Troublemaker
8 Passado e Presente Entrelaçados
Notas iniciais
Durante todo o percurso de carro da minha casa até a pizzaria nós ficamos em silêncio. Era muito óbvio como Layla tinha receio de puxar assunto comigo, e eu não estava lá muito disposto a iniciar um diálogo. Eu não estava de mal humor, só não estava confortável o suficiente.
Quando chegamos na pizzaria, um dos garçons que me reconheceu me cumprimentou animado e o pedi que nos desse um lugar ao fundo, para ter privacidade. Aquele era um local que eu frequentava com amigos, e geralmente acompanhado de algumas garotas que tentavam algo comigo mais tarde, então não era como se eu fosse gostar de aparecer por ali com a mãe da novata da escola. Não ia pegar bem.
— Já vou pedir para o pizzaiolo preparar sua favorita. Sinta-se em casa, senhor Dragneel, senhora. – O garçom falou e então se retirou, se curvando brevemente para nos cumprimentar.
— Você vem sempre aqui, então? – Layla me perguntou, iniciando nosso primeiro papo furado da noite, após se sentar e se arrumar de forma confortável.
— Está me cantando, Layla? – A questionei seriamente. Aquela frase a deixou muito embaraçada, de um jeito extremamente engraçado. Ela ficou tão embaraçada que começou a tropeçar em palavras e a ruborizar drasticamente. Comecei a rir alto de sua situação, adorando seu desespero para se explicar. – Estou brincando, fique calma. Sempre venho uma vez por semana, geralmente com meus amigos. É muito raro eu vir com alguém da família.
E só ao proferir aquelas palavras e ver o rosto dela ruborizando levemente, foi que eu percebi e me embaracei com aquilo. Pelo modo que eu dissera a frase, fez parecer que eu estava assumindo Layla como da família já.
Droga, Dragneel, preste mais atenção ao que fala!
— Quer pedir algo em especial? – Tentei quebrar o silêncio que perdurou por tempo o suficiente pra ser mais do que estranho. – Tem alguma pizza de gosto esquisito que você goste? Eles fazem tudo o que eu peço, é quase minha casa esse lugar. – Sorri para ela.
Bom, eu teria que fazer aquilo, não teria? Então que fosse da forma mais fácil, porque eu já estava farto de drama por aquela semana. Ser simpático com Layla por uma noite não iria me matar, sem contar que ela estava me pagando um rodízio de pizza. Qualquer um que me fizesse isso merecia toda minha gratidão.
— Ah, não, obrigada. Eu fico com os sabores normais mesmo. – Ela sorriu de volta. Constatei que suas covinhas eram ainda mais bonitas de perto. – Mas eu gostaria de pedir algo para beber.
— Oh, claro. Bebidas!
Chamei o garçom e pedi refrigerantes para nós. Minha vontade era de pedir bebida alcoólica, assim ficaria tudo mais fácil, mas Igneel não aprovava esse meu gosto e provavelmente Layla me deduraria.
— Lucy ficou doida quando soube que eu estava vindo jantar com você. – Ela comentou de repente.
A gargalhada que soltei foi inevitável.
— Imagino que sim. Me surpreende ela não ter vindo junto.
— Não foi por falta de insistência. O que houve entre vocês pra ela estar tão desconfiada? Claro, além do “incidente” da primeira noite. – Layla deixou bem claro que sabia o que houve de verdade no meu quarto no jantar de segunda. Mas aquilo não me intimidou, o que eu poderia fazer, afinal?! Mentir até a morte?
— Lucy não gosta muito de mim. E ela ficou ainda menos amorosa depois que você e Igneel disseram que iriam romper o noivado. – Fiz uma careta.
— Entendo. – Ela tamborilou sobre a mesa com seus pequenos dedos, um tanto apreensiva. – Sabe, Natsu, eu conversei com seu pai e disse que eu não queria fazer isso se significasse a infelicidade das minhas filhas ou dos filhos dele. E ele concordou comigo. Eu não suportaria ser a responsável por estragar seu relacionamento com Igneel, por isso disse que seria melhor não ir em frente. Fico feliz que as coisas tenham se resolvido, no final das contas.
Nesse momento o garçom apareceu com nossos copos e os refrigerantes, e eu me concentrei em encher meu copo e beber um grande gole.
— Igneel te falou da conversa. – Conclui.
Layla ficou um tanto sem graça com aquela afirmação e olhou para baixo, remexendo seu refrigerante com o canudo.
— Não se preocupe, vocês são noivos. E nada mais justo do que você ficar sabendo do que diabos eu tinha contra tudo isso. – Sorri fraco, olhando para o outro lado. – Quero dizer, não é como se eu estivesse totalmente okay agora, ainda vai demorar a me acostumar, mas você claramente deixa meu pai feliz, e eu prefiro que ele esteja assim.
Um garçom passou oferecendo dois sabores de pizza e pedi um de cada, enquanto Layla pegou só um.
— Eu também não quero que pense que estou substituindo sua mãe, mas eu quero cuidar de você como eu cuido e amo minhas filhas.
Apenas concordei com a cabeça e me concentrei em comer por um momento.
— A questão não é você substituir minha mãe ou não, eu sei que isso não vai acontecer. Mas é que no começo, parecia que Igneel sequer lembrava da Miyuki. E ainda havia todas as coisas que ele me disse quando eu era mais novo, e ele fazendo tudo ao contrário. E então ele falou em casar em dezembro, isso me deixou mais magoado ainda.
Foi nesse momento que sua atenção focou completamente em mim. Como se eu tivesse dito algo que ela queria ter ouvido.
— Igneel conversou comigo sobre mudar o mês do casamento, mas não me explicou o porquê. Disse que era para te perguntar, caso você entrasse nesse assunto. – Ela falou baixinho, um tanto apreensiva, já ciente de que estava tocando em um assunto delicado.
Eu não demonstrei, mas estava realmente surpreso por Igneel ter deixado aquele assunto em minha responsabilidade. Não conseguia definir se era algo bom ou ruim, já que a morte de minha mãe e tudo o que a envolvia, ainda não era algo que eu havia superado completamente.
Mas nós arranjamos aquela noite para nos conhecermos, então nada mais justo que tudo fosse explicado devidamente.
— Você sabe do que minha mãe morreu? – Perguntei de forma direta, largando meus talheres e me concentrando somente naquela conversa.
— Câncer, não é?! Câncer ósseo. – Layla continuou falando baixo, se recusando a me olhar.
— Sim, isso. – Respirei fundo antes de continuar, tentando me segurar ao máximo para não chorar falando daquilo. Acredito que Layla era a primeira pessoa que eu estava contando sobre aquela história, uma vez que Gray e Lisanna já sabiam desde sempre, já que estudavam comigo na época.
Ou seja, não ter certeza de como eu reagiria ao dizer cada uma das palavras que seriam ditas, sinceramente, me dava medo.
— O primeiro desmaio dela foi no fim de novembro, há uns cinco anos, e quando a levamos para o hospital ela foi diagnosticada com um câncer maligno. Ela já estava andando mal por um tempo, com a saúde fragilizada, mas nunca levou muito a sério. Vivia dizendo que só precisava comer mais. Eu dava broncas nela, mas que autoridade um pirralho de doze anos tem sobre a mãe? – Dei de ombros, relembrando quando Miyuki falava que era bobagem eu me preocupar. – Na época que ela foi diagnosticada, eu não sabia muito bem dessas coisas técnicas, ainda era novo. E na verdade, também não me lembro de muita coisa. Só o que me lembro é que ela parou de trabalhar durante o mês de dezembro, e se dedicou exclusivamente para nós. Eu parei de ir na escola também, porque eu queria ficar mais tempo com minha mãe. Eu não sabia de nada, mas tinha o sentimento de que algo horrível aconteceria. Perdi provas e quase repeti de ano, mas o diretor relevou tudo depois. – Suspirei pesado, tomando um gole grande de refrigerante para tentar tirar o nó da garganta. Layla me olhava de forma triste, e isso fazia com que minhas emoções se aflorassem ainda mais.
— Ela sentia dores o tempo inteiro, mas isso não a impedia de fazer as coisas por nós e ficar conosco, seja brincando ou sentada no sofá assistindo filme. Passamos o natal e o ano novo juntos, e de alguma forma, mesmo que ninguém tivesse me contado, eu sabia que era a última vez que a veria naquelas datas. – E então fiz outra pequena pausa, secando uma lágrima que escorreu sem minha permissão. – Dia cinco de janeiro ela piorou e foi internada. Ficou uma semana no hospital, e então ela melhorou muito de repente. Foi ótimo, ficamos todos muito felizes quando fomos visitá-la. Ela sorria, brincava, estava linda como uma rainha, mesmo sem cabelo. Eu até consegui dormir naquela noite, já que eu não o fazia desde que ela estava no hospital. Mas durante a madrugada ligaram em casa e noticiaram Igneel de que Miyuki havia falecido.
Apesar de eu estar consideravelmente controlado, quem chorava agora era Layla. Algumas lágrimas escapavam por seus olhos, e eu lhe ofereci um dos meus guardanapos. Ela agradeceu baixinho.
— Por isso eu não quero e não gosto que nada aconteça em dezembro. É o mês que eu gosto de relembrar da minha mãe e o quanto eu a amo, mesmo que já tenha passado tanto tempo sem ela. Gosto de lembrar como ela se dedicou a mim durante todo o mês, mesmo que só sentisse vontade de ficar na cama e tomar remédios pra parar de sentir dor. Ela nunca reclamou das dores que sentia, mas os médicos sempre avisavam ao meu pai que eram intensas. E bem, eu acreditava, afinal ela vivia na base de morfina. – Suspirei profundamente, lembrando de como Miyuki sempre sorria, como seu sorriso era o mais iluminado que eu já vira, e novamente me deu um nó na garganta. – Não me leve a mal, Layla, mas o seu casamento só traria desgosto pra mim em dezembro.
Ela concordou com a cabeça e ficamos em silêncio durante um tempo. Voltei a comer e Layla me acompanhou. Mais algumas pizzas passaram em nossa mesa, e até pedi pra me trazerem outro refrigerante. A quietude durou por bastante tempo, já que inevitavelmente ficou um clima estranho. Mas ainda estávamos no começo da noite, eu não permitiria que ficasse um clima ruim até irmos embora. Então tentei caçar por assuntos na cabeça, e acabei me lembrando sobre uma questão que vinha me rondando desde que a conhecera.
— Vamos aproveitar a noite e mudar de assunto, você não está gastando uma grana comigo pra ficarmos calados em um clima desses, não é?! Vamos falar outra coisa que eu estou curioso. – Propus, e ela aceitou sem questionamentos. – Como foi que você e Igneel se conheceram? Você morava em Nova Iorque, certo?! Só que Lucy também me disse que nasceu em Magnólia.
Layla sorriu grande, talvez feliz por ver meu interesse naquele assunto, e tomou um gole de refrigerante antes de começar a falar algo.
— Hoje é uma noite de grandes histórias, pelo jeito. – Deu uma risada, pensando no que iria dizer. – Bem, Igneel foi advogado do meu marido durante alguns anos, foi assim que nos conhecemos. Faz muito tempo, na verdade. Eu conheci Miyuki e ficamos bastante amigas, ainda mais porque estávamos grávidas, e os bebês nasceriam basicamente na mesma época. Você nasceu primeiro, e eu te visitei no hospital, e Miyuki e Igneel também visitaram Lucy em seu nascimento.
Layla começou a mexer em sua bolsa e tirou a carteira de lá. Abriu-a e pegou algo, olhando para aquilo sorridente, e depois me entregou. Surpreendi-me ao ver que era uma foto minha, de quando eu era bebê, e quem me segurava no colo era Layla. Aliás, eu estava surpreso antes mesmo de ver a foto, já que Layla dissera que conhecera minha mãe.
— Era pra você e Lucy terem sido criados juntos, tecnicamente. Igneel iria comprar uma casa ao lado da nossa, já que sua família ganhara mais um novo integrante, e nós seríamos vizinhos. Mas nessa época meu marido era dono de uma grande empresa, que acabou se expandindo muito rápido. Ele recebeu uma oferta irrecusável de Nova Iorque, e fomos para lá depois que Lucy completou um ano. Então eu engravidei de novo, e quando Michelle estava com dez anos, Jude veio a falecer.
Ela deu uma pausa para pegar outro pedaço de pizza que um garçom veio nos oferecer, e bebeu um gole de seu refrigerante.
— Lucy e Michelle não sentiram tanto, porque ele já não ficava mais em casa, infelizmente. As empresas ficaram para eu cuidar, mas não consegui dar conta. A de Magnólia sobreviveu, então eu estava fazendo constantes viagens há quase dois anos para cá, pra resolver problemas e tudo mais. Eu não queria me mudar definitivo por causa das minhas filhas, elas já estavam completamente acostumadas com a correria de Nova Iorque. Mas os problemas não paravam de aumentar, e eu cheguei a ficar quase um mês aqui, deixando Lucy e Michelle aos cuidados de uma amiga. Eu consegui o telefone do Igneel e o contatei para me ajudar a resolver algumas coisas, eu sabia o quanto ele era bom com casos difíceis. Começamos a nos ver várias vezes, e conforme o tempo foi passando, mesmo depois que ele terminou o serviço, continuamos a nos encontrar.
Ao terminar sua história, seus olhos brilhavam ao mencionar meu pai, e talvez por lembrar dos encontros que eles tinham escondidos. Que era algo que eu não gostaria de imaginar.
— Eu acho que me lembro disso. Foi uma empresa que ele trabalhou com processos durante meses. O último caso sério e lucrativo que ele pegou. Agora Igneel prefere as coisas mais simples. – Fiz uma careta.
— Não gosta que ele pegue casos simples? – Layla riu com aquilo.
— Ele tem potencial para se dar bem com os casos complicados, é quase um desperdício Igneel recusá-los.
Layla riu de novo, concordando comigo.
— Acho que ele está se preparando para a aposentadoria, ou algo assim. Mas e você, Natsu? O que pretende seguir como carreira? Seu pai me disse que você é muito bom com basquete, e embora eu tenha percebido que Erza é bastante implicante com você, ela também fez infinitos elogios.
Aquilo foi uma surpresa da qual eu não esperava. Quero dizer, o que naquela conversa não estava sendo surpreendente?
— Erza me elogiou? – Meu tom de voz deixou bem claro que eu estava pasmo com aquela confissão. – Isso, definitivamente, é um sinal de que devo continuar nesse caminho!
Rimos alto e continuamos conversando e comendo quase por mais uma hora, e eu pude perceber o que Zeref quis dizer na conversa que teve comigo. Era impossível não se sentir confortável conversando com Layla, além dela ser bastante divertida.
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Depois de pagar a conta, Layla me levou para casa.
— Você não vai entrar? Meu pai deve estar acordado me esperando na sala com as expectativas á flor da pele. Eu sou o raio de sol do Igneel, mas acho que ele também ficaria feliz em te ver.
Layla soltou uma gargalhada engraçada, e eu acabei rindo de sua risada.
— Não, obrigada querido. Amanhã eu venho com as meninas para o jantar. Já está tarde e eu tenho que trabalhar cedo, além de levar Lucy e Michelle pra aula.
Suspirei antes de sair, não sabendo como finalizar aquele momento.
Digo, era óbvio que eu havia me divertido e tudo mais, mas aquela era a mesma mulher da qual eu vinha evitando por seis meses. Eu não era dos melhores pra um relacionamento assim com ela.
— Então, ahn… Obrigado… Pelo jantar. E pela conversa. – Fiquei meio sem jeito ao falar aquilo, e ela riu de novo, me puxando para um abraço, que eu não esperava e não sabia como reagir.
— Obrigada você, Natsu. Não sabe como fiquei feliz que finalmente pudemos fazer isso. Meu neném. – E me deu um beijo estalado na bochecha, que resultou em mim todo ruborizado com aquilo.
Desajeitadamente retirei o cinto e sai de seu carro, e antes de fechar a porta falei um “até amanhã”. Fui andando com cara de bobo até a porta de casa e fiquei repassando toda aquela noite na cabeça. Tentei me recuperar rapidamente, já que eu ainda passaria por um interrogatório e odiaria entrar em casa abobalhado.
Layla só foi embora com o carro depois que eu entrei em casa, e então acenei para ela.
Eu acenei!
O que diabos era aquela mágica que Layla usou em mim durante todo o jantar?
Para minha surpresa, apesar das luzes estarem acessas, a sala estava vazia. Mas não demorou muito para que essa realidade mudasse.
— Natsu? É você? – Meu pai desceu as escadas apressadamente, pouco se importando se ele tomaria um tombo horroroso com apenas um passo em falso.
— Tadaima, Igneel.
— Okaeri, filho. Por que demoraram tanto? Como foi lá? O que achou da Layla? – Ele segurava firme em meus ombros, tão desesperado por respostas que quase me chacoalhava.
Quase comecei a gargalhar ali mesmo, porque era hilário a ansiedade dele.
— Sinceramente, Igneel… – Deixei a entender que falaria algo negativo, o que fez com que a aflição de Igneel somente aumentasse. Eu tinha a impressão de que ainda faria meu velho ter um ataque cardíaco qualquer dia desses. – Você tem a minha benção. – Conclui, e seus olhos se arregalaram em descrença.
— Está falando sério? Você… É sério? – Seus olhos brilhavam e sua expressão mostrava uma surpresa inimaginável.
Qual é, meu pai achava mesmo que eu não aceitaria aquilo?
— Seríssimo.
— Então quer dizer que… Você gostou da Layla? – Ele perguntou, tentando esconder o sorriso, mas falhando terrivelmente nisso.
— Não é muito difícil não gostar dela, não é?! – Dei de ombros.
Seu sorriso só aumentou e ele me abraçou forte, estralando todos os ossos de minhas costas.
— Acalme-se, Igneel, não sou de ferro. – O adverti, mas ele sequer prestou atenção, eufórico demais com a notícia que o filho problemático havia gostado de sua noiva.
— Fico realmente feliz em ouvir isso, Natsu. Você não faz ideia do quanto. Vocês dois vão se dar muito bem ainda!
— Então Layla me viu nascendo, hein?! – Comentei retoricamente, mas mesmo assim obtive resposta.
— Ela te contou a história, então?! Era pra eu ter te contado há algum tempo, mas você nunca me deu uma chance. De qualquer forma, fico feliz que tenham se divertido juntos, isso é importante pra mim. Sem crises com as Heartfilia agora?
Revirei os olhos. Meu pai achava que as coisas se encaixavam assim, fácil. Não é bem assim não, Igneel.
— Pai, uma coisa é a Layla, outra coisa são suas filhas. Não misture tudo. Lucy me odeia, e apesar de o sentimento não ser recíproco, ela consegue ser irritantemente chata.
— Natsu, vou ter que fazer vocês dois saírem juntos também? – Ele pareceu falar sério, e eu o olhei pasmo. Igneel estava querendo fazer uma conversão completa, ele realmente não brincava em serviço.
— Não, pai. Tá doido?! Ela me bateu na escola, imagine o que vai acontecer quando nós sairmos sozinhos. Você quer que eu apareça assassinado no dia seguinte?
— Lucy te bateu? – Aquele tom era do tipo “impossível, eu a conheço tão bem”. – O que você aprontou?
— Qual é, pai. Não fiz nada, eu juro. Ela apenas ficou louca, dizendo que a culpa era minha do rompimento do noivado, e começou a me bater. Eu realmente não sei que milagre aconteceu para o meu rosto não ter ficado marcado, porque ela tem uma mãozinha pesada pra cacete.
— Bem, agora que você saiu com Layla eu acho que as coisas vão mudar…
— Duvido muito!
— É melhor que se acertem, de qualquer forma. Até onde sei, vocês vão se ver praticamente vinte e quatro horas por dia, todos os dias.
Revirei os olhos. Aquilo não era necessário de ser lembrado.
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