Troublemaker

5 Lis e o Passado


Notas iniciais
Hello pimpolhos! :D Como vocês estão? Hoje o capítulo é duplo! Lembram que eu prometi um especial de natal? Pois então, ele não vai sair. E não porque não deu tempo de fazer, mas sim porque eu me esqueci de um detalhe ULTRA importante! Se eu soltasse um capítulo especial de natal, eu teria que soltar um mega spoiler do enredo, e isso está fora de cogitação por enquanto. Então, pra compensar esse especial que não vai sair, e também o fato de que semana que vem estaremos em hiatus, eu juntei o capítulo 5 e 6 em um só, por isso ficou exageradamente grande. Eu espero MUITO que vocês gostem, porque fiz com todo o carinho do mundo ♥ Enfim, boa leitura! *-*

Permaneci em meu quarto durante todo o jantar, e só desci quando Igneel disse que finalmente daria a notícia pela qual estávamos reunidos lá naquela noite.

Claro, não foi fácil convencê-lo de que eu estava passando mal e não queria comer, porque ele me conhecia e sabia minhas inúmeras desculpas esfarrapadas para não ficar junto das Heartfilia. Mas quando se tem uma loirinha que pode confirmar que você sequer participara do treino, que ao invés disso ficou sentado ao lado do treinador, as coisas mudavam completamente. Óbvio que eu tinha uma vantagem já que ela sequer sabia o real motivo.

Pelo menos Lucy servia para alguma coisa.

Quando desci para a sala, os dois sofás já estavam tomados, um onde estava Erza, Lucy e Michelle, e no outro onde ficara Zeref e Happy, o gato mais folgado do universo. Mas apesar de ser folgado, eu o amava o suficiente para deixá-lo na posição que estava e sentar-me ao chão, apoiado no estofado onde ele dormia.

– Meninos, queríamos dar uma notícia importante para vocês. – Igneel falou quando eu me sentei, olhando atentamente para cada um de nós e se demorando até demais em mim.

– Duas. – Layla o corrigiu, e ele sorriu grande, abraçando-a pela cintura.

– Isso, duas notícias!

E ao invés de simplesmente dizer, Igneel deixou um suspense no ar, sorrindo igual um abobado.

Por que diabos ele enrolava tanto pra contar as notícias? Será que estavam me dando tempo de aproveitar os últimos melhores segundos da minha vida antes de jogarem uma bomba em mim?

– A primeira, é que a data do casamento já foi marcada. – Igneel disse, e Erza soltou um gritinho de alegria, Michelle deu pulinhos no sofá e Lucy sorria batendo palmas.

Não pude ver a reação de Zeref, que estava atrás de mim, mas a minha certamente não era a das melhores. Eu sabia que aquele dia chegaria mais cedo ou mais tarde, mas isso não queria dizer que eu estava feliz e apoiando. Pelo contrário.

– Vamos nos casar em dezembro, daqui três meses. – Layla informou, tão feliz quanto qualquer outro ali que não fosse eu.

Pisquei algumas vezes, tentando associar o que ela dissera, e foi como receber um soco na boca do estômago. Dezembro? O que diabos Igneel estava fazendo?

Aquilo foi o suficiente pra eu sequer levar em consideração sobre qual seria a segunda notícia. Não me importava, eu já estava farto de escutar aquelas baboseiras. Todas as minhas suspeitas sobre Igneel começaram a subir minha cabeça com toda a força e a raiva foi aumentando drasticamente.

Levantei-me abruptamente, surpreendendo Layla. Ignorando completamente os chamados de Erza e Igneel, saí de casa, deixando claro minhas frustrações quando bati a porta com toda a força que eu conseguia.

Não sabia para onde iria, mas eu sabia que não queria mais ficar ali. Por Kami, eu estava aguentando aquele circo todo por seis meses, conhecia as Heartfilia pessoalmente há dois dias, e já estava farto. Como que seria quando o casamento acontecesse e elas se mudassem para a minha casa? Eu precisava urgentemente arranjar uma forma de me mudar de casa, de cidade, de escola, talvez até do planeta.

Com pensamentos demais na cabeça, continuei andando por aquela noite exageradamente melancólica, e quando me dei conta, já estava na porta dos Strauss.

– Natsu? – Mirajane foi quem atendeu a porta, surpresa por me ver ali aquela hora. – Aconteceu alguma coisa?

– Não exatamente. – Coloquei minha mão atrás da cabeça, dando de ombros. – A Lis está ai?

Mira era a irmã mais velha de Lisanna. Vez ou outra eu aparecia em sua casa e Mira me recebia com os braços abertos e o sorriso mais brilhante de toda Fiore, sempre muito simpática. Mas ela era como Erza, as aparências enganavam bastante. Quando Mira ficava irritada, até o diabo tinha medo dela. Apesar de ser um feito raro, acontecia. E era horrível.

– Está sim. Pode entrar, fique a vontade. Vou chamá-la. – E bagunçando meu cabelo assim que entrei, Mira fechou a porta e se dirigiu para as escadas. Lisanna deveria estar no quarto.

Fui até o jardim dos fundos, onde eu e Lis costumávamos brincar antes, quando tínhamos onze anos. Sentei-me em um dos bancos de madeira que ficava na varanda, observando o céu pouco estrelado. Algumas nuvens estavam presentes, anunciando que haveria chuva em breve.

– Romeo? Está ai, Romeo? – Escutei a voz de Lisanna, levantando-me do banco e andando até o meio do jardim, olhando para cima, onde a albina se debruçava sobre o parapeito de sua sacada.

– Estou aqui, Julieta. Senti tanto sua falta. – Entrei na brincadeira, ajoelhando-me com uma perna e dobrando a outra para frente.

– E o que fazes aí embaixo, então? Já não deveria estar aqui comigo, em meus braços? – Ela fazia cena, mexendo em seu pouco cabelo e balançando-o com o vento que batia forte.

– Tem um monstro aqui embaixo que vai me abater se eu tentar subir. – Dramatizei.

Lis começou a gargalhar ao ouvir aquilo, e eu não consegui evitar rir junto com ela.

– Mira está escondendo o namorado no quarto, não é como se ela estivesse com muita moral.

– Ok, dois segundos. – Fiz um sinal de ok no ar e sai correndo para dentro da casa, sem pensar duas vezes, subindo as escadas de dois em dois degraus. Eu já estivera ali tantas vezes, que poderia fazer esse caminho correndo de olhos fechados.

Entrei no quarto da albina sem bater e ela ainda continuava na sacada, agora sentada em um de seus pufes. Fechei a porta cuidadosamente, para não acordar seus pais, e atravessei o quarto, me jogando no outro pufe vazio, fechando os olhos e suspirando alto.

– Algo me diz que a notícia do Igneel não foi muito boa pra você. – Lis disse baixinho.

A frase soou como se ela estivesse querendo respeitar meu espaço, mas ao mesmo tempo estivesse curiosa demais para saber do que se tratava a notícia. Ri baixinho, não sabendo se eu deveria continuar rindo ou chorar logo com tudo aquilo.

– Você vai me xingar se eu disser o que o Igneel falou. – Respondi, olhando divertido em sua direção.

– Eu sei que vou. Você adora fazer uma tempestade em um copo d’água. – Ela revirou os olhos. – Mas prometo que vou me empenhar em entender o seu lado.

Respirei fundo, preparando-me para dizer, mas não disse. Fiquei fazendo e refazendo a frase em minha cabeça, mas quanto mais eu pensava naquilo, mais triste e com raiva eu ficava.

– Igneel marcou o casamento para dezembro. – Finalmente disse, após longos minutos de silêncio, da qual Lisanna tivera o total cuidado de permanecer quieta.

Não a olhei ao dizer aquilo, porque eu não queria receber bronca ou ver seu rosto com uma careta abismada por eu ser tão idiota, eu sabia que ela não entenderia o ponto. Então apenas olhei para o céu.

Foi longo o silêncio que se instalou ali, que eu não fiz questão de contar ou reclamar sobre. Era bom ficar com Lisanna, porquê apesar dela ser curiosa, ela sabia dar o espaço que eu precisava.

Mas, infelizmente, fomos interrompidos pelo celular dela. Lis fez uma careta ao ver quem ligava e me mostrou o visor.

– Devo atender? – Ela sussurrou, como se a pessoa do outro lado da linha pudesse nos escutar, mesmo que ela ainda não tivesse atendido.

– Só se for pra dizer que não sabe onde estou.

– Se eu disser isso, Igneel e seus irmãos vão ficar mais preocupados ainda.

– Foda-se.

– Natsu! – Lisanna protestou, pronta para atender.

Mas eu tirei o celular de sua mão e o fiz em seu lugar.

– Boa noite, irmãozinho. – Respondi da forma mais irônica possível.

– Natsu! – Zeref parecia surpreso ao ouvir minha voz ao invés da voz da de Lisanna. – Onde você está, seu idiota?

Revirei os olhos ao escutar uma pergunta tão óbvia, me segurando para não responder de forma merecida.

– A noite está muito boa para ficar dentro de casa, maninho. Por que não aproveita pra dar um passeio também?

Mas infelizmente Zeref não estava sozinho. Erza gritava ao fundo e logo tomou o celular em sua posse para gritar comigo.

– Deixe de ser imbecil, Natsu. Layla está louca atrás de você com o carro, e papai está quase tendo um ataque cardíaco. Por que sempre é tão inconsequente? Não cansa de pensar no próprio umbigo? O mundo não gira ao seu redor.

Novamente escutei outra discussão ao fundo, e Zeref pegou o celular de volta, suspirando alto.

– Natsu, vou avisar Layla que está bem e vou acalmar o papai. Vou segurar Erza também para que não vá atrás de você te matar. Vou te dar essa noite para colocar as ideias em ordem e amanhã nos falamos, ok?! Você vai ficar me devendo essa, pirralho.

– Obrigado, Zeref. – Sussurrei, mas ele já tinha desligado.

Não pude deixar de me surpreender com aquela atitude. Zeref sempre fora mais paciente que Erza, isso não era novidade, mas eu não achei que seria compreensivo nessa situação.

E se... Ele se lembrasse?

Zeref deveria entender minhas razões, pelo jeito.

Entreguei o celular para Lis, que me olhava apreensiva.

– Pode passar a noite aqui, se quiser. – Ela falou baixo, apontando para a sua cama.

– Eu sei que você me quer nu, Lis, mas se aproveitar dessa situação e dormir comigo? Você está mais ousada do que eu imaginei. – Fiz graça, bagunçando seus cabelos.

Ela ficou corada, rindo em seguida.

– Deixa de ser idiota. Eu quis dizer que tem um colchão extra debaixo da minha cama.

Lisanna foi até a cama, para tirar o colchão ali debaixo, e ajeitou tudo para que eu pudesse dormir. Também pegou algumas roupas de seu irmão mais velho para eu usar como pijama. Elfman era três vezes maior que eu, mas era melhor usar aquilo do que dormir com a roupa que eu estava.

Tomei um breve banho e fui me deitar. Lis estava sentada na ponta da cama, já vestida com seu pijama de bichinho, e me olhava de uma forma estranha.

– O que foi, Lis?

Ao ouvir minha voz, ela pareceu sair de um transe, ruborizando levemente.

– Nada… É só que… Nada, esquece.

Não insisti no assunto porque sabia que ela não falaria. Apenas lhe estiquei a mão, pedindo silenciosamente que ela se levantasse.

– Obrigado por me deixar ficar aqui, Lis. – A abracei, dando um beijo terno em sua testa.

– É pra isso que servem os amigos. – Ela sussurrou, devolvendo-me um beijo terno no pescoço.

Seu beijo demorou mais do que o esperado, e em seguida ela me beijou outra vez, me causando um leve arrepio. E então me beijou de novo, e novamente, e mais uma vez. Suas mãos seguraram firme em meus ombros e eu sequer consegui pensar no que estava acontecendo.

Tomado pela adrenalina daquela sensação boa, naqueles braços calorosos, tomei seus lábios nos meus, apoiando uma de minhas mãos em sua nuca, entre seus cabelos. A razão sequer fazia parte do momento, apenas o instinto.

Lisanna não ficou surpresa com minha ação e entrelaçou os braços em meu pescoço, me puxando para mais perto, querendo aprofundar o beijo, tomando total controle da situação.

Com minha outra mão fui acariciando suas costas, descendo até sua bunda e lhe dando um leve aperto. Ela protestou baixinho em meio ao beijo, mas não parou. Tentei trazê-la para mais perto de meu corpo, e acabei perdendo o equilíbrio, fazendo nós dois cairmos em sua cama.

Ao finalmente cair a ficha do que estávamos fazendo, comecei a rir sem graça, tomando cuidado ao sair de cima dela.

– Me desculpe, Lis. Não deveria ter feito isso. – Fiquei sem graça, pela primeira vez na vida.

Ela também parecia sem graça, mas não ria.

– Não tem problema. – Ela disse baixo, quase sendo impossível de ouvi-la.

Algo estava errado, eu pude ter certeza ao ouvi-la. Definitivamente não deveria ter feito aquilo.

Foi como se a razão tivesse voltado com uma voadora em minhas costelas. Olhar para Lisanna daquela maneira me fez enxergar o erro que eu cometera. Agora as coisas ficariam estranhas entre nós, e a culpa era minha.

Que droga!

– Desculpa, eu realmente não deveria ter te beijado. Por favor, esqueça isso Lis. Eu não quero que as coisas fiquem estranhas, você é minha melhor amiga…

– Só esqueça, Natsu. Está tudo bem. – Ela me cortou, deitando-se de costas pra mim e se cobrindo quase por inteiro.

Mas não estava tudo bem, eu sabia que não.

Suspirei cansado, xingando-me por dentro por ser tão babaca, e me deitei também.

Aquela fora uma das noites mais difíceis de dormir.

~*~*~*~*~

Pouco antes de dar sete da manhã eu já estava de pé. Tentei manter-me em total silêncio enquanto me trocava, para não acordar Lisanna, e sai de seu quarto, sendo surpreendido por Mira e o namorado no corredor.

Ela me olhou espantada, não sabendo de que modo reagir àquela surpresa, e eu não sabia como me explicar. Ela não acreditaria em mim, eu tinha certeza.

– Bom dia, Mira. – Dei uma piscadinha pra ela, e sorri, tentando disfarçar o constrangimento.

O loiro gigante que estava atrás dela fez cara feia com aquele meu gesto, provavelmente achando que eu estava dando em cima da namorada dele, e sinceramente, se eu não estivesse com pressa pra sair de lá, eu teria provocado um pouco mais.

– Até outro dia. – Me despedi rapidamente, descendo as escadas sem sequer esperar por respostas, ou perguntas.

A rua àquela hora estava vazia, e o sol já havia nascido. O caminho até minha casa foi rápido, já que os Strauss moravam á três quadras de distância.

Infelizmente eu fiz a burrice de sair sem minha chave, então tive que me submeter á campainha e torcer com todas as forças que não fosse Erza a aparecer atrás da porta. Demorou alguns minutos, que me deixaram ainda mais inquieto, e tirei a sorte grande quando vi Zeref, com os cabelos bagunçados e o rosto amassado.

– Acordou agora, maninho? – Zombei de sua cara.

– Você também não está a flor mais linda do dia, pirralho.

– Erza está acordada? – Perguntei antes de ousar entrar.

– Vai fazer alguma diferença? Eu a fiz prometer que não encostaria em você, se quer saber. – Ele me puxou pra dentro, fechando a porta com pressa. – Está frio lá fora, você sabe que odeio tempos frios.

– Não confio nas promessas da Erza.

– Então confie em mim. Vá tomar um banho e se arrumar, depois me encontre no meu quarto para conversarmos. Se você fugir, eu falo pra Erza fazer o que ela quiser contigo, e não vou te ajudar, nem que você implore.

Eu já sabia que Zeref falava sério quando disse que queria conversar comigo, mas eu realmente não achava que seria logo pela manhã.

De qualquer forma, fiz o que ele mandou e depois fui o encontrar em seu quarto.

Zeref era um cara estranho. Seu quarto era extremamente organizado e sequer parecia que vivia alguém ali, mas se você abrisse seu guarda roupa e suas gavetas, você se perdia lá dentro de tanta bagunça. Ele não tinha um quarto do qual você entrava e já entendia sua personalidade e sabia o que ele gostava. Aliás, até mesmo convivendo toda minha vida com meu irmão, era difícil saber dizer do que exatamente ele gostava. Suas paredes não tinham pôsteres de bandas ou mulheres, não havia equipamentos de exercícios, não havia revistas pornôs escondidas, não tinha sequer uma televisão com um vídeo game, ou uma caixa de som.

– Vai ficar na porta até que eu diga para entrar? Você sabe que não precisa dessa formalidade toda, não sou Erza. – Escutei sua voz.

Entrei sem hesitar, fechando a porta atrás de mim, e me joguei em sua poltrona, observando-o terminar de colocar sua camisa social. Seus cabelos estavam molhados e estava andando descalço pelo quarto, louco atrás das meias que ele jurava ter pego agora a pouco.

Quando ele finalmente terminou de se arrumar, sentou-se em sua cama, de frente para mim, e ficou me analisando por alguns minutos.

– Acho que nunca paramos para conversar sobre mamãe. – Ele finalmente disse, me surpreendendo.

Escutar ele falar aquilo com certeza foi mais surpreendente do que ter escutado sobre o casamento na noite passada. No entanto, era um assunto do qual eu não estava preparado psicologicamente para lidar, então comecei a cogitar ir para a escola mais cedo. A aula começava apenas oito e meia, mas eu não me importaria em esperar por tanto tempo até o sinal da primeira aula bater.

– Zeref, acho que hoje não é um bom dia pra conversar sobre isso. Eu tenho aula daqui a pouco, você vai trabalhar…

– Espera, você sequer escutou o que eu tenho em mente. Não tire conclusões precipitadas, pirralho.

Respirei fundo, contando até dez e tentando manter a calma. Por que diabos Zeref queria falar sobre aquilo agora?

Ele pegou uma foto dela, que ficava em seu criado mudo, e começou a passar o dedo por cima da proteção de vidro, sorrindo de lado.

– Você lembra quando mamãe te deixou pegar o Happy? – Ele perguntou, sorrindo ainda mais. Era raro ver Zeref sorrir, mas quando ele o fazia era bem bonito.

– Claro que sim. Ela queria ir correndo encontrar um colega veterinário pra perguntar como tirava o azul dele. – Respondi, rindo com aquela lembrança.

Foi a primeira vez que vi mamãe ficando chocada com algo. Ela lidava com cada loucura no dia-a-dia, mas um gatinho azul? Aquilo definitivamente era uma novidade estranha.

– E ficou super chocada quando o colega dela disse que era a cor original do gatinho. – Zeref ria junto. – E também teve aquela vez que mamãe nos colocou de castigo por um tempão, porque eu e Erza esmurramos alguns moleques que queriam mexer com você e o Happy, por causa da cor dele.

– Eu não fiquei de castigo. Não fiz nada além de sair correndo e chamar ela.

– Ah, então foi você que contou? – Zeref parecia surpreso. – Eu estava te protegendo e você ainda me dedura! Que ingrato. – Ele me deu um tapa na cabeça, rindo em seguida.

– Oe! Você e Erza estavam assustadores! Eu achei que iriam matar aqueles garotos. – Levantei as mãos, como forma de dizer que eu fiz tudo na inocência.

– Mamãe até teve que levar eles pro hospital, e os pais deles realmente ficaram bravos conosco. – Zeref continuava, olhando para o alto, parecendo viajar naquela época. Então suspirou pesado, colocando o porta retrato de volta ao seu lugar. – Sabe, eu nunca me esqueci de como mamãe cheirava. Era tão doce, e seus braços eram tão quentes. Não importava se estivesse frio.

De repente o clima ficou tenso e pesado. Zeref permaneceu em silêncio por um tempo, e eu não quis me manifestar. O máximo que consegui fazer foi olhar para o chão, tentando manter-me bem por fora, por mais que quisesse chorar.

– Sei que está chateado que o casamento vai ser em dezembro, mas dê uma chance para Layla. Ela não vai substituir mamãe, sempre nos lembraremos dela com todo o amor que sentimos. Mas Layla é realmente legal, e faz bem ao papai. Conversei com ela por diversas noites e eu sempre me sinto confortável. E você sabe que é difícil eu me sentir á vontade com qualquer um, quem dirá a segunda mulher que vai se casar com papai.

Permaneci em silêncio, levando em consideração suas palavras. Eu queria rebater, dizer o que eu pensava, despejar tudo em cima de Zeref, mas não dava, eu simplesmente não conseguia. Então, como um bom irmão, apenas assenti calado.

– Dê uma chance à Layla, ok?! – Ele enfatizou, olhando-me firme. Não sossegou até que eu dissesse que sim.

Após isso me levantei, retirando-me de seu quarto, e Zeref veio atrás. No corredor me deparei com Igneel, que provavelmente tinha acabado de levantar. Estava com um roupão aberto e uma bermuda, com os cabelos ruivos bagunçados e uma cara sonolenta.

Quando nos viu ali, mais especificamente a mim, ele parou de andar. Ficou nos olhando por um tempo, e depois sorriu fraco.

– Meus meninos! – Veio em nossa direção, nos abraçando.

Igneel estava bêbado, era a única explicação plausível para aquela situação.

– O que acham de sairmos essa noite? Só nós três? Uma noite de garotos, que tal?

Igneel me olhava com expectativas, e aquilo me deixava apreensivo em dizer não. Eu não queria chateá-lo mais do que eu já estava fazendo, mas eu também não queria sair naquela noite. O dia não tinha nem começado direito e já estava mais conturbado que os treinos para o campeonato.

– Claro que sim. – Zeref respondeu com uma falsa animação. – Não é mesmo, Natsu? – Me cutucou de forma imperceptível para o meu pai.

– S-sim. Claro. Hoje. Uhul! – Fingi estar animado, e logo recebi outro soco nas costas.

Se meu pai não estivesse ali, eu já teria devolvido e xingado Zeref.

– Ótimo. Vou chegar mais tarde do escritório hoje, mas até as oito estou em casa. O que preferem? Jogar boliche? Mini golfe? Karaokê? Bom, escolhemos no caminho.

E então voltou para o seu quarto cantarolando, indo se arrumar para ir trabalhar.

– Lembra do que eu disse, não é?! – Zeref me ameaçou indiretamente.

– Qual é, você me pediu pra dar uma chance pra Layla, não para sair com Igneel hoje a noite.

– Não quer sair com papai? Vou falar a ele então que você disse que gostaria de jantar com as Heartfilia, só você e elas. Tenho certeza que ele não vai ficar chateado por você não o acompanhá-lo no karaokê.

Mesmo Igneel dando três opções, Zeref e eu o conhecíamos muito bem para sabermos que nenhuma delas seria válida e ele escolheria o karaokê. Igneel era viciado naquela porcaria e eu apostava que levava Layla pra lá sempre que podia.

Me dava até pena da Layla.

– Isso é jogo sujo. – Reclamei baixinho, descendo as escadas.

Ele me seguia e estava rindo. Que bom saber que minha desgraça divertia minha família. Muito bom.

Tomei um breve café da manhã e me dirigi para a escola com a maior desanimação do planeta. Já não bastasse a besteira que eu fizera noite passada com Lisanna, ainda tivera aquela conversa com Zeref e teria um jantar com ele e Igneel. Sem contar que eu teria que encarar Lisanna depois daquele beijo, e Lucy depois daquela saída dramática de ontem. Mas o que mais me incomodava, entre tantas coisas, era ter lembrado de minha mãe.

Não era como se eu me esquecesse dela, muito pelo contrário. Eu me esforçava com o basquete para orgulhá-la, e eu sabia equitação por causa dela. Fukutsu era seu corcel preferido, já que mamãe era veterinária e vez ou outra era chamada na Fairy Tail para dar uma olhada nos cavalos. Ela sabia tudo sobre os equinos e já fora jóquei antes de conhecer Igneel. Como Zeref dissera, seu cheiro era doce como o verão, e seus braços eram quentes como asas protetoras. Não havia como esquecê-la, era impossível.

Mas não parecia ser impossível para Igneel…

Enquanto lembrava-me de sua risada e de como adorava comer bolos, e era culpa dela que Erza era tão compulsiva e viciada em bolos de morango, eu já me encontrava dentro da sala de aula, sem ao menos ter tocado o sinal. Joguei minha bolsa sobre a mesa e usei como travesseiro, esperando que aquele dia tivesse um fim logo.

As aulas pareceram eternas. Lisanna não falou comigo e também não apareceu na hora do intervalo para conversarmos. Gray e Jellal me chamaram a atenção diversas vezes por eu estar no mundo da lua e não responder as perguntas que eles me faziam. Lucy me mandou alguns olhares ameaçadores e disse que queria falar comigo, mas simplesmente ignorei. Eu só queria estar em casa e poder encontrar sossego em meu quarto, longe de todas as pessoas me dizendo o que eu deveria fazer, o que eu deveria falar e como devera agir.

O treino também não fora um dos melhores. Meu desempenho foi drástico, e até mesmo pedi para sair na metade do jogo, dizendo não estar bem de saúde. O treinador percebeu que havia algo de errado e me liberou, sem perguntas.

Fiquei feliz ao chegar em casa e perceber que estava sozinho com Happy. Subi para o meu quarto e deitei em minha cama, pouco me importando em tirar o uniforme ou me arrumar para o jantar com Igneel. Apenas adormeci.

~*~*~*~*~

– Natsu? Natsu, querido. Acorde. – Aquela voz não me era estranha, mas eu a escutava de muito longe. – Vamos, hoje o dia amanheceu tão lindo.

Senti uma claridade invadir o cômodo onde eu estava, e foi difícil abrir os olhos. Notei que estava dormindo, e quem me chamava tinha acabado de abrir a cortina e as janelas.

– Lisanna está lá embaixo te esperando.

E foi como se palavras mágicas tivessem sido proferidas, já que me levantei rapidamente. Senti uma leve tontura, quase caindo no chão, mas as mãos dela me seguraram firme.

– Tome cuidado, bobinho. Não levante tão depressa.

Olhei para a dona da voz e meu coração falhou algumas batidas.

– M-mãe? – Sussurrei, um tanto assustado.

– Seu pai já saiu a trabalho, mas mandou eu lhe dar beijos. – E então ela me abraçou forte e começou a dar diversos beijos em minhas bochechas. – Arrume sua cama e se vista antes de descer para brincar.

Mas ao invés de eu fazer o que ela me mandava, apenas a fiquei admirando. Seus cabelos compridos estavam tão negros como sempre foram, e somente Zeref tinha herdado aquela cor. Os traços delicados de seu rosto a faziam parecer pelo menos dez anos mais nova do que realmente era. Sua estatura era alta, e ela usava um vestido de verão, que lhe caía muito bem. Seus olhos estavam brilhantes, seu cheiro estava doce, e seu abraço fora caloroso.

Era a minha mãe, definitivamente.

– O que foi, querido? Aconteceu alguma coisa? – Ela me pegou a admirando.

– Nada, mãe… É só que… A senhora está muito bonita hoje. – Disse timidamente.

Ela riu graciosamente, vindo me abraçar novamente e deixando um beijo estalado em minha bochecha, bagunçando meus cabelos.

– Oras, Natsu. Não me chame de senhora. – Ela riu novamente, dando um leve apertão em meu nariz. – Você é tão encantador quanto seu pai, sabia?!

Toquei seu rosto, sentindo aquela pele novamente, sentindo seu cheiro, sendo acalentado por seu amor. Ela estava exatamente do jeito que era antes de adoecer. Tão vívida e graciosa quanto naquela época.

E então ela passou a mão em meu rosto, e eu percebi que secava minhas lágrimas.

– Por que está chorando, querido? O que há de errado?

E então minha visão foi escurecendo. Sua voz foi ficando distante. Seu toque foi inexistindo.

E assim acordei. Meu coração estava acelerado, minha cabeça rodava e meu rosto se encontrava molhado. Meu corpo pesou, meu peito doeu. Eu estava ofegante, arfando sentado na cama e suando. Nunca antes tinha sonhado algo tão real.

Próximo capítulo:

– Eu vou arrebentar a sua cara, Dragneel!

E o que veio a seguir foi algo que eu nunca preveria. Lucy deu um tapa em meu rosto, tão forte que eu já conseguia sentir o vermelho se formando e minha bochecha inchando.

(...)

– Para o meu escritório. – Igneel me olhou afiadamente.

E se havia algo que eu queria fazer naquele dia, com certeza era sumir.

(...)

– Sobre o que está dizendo, Natsu? Eu realmente não estou entendendo o seu ponto.

– Minha mãe, Igneel! É dela que eu estou falando! – Bati em sua mesa com força, o assustando. – Mamãe se foi e então você encontrou Layla. E agora vocês vão se casar! O que aconteceu? Você não amava mamãe o suficiente? Ou está mentindo para Layla?

Notas finais
TRETA! TRETA! TRETA! E então, o que acharam? Natsu arranjando confusão em casa, Natsu com a Lisanna, a conversa sobre a mãe dele com Zeref, o sonho... E A CONFUSÃO DO PRÓXIMO CAPÍTULO, QUE EU ESTOU DOIDA PRA POSTAR LOGO!!! Ficou bom? Ruim? Mais ou menos? Aceito suas opiniões, juro que não mordo! :P Queria deixar um beijo especial para todos os que estão comentando, vocês são incríveis! De verdade! Um beijo aos que favoritaram e aos que estão acompanhando também, eu fico feliz de ter chegado aos 63 acompanhamentos! *-* E um feliz natal pra vocês e um ótimo ano novo! Nos vemos novamente dia 07/01! ;P Até lá... *3*