perder nosso melhor ala porque você o viu dormindo com sua irmã?

— Você se escutou falando e percebeu o quão desrespeitoso isso soou saindo da sua boca? – Questionei, realmente me incomodando com aquela sua última frase. Qual é, o Jellal precisava mesmo ficar espalhando a situação por aí? Ele queria jogar ou me deixar mais irritado? – E você também é ala, Gray.

— Sou, mas isso não quer dizer que posso fazer tudo sozinho. Nós vamos perder, Natsu! – Ele falou, um pouco mais alto. – Coloque o Jellal no jogo, depois arrebente a cara dele, faça o que você quiser. Só coloque ele pra jogar e pronto!

— Não somos dependentes dele, Gray. Existe gente no banco esperando essa oportunidade pra jogar. – Devolvi no mesmo tom, já que eu não apreciava muito receber ordens dessa forma. Ou de qualquer outra. – Todos são substituíveis nesse time, até mesmo eu.

— Natsu, cara! Se você quer dar uma lição no Jellal por dormir com sua irmã, ótimo, legal mesmo que você se preocupe com a Erza, mas já deveria ter feito isso no último jogo, então. Esqueça isso e coloque o Jellal pra jogar!

Espera… O quê?

— Você… Como é que você sabe dessas coisas e eu não? – Perguntei, um pouco mais chocado do que bravo.

Por que as coisas aconteciam e eu só ficava sabendo depois de tanto tempo?

— Jellal é meu amigo, e seu também, se você se esqueceu. Agora anda logo com isso e…

— Se fosse meu amigo, eu estaria sabendo disso antes.

— Claro, até porque você chegaria em mim e me falaria como foi bom dormir com a Ultear, não é?! – Ele revirou os olhos, me puxando até poucos metros de onde o treinador estava. – Agora vai lá e fala que você é um babaca e estava querendo se vingar de uma coisa idiota. Põe o Jellal no jogo.

— Ele usou mesmo essas palavras? – Perguntei, fazendo uma careta. – Ele disse como era bom dormir com a Erza?

— E isso tem importância agora, Dragneel? Eles foderam, cara.

— Você está falando da minha irmã, Fullbuster. Mais respeito. – Grunhi, socando-o. – E o Jellal não vai jogar, eu já disse. Não vou voltar atrás com minha palavra, principalmente agora. Nós temos três alas no banco, e mais um em quadra, Gray. Jellal não é jogador de posição exclusiva na Fairy Tail, sinto muito por isso.

Gray suspirou pesado e me olhou um tanto decepcionado, no que eu dei de ombros.

Eu disse, não daria o braço a torcer.

— Ok, Dragneel. Tudo bem. Mas se perdermos hoje, a culpa vai ser toda sua! E isso vai refletir em muitas coisas, você sabe. – Ele também deu de ombros, e se dirigiu para o outro lado da sala, com o pessoal do time.

Pensei um pouco no que ele estava querendo dizer, e logo percebi que era algo que eu não deveria nem ter cogitado esquecer.

— Merda, Gray! – Queixei-me, querendo chutar a primeira coisa que visse.

Eu odiava quando ele tinha razão.

Embora eu não corresse atrás quando dava minha palavra, aquele era um caso muito específico que eu não poderia simplesmente ignorar. Gray se referia aos olheiros que estariam presentes junto aos torcedores hoje. Aquela era uma das nossas grandes chances de sermos reconhecidos para ganhar bolsas, e seria um grande problema para o Jellal se ele estivesse no banco, ou para o time todo caso nós perdêssemos.

Eu podia ser cabeça dura, mas não a esse ponto. Não ao ponto de arriscar o futuro de todos, e principalmente dos meus amigos.

Por conta disso, dirigi-me à passos pesados até o treinador, jurando por dentro que faria Gray pagar por me fazer passar por esse papel de trouxa.

Não foi fácil convencer o treinador de que eu mentira mais cedo sobre Jellal bebendo, mas também não foi impossível. Felizmente eu tinha uma ótima lábia, por isso todos me levavam a sério quando eu dizia que podia tirar qualquer um do time o momento que eu quisesse, se fizessem merda.

Mas, pior do que me dirigir ao treinador pra colocar o Jellal no time, foi ter que ir informar o próprio que ele iria jogar. Parecia que a cada segundo que passava, eu ficava ainda mais ridículo.

Jellal estava ao celular, sozinho em um canto da sala, e parecia sério. Não se surpreendeu ao me ver, e tampouco me deu alguma importância.

— Eu tenho que ir agora. Ahan. Ahan. Eu não sei, Erza. Ahan. Natsu? Ele tá na minha frente agora mesmo. Ahan. Ahan. – Então ele me estendeu o celular. – Ela quer falar com você.

— Erza? Eu não vou falar com ela, não mesmo. – E sem cerimônias, tirei o celular de suas mãos e desliguei a chamada, vendo-o arregalar os olhos exageradamente. – Pare de fazer essa cara, ninguém vai morrer por isso. – Então senti o celular vibrando, e vi que era outra ligação dela, e por dentro eu comecei a rir ao imaginar o quão brava Erza estava comigo. – Escuta... Gray veio conversar comigo e me fazer perceber que eu ia fazer uma merda. Não porque é um jogo de semi final, mas sim porque terão olheiros. E eu não sou idiota de arruinar nossas chances assim... Você é meu amigo, e eu quero que você ganhe a bolsa tanto quanto eu quero pra mim. Por isso, eu te coloquei de volta no time, e espero que fique tudo certo.

Jellal não pareceu feliz escutando aquilo, e essa minha ideia só se tornou mais certeza quando ele suspirou pesado e se sentou a um banco próximo de nós.

— A questão não é me colocar pra jogar hoje, Natsu. A questão é que eu não posso ficar tolerando você fazer coisas assim impulsivas toda vez que descobrir algo diferente sobre mim e a Erza. Obrigado por me colocar de volta, mas isso não significa nada, muito menos que “vai ficar tudo certo”. – ele falou, fazendo aspas no ar. – O que vai acontecer, quando, sei lá, a gente decidir um dia que vamos morar juntos? Vai boicotar minha inscrição na faculdade? Vai fazer me expulsarem? Eu não quero ter que arranjar encrenca com você toda vez que algo novo rolar no meu namoro e você descobrir. – Jellal queixou-se, me olhando sério. – O que mais eu preciso fazer pra você entender que eu amo sua irmã? Eu amo ela, cara! De verdade.

Sentei-me ao seu lado e me coloquei a pensar. Eu não gostava muito quando me diziam coisas que contrariassem as minhas atitudes, mas naquele caso seria imaturo da minha parte se eu não parasse e pensasse.

A questão não era não gostar do Jellal namorando minha irmã. Ele era meu amigo, e mesmo que não parecesse, eu gostava dele. A questão mesmo era ver minha irmã namorando. E pior, sendo mais íntima do que deveria com o namorado.

É, não posso mentir, eu era um irmão ciumento.

Mas ela era mais velha, e Erza sabia o que fazia. Além do mais, do jeito que ela era louca, mataria o Jellal no mesmo instante se ele fizesse alguma merda.

E vamos ser sinceros, se fosse um outro cara qualquer, provavelmente já teria caído fora desse relacionamento sem pensar duas vezes. E nem por ter problemas comigo, mas sim com a própria Erza, que era um pé no saco.

E Jellal estava aguentando Erza e eu, com meus chiliques ciumentos, tudo ao mesmo tempo. O que dava até pra garantir uma medalha de cara mais valente do ano.

— Nem com o seu pai eu tive problemas… Pedi permissão pra ele e pra Layla pra namorar sua irmã e eles ficaram felizes. Toda a bagagem da família de pegar no meu pé está com você, meu melhor amigo. – Ele murmurou sarcasticamente, rindo sem humor.

— Faço isso pela minha mãe também, ela faria o mesmo. – Dei de ombros, tendo plena certeza que ela me daria muitas broncas, na verdade.

— Acho que não, todas as mães me amam. – Ele se gabou, sorrindo grande pra mim.

— Miyuki nunca cairia na sua lábia, idiota.

A verdade era que parecia até uma ofensa imaginar aquilo acontecendo.

— A Ur gosta de mim, a Layla também. Tenho certeza que não seria diferente com Miyuki.

— A Layla gosta de todo mundo, isso nem é uma comparação válida.

— Menos de você como genro. – Ele disse, num sussurro propositalmente alto pra que eu escutasse.

— Vai á merda, Jellal.

— Eu acho que até você conseguir conquistar a Lucy e a Layla, eu já estarei casado e com filhos. E vou precisar explicar a eles que o tio babaca é um pervertido que namora a meia-irmã. Na verdade, acho que vou pedir uma ordem de restrição pra eles não terem que ver essa sua cara feia.

— Quanta troca de carinhos, vocês dois… – Gray comentou, aparecendo ao lado dos dois, revirando os olhos. – Pelo jeito, tá tudo certo pro jogo, né?! Jellal vai jogar?

— Vou, e vou arrebentar a cara do Dragneel em quadra, pra ele perceber que não pode simplesmente tirar o melhor jogador assim, sem mais nem menos.

— Melhor jogador? Por favor, você parece uma mula correndo, só sabe fazer uns passes. – Retruquei, dando-lhe um soco.

— E mesmo assim estou no time principal. Ou nossos reservas são muito péssimos, ou você não quer admitir que eu sou incrível no que faço.

— Os reservas… Eles definitivamente são péssimos. – Dei de ombros, e meus amigos começaram a rir.

— Certo, meninas, chega de brigas, vamos nos arrumar. Já liberaram o vestiário pra nós e o jogo começa em meia hora. – Gray avisou, então nos levantamos para acompanhá-lo.

***

Dez minutos antes do jogo começar, meus irmãos finalmente haviam chegado. Erza veio andando em nossa direção parecendo um mamute, do jeito que pisava pesado ao chão. Seu rosto parecia estar em chamas e ela apontava o indicador na minha direção, tão ameaçadoramente quanto se fosse uma espada.

— Como ousa desligar o celular na minha cara, idiota? – Ela perguntou entre dentes, e vi Zeref correndo rápido para alcançá-la e puxar Erza ao seu lado, afastando-a de mim.

— Calma, maninha. Você bate nele depois, deixa o Natsu inteiro pra jogar primeiro. – Ele falou, recebendo um olhar ameaçador de volta, a soltando rapidamente.

— Eu acho bom o Jellal estar na partida, ou eu te arranco osso por osso dessa sua costela e te faço engolir. – Ela esbravejou pra mim, dando as costas e indo se sentar.

Zeref suspirou pesado e revirou os olhos, me mandando um olhar de quem me culpava por aquele humor maravilhoso dela.

— Agora que ela finalmente colocou as ameaças pra fora, acho que vai ficar mais calma… – Meu irmão comentou, rindo. – Você precisava mesmo ter desligado o telefone na cara dela, Natsu? Sabe o quão infernal foi essa viagem por causa disso?

— Desculpa, maninho…

— Agora eu espero mesmo que o Jellal jogue, ou eu vou ter que me sentar longe dela pra continuar com minha sanidade mental.

— Não se preocupe com isso. Mas se não quiser correr riscos, a Mavis vai ficar sentada perto das líderes de torcida. – O avisei, dando uma piscadinha pra complementar, e logo vi seus olhos brilhando.

— Mavis? Ela veio?

Foi engraçada a forma como ele sorriu e ficou olhando em volta pra procurá-la, e fiquei me perguntando mentalmente se eu agia assim, tão idiota, quando alguém mencionava Lucy.

E por falar nela…

— Ali, maninho. – Apontei onde Mavis estava, já que ele ainda parecia perdido. – Aliás, Zeref… Vieram todos hoje? Ou só você e a Erza?

— Lucy está com as líderes de torcida, ali. – Ele também apontou, me fazendo rir.

Surpreendi-me quando notei que não era somente Lucy que estava aqui, mas Levy e Gajeel também, e estavam sendo apresentados às torcedoras. Não precisei sequer dispensar meu irmão, porque ele já sabia que eu o deixaria falando sozinho. Andei até onde ela estava, e acabei a assustando, colocando meu braço ao redor dos seus ombros e a puxando um pouco afastada de onde estavam todos.

— Luce! Que bom que você veio. Vai torcer por mim, não é?!

Ela parecia sem graça desde o momento em que me aproximei tanto, mas tão rápido quanto o susto que tomou, ela abriu um sorriso tímido.

— Talvez…

— Quais as chances de você me dar um beijo hoje se a Fairy Tail ganhar? – Sussurrei a pergunta em seu ouvido, e ela rapidamente ficou vermelha.

— Você fala assim como se houvesse chances de vocês perderem. – Ela devolveu ironicamente, soltando meu braço de seu ombro e ficando de frente pra mim. – Eu sei que a possibilidade é mínima, então posso abrir uma exceção… – Ela foi falando timidamente. – Faça quinze cestas, e eu penso no seu caso.

Uau. Por aquela eu não esperava. Lucy estava mesmo negociando pra me beijar?

— Quinze? Isso seria metade da média de cestas que nosso time tem, Luce.

— Ah, então você não consegue. – Ela desdenhou, sorrindo vitoriosa.

— Ei! Nunca diga que eu não consigo, isso é uma heresia. – Avisei, fazendo-a rir. – Olha, eu faço as quinze cestas, mas vou querer mais que um beijo. O ônibus vai sair daqui oito da noite, mas meu jogo termina muito antes disso. O que acha da gente sair pra conhecer a cidade nesse tempo? Você pode ir embora no ônibus com a gente, ao invés de ir com os meus irmãos.

Lucy ficou pensativa por alguns segundos, e seus olhos desviaram dos meus diversas vezes. Procurava por alguém, provavelmente, pensando muito bem se aquela era uma boa opção.

— O quê exatamente seria isso? Aquele único encontro que você me pediu pra te dar uma chance? – Ela perguntou, franzindo o cenho.

Aquela pergunta me pegou de surpresa de um modo que eu não sabia muito bem se era seguro dizer sim, ou muito arriscado.

— Talvez… Pode ser… Como você quiser. – Tentei parecer convincente, mas ela não levou muito a sério. – Nós vamos nos divertir, Luce. Essa é a única coisa que importa agora.

Ela me olhou séria, e ficamos dessa forma, segurando o olhar um do outro intensamente, até que ela suspirasse vencida.

— Ok. Vencer o jogo e fazer quinze cestas… – Ela avisou, indicando minhas tarefas em seus dedos. – Um beijo, e uma escapada. – Acrescentou, ruborizando levemente. – Isso é tão injusto, você vai se beneficiar com todas essas coisas.

— Eu vou fazer valer a pena o suficiente pra parecer que você foi mais beneficiada que eu. – Respondi com um sorriso, lhe mandando uma piscada. Escutei o pessoal se arrumando para dar início ao jogo, e suspirei, um pouco nervoso. – Certo… É a minha hora. Até mais tarde, Luce.

Antes que ela pudesse prever, e antes que eu perdesse a coragem, dei-lhe um rápido beijo, na qual ela ficou completamente estática e envergonhada.

— Ei! Isso não vale! – Ela me chamou a atenção enquanto eu já estava distante.

— É pra me dar sorte! – Gritei de volta, sorrindo satisfeito por vê-la embasbacada daquela forma. – Você pode pegar de volta mais tarde.

Escutei-a reclamando e me xingando, e comecei a rir em meu lugar, junto ao meu time no canto da quadra.

— Gray, preciso da sua ajuda! – O chamei a atenção. – Me ajude a marcar quinze cestas hoje. Fiz uma aposta com a Lucy, explico melhor depois.

— Quinze cestas, cara? – Ele perguntou incrédulo. – Você nunca fez tudo isso em uma única partida.

— E você acha que eu não sei? – Revirei os olhos. – Por isso estou pedindo ajuda.

— Eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance. Mas você tem que pedir isso para o outro ala também… – Ele sorriu debochado, apontando para o Jellal.

Jellal, que já estava escutando a conversa desde o começo, me olhou desafiadoramente, cruzando os braços, e somente esperando que eu pedisse.

Era só o que me faltava. Ter que me humilhar pro idiota do Jellal.

— Jellal… Essa é minha chance com a Lucy… – Implorei com o olhar, tentando parecer tão desesperado quanto eu realmente estava por dentro.

— Cara, eu não sei… A Lucy é legal demais pra sair com um babaca como você…

Escutei alguém ao microfone anunciando a nossa entrada, e fiquei ainda mais inquieto que antes.

— Jellal…

— Eu te ajudo, mas só com uma condição. – Ele fez um enorme suspense, e eu estava quase o socando por demorar tanto a falar. Nós precisávamos entrar em quadra junto com o resto do time. – Você não vai mais fazer nada infantil e impulsivo quando me ver dormindo na sua casa, quando eu estiver junto com a Erza, ou sei lá, fazendo qualquer coisa com ela envolvida.

— Falando assim até parece que eu interfiro o tempo todo. – Bufei.

— Prometa, Natsu! Você é o pior cunhado do universo, sabia?! Se me ajudar com sua irmã, eu te ajudo com sua outra irmã… – Ele caçoou, fazendo Gray segurar o riso ao nosso lado.

— Vai se foder, Jellal. – Dessa vez o soquei, já que passar vontade não estava me ajudando. – Tá, tanto faz, prometo. Agora vamos logo com isso.

Gray soltou algum comentário desnecessário, da qual Jellal riu, e eu fingi que não escutei, me colocando no meio da quadra como de costume, de frente para o capitão do time adversário.

O time deles não parecia ser uma grande ameaça, mas não era como se eu pudesse ter certeza daquilo, pois eles também estavam disputando as semi finais conosco. E ficar ali no meio da quadra pra disputar posse de bola nos primeiros segundos, só serviu pra me deixar com aquele famoso frio na barriga de quem estava disputando tudo ou nada.

Afinal, era mesmo tudo ou nada.

O juiz apitou, jogou a bola para o alto, e logo eu arremessei a bola para trás, da qual Loke pegou. Começamos a avançar, passar um para o outro, driblar os adversários, fazer algumas gracinhas, até que Jellal me passou a bola e eu joguei para a cesta, marcando os dois primeiros pontos da partida.

Rapidamente procurei Lucy pela arquibancada, e fiz sinal de “um” com o dedo, indicando a ela que aquele era só o primeiro das quinze cestas que eu prometera. Ela sorriu desafiadoramente e sussurrou um “eu duvido”, que eu li facilmente saindo de seus lábios.

Ah! Lucy definitivamente não sabia com quem estava mexendo.

Continuamos a partida com o perigo de eles fazerem um ponto, mas consegui interceptar o jogador deles a tempo, correndo com tudo junto ao Gray, fazendo uma troca de passes manjado que sempre treinávamos pra momentos como aqueles, quando éramos só nós dois. Pra minha infelicidade, eu não conseguiria arriscar uma cesta, já que tinha um cara gigantesco me marcando, então recuei a bola para o Yuki, que jogou para Jellal e ele fez mais dois pontos para nós.

Embora estivesse parecendo fácil, eram caras difíceis de segurar, e depois que eles tomaram duas cestas, se fecharam totalmente no garrafão, fazendo ou com que arriscássemos jogadas de três pontos, ou passar no meio deles e perder a bola quase sempre.

Por conta disso, terminamos o primeiro tempo com uma desvantagem de sete pontos no placar, e após um curto intervalo de dois minutos recebendo broncas do treinador, voltamos para o segundo tempo e terminamos ele em empate.

Aquele, provavelmente, estava sendo o jogo mais desafiador no campeonato para nós.

O intervalo do segundo para o terceiro tempo durou quinze minutos, e após o treinador acertar alguns posicionamentos, algumas táticas e nos dar algumas ordens, fomos liberados para voltar à quadra, mas fui surpreendido com a presença de Lucy próxima ao vestiário.

— O que está fazendo aqui, Luce?

— Eu… Ahn… Eu…

Percebi-a ficando vermelha e buscando uma forma de saída, evitando os meus olhos á todo custo.

— Ah, não me diga que você veio me ver. – Debochei, sorrindo grande.

— Não! Claro que não! – Lucy foi rápida em protestar. – Bom, Igneel acabou de ligar… Ele te desejou boa sorte. Eu… Só vim falar isso.

— Ahaan. Porque não dava pra esperar eu ir pra lá, né?! – Caçoei, levando-a discretamente até a parede mais próxima de nós, evitando que ela escapasse.

— O q-que… V-você pretende fazer?

— Você é uma graça quando está envergonhada, Luce, mas eu prefiro muito mais quando está ousada. – Sussurrei em seu ouvido, cheirando seus cabelos e me sentindo invadir o paraíso. – Escuta… Vou ganhar esse jogo pra você, e então nós vamos ter a tarde toda pra fazer muitas loucuras. E eu vou te ensinar a aproveitar mais a vida.

E com aquela expressão atordoada da Lucy, voltei pra quadra com ainda mais determinação que antes.

Notas finais
Vamos para rápidas explicações de basquete pro pessoal que deu uma boiada aí :P (Explicações amadoras, claro... Eu sou só uma mera recém apreciadora do esporte, só entendo de futebol :P) Armador (posição do Natsu): Ele é o cérebro, aquele que sabe fazer as melhores jogadas e tem melhor visão de jogo. São rápidos e ágeis. Mas na questão do Natsu, eu também inclui a ótima capacidade em arremesso longo/curto pra cesta. Ele é um pacote completo. Pivô (Loke e Yuki): Pivô são aqueles mais fortes e altos que ficam sempre na responsabilidade da "defesa", digamos. Eles são bom em enterradas, e pegam os rebotes. São menos habilidosos na arte de arremessar que os outros. Ala (Gray e Jellal): Ala é o que fica no meio da quadra pra fazer o que der e vier. Pode tanto ajudar o armador, como o pivô, fazendo também o papel de "ala-pivô"/"ala-armador". E eles têm ótimos arremessos, podem arremessar de qualquer lugar da quadra. Já tagarelei demais AUHASHUSAHUs' Anyway, só dei essa explicadinha porque, como vocês viram, o jogo ainda não acabou, e a coisa vai pegar fogo no próximo capítulo! E ESSE JELLAL SAFADINHO QUE JÁ LEVOU A ERZA PRA CAMA OUTRAS VEZES? ASHUAHUSAHUSAs' O Natsu nada animado quando a Lucy disse que iria pensar no beijo......... :P E essa fugidinha deles, o que será que vai rolar? ASUHHUSASAHUs' Enfim... Espero muito que vocês tenham gostado, espero que me contem as expectativas de vocês pra essa segunda parte e é isso. ;D Até dia 07/07 ♥ (AMO TANTO ESSA DATA, NEM TÔ ACREDITANDO QUE VAI SER QUINTA DE POSTAR TROUBLEMAKER *OOO*)