Troublemaker

32 Homem de Palavra


Notas iniciais
Yeeeeeeey, voltei *O* Olá xuxus, tudo bem com vocês? ♥ Lá vai mais um capítulo bem grande e fofinho pra vocês ♥ Espero que gostem e boa leitura *3*

Quando entrei na quadra para jogar os dois últimos tempos daquela partida, permiti-me esvaziar a cabeça e levar aquilo mais a sério do que nunca. Afinal, era meu futuro em jogo.

Olhei discretamente para as arquibancadas, tentando reconhecer quem ali eram os olheiros, mas estava tudo lotado de gente desconhecida, então foi difícil distinguir. Só pude ver meu irmão ao lado da Mavis, que torcia animadamente, e Erza, Michelle, Levy e Gajeel juntos mais ao fundo, esse que sequer parecia estar entendo o que estava acontecendo.

Que raios de americano era aquele que não sabia apreciar um bom jogo de basquete?

Voltamos ao jogo, com a posse de bola, e foi como uma reprise do primeiro tempo, já que com a ajuda do meu time, consegui passar facilmente pelos pivôs e marcar uma cesta.

Agora faltavam só seis.

— Natsu, eles substituíram os pivôs. – Gray me informou, correndo ao meu lado.

— E daí?

— E daí que eu escutei o treinador deles falando que era pra amassar você. Eles querem tirar nosso capitão.

Escutar aquilo não só me deixou com mais vontade de ganhar, como também de mostrar quem é que ia amassar quem ali. E definitivamente não seria eu o amassado.

Era preciso de um plano, no entanto. Eu não poderia simplesmente ir me metendo no meio dos dois brutamontes e tentar sair dali com uma cesta e intacto.

— Certo, vamos fazer o improvável então. – Dei de ombros.

Arranquei a bola do capitão adversário, numa jogada de corpo limpa, driblei o armador que vinha pra cima de mim, e corri até perto do garrafão, sendo barrado pelos brutamontes.

— Loke! – O chamei, jogando a bola em sua direção. – Faz sua mágica!

Embora o Loke fosse pivô e não tinha um arremesso muito bom, ele jogou a bola direto para a tabela, e quando a bola ia cair pra fora da cesta, Yuki surgiu e fez uma enterrada perfeita, acrescentando-nos mais dois pontos ao placar.

Assim que a bola caiu ao chão, pedi tempo para o árbitro e ele concedeu, nosso time se juntou com o treinador e os reservas do banco, e o outro time fez o mesmo.

— Treinador, queria fazer aquele esquema doido que já conversamos uma vez! – O avisei, olhando suplicante para ele.

— Agora? Na semi-final? Não acha que é muito arriscado? – Ele me olhava como se eu fosse um louco, e eu até podia entender isso.

— É, mas eu tenho certeza que vai dar certo. – Tentei soar o mais convincente possível, e o treinador ainda parecia muito em dúvida.

— Que esquema? – Gray perguntou.

— Trocar o capitão temporariamente… Fazer uma espécie de rodízio. – O treinador explicou, deixando todos espantados, como se aquilo fosse algum tipo de crime.

— Como é?

— E quem seria o capitão?

— Por que fazer isso?

— É simples, e precisamos decidir logo porque o tempo está correndo. – Os avisei, mostrando o árbitro sinalizando que o tempo estava para acabar. – Só quero que confiem na minha decisão. Os caras estão querendo me desfalcar do time, pois sou o capitão. Se a gente mostrar que nos damos bem com qualquer um sendo capitão, eles ficarão confusos em quem tirar primeiro. Isso resulta num número maior de faltas e oportunidades pra gente, além de expulsões pra eles. Entenderam?

— É… Até tem um pingo de lógica nisso… Mas quem seria o capitão agora? – Jellal perguntou.

— Loke!

— Eu??? – Ele me olhou espantado, com os olhos arregalados e a boca aberta. – Eu não posso fazer isso, Natsu-san.

— Pode sim, Loke. Você me viu trabalhando com o time todo esse tempo, você sabe o que eu faço. Além do mais, não vamos trocar nossas posições.

— Mas Natsu-san…

— Você vai comandar o time nos próximos cinco minutos. Consegue aguentar? – O perguntei, e ele demorou alguns segundos para balançar a cabeça positivamente. Arranquei a faixa de capitão do meu braço e entreguei a ele. – Quando der cinco minutos, pede tempo ao árbitro e trocaremos de novo.

— E quanto aos esquemas e táticas?

— Vamos continuar com as mesmas táticas, só que usando jogadores diferentes. Gray vai fazer papel de armador, Jellal de pivô, e eu de ala. Yuki e você tentem ser os melhores ala-pivôs possíveis. Tem uns caras nas arquibancadas que a gente precisa impressionar.

— Pessoal, acabou o tempo. – O treinador me cortou.

— Ok gente. Fairy Tail no três. – Loke gritou, colocando sua mão no centro da roda que nós fazíamos.

Todos juntamos nossas mãos ao centro também, e assim que Loke terminou a contagem, gritamos alto “Fairy Tail”, e voltamos para a quadra animadamente.

Como eu imaginava, a mudança de capitão e de posições confundiu os adversários, mas de nada os impediu de serem brutos comigo, em especial. Mas como eu dissera, aquilo foi uma vantagem para nós, já que ganhávamos chances de fazer mais pontos.

Quando deu os cinco minutos que falei, Loke pediu o tempo e então trocamos de capitão novamente, fazendo Jellal de capitão, e o treinador nos corrigiu em alguns erros e nos deus algumas dicas.

Estávamos em uma vantagem no placar, pela primeira vez, e eu quis aumentar aquilo, fazendo um esquema de passes com meus amigos e correndo para fazer mais uma cesta. Afinal, ainda faltavam três pra eu cumprir minha promessa á Lucy. Mas, para minha surpresa, um dos gigantes deles deu uma trombada violenta em mim, e a última coisa que senti foi minha cabeça batendo forte ao chão e tudo ficar preto de repente.

***

— Natsu! Oh Kami, finalmente ele está acordando! Afastem-se pra ele respirar, vamos! Afastem-se! Natsu, olha pra mim. Você consegue me escutar?

— Vamos ter que tirar ele do jogo?

— Claro, ele desmaiou, vai precisar ir direto pra enfermaria.

— Natsu? Você está bem? Tá sentindo alguma coisa?

— Quem vamos pôr no lugar dele?

— Natsu, você se lembra o que aconteceu? Sabe onde está?

Embora eu quisesse responder, ou me mexer, me levantar e negar que eu iria sair, dizer que sabia onde diabos estava e que me deixaram bem puto pelo que fizeram, por alguns segundos eu não consegui fazer nada mais do que abrir meus olhos. Eu sentia uma pontada forte em minha cabeça e senti alguém jogando água em meu rosto, tendo o cuidado para não me matar afogado.

Uma luz veio aos meus olhos, verificando meu reflexo, provavelmente, e continuaram a perguntar se eu estava escutando e podia responder.

Até que, finalmente, pude sentir como se estivesse tomando controle do meu corpo de novo, e me sentei rapidamente, ficando um pouco tonto por tal ação.

— Calma! A pancada foi feia, é melhor ficar deitado. – Escutei alguém falando, e ao me virar pra ver quem era, notei ser o paramédico do nosso time.

— Eu vou jogar… – Falei, mas soou mais baixo do que eu pretendia, e ninguém deu muita atenção.

— Estão vindo com uma maca pra te levar até a enfermaria, não precisa se levantar. – Foi o treinador que falou dessa vez, e revirei os olhos.

— Eu não vou sair, vou continuar jogando! – Disse, dessa vez mais alto, e fazendo um silêncio súbito se instalar entre nós e meus colegas de time, que estavam me observando também.

— Você definitivamente bateu a cabeça forte demais pra falar algo assim… – Gray murmurou a minha frente.

— Eu não posso sair do jogo, não agora! Eu quero jogar, e tenho certeza que posso continuar. – Tentei soar o mais convincente possível, mas ninguém parecia estar acreditando em minhas palavras.

— Natsu, você desmaiou e ficou desacordado por dois minutos. Precisamos fazer exames pra ver se não teve nenhuma concussão ou algo do tipo. – O paramédico tentou me convencer, mas a verdade era que só estava me fazendo querer socá-lo

— Eu faço os exames depois, vou jogar agora! – Falei firme, colocando-me de pé e me apoiando em Gray por alguns segundos, até firmar o passo. Olhei decidido para meus amigos, mas principalmente para o Jellal, que naquele momento havia toda a autoridade pra me colocar no banco e não me deixar mais jogar. – Eu sei que bati a cabeça, mas posso fazer isso, cara. Se eu não parecer bem na partida você me substitui, faz o que quiser, mas eu não vou ir pro banco agora sem tentar continuar no jogo.

Ele me olhou sério, e parecia pensar nas possibilidades. Se colocou ao meu lado, e depois olhou para o treinador, parecendo conversar mentalmente com ele.

— Bom, eu que tô com essa faixa, mas você continua sendo nosso capitão, cara. – Jellal riu, me dando tapinhas nas costas. – Faça o que achar melhor. Quando achar que precisa sair, me avise.

Escutar aquelas palavras me deixou aliviado de uma forma que eu nunca conseguiria explicar. Afinal, eu amava jogar basquete, e eu estava realmente puto com o que haviam feito comigo. Eu não iria deixar barato de jeito nenhum.

— Obrigado. – Acabei soltando, sorrindo satisfeito. – Vamos jogar, maricas! – Gritei, e então o treinador, o paramédico e alguns jogadores reservas que estavam por ali voltaram para o banco, e Jellal foi conversar com o juiz.

Ele acabou expulsando o brutamontes que me derrubou, por falta desportiva, e nos deu dois lances livres para cobrar. Jellal preferiu que Gray o fizesse, já que ainda não estava com tanta certeza assim que eu estava bem e com minha mira intacta. Gray cobrou as duas faltas e fez as duas cestas, nos atribuindo uma vantagem ainda maior no placar.

Embora as faltas adversárias tivessem diminuído, ainda eram brutas, e me pegaram mais duas vezes. Acabei caindo em uma delas, mas não ao ponto de bater a cabeça no chão de novo. Jellal me mandou um olhar apreensivo, como se estivesse perguntando se eu não queria mesmo sair, e eu balancei a cabeça negativamente.

Eu não iria sair daquela partida nem se me tirassem uma perna.

Minutos depois, aquele terceiro tempo teve um fim, e tivemos um intervalo de dois minutos pra respirar e tomar uma água.

— Natsu, sua tática de trocar os capitães não está funcionando. Eles ainda querem tirar você de qualquer jeito. – Gray certificou, insatisfeito.

— Pior, eles também estão querendo tirar o Loke e o Jellal. É melhor não colocarmos mais ninguém como capitão, ou a coisa vai ficar pior. – Falei, realmente triste por aquilo ter resultado em um jogo tão violento. – Quem esses caras são? Será que os juizes estão vendo direito as merdas deles? – Não consegui evitar ficar irritado, e joguei minha garrafa da água ao chão sem o menor cuidado.

— Calma… Nós estamos ganhando agora, e três jogadores já foram expulsos. Mesmo que eles ganhem, tenho certeza que os olheiros não estão nada satisfeitos com o desempenho deles. – O treinador falou. – Na verdade, devem é estar bastante impressionados que você tenha voltado a jogar, e ainda batendo seu próprio recorde de cestas em um jogo… – Me falou, sorrindo. – Treze cestas, hein Natsu?! A pancada te deixou inspirado?

— Não exatamente a pancada, mas ajudou… – Dei de ombros, rindo com ele.

Quando ele me falou de minhas cestas, olhei para as arquibancadas, procurando por Lucy, e a vi sentada ao lado de sua amiga Levy, me olhando fixamente, e parecia estar preocupada.

Ou era só o efeito da pancada na cabeça fazendo efeito agora e eu estava imaginando coisas.

Fiz sinal com a mão que estava tudo bem, mesmo que talvez ela não quisesse saber, e ela sorriu, e falou algo que eu não consegui decifrar de onde estava. Fiz outro sinal que não havia entendido, e ela me falou de novo, e dessa vez apontou para algo na quadra, que ao me virar pra ver, notei ser a cesta. Comecei a rir e tentei falar que eu ia cumprir meu objetivo, e ela começou a negar com a cabeça e falar.

Ela estava duvidando de mim de novo?

Mostrei a ela que só faltavam duas, e ela continuou a negar. E quando parecia que eu ficaria mais confuso, ela revirou os olhos e apontou para o Gray, que ria ao meu lado.

— Ela tá falando que você não precisa fazer mais cestas. – Ele me explicou.

— Por que ela está desistindo se sou eu que estou jogando? – Perguntei indignado.

— Ué, vai ver ela se preocupou porque você caiu e bateu a cabeça.

— Como se bater a cabeça fosse o suficiente pra quebrar minha promessa. E além do mais, algo me diz que ela vai usar a mesma desculpa mais tarde pra não sair comigo, então é mais um motivo pra eu continuar.

O treinador nos chamou a atenção uma última vez, passando alguns detalhes e cuidados que deveríamos ter, me entregou a faixa de capitão novamente e então nos liberou pra voltar à quadra.

O último tempo iria começar.

***

— Eu disse que eu faria as quinze cestas. – Me gabei á Lucy assim que ela entrou na sala de enfermagem, onde eu estava fazendo um rápido exame pra saber se havia tido uma concussão. – E ainda ganhamos o jogo!

Eu estava sentado na ponta de uma das camas, e ela ficou de frente para mim, mas um tanto distante.

— Você só voltou a jogar por isso? Pra fazer as cestas? – Ela perguntou, parecendo um pouco inacreditada.

— Não só por isso. Meu time precisava de mim, Luce. Eu não ia colocar outra pessoa em meu lugar pra sofrer nas mãos daqueles merdas. – Dei de ombros, e ela ficou um tanto surpresa e feliz ao ouvir aquilo. – O quê? Acha que não posso ser um mártir pelos meus colegas de time? É pra isso que sou o capitão, oras.

Lucy riu sem graça e desviou seu olhar do meu, encarando concentradamente a bolsa que carregava, ficando em silêncio por longos segundos.

— Já saiu o resultado? – Perguntou baixo.

— Daqui a pouco… Mas eu não tive nada, já disse incontáveis vezes pra todo mundo. Se eu estivesse com alguma coisa, não teria feito o melhor quarto tempo da minha vida.

O último tempo foi tenso, mas incrível. Consegui uma forma de provocá-los até ganhar faltas, e isso sem ter que ser jogado ao chão, e ainda fiz mais do que quinze cestas. Bati meu recorde com um total de vinte e uma cestas, e ainda ganhei uma medalha de melhor jogador em campo. Não perdemos nenhum jogador pra lesões ou expulsões, e ainda tivemos o privilégio de vencer os caras na escola deles, e ir pra final do campeonato. Sem contar que um dos olheiros foi ter uma conversa em particular com o treinador, e meu irmão disse que não paravam de apontar e falar sobre mim.

— Eu espero que você não tenha desistido de sair comigo, Luce, porque eu não vejo a hora de fugir desse lugar. – A puxei para perto, colocando-a no meio de minhas pernas pra abraçá-la, e deitei minha cabeça em seus seios, sem qualquer malícia.

Lucy ainda não ficava totalmente confortável comigo, mas tentou amolecer o corpo e me abraçar de volta, passando uma das mãos carinhosamente em meus cabelos.

— Você não desistiu da sua promessa, seria covardia eu desistir da minha… – Ela comentou baixo.

Eu não conseguia me ver, mas sabia que estava ficando corado ao sentir meu rosto extremamente quente. E isso não se devia ao que ela havia dito, mas ao escutar suas batidas do coração, que ficavam aceleradas conforme eu descia e subia meus dedos em suas costas, fazendo carinho nela. Lucy estava ficando agitada aos meus toques, e eu não poderia ficar mais feliz. E eu tenho certeza que ela me pararia se não estivesse gostando, então aquilo só me deixava ainda mais satisfeito. Na verdade, ela continuava a me agradar com um cafuné.

— Natsu, os resultados… Ahn… – O treinador voltou para a enfermagem com uma enfermeira, e ambos pararam no mesmo segundo ao ver Lucy comigo.

Ela logo se afastou um pouco, mas não se soltou do meu abraço, e pareceu tentar de todo modo evitar perguntas e só prestar atenção ao que me diriam.

— O resultado saiu, e não aconteceu nada grave. Vou te liberar, porém é bom ficar atento ainda. Tente não tomar bebidas alcoólicas ou algo do tipo, e não hesite em correr pra cá se necessário. – A enfermeira explicou, sorrindo gentilmente. – Vou deixar vocês a sós. – E então ela e o meu treinador saíram, e Lucy começou a rir nervosa.

— O que foi?

— Eles devem ter pensado que somos namorados… – Ela murmurou, escondendo seu rosto em meu ombro.

— E você não se incomoda? – Perguntei, realmente surpreso pela tranquilidade que ela estava aparentando.

— O que eu posso fazer? Eu tô colaborando pra isso também.

E então foi minha vez de rir.

— Você me surpreende cada vez mais, Lucy Heartfilia.

— É o resultado de meses em convivência com os irmãos Dragneel. Especialmente um tal Natsu… – Ela zombou, mostrando-me a língua.

— Eu te surpreendo? – Me fingi de desentendido, por partes porque realmente não imaginava que a surpreendia.

— Ah, bem… Começou quando você me acalmou naquela noite de chuva que acabou a luz… Eu realmente não esperava que você fosse tão atencioso, sempre foi tão babaca.

— Uau, Lucy. Obrigado pela parte que me toca!

E então começamos a rir, e ela se afastou ligeiramente, voltando a ficar tímida.

— Vamos? Eu acho que ainda está me devendo uma fugida pela cidade. – E seu rosto ficou corado, me fazendo achar graça.

Lucy ficava linda de qualquer jeito. Por Kami, como eu conseguia resistir aos seus encantos e não beijá-la o tempo todo?

Desci da cama que estava, determinado a começar a mudar aquilo, e a puxei para um beijo, sempre ficando um pouco maravilhado em como sua boca era macia, em como seu gosto era bom e como Lucy sequer tentava me afastar.

— Eu achei que já havia pagado a promessa do beijo. – Ela sussurrou, quando me afastei minimamente.

— Ah não, aquele não valeu. Foi só pra me dar sorte no jogo. E veja só, funcionou muito bem. – Expliquei, sorrindo grande. – Vou tomar um banho rápido e já podemos sair. Vou pedir ao Gray pra me dar cobertura nesse tempo que a gente ficar fora.

***

— Isso é loucura, admita logo que estamos perdidos! – Lucy me socou no braço, fazendo-me rir alto.

— Ok. Talvez eu tenha me perdido, mas foi só um pouco. Se a gente continuar andando, uma hora vamos achar o caminho de volta. – Devolvi.

Nós andávamos lado a lado, e apesar de eu querer Lucy mais perto, segurando minha mão, ou talvez com os braços entrelaçados, respeitei seu espaço e a deixei do modo que mais ficava confortável comigo.

— E vamos ficar andando até que horas? Logo dá o horário da saída do ônibus e nem na escola estamos. – Ela reclamou.

— Ainda temos tempo, fique tranquila. O que acha de comer? Eu tô morrendo de fome! – Sugeri, e Lucy nem disfarçou o sorriso de satisfação. – Ah, sabia! Até você gostou dessa ideia. Olha ali, aquela lanchonete parece ser legal.

Lucy olhou curiosa para o lugar em que eu apontava, e concordou que parecia mesmo legal. Ou só fez aquilo porque ela estava com tanta fome quanto eu, já que estávamos andando o dia inteiro.

Apesar de ser uma cidade que conseguia superar a monotonia de Magnólia, era litorânea, então fomos visitar a praia e ficamos caminhando e conversando por um tempo enquanto tomávamos sorvete, e eu até quis tentar levar Lucy para a água, mas ela se recusou. Se fossem em outras circunstâncias, em que ela tivesse uma roupa consigo e tudo mais, com certeza eu teria a colocado em minha costas e a levado, ignorando todas as suas reclamações de que eu deveria soltá-la, mas como não era o caso, deixei aquela brincadeira para outra ocasião.

Acabamos assistindo o pôr do sol juntos, e o clima colaborou pra que ela se sentasse ao meu lado e deitasse a cabeça em meu ombro.

Agora, andando de volta pela cidade para procurar onde ficava a escola, descobri que eu não havia decorado o caminho certo. Na verdade, pra ser sincero, tudo ali parecia muito igual. Todas as ruas, todas as casas, todos os estabelecimentos. A culpa claramente não era minha de estarmos perdidos.

Puxei Lucy pela mão pra atravessarmos a rua e ir até a lanchonete, e fomos surpreendidos por uma aura totalmente diferente lá dentro. Era como se tivéssemos entrado em um filme, onde o tema era musical, e a qualquer momento apareceria alguém subindo na mesa, cantando e dançando.

— Isso é tão legal! Parece um filme! – Lucy se animou ao meu lado, e achei engraçado o fato de termos pensado exatamente a mesma coisa.

— Onde vamos sentar?

— Ali. – Ela rapidamente tomou o lugar que apontou, e se jogou no banco acolchoado, indo até ao lado da janela.

Me sentei no banco á sua frente, e uma garçonete foi rápida em nos entregar o cardápio. Embora eu quisesse muito prestar atenção ao que estava escrito, já que a fome estava terrível, tudo o que pude fazer foi olhar pra Lucy enquanto ela escolhia o que comer. Ela fazia bocas e caras ao ler cada uma das opções, e aquilo era definitivamente engraçado demais pra ignorar.

— Pare de ficar me encarando, seu esquisito. – Ela reclamou, ainda olhando o cardápio.

Acabei gargalhando, e ela me mostrou a língua.

— Não consigo engolir que nunca namorou, Lucy. Ou que nunca teve alguém apaixonado por você.

— Nunca namorei porque nunca foi meu foco, não quando eu tinha que cuidar da minha mãe e da minha irmã. – Ela suspirou, dando de ombros. – Mas eu acho que o atendente da padaria gostava de mim. – Disse, tentando dar um sorriso travesso.

— Eu tenho certeza que tinha mais gente gostando de você, só que você nunca notou.

— Bom, não ia fazer muita diferença, eu me mudei para o outro lado do país, não foi?!

E então pra dar um fim naquele assunto, levantou sua mão pra chamar a garçonete de novo, e fez seu pedido. Como eu não tinha visto o cardápio, pedi a mesma coisa que Lucy, e ficamos em um longo silêncio após a garçonete sair.

Lucy olhava para a janela, observando os carros que iam e vinham, e eu fiquei prestando atenção à música que tocava pelo auto falante, logo reconhecendo aquela voz e aquela batida.

— Essa música é boa… – Murmurei, tentando disfarçar o suficiente pra que Lucy pudesse me escutar, mas não necessariamente me dar toda a atenção do mundo. – “E eles dizem que eu sou louco…” – Comecei a cantarolar junto. – “Porque ninguém, nem quando sua mãe disse que eu não podia ficar com você…” – mudei a letra da música ligeiramente de ‘pai’ para ‘mãe’. – “Não escuto uma palavra do que eles dizem… Porque eu estou apaixonado por essa garota, então não fique bravo comigo…” – E ao dizer tais palavras, olhei de canto para Lucy, e notei que ela estava prestando atenção, e mais ainda, estava totalmente vermelha.

Eu poderia não ser bom com palavras, mas claramente era bom com indiretas bem diretas.

— Não sabia que escutava Justin Timberlake. Ele não parece muito seu estilo. – Ela murmurou, voltando a olhar para a janela, fazendo-me rir.

— E o que parece meu estilo? – Perguntei, curioso pela resposta.

— Eu ouço você fazendo exercícios com hip hop, achei que era esse.

— É o que eu mais gosto, mas quem é que não ouve Timberlake? – Dei de ombros, e ela riu.

— As pessoas que moram no Japão? – Perguntou incerta, e ri alto outra vez.

— Não é porque moramos do outro lado do país que não escutamos músicas internacionais, Luce. – Comentei, e ela pareceu concordar.

Voltamos a ficar em silêncio outra vez, enquanto eu cantarolava o refrão novamente, e ela fingia que não escutava por pura timidez. Pouco tempo depois a garçonete voltou com nossos pedidos, e comemos em silêncio.

Quando estávamos terminando nosso hambúrguer, e bebendo o resto do refrigerante, uma chuva forte começou a cair sem aviso prévio, e a cara de pânico da Lucy me avisou que estávamos com problemas.

Sabia que precisava deixar ela tranquila antes de qualquer coisa, então me sentei ao seu lado, e Lucy sequer disfarçou a insegurança quando se grudou em mim.

— Como vamos sair daqui? – Ela sussurrou.

— Eu não faço ideia, Luce. Mas vou dar um jeito.

No mesmo momento escutei meu celular tocando, e ao olhar o número no visor, vi que era Gray.

— Cara, onde você tá? Caiu a força aqui da escola e o ônibus vai partir em vinte minutos!— Ele falou rápido, quase desesperado.

— Vinte minutos? Isso só pode ser brincadeira! – Me indignei, realmente não acreditando que estava tudo dando um jeito de dar errado. – Eu não sei nem onde eu tô!

— É melhor arranjar um jeito de vir rápido. O treinador deixou claro que não vai esperar ninguém, e seus irmãos já foram embora.

Respirei fundo, tentando pensar no que fazer. Não havia nenhuma alternativa que não fosse sair correndo na chuva mesmo, mas aquilo seria um problema pra Lucy.

— Tá, eu dou um jeito. Tenta enrolar ele um pouco, cara.

— Vou fazer o possível.

E então desliguei e olhei pra Lucy, tentando fazer meu melhor olhar de “vai dar tudo certo, confie em mim”.

— O ônibus vai sair em vinte minutos. – Anunciei, por mais que imaginasse que ela já tivesse escutado.

— O que a gente vai fazer? – Ela perguntou em um fio de voz, olhando novamente com uma expressão apavorada para a rua.

— Você confia em mim, Luce? – Perguntei firme, e ela ficou pensativa por alguns segundos, até finalmente balançar a cabeça em positivo. – Nós vamos ter que correr na chuva, mas prometo que vai dar tudo certo. Eu não vou sair do seu lado, ok?!

Chamei pela garçonete novamente e pedi pra pagar a conta, além de perguntar o caminho de volta para a escola onde fizemos o campeonato. Por sorte ela soube informar onde era, então eu já estava com um pouco mais de vantagem do que imaginava.

Colocamo-nos na porta de entrada da lanchonete, e ficamos encarando a rua durante alguns minutos, buscando a coragem que faltava pra correr na chuva.

— Olha, Luce… Algumas lojas tem toldos. Que tal apostar uma corrida até cada um deles?

— Uma corrida? – Ela perguntou incerta.

— É. E se eu chegar primeiro, você vai ter que me beijar.

— Quê? – Lucy vociferou, olhando-me desacreditada. – Não, não e não. E o que eu ganharia te vencendo?

— Não sei, você pode escolher. – Dei de ombros, sorrindo maliciosamente.

— Não vai ter beijo, nem quando você ganhar.

— Ah Lucy, não me faça dizer que eu sei o quanto você quer isso também. – Tentei usar minha voz mais sensual, a aproximando de mim o suficiente para que nossos lábios ficassem bem próximos.

— Não! – Ela gritou, fugindo de mim e correndo pela chuva.

Parecia até mesmo que por um momento ela esqueceu do próprio medo, e comecei a correr também, me esforçando para alcançá-la.

Assim que alcançamos o primeiro toldo, praticamente juntos, nos sentamos no chão e começamos a rir.

— Você é muito devagar, Luce.

— Eu não tenho culpa, não estou com tênis apropriado pra enfrentar essa chuva. – Ela me mostrou a língua.

— Isso não é desculpa. – Devolvi, olhando para o próximo toldo. – Essa corrida vai ser mais longa, acho até que vou ficar aqui durante uns segundos depois que você sair, pra te dar uma vantagem.

— Vai a merda, Dragneel. Como se eu fosse precisar de vantagem. – Ela me socou o braço e começou a rir.

Colocamo-nos em linha reta, como se estivéssemos nos preparando para uma corrida oficial. Foi nesse momento que percebi que Lucy era tão competitiva quanto eu.

— No três? – Perguntei.

Mas antes que ela me respondesse, uma forte trovoada a assustou. Vi o rosto de pânico da Lucy voltar e me preocupei que ela não fosse conseguir mais seguir em frente. A puxei em um forte abraço e senti ela escondendo o rosto em meu peitoral.

— Não dá, Natsu… Eu não vou conseguir… – Ela choramingou.

— Olha, ainda faltam pelo menos uns dez toldos. Dá pra gente fazer isso, Lucy. Faltam três quadras, não estamos longe. Você não vai querer ficar presa nesse fim de mundo, não é?!

Levantei seu rosto delicadamente para que ela pudesse me olhar, e dei um breve beijo em sua testa, tentando convencê-la que eu a deixaria segura.

Pareceu funcionar, já que ela começou a olhar para o caminho que tínhamos que seguir, e pareceu cogitar correr de novo.

— Vamos? – Perguntei, oferecendo minha mão pra que ela segurasse.

Lucy aceitou sem pensar duas vezes, e então passamos a correr de novo. Parávamos apenas para recuperar o fôlego, e logo estávamos correndo outra vez. Não era exatamente o fim de encontro que eu estava esperando, mas ter a oportunidade de ser a razão de Lucy estar enfrentando seu medo, aquilo com certeza estava valendo a pena.

Paramos ao último toldo antes de encarar um longo caminho até a escola. O ônibus ainda estava ali e o pessoal da Fairy Tail ainda estava embarcando. Estávamos dentro do horário, para nossa sorte.

— Finalmente… – Ela resmungou, ofegando. – Meu tornozelo está doendo... E eu tô com frio… – Reclamou, abraçando os próprios braços.

Ah, droga. Eu havia me esquecido totalmente que Lucy ainda estava com o tornozelo ruim. Que tipo de pessoa eu era pra fazer ela correr assim na chuva?

Foi instantâneo minha reação de querer protegê-la, então pensei na única solução que dava naquele momento.

— Vem aqui. – A chamei, indicando que ela subisse em minhas costas.

— O quê? Não, eu não sou leve, e vai ser difícil me carregar na chuva. – Ela foi arranjando desculpas e se afastando de mim.

— Só sobe logo, Luce. Não temos a noite toda. – Revirei os olhos.

Ela ficou teimando por um tempo ainda, e eu tentei demonstrar que não aceitaria um ‘não’ como resposta. Demorou, mas ela aceitou.

Tirei minha camiseta antes que ela subisse em minhas costas, e Lucy me olhou interrogativamente.

— Você sabe, calor humano pra aquecer… Você disse que tava com frio. – Dei de ombros, e ela pareceu impressionada com o que ouviu. – Eu também estudo, sabia?! – Zombei, e ela riu sem graça.

A ajeitei em minhas costas e comecei a correr em um trote até o ônibus.

Mesmo que fosse difícil carregar alguém nas costas em plena chuva, sentir o calor dela se segurando firme em mim estava sendo uma sensação muito melhor. Seu rosto apoiado em meu ombro, seus braços envolvendo delicadamente meu pescoço, suas pernas em minha cintura, seus seios em minhas costas. Naquela altura do campeonato nem parecia que a chuva só estava piorando.

Quando chegamos junto ao pessoal da escola, coloquei Lucy ao chão e fomos mandados direto para dentro do ônibus. Gray já estava lá com minha mochila, e a peguei para que pudesse emprestar minha toalha e minha blusa à Lucy.

O que um idiota apaixonado não fazia, não é?!

Mas pra não dizer que fiquei em total desvantagem, o cheiro de Lucy acabou ficando em minha toalha, e ela se sentou ao meu lado, ficando abraçada á mim para que sua culpa de me deixar sem blusa não a engolisse, conforme suas próprias palavras.

Lucy acabou cochilando no caminho, e peguei no embalo. Mas antes, comecei a pensar sobre aquele dia que parecia ter sido tão comprido. Eu havia passado pra final do campeonato, tive um encontro com Lucy durante uma tarde toda na praia, e agora ela estava dormindo em meu peitoral em uma viagem de duas horas.

Se por um momento eu achei que estava tudo dando errado, claramente era porque eu não imaginava como ia terminar meu dia realmente.

Notas finais
A música que o Natsu está cantarolando é "That Girl", do Justin Timberlake (aqui o link pra quem nunca ouviu > https://www.youtube.com/watch?v=Z19_oDXAqI0&feature=youtu.be <) O que acharam desse jogo disputadíssimo? Se eu pegasse esse cara que bateu no Natsu, com certeza amassaria ele! u.u' E essa saidinha com a Lucy? *O* Ele foi tão atencioso ♥ Aos pouquinhos está conquistando ela mais e mais ♥ E o beijo dos dois na enfermaria só rolou pq ontem foi o dia do beijo, e eu queria homenagear de alguma forma :P Enfim, antes de me despedir, eu queria pedir desculpas, sei que estou sendo uma autora irresponsável sem responder o comentário de vocês, e caramba, eu me sinto realmente péssima por isso! Eu juro que vou responder o mais rápido possível, só preciso de arranjar um tempinho ok?! E como o destino tá de mal comigo, hoje que eu consegui um tempo, minha internet está horrível, eu tô a tarde toda pra postar esse capítulo e está saindo só agora a noite DDD: Mas por favor, não pensem que eu estou ignorando propositalmente! Eu leio tudo e amo o que vocês me escrevem, sempre fico imensamente feliz ♥ Por isso, desculpas não é o suficiente, então vou dar um jeito de responder logo e compensá-los de uma forma ;D Obrigada por não desistirem de mim e de Troublemaker ♥ Até dia 21/07 ♥ Bjinhoos *3*