Troublemaker

36 Fim de Jogo - Parte 1


Notas iniciais
Oláaaa amores ♥ Tudo bem com vcs? O capítulo dessa vez ficou exageradamente grande, ultrapassando as 8400 palavras, por isso precisei dividir, ou vocês iam acabar se cansando e me xingando ASHUASHUSAs' De qualquer forma, acho que é o capítulo que todos mais esperavam, e como tá divido, é a segunda parte que vai parecer um pouco mais interessante que essa, mas né... Não vou dizer o motivo, ainda não! :P De qualquer forma, Layla está de volta, yeeeey (ou não sahuashusa)... O que vocês esperam pra essa primeira parte? ;D Enfim, sem mais delongas, boa leitura *3*

Não voltei pra casa naquele fim de semana.

Logo que Jellal voltou e notou que eu não estava com humor nenhum pra continuar naquela festa, ofereceu para irmos embora juntos. Procuramos pela Lis primeiro, para perguntar se ela iria conosco, e depois de ela afirmar pelo menos umas dez vezes que sua irmã viria buscá-la, eu e Jellal acabamos indo dormir na casa do Fullbuster.

Aquilo foi uma ideia da Ur, na verdade, já que passamos por lá pra deixar o carro da Ultear. E como eu realmente não estava afim de ver Gray se meter em problemas, porque ainda não confiava que ficaria tudo bem, – afinal, as chances eram grandes do Lyon aparecer na casa da sua mãe – acabei aceitando sem pensar duas vezes.

Como eu já esperava, Juvia não estava por lá também, já que tinha ido para a festa, então juntamos colchões na sala e ficamos os três ali, fingindo que a noite não tinha acontecido e que o filme que assistíamos estava interessantíssimo.

No fim, demorei horas até pegar no sono, não parando de pensar no quanto as palavras do Loke poderiam pesar na Lucy. Até onde ela levaria aquilo a sério? Haviam chances dela ter ignorado tudo aquilo depois de voltar para casa? Nós e nosso relacionamento que mal havia começado, teriam chances de acontecer?

Eram tantas perguntas que me martelavam a cabeça, e tantas respostas negativas que eu tinha certeza que receberia, que dormir estava sendo difícil.

Lucy tinha avisado! Ela disse que festas colegiais sempre terminavam em confusão, e mesmo assim eu insisti que ela fosse. Eu era um idiota!

Depois de horas reduzidas de sono, e um humor matinal terrível, que nem mesmo Ur e sua ótima comida me alegraram, voltei pra casa só depois das três da tarde, de um almoço reforçado e de uma conversa um pouco tensa com a Ur, na qual eu implorei pra ela não deixar um dos próprios filho passar alguns dias lá, sem explicar muito o que havia acontecido, pra ela não se preocupar. Mas Ur conhecia Gray e Lyon melhor que ninguém, ela já devia imaginar que àquela hora do campeonato as coisas estariam complicadas de um jeito irreparável entre os dois.

Quando finalmente cheguei em casa e coloquei os pés pra dentro, eu não precisei ser nenhum gênio pra descobrir que Lucy estava me evitando.

Assim como aconteceu na semana inteira.

Foram diversas as frases que escutei para que não passássemos um tempo juntos. Ela tinha lições pra fazer, tinha que passear com o cachorro, tinha que ajudar no jantar, tinha que ajudar Michelle com suas lições, tinha que dormir na casa da Cana pra tirar o atraso dos ensaios que faltou por conta do pé. E eu já estava farto daquelas desculpas, mas não poderia fazer nada desde que ela não me dava chances de conversarmos.

E enfim, chegamos à sexta-feira, dia do qual fiquei sabendo de última hora que Layla e Igneel voltariam.

Ficou combinado que estaríamos todos em casa pra recepcioná-los, e faríamos um jantar especial, em comemoração do recém casamento e tudo o mais. Um porre, pra não dizer outra coisa, mas eu tinha que participar.

Felizmente, não fiquei responsável por nada na cozinha, mas por outro lado, era lá que Lucy estaria, e eu estava perdendo outra oportunidade de finalmente poder abordá-la.

Ao menos Gray estava comigo ajudando a limpar uma parte da casa. Não foi bem pra isso que o chamei pra dormir lá, e sim porque no dia seguinte ia ter nosso último jogo pela Fairy Tail, mas acabou que ele não conseguiu fugir das ordens da Erza.

— Você devia ter me avisado que a Erza ia me escravizar hoje, daí eu não teria vindo. – Reclamou pela décima vez, me fazendo revirar os olhos.

— Eu não sabia que Igneel voltava hoje, achei que era só domingo. – Expliquei, e foi a vez dele de revirar os olhos.

— Percebi que sentiu muita falta do seu pai, pra não ter nem ideia de quando ele voltaria.

— Claro que senti, mas meu pai não viajou sozinho. – Resmunguei, suspirando alto. – E seria muito bom se a Layla pudesse ter ficado por lá. – Sussurrei, mas Gray acabou escutando. – Depois que ela foi, as coisas com a Lucy ficaram milhões de vezes melhores.

— Não foi o que pareceu nessa última semana. – Gray desdenhou, segurando o riso.

— Isso foi diferente, foi culpa do…

— Do imbecil do Loke, eu sei, você disse isso a semana toda. Mas você devia ter falado com a Lucy, as coisas não vão se resolver com ela em um canto e você no outro.

— E você acha que eu não tentei, Gray? Insisti a semana toda pra gente conversar, e tudo o que a Lucy fez foi correr de mim. Eu não sei mais o que fazer. – Falei, me jogando no sofá.

— Acho que a Lucy só precisa de um tempo pra pensar. Não é de hoje que esse problema de “irmãos” atrapalha vocês de ficarem juntos, então deixa ela ter certeza mesmo que é o que ela quer fazer. E você sabe, pra isso vai precisar de uma conversinha com a Layla e o Igneel.

E ao ouvir isso, foi inevitável a careta que eu fiz, e Gray acabou rindo.

— A Layla vai me comer vivo. – Sussurrei para o nada, e ele riu mais ainda.

— Eu sei. Por isso você só pode contar depois do jogo de amanhã. Assim que o jogo acabar, fique à vontade pra declarar sua morte.

***

Terminamos rápido o que precisava ser feito, e antes que pudéssemos descansar, a buzina escandalosa do meu pai foi ouvida.

Eles haviam chegado.

Mal eles abriram a porta, eu, Gray e Zeref fomos ajudá-los com as malas, enquanto as meninas ficaram recebendo-os e tagarelando sem fim e sem noção de volume de voz. Antes mesmo do meu pai e Layla terminarem de cumprimentar todos, já estavam respondendo e fazendo milhões de perguntas.

Eu não fiz muita questão de participar desse momento, porque meu humor não estava dos melhores depois daquela semana. Eu sabia que a culpa não era bem da Layla, mas ela precisava mesmo ter se casado com Igneel? Não podia só ter voltado pra Magnólia com as filhas e pronto?! Lucy e eu estaríamos muito bem agora.

Com o jantar pronto e os ânimos – dos outros – à flor da pele, fomos pra sala de jantar nos reunir na mesa, que estava farta. Layla e Igneel contavam animadamente sobre a viagem e cada detalhe dos lugares que foram visitar, e responderam todas as perguntas com grande animação, e por um momento, muito breve, eu me permiti ficar feliz pela felicidade de Igneel. O sorriso do velhote não saiu do rosto em momento algum.

— Mas e quanto a vocês? Como foram essas duas semanas? – Layla finalmente perguntou, e só então o silêncio foi presente.

Erza resmungou um “ótimo” enquanto sorria bobamente. Zeref até tentou não sorrir, mas estava mais bobo que a Erza. Lucy ficou extremamente sem graça e não ousou levantar os olhos da sua comida, e Michelle foi a única corajosa que decidiu contar sobre as novas amigas e como foi passar o dia com elas.

— Tá legal, o que vocês aprontaram? – Meu pai perguntou quando Michelle parou de falar, e então passou a olhar pra cada um de nós atentamente, principalmente eu e Zeref, e o vi levantar a sobrancelha do seu jeito investigador, como se estivesse no tribunal na frente de um culpado e precisasse de fatos para incriminá-lo.

O que realmente iria acontecer ali se ninguém abrisse a boca.

— Erza eu já posso imaginar que passou o tempo livre com o namorado. – Meu pai falou, e Erza riu envergonhada, concordando com ele. – Zeref… Se eu não estiver ficando louco, posso dizer que você finalmente encontrou alguém. – E então meu irmão engasgou com o refrigerante que bebia, e meu pai deu o seu típico sorriso vitorioso. – E Natsu… Não adianta tentar disfarçar, eu sei que você aprontou. E não preciso sequer citar nomes. – E então ele mandou um olhar discreto na direção da Lucy, que somente eu, e talvez o Gray, percebemos.

— Não do jeito que o senhor imagina, acredite. – O avisei rapidamente, e ele me olhou curioso.

Eu odiava quando meu pai tentava entender o que estava se passando pela minha cabeça, eu literalmente me sentia como um réu.

— Certo, mais tarde falamos sobre isso.

E então, aos poucos, a conversa voltou ao normal e em alto tom, e já não se sabia mais o que era silêncio.

***

No dia seguinte, acordei tão cedo quanto eu sempre acordava em dias de jogos, mesmo que acabamos dormindo tarde pela euforia de ter Igneel de volta.

Gray também acordou cedo, e me acompanhou até a cozinha para tomarmos nosso café da manhã, da qual meu pai já fazia animadamente.

Por Kami, que saudades da comida do meu pai!

— Bom dia, meninos! – Ele praticamente cantarolou, e precisei segurar a risada. – Vocês dormiram bem? Estão bastante descansados pro jogo de hoje? – Continuou cantarolando, enquanto dançava na frente da panela, com um avental rosa.

Igneel estava patético.

— A noite foi boa, hein pai… – Comentei baixo, e Gray se engasgou com o copo de leite que tomava.

— Foi ótima, quase não levanto hoje de tanto cansaço. – Ele respondeu, e dessa vez quem engasgou fui eu.

— Que desnecessário, Igneel. – Resmunguei, e ele riu de mim, servindo um pouco de cada coisa que preparou para mim e para o Gray.

— É claro que eu estou falando do cansaço da viagem. – E riu de novo, bagunçando meus cabelos, que já estavam desajeitados. – Que horas é o jogo de vocês? Final do campeonato, hein?! Eu sabia que vocês iriam ganhar tudo!

— Não cante vitória antes da hora, pai. Isso dá azar.

— Começa três horas, Igneel. – Gray o respondeu, já que eu estava ocupado demais enfiando toda a comida goela abaixo.

— Dessa vez vai ser mais cedo. – Ele concluiu, parecendo surpreso.

— É porque vai ter transmissão ao vivo. Você sabe, a Saber também é daqui, então praticamente a cidade toda vai parar pra assistir esse jogo, e como o ginásio da nossa escola não vai aguentar Magnólia toda, então grande parte vai assistir de casa.

— Uau. Makarov deve estar tendo convulsões de alegria com o dinheiro que vai ganhar depois de hoje. – Meu pai comentou, rindo com Gray.

— Nem me fale, aquele velhote veio atrapalhar nosso treino ontem só pra nos dar um pedaço adiantado da bronca caso nós percamos. – Me queixei.

— Você tá reclamando de bronca? Já viu o uniforme que ele queria que a gente usasse? Parecia um biquíni de tão minúsculo! – Escutei Lucy reclamar, me surpreendendo por dirigir a palavra pra mim tão naturalmente depois de uma semana. Ela se sentou na única banqueta livre, ao lado do Gray, e meu pai a serviu também. – Cana fez um escândalo e ameaçou chamar o pai dela, e só assim o diretor deixou a gente usar nossos uniformes normais.

— Gildarts? Cana ameaçou chamar o Gildarts? – Gray perguntou, rindo alto. – Qual é, aquele velho tarado só ia apoiar a ideia do Makarov de fazer vocês usarem os biquínis.

— Pelo jeito o diretor Makarov não sabe disso, ainda. – Lucy deu de ombros, e agradeceu Igneel por servi-la, passando a comer também. – Sua comida está incrível! Como sempre, Igneel.

E aquele simples comentário foi suficiente pra fazer meu pai rir igual um bobão de novo.

É, eu conhecia essa sensação, pai. Lucy também me deixava assim.

— Obrigado, querida. Você ao menos não é mal agradecida igual certo ser que eu coloquei no mundo. – Falou ironicamente, me observando de canto de olho. – Acredita que nunca recebi um elogio do Natsu? Se fosse a mãe dele, recebia até beijo. Eu? Só fico com a louça suja mesmo.

— Ah, que drama, Igneel! Ficou longe de mim por duas semanas e já está assim? Imagina quando eu me casar e sair daqui… – O provoquei, passando por ele pra levar minha tigela até a pia e aproveitei pra bagunçar seus cabelos. – E a louça suja é minha e da Michelle, nem vem com esse papo de que é você que lava, porque é mentira!

— Casamento? Já está pensando em se casar, Natsu? – Escutei Layla, também aparecendo na cozinha com um grande sorriso no rosto, e cumprimentando Lucy e Gray com um beijo no rosto, esse que ficou extremamente ruborizado por isso.

— Tudo vai depender da minha futura sogra. Ela não parece que me aprova muito como genro. – Soltei, baixo o suficiente pra que somente meu pai escutasse, mas vi Lucy se engasgando com a comida e Gray segurando o riso, enquanto Layla me olhava curiosa.

Pelo jeito tava todo mundo com os ouvidos bem atentos, ultimamente.

— Não? Por quê? Você é tão doce e esforçado, qualquer mãe gostaria de ter você como genro. – Ela insistiu, vindo me cumprimentar também.

— Quando a gente se encontrar, você pode dizer isso a ela? – Perguntei, sorrindo travesso, coisa da qual ela notou.

— Você está me zombando, Natsu Dragneel? – Layla perguntou, fingindo surpresa, e me batendo fraco no braço.

Comecei a rir pela inocência de Layla. Ah, Kami, ela sequer podia imaginar…

— Claro que não, Layla. Por que eu zombaria de você?

Mesmo que ela continuou me olhando meio desconfiada, eu sabia que só estava tentando parecer uma madrasta legal e essas coisas pra me agradar. Sua desconfiança não passava de brincadeira, mas minhas palavras não eram menos que verdades. E eu esperava que logo ela descobrisse isso e pudesse lidar com os fatos, de um jeito menos exagerado do que eu sabia que seria.

***

Depois que todos almoçamos, e isso incluía toda nossa família, Gray e também Jellal – esse que apareceu por insistência da Erza –, fomos os três juntos para a escola.

Mesmo que ainda faltasse algum tempo pra começar o jogo, já tinha muita coisa acontecendo. Um pessoal arrumando a entrada pra receber os visitantes, vários caras na quadra posicionando câmeras de formas estratégicas, gente limpando a escola, alunos pendurando bandeirinhas com o símbolo da Fairy Tail por toda a arquibancada, e o diretor Makarov indo de um lado para o outro gritando ordens pra alguns coitados.

Meu nervosismo estava nas alturas após observar tudo aquilo. Magnólia não era bem uma cidade pequena, e todos estariam assistindo eu jogando. Claro que eu não estaria sozinho, mas de certa forma, eu era o capitão e já chamaria a atenção sem qualquer intenção por conta dos meus cabelos. Eu sentia cada vez mais que precisava me sentar e respirar fundo algumas vezes, ou iria desmaiar.

— Natsu, você está pálido, o que foi que aconteceu? – Escutei uma voz familiar, e vi Lis vindo em minha direção, segurando em meus ombros e me olhando preocupada.

— O que você tá fazendo aqui? – Perguntei em um fio de voz, sequer conseguindo disfarçar que de repente era como se eu estivesse enfrentando meu medo de altura.

— Vim pra ajudar com a organização, minha irmã também veio. Mas sério, o que você tem? Comeu algo que te deixou assim? Quer uma água ou algo? – E então ela deu tapinhas fracos em meu rosto, como se quisesse me acordar de um transe.

— Água. Água seria uma boa.

— Tipo essa aqui? – Ela tirou da lateral da mochila que eu carregava uma garrafa d’água, e me mostrou rindo. – Beba e se sente, você tá nervoso, né?! – E então ela me conduziu até a arquibancada e eu me sentei, com Lis ao meu lado.

— Foram as câmeras. – Falei, e ela riu de novo.

— É, o diretor Makarov exagerou um pouco, mas você sabe como ele é, quando disseram que ele poderia ganhar ainda mais dinheiro com essa competição, o velhote ganancioso não pensou duas vezes.

Rimos e enfim ficamos em silêncio, apenas observando a grande movimentação.

— Ué, o que aconteceu? Já tá amarelando, Natsu? – Escutei Jellal, que vinha junto do Gray em nossa direção.

— O time da Saber acabou de chegar, acho melhor arrumar essa cara antes que o idiota do Sting venha te encher o saco. – Gray avisou, sentando-se ao meu lado. – Vá se arrumar, o resto do nosso time tá no vestiário.

Levantei-me sem qualquer ânimo para colocar meu uniforme, e seja quem fosse a pessoa, amiga ou não, quem passava ao meu lado me cumprimentava e perguntava se eu estava nervoso para o jogo. Aquele tipo de pergunta deveria ser estritamente proibida quando a resposta era tão óbvia.

Não, amigos. Eu estou jogando o jogo da minha vida, valendo bolsa pra faculdade, último jogo pela Fairy Tail, contra o time mais foda e o único que não batemos no campeonato, e não, não estou nadinha nervoso.

Entrei no vestiário revirando os olhos e nem ao menos prestei atenção à quem falava comigo, só me troquei com pressa e então voltei para a quadra, onde o treinador já disponibilizava bolas para o rápido treino das duas equipes.

— Natsu-saaaaan! – Escutei aquele grito estridente atravessando todo o ginásio, e já me preparei mentalmente pra lidar com um Sting insuportável pelas próximas horas. – Olha só, dessa vez arranjou coragem pra enfrentar os tigres! Não está com vergonha de passar vexame na frente desse monte de câmeras?

E quanto mais ele se aproximava, mais minha vontade de socá-lo crescia. Mesmo que Sting fosse meu amigo.

— Eu não, e você? Qual foi mesmo a desculpa que vocês deram pra não fazermos o jogo lá na sua escola? Estão realmente em reforma ou não querem perder em casa? – Entrei na provocação, e o vi rindo, passando o braço sobre meus ombros e ficando exageradamente próximo.

— Decidiu jogar pra não correr riscos do seu namorado fazer feio de novo, não é?!

— Se eu fosse você, me preocupava menos com nosso último jogo. A Fairy Tail hoje não está nada parecida com a Fairy Tail daquele dia.

— Sim, com certeza. Vocês estão mais corajosos de colocar um merdinha pra jogar de novo, depois do que ele fez. – Um dos jogadores da Saber entrou na conversa, olhando de forma intimidadora para o Gray, que devolvia o olhar duas vezes mais afiado.

— Controla os selvagens do seu time, porque acho que ninguém vai querer começar uma briga agora. – Avisei Sting, tirando seu braço de mim, tentando de alguma forma afastar o loiro que parecia querer voar no Gray a qualquer momento.

— Ei, Rufus. Vamos resolver as coisas no jogo, cara. Vamos pra lá. – E então Sting passou o braço nos ombros do tal Rufus e o levou para o outro lado da quadra, onde o seu time treinava arremessos.

— Ele é um dos amigos do cuzão do Lyon, tenho certeza. Eu vou quebrar esse filho da puta! – Gray rosnou ao meu lado.

Durante todo o curto tempo que ficamos arremessando as bolas na cesta de todas as formas possíveis, Gray e Rufus trocavam farpas pelos olhares, e eu previa que definitivamente ia ter uma briga na partida.

Logo as arquibancadas começaram a se encher de torcedores, e o número de estudantes da Sabertooth estava consideravelmente maior que da outra vez. Na verdade, se eu não soubesse que a preferência era para alunos e pais de alunos da Fairy Tail, provavelmente acharia que tinha mais dos tigres ali, e a torcida deles estava absurdamente animada. Gritavam pelo nome da escola de forma ritmada, e só o eco pelo ginásio colocava a torcida da nossa escola no chinelo.

E aquilo só me deixou ainda mais nervoso.

Quando dizem que a torcida a favor faz diferença, ninguém estava mentindo sobre isso.

Mas digamos que, assim que vi um anjo andando bem em minha frente, minha preocupação voou pelos ares. Não, eu não estava morrendo ou algo do tipo, só era Lucy junto das outras líderes de torcida com seu uniforme maravilhoso agraciando minha vista. E tamanha foi minha distração assim que ela apareceu, que eu perdi completamente o domínio sobre meu corpo, e quando percebi, já estava em sua frente, a chamando.

— Lucy, eu sei que você ainda precisa de tempo, e provavelmente vai ficar com raiva do que vou fazer na frente de toda essa gente, mas eu realmente preciso disso.

E antes que ela protestasse ou perguntasse algo, segurei em seu rosto pra lhe beijar. Não era minha intenção me demorar, mas quando senti Lucy correspondendo, me permiti aproveitar mais um pouquinho daquele gosto doce que era a sua boca.

— Você adora correr riscos, né?! – Ela cochichou divertida, após nos separarmos minimamente. – Boa sorte, Natsu! – E me presenteou com um grande sorriso, que eu não consegui não sorrir de volta.

Agora sim eu me sentia preparado pro jogo.

Olhei ao redor nas arquibancadas e pude ver meus irmãos, meu pai e Layla que haviam acabado de chegar, sentando-se em uma das últimas fileiras. Acabei rindo.

— Nosso timing foi perfeito, olha quem acabou de chegar. – E então apontei pra sua mãe, que agora acenava pra nós.

Lucy riu sem graça, acenando de volta, e fez menção de se juntar com as outras torcedoras, que agora tentavam animar o pessoal da nossa escola para cantar mais alto que o pessoal da Saber.

— Sua namorada, Natsu-san? – Escutei Sting atrás de mim, e já comecei me preparar mentalmente pra me segurar caso escutasse merda. – Que pedaço de mau caminho, hein?! Ela não é muita areia pro seu caminhão não?

— E o que isso te diz respeito? Pare de olhar pra ela como se você pudesse conquistá-la, seu bostinha.

— Que pena que vou te fazer passar vergonha na frente da sua garota. Eu me desculpo mais tarde com ela. O que acha, Natsu-san, se eu ganhar eu fico com a loirinha?

Se nesse exato momento eu não tivesse sentido uma mão em meu ombro, provavelmente eu teria descido um soco na cara de merda que o Sting tinha. E quando me virei para ver quem é que me interrompia de cometer um assassinato, era Jellal com um sorriso amarelo.

— O treinador quer nos juntar pra passar algumas coisinhas antes do jogo começar. – Ele falou, e no mesmo momento eu percebi que era só o Jellal querendo evitar brigas desnecessárias.

E como eu percebi que não valia a pena me estressar com aquilo, só segui meu amigo até onde o resto do time estava, ouvindo Sting gritar se a aposta dele estava valendo ou não. Ele adorava provocar mais ainda quando era ignorado, e eu adorava ignorar ainda mais.

Juntei com meu time e notei que todos já estavam com os ânimos à flor da pele e bastante nervosos. Estávamos a poucos minutos de começar a partida, e todo o pessoal ao nosso redor começava a se organizar. Os câmera mans se posicionavam, uma repórter local anunciava informações nossas para quem quer que iria nos assistir, os juízes se apresentavam e as líderes de torcida se preparavam pra fazer uma breve apresentação.

Nosso time juntou em uma roda, e todos passaram a me olhar, esperando pelas minhas palavras antes de colocarmos nossos pés em quadra.

— Certo. Eu sei que tá todo mundo nervoso, alguns querendo fugir, outros desmaiar, uns até querendo colocar todo o almoço pra fora, e eu entendo isso muito bem, porque eu também tô assim. Eu sei que ouvimos por duas semanas inteiras que esse era nosso último jogo do campeonato, e pra alguns, esse é o último jogo pela Fairy Tail, mas eu vou falar de novo. É o nosso último jogo! Vamos esquecer tudo o que aconteceu durante o campeonato e focar somente no jogo de agora. Vamos lembrar dos nossos treinos, das nossas táticas, das nossas estratégias e da nossa vontade de ganhar. Porque eu não sei vocês, mas eu tô morrendo de vontade de fazer a Sabertooth engolir todos os meus pontos! – E então olhei sério para cada um, que apenas concordavam com tudo o que eu dizia. – Mas o mais importante de tudo... Vamos nos divertir!

Próximo capítulo:

— Você vai ficar no banco até esfriar a cabeça! Olha a merda que você tá fazendo, idiota! Vai ser expulso se continuar assim! – Gritei de volta, e eu já podia escutar os murmúrios de surpresa de todos que estavam ao redor. Bom, não era a toa, Gray me encarava como se fosse me matar à qualquer momento, e eu o encarava como se fosse levá-lo junto até o inferno.(...)

— Você sabe que essa porra é importante pra mim tanto quanto é pra você, e você tá fazendo o quê? Me fodendo desse jeito? Que porra, Natsu! Eu participei dos treinos as duas semanas, EU deveria estar jogando!(...)

— Ei, ei! Os dois! Chega! – O treinador entrou no meio, olhando bravo para nós dois, mas demorando seu olhar no Fullbuster. – Estamos ganhando sem você em campo, e suas atitudes não estão ajudando pra que eu pense em te colocar no jogo de novo, Gray. Então me convença de que eu deva te deixar jogar! Não é mais decisão do Natsu, agora é minha! Se você não me convencer, pode ir embora porque eu não te coloco mais em quadra hoje!

Notas finais
Recapitulando: → Como mtos pensaram que aconteceria, não, Natsu não ficou na festa se embebedando o/ → Lucy ficou uma semana se esquivando de uma conversa séria com ele; → Layla e Igneel estão de volta, e Igneel descobriu o segredinho do Zeref... Será que ele vai abrir a boca e contar de uma vez, ou fingir que não era nada daquilo? → A noite do Igneel foi muito boa! SAHUSAHUSAHUSAHUs' → Layla ainda não sabe que ela é a sogra :P → Será que vai rolar algo nesse tal Rufus x Gray? :X → Olha o NaLu.................. → O último jogo finalmente vai acontecer, e o próximo capítulo vai ser postado TERÇA, sim, isso mesmo, terça agora, dia 30/08 :D Pq seria maldade esperar uma ou duas semanas até postar a continuação dessa parte, né?! :P Espero que tenham gostado, que estejam ansiosos, e obrigada por todo o carinho e paciência que vocês tem comigo e com TM :P ♥ Até terça ♥