Troublemaker

33 Outra Lucy


Notas iniciais
Heeey amores ♥ Td bem com vcs? Dia 21/07, mais um capítulo *O* O de hoje tá um pouquinho menor do que os que eu estava trazendo das últimas vezes, mas enfim, espero que gostem! Ele tá bastante cômico, eu me diverti bastante fazendo ele SAHUSAHUs' Anyway... Boa leitura *3*

Ir pra escola depois de uma viagem para o campeonato era sempre muito cansativo, ainda mais quando não se tinha tanto tempo pra descansar.

Quando eu e Lucy voltamos pra casa no domingo a noite, Jellal, Gray e Lisanna nos acompanharam também, e meus irmãos decidiram fazer a noite da pizza pra comemorar nossa vitória. Não bastasse eles, Gajeel e Levy ainda estavam por ali também, então minha casa estava mais cheia do que qualquer outro dia.

Claro que ninguém perdeu a oportunidade de zombar sobre o fato de eu e Lucy estarmos completamente molhados, mas eu não me importava tanto com as piadas. Só não podia falar o mesmo da Lucy, que quase faltou cavar um buraco no chão e se esconder.

Mesmo que no dia seguinte tivesse aula, todos saíram de casa bem tarde, e por isso eu estava indo para a escola como se um caminhão, um trator e um ônibus lotado tivessem passado por cima de mim diversas vezes. Porque não bastava o jogo de domingo, eu ainda estava cansado pelo casamento do sábado.

— Uau, que cara empolgante! Nem parece que ontem passou pra final do campeonato. – Lis comentou, assim que me viu entrando na sala.

Diferente de mim, ela estava sorridente e cheia de energia.

— Eu não sei nem porque vim hoje… – Resmunguei, me jogando em minha mesa e escondendo meu rosto entre os meus braços.

— Você quer uma massagem e uma notícia boa pra ficar alegre? – Ela cantarolou, colocando suas mãos pequenas em meus ombros e me massageando, sem esperar por uma resposta. – Hoje vai ser anunciado o tema do nosso baile de formatura. Você falou com seu pai pra comprar os ingressos, né?!

— Não, mas a Erza já deve ter feito isso. Ela disse que eu não perderia minha formatura nem se eu arranjasse um jeito de quebrar as duas pernas.

Lis riu alto ouvindo aquilo, e me encarou travessa.

— Você vai chamar a Lucy pra ser seu par?

— Lucy? Eu tava pensando em chamar você. – Dei de ombros, revelando meu plano original.

O baile de formatura era um assunto comentado desde o primeiro dia de aula, mas era o assunto que eu mais evitava, á todo custo. Como Erza me faria ir, nem que fosse do avesso, meu plano sempre foi chamar Lisanna para me acompanhar. Mas agora a ideia de ir ao baile e levar Lucy não parecia tão ruim. Na verdade, era aquelas coisas típicas que casais faziam, e eu me sentiria mal se Lucy fosse com outro cara. Porque todo mundo sabe que baile de formatura não é exatamente pra comemorar que estamos formados, é mais aquele momento que a gente finalmente cria coragem de assumir que estávamos tendo uma queda pela pessoa o ano todo e não tivemos coragem de falar até aquele dia, o último que nos veríamos em toda nossa vida.

— Me chamar? Qual é, Natsu, eu tô tão óbvia assim que não vou arranjar um par até lá? – Lis fez um biquinho de quem foi ofendida, e eu comecei a rir.

— Não foi isso o que quis dizer, Lis. Eu só…

— Não importa. Se eu fosse você, falaria com a Lucy logo. Depois que esse assunto do baile voltou á tona, ela acabou recebendo dois pedidos hoje.

— Já pediram? – Perguntei, mal contendo minha surpresa. – E ela respondeu?

— Disse que ia pensar, mas foi mais como uma desculpa pra não ter que dizer ‘não’ logo. Você sabe, a Lucy é legal demais pra magoar as pessoas. Mas se ela já tivesse um acompanhante, seria mais fácil responder os próximos pedidos. – Falou sugestivamente, enquanto sorria travessa.

— Eu devia pedir hoje? Ou espero pra depois? – Perguntei, vendo Lis abrir um sorriso ainda maior.

— E eu achando que você ia ser teimoso e falar que não ia chamar ela, mas já deve até ter feito o discurso do pedido na cabeça enquanto a gente conversava.

— Claro que eu vou chamar ela. – Revirei os olhos, dando um empurrão de leve em minha amiga. – Mas se ela disser que não, eu vou chamar você.

— Lucy não diria não pra você. Mas eu sim, porque já tenho um acompanhante! – Sorriu convencida, voltando ao seu lugar, porque o maldito professor resolveu aparecer bem nessa hora.

— O quê? Espera, Lis! Você tem?

Eu não estava acreditando no que ouvi. Paro de prestar atenção em meus amigos por alguns dias e eles já me vem com essa de acompanhante. Como assim minha melhor amiga tinha um acompanhante?

— Depois a gente conversa. – Ela me deu uma piscadinha do seu lugar.

E aquilo só colaborou pra que eu ficasse distraído, e a aula de inglês passou a ser automaticamente de grego na minha cabeça.

***

— Você tá namorando? – Foi a primeira coisa que perguntei assim que encontrei com a Lis na hora do intervalo.

— Não, seu bobo! É só um acompanhante de baile, por que você tá fazendo tanto alarde nessa sua cabecinha? – Perguntou divertida, dando cascudos em minha testa.

— E quem é? É da nossa sala? É da Fairy Tail? É de Magnólia?

— Ignora ele, Lis… – Gray resmungou em seu lugar.

— É o melhor amigo do namorado da minha irmã. E sim, ele é de Magnólia. – Lis revirou os olhos. – Lucy, fala pra ele que não tem nada demais.

— Não tem nada demais. – Lucy repetiu, dando de ombros.

— Não acredito em você! – Teimei, olhando sério pra Lis. – Você deveria me avisar quando começa um namoro, sabe?! Você é praticamente minha irmã, estamos juntos todo esse tempo e é a primeira vez que te vejo namorando.

— Iiih, não confia não, Lis. Se ele tá te chamando de irmã, vai fazer um inferno na vida do cara igual anda fazendo comigo. – Jellal protestou, e lhe mostrei o dedo do meio com toda a educação que eu tinha.

— Eu não tô namorando, Natsu!

— Quando você vai me apresentar ele? – Ignorei o que ela falou, e me sentei ao lado da Lucy, que pareceu surpresa com isso.

— No dia do baile. Agora vamos mudar de assunto, não quero mais falar dele! Eu não devo ser a única com par aqui, não é?! – Perguntou, sem esconder a intenção maliciosa de sua voz.

— Erza vai comigo, porque ela se convidou. – Jellal murmurou, rindo sozinho enquanto parecia pensar em algo particularmente engraçado. – Quase brigamos porque ela achou que eu já tinha uma parceira.

— Por que ela achou isso? – Lucy perguntou.

— Porque não convidei ela quando começamos a sair, e até ontem eu não falei nada do baile. Mas só não falei porque achei que a Erza não ia querer ir, e até mesmo eu não tava muito afim.

— Tá brincando?! Erza está planejando participar do meu baile de formatura desde que eu nasci, e com certeza ela vai convencer a Michelle a deixar ela ir também. – Resmunguei, suspirando alto.

— E quanto á você, Gray? – Lis perguntou, não perdendo a oportunidade de provocá-lo. – Vai chamar a Juvia ou vai esperar ela te chamar?

— Por favor, como se eu fosse ir com a Juvia… – Ele bufou, revirando os olhos. – Eu e a Cana já temos um trato, eu vou com ela.

— Ah, qual é! Até parece que a Cana vai se lembrar disso! Ela já deve ter um par, e eu não acredito que você vai deixar a Juvia sozinha! – Lis se enervou, dando um soco no braço dele.

— Juvia pode arranjar alguém também, ué.

— Você é tão covarde, Fullbuster!

— Ei, ei! Sem discussões! – Me coloquei no meio dos dois, fingindo separar uma briga feia.

A verdade era que viraria uma briga feia, de fato, se ninguém interferisse, já que Gray era cabeça dura demais.

— E você, Lucy? Já tem um par? – Jellal perguntou, tentando mudar de assunto rápido. Mas foi de um jeito errado, já que acabou deixando Lucy sem graça e sem reação. – Ah, quer saber?! Não importa. No dia a gente descobre. – Ele tentou disfarçar, mas a cagada já estava feita.

O clima ficou estranho de forma cômica por um tempo, até o Gray se lembrar da briga que teve no meio do jogo de futebol do campeonato, e começou a contar pra mim e pra Lucy, com direito à intromissão do Jellal e da Lis diversas vezes.

Assim que bateu o sinal pra voltarmos pra sala, puxei Lucy para um lado assim que nossos amigos saíram de perto. Eu sabia que ela ia ficar tímida demais se eu falasse o que eu queria na frente de todo mundo, e eu nem sei como reagiria se ela me dissesse um ‘não’ sem dó.

— Luce, hoje eu não tenho treino depois da aula, o que acha da gente sair? – Perguntei, e sabia que eu já estava encrencado assim que vi a feição que ela começou a fazer. – Eu tava pensando em te levar num lugar que acho que você ia gostar. – Continuei, porque se eu ia fazer papel de trouxa, tinha que ser completo.

— Hoje não vai dar… Desculpa, mas eu prometi que ia passar a tarde com a Levy. É o último dia dela aqui, e eu queria me despedir. – Falou, tão embaraçada que era como se me pedisse desculpas por ela ter compromisso. – E eu meio que tô devendo depois de deixar ela sozinha ontem pra sair com você. – Concluiu, rindo timidamente.

É, eu estava em dívida com a Levy também, então acho que dava pra entender aquilo. Se não fosse por ela, em que mundo Lucy teria negociado um beijo comigo? Definitivamente Levy merecia passar o dia com a amiga.

Quem sabe Lucy não voltasse disposta a negociar outras coisas também?

— Tudo bem. A gente sai outro dia então, pode ser? – Sugeri, torcendo pra que ela realmente considerasse sair comigo de novo.

***

O fim de tarde daquele dia foi realmente entediante. Embora Michelle também estivesse em casa, estava tão silenciosa que sequer parecia ela. Como meus irmãos chegariam só a noite do trabalho, decidi cochilar e diminuir meu sono atrasado.

Quando acordei, senti como se estivesse totalmente renovado. Até estava meio perdido no tempo, não lembrando muito bem que dia era ou que horas poderiam ser. Desci até a cozinha, sentindo minha barriga reclamar de fome, e vi Zeref preparando o jantar acompanhado pela Mavis.

— As mulheres dessa casa estão meio sumidas hoje, não?! – Mavis comentou, assim que me viu. – Boa noite, Natsu-san.

— Boa noite, Mavis. O que é isso, maninho? – Perguntei, próximo dele o suficiente pra que conseguisse ver o conteúdo das panelas. – Lucy e Erza ainda não chegaram?

— Erza chegou e já foi, parece que vai jantar com os sogros e o Jellal, e talvez fique pra dormir. – Zeref falou, e me entregou uma colher de pau cheio com um molho meio estranho, mas muito cheiroso. – Prove.

Embora parecesse esquisito, no sentido ruim da palavra, o meu irmão me dando comida na boca, acabei aceitando.

— Isso é bom. – Constatei, um pouco surpreso. Eu não sabia que meu irmão podia ser útil na cozinha. – E a Lucy?

— Não sei, não tive notícias. – Ele deu de ombros. – Mas a Michelle perguntou se podia dormir hoje na casa de uma colega, e eu deixei.

— Layla não vai gostar dessa ideia, de você ter deixado a pirralha ir dormir na casa de alguém em dia de semana. – O avisei, e ele riu.

— Ela foi pra casa da Wendy. A Mavis disse que eu podia ficar tranquilo, porque a Wendy nunca falta na escola e a mãe dela vai cuidar bem da Michelle.

— Às vezes eu dou aula de reforço pra Wendy, eu conheço os pais dela. – Mavis explicou, sorrindo docemente.

— Então acredito que hoje seremos só nós três, pelo jeito. Vamos jantar aqui na bancada mesmo, coloque os pratos pra mim, Natsu, por favor.

Fiz conforme meu irmão pediu, e jantamos e conversamos a noite toda, me relembrando de antigamente. Era bom passar um tempo com meu irmão, e a presença da Mavis era sempre muito bem vinda.

Depois do jantar, fiz algumas lições da escola, sem realmente prestar muita atenção, e quando terminei, decidi me exercitar na sala, enquanto meu irmão foi levar Mavis de volta para casa.

Estava ficando tarde e Lucy ainda não tinha voltado, e aquilo estava me preocupando. Tentei ligar no seu celular, mas ninguém atendia, e eu sequer sabia o número da Levy. Fiquei na sala durante um tempo tentando pensar numa forma de entrar em contato com ela, quando finalmente ela chegou em casa.

— Natsuuu! – Seu sorriso se abriu, e então ela parou e ficou olhando de um lado para o outro, como se estivesse procurando por alguém. Colocou o indicador nos lábios e me pediu silêncio.

O que diabos Lucy estava fazendo?

— Você tava me esperando? – Perguntou, se aproximando ligeiramente de mim e me abraçando. – Que irmão atenciosoooo.

— Lucy, você tá bêbada? – Questionei, afastando-a de mim e a encarando sério.

Na verdade, não era nem preciso ter perguntado, só por ela ter se aproximado eu já sentia o cheiro de álcool.

— Foi só um pouquinho! – Ela fez gesto com os dedos do tanto que havia bebido, e eu tinha minhas sérias duvidas que aquilo fora somente o que restou no copo depois de muitas doses. E logo em seguida ela começou a passar as mãos pelos meus braços, sorrindo perversamente de um jeito que eu nunca imaginei Lucy fazendo. – Você é tão forte, Natsu. Por que fica andando sem camisa por aí? Isso é golpe baixo, sabia?!

Por Kami, aquilo estava saindo do meu controle. Eu estava na presença da Lucy bêbada não tinha nem um minuto, e já podia perceber que ela era totalmente outra pessoa.

— Sua mãe sai por duas semanas e você já se embebeda desse jeito na segunda noite. – Murmurei.

— Ah, não conte pra Layla! – Ela fez bico e cruzou os braços, emburrando-se como uma criança que havia acabado de ter o doce tirado. – Se você contar, eu digo que me beijou. – Me ameaçou, mostrando a língua.

Claro que acabei caindo na risada. Aquilo era inacreditável, pra não dizer outra coisa.

— Eu não ia dizer pra sua mãe, mas depois disso confesso que fiquei um pouco tentado.

— Natsuuu.

— Ok, ok. Mas vamos, você precisa subir e tomar um banho. Sabia que amanhã tem aula? – Avisei, conduzindo-a até as escadas enquanto a segurava firme pelo ombro, certificando-me que ela não cairia.

— Eu vou ficar bem. – Lucy cantarolou, me olhando pelo ombro com um sorriso sapeca.

— Se você diz… – Revirei os olhos, levando-a direto para o banheiro. – Já fez isso antes? – Perguntei, realmente curioso.

— Tomar banho? Eu faço isso todo dia.

— Ficar bêbada, Luce.

— Ah. Algumas vezes. Quando eu dormia com a Levy. – E Lucy começou a rir, se segurando em meus ombros. – Não exatamente dormir com a Levy, tipo juntas... – E riu mais um pouco. – A gente não fazia aquelas coisas, se você quer saber…

— É, eu entendi. – Tentei fazê-la ficar quieta, mas Lucy estava elétrica demais.

— Você vai me dar banho? – Ela perguntou, tentando tirar a camiseta que usava, mas sem qualquer sucesso. – Isso eu nunca fiz antes. Fico imaginando se é legal tomar banho com um cara…

Minha única alternativa no momento era rir daquilo, porque eu estava em uma situação um tanto quanto provocante demais.

— Não vou te dar banho. – Falei, ajudando Lucy a tirar a camiseta e tentando me manter focado em não encarar seu corpo. – Pelo menos não hoje… – Sussurrei, esperando mesmo que aquilo pudesse acontecer em uma outra ocasião, com a Lucy sóbria, de preferência.

Escutei Lucy reclamar por eu não lhe dar banho, e também me foquei em ignorar isso e colocar na cabeça que ela estava totalmente fora de si.

— Você consegue tirar sua calça, não é?! Vou fechar a porta e te esperar aqui fora. Me avise quando terminar. – Falei, fechando a porta antes que ela ousasse tirar a calça na minha frente.

Fiquei ali, como eu disse que ficaria, e esperei todo o tempo que ela ficou no banho. Escutei-a cantarolando e rindo igual uma criança, e o momento que começou a me chamar pra tomar banho junto com ela.

Lucy estava literalmente oferecendo banana ao macaco, e o macaco estava recusando por consideração e bom senso.

— Lucy já chegou? – Escutei meu irmão perguntando, saindo de seu quarto só de pijama.

— Tá no banho. – Dei de ombros.

— E você está aqui na porta por quê? Quer esperar ela sair pra vê-la nua? – Zeref questionou, com uma clara desaprovação na voz.

— Não! Eu não faria isso! – Tentei soar tão ofendido quanto eu realmente estava. Qual é?! Eu não desrespeitaria garota nenhuma assim. – Ela chegou bêbada e tá meio doida. Eu tô aqui pra colocar a Lucy direto na cama.

— Lucy bêbada? – Perguntou desacreditado, rindo. – Eu nunca imaginaria algo assim, não dela.

— Nem me fale. – Revirei os olhos.

E como se estivesse escutando que falávamos dela, Lucy saiu do banheiro sorridente, com a toalha envolta de seu corpo, e pareceu gostar de ver meu irmão.

— Zereeeeef! Você por aqui! – E correu para abraçá-lo, surpreendendo-o. Não só pela ação em si, mas porque Lucy esqueceu de segurar sua toalha, e ela acabou escorregando no meio do caminho, e a loira o abraçou completamente nua.

— P-por Kami, Lucy. O q-que v-você está fazendo? – Ele gaguejou, todo vermelho e sem graça, sem conseguir nem olhar pra ela.

Se não fosse tão trágico, com certeza eu estaria rindo horrores nesse momento.

Peguei a toalha do chão e a cobri pelas costas, puxando-a num abraço para que ela se soltasse do meu irmão e ele pudesse conseguir respirar de novo.

— O quê? Você não gosta de abraços? – Lucy perguntou a ele, fazendo bico.

— Não, ele é mau humorado e chato. Vamos dormir, Luce. – Comecei a levá-la até o seu quarto, e rindo internamente do Zeref congelado no meio do corredor.

— Você vai dormir comigo? – Lucy comemorou, dando pulinhos enquanto andava.

— Não me pergunte essas coisas, Luce. Você não tem ideia de como eu queria dizer sim. – Resmunguei, e ela me olhou um tanto curiosa. – Coloque uma roupa pra dormir e me avise quando terminar. – Falei, ficando do lado de fora do seu quarto.

Obedientemente ela entrou em seu quarto e colocou um pijama, e me chamou assim que terminou, já deitada em sua cama.

Peguei um dos seus cobertores para cobri-la e desliguei a luz no interruptor acima de sua cabeceira, mas fui impedido de ir embora.

— Por favor. Dorme comigo. – Ela pediu de forma manhosa, me puxando pelo braço com uma força até impressionante, e acabei caindo em cima dela. – Eu não quero ficar sozinha. – E então começou a chorar, e aquilo destruiu todas as minhas estruturas de permanecer impassível aos seus pedidos loucos.

Não que eu já tivesse presenciado isso antes, mas eu detestava ver Lucy chorando.

Permiti que minha fraqueza falasse mais alto e me deitei ao seu lado, sendo abraçado no mesmo segundo. Levou pouco tempo para que ela se acalmasse de novo, e fiquei um pouco mais aliviado por isso.

— Natsu. – Me chamou em um cochicho.

— Sim.

— Você iria ao baile comigo? – Perguntou, olhando-me atentamente nos olhos.

— Isso é um convite? – Devolvi, não muito convencido se era sério.

Tecnicamente, Lucy estava bêbada. Por outro lado, gente bêbada costuma dizer verdades sem o problema de pensar muito quando como está sóbrio. Eu não sabia muito bem se aquele era o caso da Lucy, já que era a primeira vez que eu a via assim, mas não custava perguntar. E sempre tinha o dia seguinte pra tirar as coisas a limpo.

— Você não quer ir comigo, né?! Você deve achar que eu sou uma louca depois de me ver assim. – Resmungou, e voltou a chorar.

— Não! Não, Luce. Claro que não. – Tentei confortá-la a puxando para mais perto, fazendo um cafuné em seus cabelos loiros. – Você é louca até sóbria e mesmo assim eu continuo gostando de você, não é porque você resolveu se divertir uma noite que eu vou mudar de ideia. – Falei, fazendo-a rir.

— Você gosta de mim o suficiente pra me levar ao baile, então? – Sussurrou, me surpreendendo com um breve beijo.

— Gosto de você o suficiente pra fazer mais do que ir ao baile. Muito mais. Mas em outras ocasiões.

Lucy se envergonhou com o que eu disse, escondendo seu rosto entre o meu ombro e o meu pescoço, e fiquei sentindo sua respiração calma até que ela pegasse no sono. E mesmo que eu soubesse que deveria sair e deixá-la sozinha, não consegui arranjar força suficiente pra sair de sua cama confortável, do seu abraço quente e do seu cheiro viciante.

***

Nem sempre a gente acorda da melhor maneira possível, e acredito que aquele dia estava no topo de qualquer outra péssima maneira de acordar.

Até um despertador no último volume bem no meu ouvido teria sido menos doloroso.

Assim que Lucy acordou e notou que eu estava ali, abraçado a ela, depois de tudo o que eu fiz, fui agradecido com um grito e um empurrão ao chão.

— O que você tá fazendo, seu tarado? – Continuou gritando, me batendo com seu travesseiro diversas vezes.

— Lucy! – Tentei me explicar, mas levei uma travesseirada na cara. – Lucy, não é… – Outra travesseirada. – Para com isso, Lucy! – E então agarrei o travesseiro de sua mão e o joguei longe, vendo-a me olhar raivosamente. – Você veio pra casa bêbada e me puxou pra dormir aqui. Foi você que pediu.

Ela continuou me olhando esquisito, como se não acreditasse no que eu estava dizendo.

— Você não acredita em mim? Pergunte ao Zeref! Eu juro que não fiz nada, Luce.

Continuei sentado no chão por um tempo até ver que era seguro me mover e não apanhar mais, enquanto Lucy ficou sentada na cama e pensativa.

— Eu não consigo lembrar de como vim parar em casa… – Ela sussurrou, provavelmente só para si, mas acabei escutando.

— Depois do que aconteceu, eu também ia querer ter a memória apagada. – Comentei sozinho, rindo daquilo.

Ela me olhou instantaneamente, com um rosto apavorado.

— O quê eu fiz?

— Ué Lucy, você já bebeu antes, devia saber do que é capaz. – Dei de ombros, divertindo-me por deixá-la irritada.

Finalmente me levantei e chequei o horário no relógio do criado mudo dela. Era tão cedo que meu celular sequer tinha despertado ainda.

— Não sei se vai querer ir pra aula, mas vou buscar um remédio de dor de cabeça pra você. – A avisei, e ela concordou sem muita opção.

Mas ao invés de ficar no seu quarto, ela me seguiu até a cozinha.

— O que eu fiz? – Ela perguntou de novo, agora um tanto desesperada pela resposta.

— Mais tarde eu respondo, mas por enquanto você precisa saber que deve desculpas ao Zeref. Você traumatizou o meu irmão, Luce. – Tentei parecer desaprovador e decepcionado, mas pela cara que ela fazia eu tava quase ao ponto de rir.

— Natsu, isso não tem graça. – Ela reclamou, sentando-se na banqueta e engolindo o remédio que lhe dei, junto com o copo d’água.

No mesmo instante, meu irmão apareceu na cozinha, devidamente vestido para ir trabalhar, e por um momento congelou ao ver Lucy.

— Bom dia, maninho. – O cumprimentei, me divertindo mais do que nunca.

— B-bom dia.

Se ele ia tomar um café da manhã, acabou mudando de ideia ao escolher beber silenciosamente só um copo de leite, e sair sem nem olhar pra Heartfilia.

— Viu?! Traumatizou o meu irmão! – Conclui, vendo Lucy arregalar os olhos e ficar ainda mais desesperada.

— Eu… Deveria pedir desculpas? – Ela perguntou em um sussurro.

— Mais tarde. Só vamos nos arrumar pra aula agora. – Dei de ombros, segurando o riso. – Aliás, Luce… Você já tem um par pro baile caso alguém te perguntar.

Notas finais
Eu não sei vocês, mas adoro a Lucy bêbada SAHUSAHUAHUs' O que será que essa história de baile de formatura vai dar? :X e será que o Natsu vai contar o que aconteceu? SHUASHUSAHUs' O Zeref todo embaraçado com a Lucy nua, eu juro que consigo imaginar a Mavis ligando pra perguntar como foi o dia, e ele todo desesperado "Eu juro que não fiz nada! Foi ela que veio pra cima de mim, juro que não fui eu!!!" SASAHSAHUuhs' Enfim, espero que vocês tenham gostado, obrigada por não desistirem de mim e de troublemaker, e até quinta dia 04/08 *-*