Troublemaker

22 Lições Inesperadas


Notas iniciais
Hellooooooo people! ♥ Como vocês estão? *O* Cheguei com mais um capítulo, e eu gostei muito de escrever ele, espero imensamente de coração que vocês o apreciem tanto quanto eu ♥ Mas antes de vocês lerem, eu quero ter meus surtos de escritora realizada, e agradecer AS TRÊS RECOMENDAÇÕES QUE GANHEI SÓ NESSA SEMANA! Vocês tem ideia de que meu coração parou por um momento ao ver???? Mdsss, eu fiquei muito feliz!!! Gostaria de agradecer de todo o coração ao Italo Azevedo, a Marimachan e a Shiroi por terem me agraciado com palavras tão lindas sobre troublemaker ♥ Obrigada mesmo! ♥ Enfim, voltando... Espero que gostem do capítulo, boa leitura! *3*

— Precisamos falar algo á vocês. – Igneel falou de repente, durante o almoço, ganhando atenção de todos que estavam na mesa.

— Lá vem bomba… – Falei baixo, já prevendo coisas e mais coisas nada boas, e recebendo um olhar feio da Erza.

— Eu e a Layla decidimos que, depois do casamento, vamos passar um tempo sozinhos. Vamos viajar para uma lua de mel. – Ele disse feliz, ignorando-me completamente. – E eu sei que não são todos aqui que são comportados – falou, olhando especialmente para mim e Michelle, não sei porquê – então eu vou pedir que o Zeref cuide das coisas enquanto estivermos fora. – E olhou pesarosamente para meu irmão, esperando que ele se pronunciasse.

Pela cara que o Zeref fez, ele sequer estava cogitando algo como aquilo. Ele não tinha vocação pra essa coisa de cuidar das crianças problemas da casa, e provavelmente estava se perguntando porquê o Igneel não pediu aquilo pra Erza.

— Quanto tempo? – Ele perguntou melancolicamente.

— Apenas duas semanas. – Layla disse doce, e parecia segurar o riso ao ver a careta que o Zeref fez, porque duas semanas não era sinônimo de “apenas”, e sim de “tudo isso”.

— Bom, eu posso cuidar da Michelle, não há problema nisso, mas o Natsu e a Lucy já são grandinhos, eles podem se virar. – Zeref respondeu, voltando sua atenção completamente para a comida.

— Você conhece o Natsu, sabe que é só o papai ficar longe que ele apronta. – Erza contra argumentou, insatisfeita.

— Nossa, falando dessa forma até parece que em minha cabeça eu já planejei uma festa de arromba para os fins de semana que Igneel estiver fora. – Falei revirando os olhos, não acreditando que Erza estava mesmo dizendo aquilo.

— Eu não tenho dúvida nenhuma que você tenha feito isso! – Ela rebateu, olhando-me ameaçadoramente.

Igneel começou a me olhar desconfiado, assim como Erza, e Zeref ficou pensativo, ora encarando-me, ora encarando nosso pai, e deve ter feito isso umas três vezes pelo menos.

— Michelle é a única pessoa aqui que se fizer merda, é o papai quem responde por seus atos. Então eu vou tomar conta somente dela. – Ele finalmente disse, dando de ombros, e voltando a comer como se Erza não quisesse fuzilá-lo com os olhos.

— Certo, está resolvido então. – Igneel suspirou pesado, provavelmente cogitando se aquilo era realmente uma boa ideia. Qual é, por que todos desconfiavam tanto de mim? Eu nem ia fazer nada, oras. – O que vocês vão fazer hoje? – Ele perguntou, voltando a comer, e esperando que o clima amenizasse de novo.

— Temos ensaio hoje. – Erza falou animada, mudando completamente de humor.

Por algum motivo desconhecido, ela realmente gostava de ensaiar aquela dança besta para o casamento.

— Ótimo!

***

Durante a ida até o estúdio de dança, eu acabei lembrando de algo que precisava falar antes que me esquecesse de novo.

A verdade era que eu teria falado com o Zeref na noite passada, mas pelo que percebi ele sequer voltou para casa. Ou voltou absurdamente tarde e eu não vi.

— Zeref, eu queria te pedir uns conselhos… – Comecei a conversar, como se não quisesse nada demais.

Ele me olhou pelo retrovisor, franzindo o cenho, e então voltou a olhar pra estrada.

— Não sei se eu sou bom com essas coisas… – O vi fazendo uma careta, e tive que segurar o riso.

— Erza não poderia me ajudar com isso, eu acho. – Expliquei, dando de ombros.

E Erza se virou do banco da frente para me encarar, como se quisesse dizer que não havia nada no mundo que ela não pudesse aconselhar sobre.

— Então… – A ignorei totalmente. – Ontem eu conheci uma garota. – Falei, esperando sua reação.

— Hmm. E pra quê exatamente você quer meu conselho? – Ele franziu o cenho novamente. – Você nunca teve problemas em se aproximar de uma garota antes.

— Dessa vez é diferente. – Falei, tentando soar o mais convincente possível. – Ela não é como as outras que eu sabia que duraria pouco, entende… E eu queria saber o que você faria no meu lugar.

— Vocês já conversaram alguma vez? – Ele perguntou, me olhando pelo retrovisor, e eu acenei com a cabeça. – Tente encontrar coisas em comum entre vocês, sempre ajuda bastante a se aproximar e a ter assunto todos os dias.

— Ah, bem, ela gosta do cavalo que a mamãe gostava, então eu acho que isso já é algo! – Fingi animação, e percebi que ele passou a se atentar ainda mais ao que eu dizia. – Mas ela é pequena e parece uma criança, e eu acho que teria problemas se namorasse com ela, não é irmãozinho?! Mesmo que ela seja do segundo ano… – O provoquei, e ele finalmente entendeu onde eu queria chegar.

E ao meu lado, Lucy me deu um soco no ombro, mandando-me um olhar irritadiço.

“O que você está fazendo?” Ela sussurrou tão baixo, que apenas entendi porque consegui ler seus lábios.

“Deixa comigo!” Devolvi com uma piscadela, e ela revirou os olhos.

— Ahn, eu acho que não… – Ele respondeu após um longo tempo em silêncio, e notei que ele estava corado.

— Então vou te apresentar ela na próxima, tá?! – Lhe dei um tapinha no ombro, rindo internamente pelo nervosismo que ele estava. – Ela chama Mavis, mas eu acho que você deve conhecer, porque ela é a aluna destaque da Fairy Tail.

— Na verdade… Me contaram que você a encontrou, eu só tinha me esquecido. – Ele esclareceu, tentando disfarçar o máximo possível, já que Erza não fazia ideia de absolutamente nada.

E, ao mesmo tempo, se entregando sobre a noite passada.

— Ah é?! Que escola fofoqueira… – Fingi indignação, me aproximando um pouco do banco da frente. – Então nós podemos conversar melhor sobre isso mais tarde?

— C-claro. – Ele pareceu incerto ao responder, mas não era como se ele tivesse alternativas àquela hora do campeonato, e ele sabia muito bem sobre isso.

***

O ensaio foi demorado e cansativo, mas pelo menos obtivemos bons resultados. Eu já havia decorado a sequência de passos, não pisei nenhuma vez no pé da Lucy ou da Erza, e Lucy até mesmo dissera que eu não me assemelhava mais com um robô.

Quando chegamos em casa, já quase na hora do jantar, segui Zeref até o seu quarto, á seu pedido.

Ele foi o primeiro a entrar, jogando-se na cama de qualquer forma e tampando os olhos com suas mãos, evitando sabe-se lá o que. E ao fechar a porta, foi inevitável a vontade de querer gritar com ele, mas eu não o fiz porque batidas foram ouvidas poucos segundos depois. E quando a abri a porta, me deparei com Lucy.

— Eu posso me intrometer? – Ela perguntou em um sussurro, tentando não ser ouvida pelo Zeref. – Eu sei que é conversa de irmãos, mas eu realmente queria conversar com ele também. – Explicou-se.

Fiquei a encarando por muitos segundos, ponderando seu pedido, pensando nos prós e contras daquilo. E enquanto isso, Lucy fazia cara de cachorro abandonado na mudança, e aquilo definitivamente era um golpe baixo. E acabei decidindo que não havia problema se ela estivesse por ali.

— Entre. – Escancarei a porta, esperando que ela passasse, e ela sorriu vitoriosa.

Zeref ergueu o olhar para ver quem era, e ficou confuso ao notar Lucy.

— Lucy? – Ele sequer disfarçou o espanto. – O que houve? Precisa de algo?

— Ela também sabe. – Expliquei, fechando a porta novamente.

— Você contou a ela? – Zeref falou meio chocado.

— Bom, eu tive que explicar o porquê estava te provocando ontem a noite, ou ela ia achar que eu sou insuportavelmente chato. – Dei de ombros, permanecendo em pé aos pés de sua cama, e Lucy se sentou na poltrona.

— Mas você é. – Ele revidou, e precisei revirar os olhos.

— Não começa. Você não está em posição nenhuma de falar algo contra mim, desde que escondeu um namoro durante um ano!

— Mavis disse até isso? Kami, eu achei que ela apenas tivesse se apresentado. – Zeref reclamou, com os olhos levemente arregalados.

— E ela se apresentou, mas também me disse coisas que me fez desconfiar, e quando eu perguntei que tipo de relacionamento vocês tinham, ela confessou que namoravam há um ano.

— Que coisas que ela disse? – Ele perguntou desconfiado, talvez até um pouco medroso com a resposta que obteria.

— Sobre você ter pedido pra ela cuidar do Fukutsu. Qual é, você não pediria isso á qualquer pessoa. – Expliquei, e ele ficou quieto, olhando para suas mãos em seu colo. – O que importa agora é que você escondeu tudo isso, Zeref. Por quê? – Perguntei sério, cruzando os braços em sinal de que não estava brincando.

Ele ficou em silêncio por um bom tempo, e Lucy me olhava insinuosamente, tentando me dizer algo que eu não estava entendo absolutamente nada.

Qual é, todo mundo sabe que eu sou péssimo em decifrar linguagem corporal.

— Não há nada de errado nisso, Zeref-nii. – Lucy tomou as rédeas, colocando uma mão em seu ombro afim de confortá-lo. – Digo, não é crime algum amar alguém. Acho que é isso que o Natsu está querendo dizer, você não precisa ter medo em assumir que ama uma garota mais nova.

— Nós temos dez anos de diferença, Lucy. Eu não sei no país que você morou toda sua vida, mas aqui não é algo muito bem visto. E nós começamos a namorar quando ela tinha apenas quinze, então era ainda pior. – Ele explicou, um pouco mais sério que o habitual.

— Bom, o Natsu me disse que ela é emancipada, então é como se já fosse maior de idade.

— Não funciona bem desse jeito, não adianta ela ser emancipada ou não. Ela tem dezesseis anos e está saindo com um médico velho, que é praticamente considerado como pedofilia pra sociedade. Você já a viu? – Zeref perguntou, olhando atentamente para Lucy e esperando sua resposta. – Ela é pequena e aparenta ter treze anos, ou menos. Você sabe o quanto isso é perturbadoramente estranho e perigoso pra mim? Eu levaria pedradas na rua apenas se estivesse de mãos dadas com a Mavis.

— Mas e pra sua família? Por que não contou ao Igneel? Ou aos seus irmãos? – Lucy insistiu.

— Igneel é um ótimo pai, mas dificilmente ele me apoiaria. Provavelmente diria que era coisa da minha cabeça e mandaria eu procurar alguém do hospital que me agradasse e tivesse idade suficiente. – Ele murmurou azedo, fazendo caretas. – E o Natsu, bem… – E ficou me encarando por longos segundos. – Você e a Erza são extremamente imprevisíveis. Olha pra Erza… Ela está saindo com aquele idiota do seu amigo e eu jurava que ela iria fazê-lo conhecer o inferno se a perturbasse mais um pouco.

— Você sabia que eles estavam saindo? – Sequer consegui disfarçar minha surpresa e espanto, me sentindo traído porque ele realmente sabia e eu não.

— Acabei descobrindo por acaso. – Explicou, dado de ombros.

— Esse não é o ponto, no entanto… – Lucy cortou aquele papo, me olhando feio, antes que eu dissesse mais alguma coisa.

— É, certo. – Pigarreei, pensando rapidamente em algo sensato para dizer ao meu irmão. – Olha, Zeref, é realmente estranho saber que você se interessou por uma colegial, não vou mentir. Mas eu acredito que você deveria falar com o papai. Vá conversando com ele aos poucos, sondando o território, depois dê a notícia. Isso é, se você realmente gosta da Mavis e pretende continuar o relacionamento… – Falei, sentando-me ao seu lado e passando um dos meus braços ao redor dos seus ombros.

— Eu amo ela, Natsu. – Ele confessou um tanto corado, olhando sério para mim. – A Mavis foi meu porto seguro em todos os meus piores dias, e eu não consigo me ver sem ela no futuro. Tudo o que eu me imagino fazendo, Mavis sempre está ao meu lado. Acredite, eu não esconderia esse namoro se não fossem as circunstâncias, mas eu definitivamente não vou desistir dele.

Fiquei surpreso ao escutar algo como aquilo, porque Zeref usou seu tom de voz sério que ele só usava em ocasiões especiais. E assumir seu amor pela pequena Mavis parecia muito especial.

— É assim que se fala, irmãozinho! – Baguncei seus cabelos para descontrair o clima sério, rindo e sendo xingado. – Você cresceu tão rápido. – Fingi estar emocionado. – Mas, por favor, use camisinha tá?! Eu não quero ser tio muito cedo.

— Cala a boca, idiota! – Zeref me socou o braço, fazendo-me rir mais ainda. – Eu agradeceria se vocês mantivessem isso em segredo ainda. – Ele falou sério, encarando a mim e a Lucy.

— Claro, pode deixar. – Lucy concordou, sorrindo. – Eu vou deixar vocês dois a sós agora, fico feliz que o Natsu não tenha feito besteira.

— Ah, por favor… Como se eu fosse querer estragar o relacionamento do meu irmão depois de ver aquelas fotos. – Resmunguei, e senti Zeref petrificando ao meu lado.

— Q-que fo-fotos? – Ele corou absurdamente.

— Da sua caixa que fica na gaveta das cuecas, seu tarado. – Dei um peteleco em sua testa.

— Você mexeu nas minhas coisas? – E lá se foi a calmaria do Zeref.

— Tecnicamente, sim… – Levantei-me rapidamente, pronto pra me retirar do quarto depois da Lucy, que já havia saído, a propósito. – Mas foi só pra tirar umas dúvidas, não é todo dia que uma criancinha vem dizer que está namorando o idoso do meu irmão.

Zeref revirou os olhos e puxou um dos seus travesseiros pra atirar em mim, que desviei por pouco.

— Não faça isso de novo, idiota. – Murmurou. – Aliás, Natsu… – Me chamou a atenção, fazendo-me voltar para o quarto. – Que tipo de relacionamento você tem com a Lucy? Até onde eu sei, você não se justifica pra ninguém. Por que pra ela?

Seria mentira se eu dissesse que não fui pego de surpresa ao ouvir aquilo. Precisei de longos segundos para encontrar uma resposta, afinal, qual era minha relação com Lucy? Sequer eu sabia.

— Somos irmãos, ué – O respondi, esperando que aquilo fosse o suficiente.

Não parecia a resposta certa pra mim, mas precisava ser para ele.

Zeref me olhou desconfiado, e eu achei que ele jogaria outro travesseiro em mim, além de fazer mais perguntas.

— Você sabe que pode contar comigo, não é?! – Ele verificou, e demorei um pouco a concordar. – Não venha conversar apenas quando descobrir coisas sobre mim.

Acenei com a cabeça, esperando que ele desse aquilo por encerrado e saí, fechando a porta. E antes de me retirar totalmente, o escutei murmurar algo como “os Dragneel e seus relacionamentos estranhos”, fazendo-me rir.

***

Naquela noite, um pouco após o jantar, Jellal apareceu em casa com a maior cara de pau do universo. Quem atendera fora Zeref, que logo já foi chamando pela Erza, mas Jellal o impediu.

— Não é com a Erza que eu quero falar, na verdade. Eu vim aqui pra conversar com o Natsu. – Ele se explicou, deixando Zeref confuso, assim como eu que estava ali próximo.

Zeref deixou com que ele entrasse e Jellal me olhou totalmente inseguro, aproximando-se cuidadosamente.

— Você disse ontem que queria conversar comigo sobre tudo isso, então eu vim aqui. – Ele explicou. – Bom, claro, porque a Erza mandou também… – Falou baixo, fazendo uma careta, e eu não pude evitar sorrir. Eu até o entendia, porque quando Erza mandava você fazer algo, ela não parava de encher o saco e perturbar até que você finalmente o fizesse. E a conhecendo bem, ela deve ter falado sobre isso ontem e hoje o dia inteirinho. – Não que eu não queira conversar sobre isso, mas é que… Eu ainda queria me acostumar com a ideia de que talvez você possa querer socar a minha cara.

— Ainda bem que você sabe das possibilidades. – Resmunguei, seguindo até o quintal dos fundos. – Vamos lá fora, não quero causar alarde aqui dentro de casa. – O avisei, e vi ele congelando por alguns segundos.

Passei pela cozinha, pegando duas pequenas garrafas de refrigerante na geladeira, e fomos até as cadeiras do deque. Larguei-me em uma delas, literalmente, e vi Jellal exitando em fazer o mesmo, extremamente pensativo.

— Pode se sentar, cara, a cadeira não foi sabotada não. – O avisei, rindo.

— Você está assustadoramente de bom humor, então eu acho que estou com medo. – Ele admitiu, se sentando cautelosamente, e me fazendo rir mais ainda.

— Não estou de bom humor, só tentando ser compreensivo. Você quer que eu seja um filho da puta? Porque eu sei fazer esse papel muito bem. – O avisei, e ele fez careta, negando rapidamente. – Ótimo, estamos entendidos então.

Ficamos em silêncio por uns bons minutos, apenas olhando para o quintal e bebendo o refrigerante, e eu sabia que teria que ser o primeiro a quebrar aquele silêncio se quisesse que houvesse uma comunicação.

— Certo. Então você pretende levar isso a sério. – Falei, o olhando, e me deparando com uma feição totalmente perdida. – Com a Erza. Você pretende tornar isso um namoro. – Repeti de um jeito mais simples, já que ele provavelmente esquecera o cérebro em sua casa.

— Nã...SIM, sim, claro! – Se corrigiu rapidamente, ruborizando e me fazendo revirar os olhos.

— Jellal, eu não vou te bater, deixe de ser um bundão. – Suspirei, jogando-me cansado na espreguiçadeira ao lado.

Ele voltou a ficar quieto, mas agora fazendo inúmeras caretas, provavelmente pensando em algo para me dizer. Apenas fiquei calado esperando, cedo ou tarde ele ia por pra fora.

— Por que você não vai me bater? Você parecia convicto disso lá na quadra.

— Por Kami, Jellal. Você quer apanhar? Está implorando tanto por isso que eu vou acabar fazendo sem problema algum. Apenas vá logo ao ponto, me diga por que diabos você foi se interessar logo pela Erza.

— Isso não é óbvio?! – Ele soou ofendido, como se fosse uma obrigação eu saber aquilo. – Ela é linda, cara! Inteligente, durona, carinhosa...

— Carinhosa onde? – O cortei, totalmente perplexo ao escutar algo como aquilo.

Eu conhecia minha irmã. Eu morei com ela toda minha vida. Erza não tinha nada de carinhosa, definitivamente!

— Ela é carinhosa quando quer, ué. – Ele deu de ombros, com um sorriso bobo no rosto. – Eu confesso que antes só estava atraído pelo corpo mesmo, mas quando nós começamos a conversar, eu percebi que ela é incrível. E foi uma sorte do caramba ela ter aceitado sair comigo pela primeira vez. Ela foi gentil e super engraçada, e foi o melhor encontro da minha vida, mesmo que ela não tivesse permitido lhe beijar. E quando eu a trouxe de volta, e perguntei se poderia rolar uma segunda vez, ela disse que sim, e eu nunca me senti tão feliz antes. – E então ele parou de falar, me olhando fixamente. – Eu sei que eu sou novo pra ela, mas ela disse não se importar com isso. E se a Erza não se importa, quem sou eu pra fazer tal coisa? Além do mais, não é como se idade fosse mudar alguma coisa.

Aquela última frase me levou para a minha conversa com Zeref, pouquíssimas horas atrás, e me fez compreender ainda mais tudo. E enquanto eu pensava naquilo e no relacionamento improvável da minha irmã, Jellal ficou me encarando por longos segundos, esperando que eu dissesse algo.

— O que foi? Eu não tenho nada a declarar. – Dei de ombros.

— Não mesmo? Nada? – E ficou me olhando fixamente, sério. – Nem me explicar o porquê não quer que eu fique com a Erza?

— Porque ela é minha irmã não é um argumento suficiente? – Respondi em meio a um suspiro.

— Não, e você sabe.

— Isso não vai fazer diferença, de qualquer forma. Você vai continuar apaixonado e eu não tenho o que fazer pra mudar isso. – Falei, esperando que ele aceitasse aquela resposta de bom grado. – Só não magoe minha irmã, tá legal?! E ás vezes ela tem mania de super reagir á algumas coisas, então apenas ignore pra não se chatear e começar uma discussão. E se qualquer dia ela chegar chorando por causa de algo que você fez, eu arranco seu pinto e faço você engolir! – O ameacei, e ele pareceu levar aquilo extremamente a sério.

— Então é isso? Você vai simplesmente aceitar? – Ele perguntou incrédulo, como se tivesse vindo preparado para uma discussão de horas e horas a fio.

— O que eu posso fazer que vai mudar a situação? – Perguntei, recebendo o silêncio em resposta. – Pois é, absolutamente nada. Apenas ameaçar te matar se a chatear, e avisar que você está lidando com a pessoa mais difícil desse planeta.

E então me levantei, oferecendo minha mão estendida em sinal de uma oferta de paz, recebendo um par de olhos duvidosos. Sorri confiante, e ele se levantou cautelosamente, olhando desconfiado para a minha mão. E finalmente, após uma longa demora de alguns segundos, ele apertou minha mão de volta, e ficou absurdamente mais tranquilo ao ver que eu não faria nada.

Mas claro, ele comemorou cedo demais.

Com minha outra mão livre, desferi um soco em seu estômago tão forte quanto consegui, e continuei segurando sua mão no aperto enquanto ele se inclinava de dor.

— Isso foi por ter beijado minha irmã. – Falei sorrindo em seu ouvido, logo o soltando e voltando a me jogar em minha cadeira.

— Deveria ter me socado mais de uma vez, então. – Ele murmurou rouco em provocação, ainda inclinado sentindo dor.

— Não me provoque, Jellal. Eu poderia passar o resto da noite fazendo isso e não me importaria nadinha. Só não o faço porque você ainda é meu amigo. E isso tem suas vantagens, claro. Porque se você ousar fazer alguma merda, eu vou contar pra Erza sem pensar duas vezes.

— Eu vou te ensinar como se conquista uma dama, Natsu. – Ele sorriu, se levantando devagar, com uma mão em cima da barriga, e sentando-se de volta na cadeira.

Passamos o resto da noite ali, juntos, conversando barbaridades do nosso dia a dia. Sem brigas e sem mencionar a Erza. Um dia como todos os outros ao lado de um amigo. E embora eu ainda achasse que aquilo não estava certo, quem era eu pra julgar? Meu irmão tivera me mostrado naquele dia que nada importa quando se ama, nenhuma barreira é grande o suficiente. Eu nunca seria um empecilho pra Erza se ela realmente amasse o Jellal, então de nada adiantaria eu me opor. A única coisa que me restava era sentar e esperar.

E se aquilo a deixava feliz, então eu esperava que desse certo.

Próximo capítulo:

— É difícil manter a concentração quando você está conversando grego comigo, e foi inevitável não pensar em você se alongando. Eu invejo sua flexibilidade, Luce. – Dei uma piscadela, fazendo-a corar ainda mais.

— Eu desisto! É impossível falar com você, Natsu! – Ela se levantou rapidamente, andando rápido até as escadas.

(...)

— Eu estou achando que você quer é dar muitos beijos na Lucy. – Falou baixo, com a intenção que eu não escutasse, mas não adiantou muito. E aquilo me fez gargalhar.

— Eu não sei… Só sei que sua irmã está me deixando louco.

Notas finais
Eu não sei vocês, mas eu realmente apreciei muito que o Natsu amadureceu um pouquinho em relação a Erza e o Jellal ♥ Como eu disse lá em cima, eu realmente amei escrever esse capítulo. E agora que as coisas já estão um pouco resolvidas entre Erza e Jellal, Zeref e Mavis, como será que estão as coisas entre o Natsu e a Lucy? :P Capítulo que vem está cheio de surpresas para o pessoal que está implorando por um momento NaLu ♥ Eu fiz com todo o carinho do mundo ♥ Enfim, espero que tenham gostado, obrigada por me aturarem até aqui, e até quinta que vem ;D