Troublemaker

37 Fim de Jogo - Parte 2


Notas iniciais
Oláaa amorinhos ♥ Vocês estão bem? :D Aqui vai a segunda e última parte, que também ficou enoooorme, mas espero mto que vocês gostem! *O* Boa leitura *3*

Assim que terminei meu discurso, todos juntamos nossas mãos no centro da roda, e fizemos nosso grito de guerra. Eu tinha certeza que iríamos ganhar.

Logo em seguida, o treinador pediu que nos arrumássemos, e nos colocamos perto dos vestiários, enfileirados, apenas esperando o anúncio do nosso time. Foram longos vinte minutos em que o próprio diretor Makarov se encarregou do microfone e apresentava as estatísticas de jogo de cada escola, pra logo em seguida chamar as líderes de torcida, e só depois nossos times.

Primeiro ele chamou a Sabertooth, e os gritos de apoio foram absurdamente altos e escandalosos, na qual me fez relembrar o nervosismo que eu estava passando ao chegar na escola. Mas claro, isso foi até eu olhar pra Lucy, que também parecia me olhar fixamente.

Sua feição calma e sorridente eram como mágica, espelhando em mim o que ela sentia. Era como se ela estivesse transmitindo que confiava em mim plenamente para termos a vitória, e que eu só precisava me acalmar.

E eu estava tão absorto nessa nossa comunicação silenciosa, que nem mesmo ouvi quando o diretor nos chamou, só pude perceber meus amigos me empurrando junto com eles para o centro da quadra. E enquanto nossa escola gritava e torcia animadamente, a escola deles vaiavam para nós, e quase chegava a ser o som mais alto ali, mas nem isso me abalou. Agora o que importava, era que eu iria ganhar aquele jogo, e mais tarde, algo me dizia que tudo voltaria ao normal com a Lucy.

Ou pelo menos normal o suficiente da forma que podia com Layla por perto.

O juiz pediu que os dois times se cumprimentassem, e após isso, todos se colocarem em seus lugares e nós, os capitães, ficamos no centro, esperando o apito e a bola no alto.

E então, oficialmente começou o jogo mais foda da época da minha vida em que joguei pela Fairy Tail!

Seria mentira se eu dissesse que me lembrava de tudo agora, horas depois. Mas, bem, seria no mínimo egoísta não compartilhar o que eu me lembrava.

Logo no primeiro tempo fizemos uma tática rotativa do banco de reserva que funcionou melhor do que esperávamos, todos os nossos jogadores participaram do jogo, e isso também poupava forças de nós, os jogadores principais. Assim que a Saber percebeu o que estávamos fazendo, o treinador deles decidiu fazer algo parecido, mas estava claro que não estavam muito treinados pra isso, por isso terminamos o primeiro tempo com uma pequena vantagem de cinco pontos.

O segundo tempo definitivamente foi um pouco mais crítico. Sting perdeu a paciência quase inexistente, e bem… As faltas começaram a surgir. Com isso, Rufus também decidiu externar seus sentimentos negativos pelo Gray, e digamos que meu amigo também perdeu um pouco a cabeça. Claro, até eu pedir sua substituição.

— O que você tá fazendo, Natsu? – Ele grunhiu nervoso, me dando um empurrão que quase nem me tirou do lugar. – Me tirar do jogo? Que merda é essa?

— Você vai ficar no banco até esfriar a cabeça! Olha a merda que você tá fazendo, idiota! Vai ser expulso se continuar assim! – Gritei de volta, e eu já podia escutar os murmúrios de surpresa de todos que estavam ao redor. Bom, não era a toa, Gray me encarava como se fosse me matar à qualquer momento, e eu o encarava como se fosse levá-lo junto até o inferno. – Não quero o Fullbuster no jogo até ele se acalmar! – Deixei claro ao treinador, que nem pensou em me questionar ou discordar.

Ele sabia tanto quanto eu que aquilo era o melhor. Além de evitar uma expulsão desnecessária e que custaria o time, também estaríamos poupando Gray do segundo tempo, e nos últimos dois ele voltaria pronto pra emperrar milhões de bolas na cesta, e mostrar que havia sido um erro deixar ele no banco. E como meu amigo era um otário com cabeça quente, ele não ia raciocinar na mesma linha que eu, então no fim sobraria tudo pra mim.

Mas nada disso importava desde que ganhássemos.

Durante o tempo que o Gray ficou no banco, fizemos rapidamente uma rotação dos jogadores do banco, com exceção dele, e terminamos ainda ganhando, com sete pontos de diferença.

E bom… O nosso intervalo de cinco minutos foi um tanto tenso.

— Você sabe que essa porra é importante pra mim tanto quanto é pra você, e você tá fazendo o quê? Me fodendo desse jeito? Que porra, Natsu! Eu participei dos treinos as duas semanas, EU deveria estar jogando! – Ele me colocava entre a parede, e Jellal e Loke o seguravam pra que ele não me batesse, porque era muito provável que fosse acontecer, e eu não pensaria duas vezes em revidar.

— Treinou duas semanas pra ser expulso? Que ótimo saber isso! Eu acho que os olheiros vão amar também. Quer ser expulso? Fique à vontade, vai lá, quebra a cara do Rufus aos socos, mas depois não vem reclamar comigo, porque eu só tava te ajudando, imbecil!

— Ei, ei! Os dois! Chega! – O treinador entrou no meio, olhando bravo para nós dois, mas demorando seu olhar no Fullbuster. – Estamos ganhando sem você em campo, e suas atitudes não estão ajudando pra que eu pense em te colocar no jogo de novo, Gray. Então me convença de que eu deva te deixar jogar! Não é mais decisão do Natsu, agora é minha! Se você não me convencer, pode ir embora porque eu não te coloco mais em quadra hoje!

E isso foi suficiente pra que ele calasse a boca e parasse de se debater, olhando surpreso para o treinador.

— Porra! Mas que… Porra! É claro que eu quero jogar, que merda é essa? Eu treinei, eu mereço jogar tanto quanto todo mundo! É minha chance de ganhar uma bolsa! Eu… Essa bolsa é minha chance de… De orgulhar minha mãe, caralho! – E por um momento pude ver Gray quase ao ponto de chorar, mas disfarçando isso com sua raiva, e foi minha vez de ficar surpreso.

Eu nunca havia visto Gray daquela forma tão… Exposta e sentimental. Tirando, claro, a ocasião que ele viu Lyon com a Juvia anos atrás, mas agora era totalmente diferente. Ele estava se expondo na frente de todos os nossos amigos de time, e aquilo era uma coisa que acontecia uma vez na vida e outra na morte.

O treinador tentou não demonstrar que também se comoveu com aquilo, e fingiu que estava pensando sobre o que Gray havia dito e se lhe daria uma chance de voltar pra quadra.

— Ok. No terceiro tempo, o time titular que vai entrar em quadra, e isso inclui você, Gray… Eu espero que não me faça me arrepender. – E então olhou ameaçadoramente ao meu amigo, que apenas sorriu aliviado. Parecia que ele havia acalmado um pouco. – Vamos deixar a tática rotativa de lado, por agora. Só quero substituições se alguém estiver muito cansado, ou sentindo alguma dor que possa se transformar em alguma lesão. Loke e Yuki, o tal Rogue e Sting estão fazendo uma ótima dupla ofensiva, e odeio admitir isso, mas eles estão atropelando vocês. Jellal e Natsu, quero que peguem pesado, de preferência evitando faltas naqueles dois. Gray, você vai provocar o Rufus até conseguir a expulsão dele. O resto vocês sabem o que fazer, continuem se divertindo desse jeito louco de vocês.

Então, o terceiro tempo começou e estava tudo indo tranquilo, sem brigas e tudo mais, mas a Sabertooth voltou com toda a força, e logo nos primeiros cinco minutos eles conseguiram compensar os sete pontos, e ainda ultrapassar nosso placar em cinco pontos, que acabou até nos pegando totalmente de surpresa. Eles voltaram muito mais ofensivos e com contra ataques muito diferentes dos outros dois tempos. Era como uma Saber repaginada, porém com os mesmos jogadores. O que me fez ficar perguntando que porra era que tinha acontecido no vestiário durante o intervalo pra isso acontecer.

Foi então que o treinador pediu tempo, e tentou nos ajudar com nossos erros. Os filhos da puta estavam arriscando nas cestas de três pontos e levando a sorte grande, enquanto nós estávamos mais focados no garrafão e em tentar parar Rogue e Sting. E claro, estávamos conseguindo, mas o problema nem estava mais sendo os dois.

Voltamos para o resto do terceiro tempo, e então foi como se finalmente o inferno tivesse se feito naquele lugar. Foi quando a primeira briga começou.

No começo eu tinha percebido que o clima entre Loke e Rogue não estava dos melhores, sempre que eles podiam, distribuíam ombradas no outro quando estavam perto, mas então foi só o Loke acertar “sem querer” uma cotovelada no rosto do Rogue enquanto tentava evitar uma enterrada, e pronto. Rogue não pensou duas vezes em devolver um soco bem dado no Loke, fazendo até sangue escorrer pelo seu nariz, e uma expulsão acontecer imediatamente. E quando o juiz expulsou ele, todos os outros jogadores da Saber começaram a vir pra cima do Loke, e claro, nosso time foi rápido em ir ajudá-lo.

Até mesmo eu, que queria ter sido o responsável pelo soco, mas bem… Ele era colega de time naquele momento, e eu precisava do Loke no jogo.

Assim que as coisas se acalmaram, com muita dificuldade e muita gente tentando separar – sem falar que estava tudo sendo filmado! –, por conta das regras, Loke só poderia voltar ao jogo quando o sangramento estivesse devidamente estancado, então um dos reservas entrou em seu lugar nesse tempo. Voltamos ao jogo, e não demorou pra outra confusão ser armada.

Faltando poucos segundos pra terminar aquele tempo e termos um intervalo de dois minutos, Jellal quase foi apagado por um tal cara chamado Orga, que tinha cabelos verdes e era gigantesco em todos os sentidos. Não dava pra saber se foi intencional ou não, mas ele jurava que não, e quando ajudei Jellal a se levantar, seu lado esquerdo do rosto estava todo ensanguentado, e eu já até conseguia imaginar Erza descendo a arquibancada do seu jeito revoltado e fazendo o grandalhão pagar pelo que fez com o namorado dela.

E quando os nossos jogadores viram o estrago, quiseram ir pra cima do Orga, e os jogadores da Saber quiseram defendê-lo – por mais que não precisasse, porque sério, o cara deveria ter no mínimo dois metros e vinte! Era só ele colocar a mão nas nossas testas que não sairíamos do lugar! –, e outra vez foi preciso de gente pra separar a confusão que se formou, e os juízes decidiram que era melhor finalizar aquele tempo, em que estávamos perdendo com nove pontos de diferença.

Acabamos saindo prejudicados em todos os sentidos.

Entretanto, para nossa sorte, tudo o que aconteceu com o Jellal foi um pequeno corte na testa, e o nariz do Loke estava bem, então os dois voltaram pra jogar o quarto e último tempo.

As coisas se acalmaram, as faltas diminuíram um pouco, e nosso time começou a reagir muito bem, chegando a diminuir a desvantagem pra zero, deixando o jogo empatado em grande parte daqueles dez longos minutos. Tão longos, mas mesmo assim sem nenhuma turbulência envolvendo sangue, soco, expulsão ou algo do tipo. Só faltas simples, de ambos os lados, que resolvíamos com tiros livres.

E quando estávamos com um pé na vitória, ganhando com dois míseros pontos de diferença, demos uma mancada na marcação e Sting marcou a última cesta daquele quarto tempo, e então o juiz soou o apito, dando fim àquele sofrimento que estava sendo nossa breve vitória, mas virou desilusão com o empate que surgiu.

— Merda! Merda, merda, que caralho! Que porra de jogo! Eu não acredito que deixamos ele passar! Vai se foder todo mundo! – Gray gritava pela quadra, externando o sentimento de todos do nosso time.

Enquanto isso, o time da Saber comemorava a segunda chance que Sting havia dado à eles.

Então, logo me liguei que se houvesse empate, não havia ganhador, e sem um ganhador nós iríamos direto para o tão temido acréscimo. Temido, porque qualquer um com um bom senso, que tivesse jogado quarenta cansativos minutos, já estaria cansado demais pra ter que aturar mais qualquer minuto que fosse. E nós estávamos quase esgotados, mas ainda precisaríamos encarar etapas de cinco minutos até sair do empate. Nem que a diferença fosse somente de um ponto de um placar para o outro, mas precisava desempatar.

Antes, tivemos um intervalo de cinco minutos, mas ele passou tão rápido que era como se nem tivesse existido. Não foi o suficiente pra renovar minhas forças, mas isso pouco importava, porque eu acima de tudo deveria colocar o time no pedestal e não deixar a esperança morrer. Era agora ou nunca!

Assim como nós, os jogadores da Saber também aparentavam cansaço, mas eu sabia que nenhum deles entregaria o jogo facilmente. E tampouco a torcida deles, que agora fazia mais barulho do que nunca.

Sting começou os acréscimos com uma cesta de três pontos, e logo em seguida eu revidei com outra de três pontos. Nem fodendo que eu me abalaria com o quão incrível aquele filho da puta conseguia ser! Aquele tempo acabou se transformando numa disputa particular nossa, e em tudo que Sting tentava se mostrar superior, eu mostrava que eu já era muito antes dele.

Até eu torcer o tornozelo faltando um minuto, por conta de uma falta do Orga em mim. Claro que o paramédico e o treinador foram me atender na quadra, e me fizeram sentir como um impossibilitado. Retiraram meu tênis e minha meia, e ficaram mexendo no meu tornozelo enquanto eu fazia caretas de dor, e as câmeras resolveram focar em mim bem nesse momento inoportuno. E para minha infelicidade, a torção tinha sido um pouco mais séria do que eu imaginava. Jogaram um spray, enrolaram uma bandagem e então trouxeram uma maca pra me tirar da quadra.

— Não! Nem fodendo, faltam alguns segundos, eu consigo dar conta! Eu não vou sair agora! – Teimei, e rapidamente vesti minha meia e meu tênis pra provar minha teoria.

Me coloquei em pé e comecei a andar, sentindo uma dor aguda que me fazia mancar, mas eu tinha certeza que conseguiria fazer aquilo. Qual é, íamos ser campeões, eu não podia simplesmente deixar o jogo faltando segundos pro apito final!

— Natsu, você tem certeza? Você sabe que se ferrar o time por causa disso, a culpa da derrota vai cair toda sobre você! – Jellal veio se intrometer, e Gray parecia concordar com ele.

— Que se dane, eu dou conta.

O paramédico e o treinador sequer tentaram argumentar comigo, talvez porque me conhecessem muito bem, e eu agradeci mentalmente por aquilo.

Cobrei a falta que nos deram, com dois lances de tiro livre, e acertando as duas, cada uma valendo um ponto, consegui o empate do nosso time. Porém, a Saber conseguiu a vantagem do contra ataque, e correram pra tentar marcar mais alguma cesta, mas a nossa defesa não deu mancada novamente, e a regra de vinte e quatro segundos estava valendo, os deixando um tanto afobados.

Eles tinham exatos vinte e quatro segundos pra tentar uma cesta, ou a posse de bola passaria a ser nossa. E antes dos vinte e quatro segundos terminarem, Rufus tentou uma cesta de três pontos, falhando miseravelmente e entregando a bola de graça para nós.

Foi nossa chance. Aquele era definitivamente o último lance do jogo, e nós precisávamos acertar. A bola ia passando de jogador a jogador, e mesmo que meu pé doía horrores, eu acompanhava o time do jeito que podia.

Até a bola parar em minhas mãos. E aquela, provavelmente, foi a primeira vez que eu não sabia o que fazer.

Se eu tentasse uma cesta, de onde eu estava contaria como três pontos, mas as chances de eu errar eram grandes, e a Saber teria uma breve chance de contra ataque, e provável vitória.

Se eu tentasse um passe, provavelmente perderíamos a bola, porque a marcação estava tensa, e então a Saber teria uma breve chance de contra ataque, e provável vitória.

Se eu ficasse esperando o tempo passar, eu estava submetido à regra de oito segundos, onde deveria passar a bola imediatamente ou seria de posse da Saber, e então eles teriam uma breve chance de contra ataque, e provável vitória. Ou o apito soaria, terminaríamos empatados de novo, e precisaríamos de um segundo acréscimo com cinco minutos, e eu tinha certeza que ninguém mais estava disposto à isso.

Ou seja, eu estava ferrado em qualquer situação.

Então fiz o menos provável. Esperei meus oito segundos terminarem, e tentei uma cesta de três pontos.

O apito final soou antes da bola chegar ao aro, e por um momento eu ouvi o silêncio que se fez em todo o ginásio, todo mundo na expectativa do que iria acontecer. Eu fraquejei e dei espaço à minha covardia, fechando os olhos e não querendo ver o fim que aquilo ia dar, e já me xingava por ter feito meu time ter que aguentar mais cansativos cinco minutos.

Soube que finalmente havia terminado aquele meu momento de tortura quando ouvi uma comemoração exagerada dos torcedores nas arquibancadas. Eu ainda estava de olhos fechados, então não sabia se eram os alunos da Saber comemorando que haveria chances de ganhar no próximo acréscimo, ou se eram os alunos da Fairy Tail comemorando nossa vitória.

Bom, claro, isso foi até eu sentir todo mundo vindo me abraçar, e eu soube imediatamente o resultado.

Fairy Tail havia sido campeã!

Embora eu ainda estivesse bastante desnorteado com o fim que toda minha indecisão rendeu, meus amigos me levantaram em seus ombros e começaram a gritar em comemoração, enquanto boa parte da arquibancada também vinha comemorar conosco. Ninguém ali sabia que eu tinha medo de altura, então aposto que minha cara não estava das melhores, mas tentei aproveitar de qualquer forma. Havíamos vencido, afinal! Em um jogo terrivelmente cansativo e foda.

Quando enfim me soltaram, fui recebendo abraços e tapinhas nas costas de todos os lados, e era uma multidão sem fim. Todo mundo me desejando os parabéns e elogiando minha performance, e tudo o que eu queria era só sair daquele sufoco por um momento. Eu precisava respirar!

Entre tantas pessoas, até mesmo Sting veio me parabenizar. Eu não mentia quando dizia que ele era um ótimo amigo quando o jogo terminava.

— Você é um filho da puta mesmo! Eu deveria ter roubado a bola de você, sabia que ia dar prejuízo pra nós. – Dizia enquanto me abraçava e dava tapinhas em minhas costas.

— Eu que sou o filho da puta? Vocês é que são uns selvagens descontrolados. Eu vou mandar a conta do hospital direto pra Saber.

— Ah, deixa de ser frágil, Natsu-san! Pelo menos o jogo foi bem melhor que o último! Quem sabe no futuro a gente não se enfrente de novo pelos times da nossa universidade? – E então deu uma piscadela e voltou para ficar com o pessoal da sua escola.

O pessoal do meu time continuou comemorando com alguns familiares, a repórter local entrevistava alguns jogadores, tanto da Saber quanto da Fairy Tail, e eu via meu pai lutando pra conseguir abrir espaço e vir me abraçar, coisa que quase me quebrou ao meio.

— Calma aí, Igneel. Eu não sou dobrável! – Brinquei, o fazendo rir.

— Que orgulho do meu filhão! Eu sabia que vocês iam ganhar! E os últimos cinco pontos foram seus! – Ele me apertava de novo, e por um momento eu consegui me imaginar soltando as tripas em suas costas, com toda aquela força que ele tava pondo em mim.

— Aí, pirralho! Parabéns! – Zeref, sempre tão tagarela, bagunçou meus cabelos, que já não estavam lá grande coisa.

— Eu não vou te abraçar antes de você tomar um banho, fedorento. Mas parabéns. – Erza resmungou no seu costumeiro mau humor, mas quando viu Jellal, saiu correndo pra abraçá-lo, o que me fez revirar os olhos.

Ele também não tinha tomado banho ainda, oras.

— Natsu-nii! – Diferente da Erza, Michelle foi me abraçar. – Você foi demais! Seu pé tá doendo ainda?

— Um pouco, mas logo passa. Obrigado por se preocupar, pirralha.

Ela era realmente uma irmã que eu nunca tive.

— Eu sempre ouvi do seu pai o quão incrível você era jogando basquete, e apesar de ter te visto jogando outras vezes, acho que hoje foi que você se destacou mais! Parabéns, querido. – Layla me deu um rápido abraço, e sorriu minimamente.

— Obrigado, Layla.

Depois de todos me cumprimentarem e se distraíram entre si, senti que estava faltando alguém em especial que ainda não tinha aparecido. Passei meu olho ao redor, procurando por ela, mas não a encontrava em lugar nenhum. Perguntei baixinho pra Michelle onde Lucy estava, e ela apontou na direção do vestiário.

— A Cana interditou o vestiário de vocês por um momento pra elas se arrumarem, porque elas também vão participar da entrega do troféu. – Ela sussurrou em meu ouvido, e eu não demorei em ir até lá.

Eu precisava falar com a Lucy!

Mas fui interceptado antes mesmo de tentar alguma coisa.

— Onde você pensa que está indo, Natsu? – Foi Cana quem me parou, olhando-me séria, com sua aura de “vou chutar seu traseiro se você for insistente”.

— Cana! Eu preciso falar com a Lucy, é rápido. – Soei mais desesperado do que eu pretendia, e ela deu um sorriso de lado debochado.

— É, eu sei, todo mundo quer ter um papinho conosco, mas você vai esperar bem aqui, nenhum garoto vai entrar enquanto as minhas meninas estiverem ali.

— Não, Cana, você não entendeu, eu…

— Você vai esperar aqui! – Ela me cortou raivosa, e por um momento eu temi ser socado por ela.

Contra minha vontade, fiquei encostado na parede esperando pacientemente até que todas as líderes de torcida saíssem, e logo que vi Lucy, e ela também me notou, pedi que ela me esperasse um pouco, já que o vestiário seria o único lugar que teríamos privacidade ali.

Para minha surpresa, ela não questionou minhas intenções, e ficou ali comigo, em total silêncio, só esperando que todas saíssem.

E quando enfim só sobrou nós, Lucy entrou no vestiário me puxando pela mão, e antes que eu dissesse algo, fui pego desprevenido por um forte abraço.

— Eu sabia que ia ganhar. Parabéns. – Ela murmurou com toda a sinceridade, e eu não tinha percebido que sentia tanta falta de tê-la tão perto, até abraçá-la de volta.

Permiti-me viajar no perfume de seus cabelos por um tempo, e quando Lucy subiu o olhar pra me encarar, o impulso de beijá-la foi forte demais pra que eu pudesse evitar meus instintos. Tirando o breve beijo antes do jogo, eu não fazia aquilo há uma semana, afinal! Não era como se desse pra me segurar quando Lucy parecia querer um contato a mais tanto quanto eu.

Entretanto, no começo Lucy não parecia querer revidar meu beijo, e por um breve momento eu até mesmo pensei em desistir, mas ela não teria ficado ali comigo sozinha sem motivo. Lucy teria ido embora se não quisesse nada, e claramente foi o oposto do que ela fez.

Então, decidido que a deixaria um pouco mais à vontade, segurei em seu rosto gentilmente com uma mão, e a puxei pela cintura com a outra, enquanto ainda a beijava. Só que isso resultou em uma Lucy muito mais à vontade que o meu planejado, de uma forma completamente nova e tentadora.

Suas mãos subiram pelo meu peitoral, firmes e curiosas como Lucy nunca fez antes, e foram parar em meus cabelos, segurando-os firme, puxando-me pra mais perto de si. O beijo passou a ser quente e ansioso, como se fosse algo que ela queria fazer há tempos, e não pude deixar de grunhir em excitação quando Lucy começou a subir e enroscar uma de suas coxas em minha cintura, aproximando nossas intimidades de forma perigosa.

Mandando um foda-se pra sanidade, puxei sua outra coxa pra cima, suspendendo Lucy, e a apoiei no meu armário, correndo minha mão por debaixo de sua saia sem qualquer pudor. Escutei Lucy exprimindo um gemido, e aquilo não poderia ter me deixado mais excitado.

A tímida e recatada Lucy havia desaparecido totalmente.

Quando nos separamos do beijo por um momento, ambos ofegantes, passei a lhe provocar no pescoço da minha forma.

— Nem pense nisso… Eu tô de cabelo preso! – Ela logo reclamou, me fazendo rir.

— E daí?

— E daí? O que eu vou dizer à minha mãe quando eu aparecer com um chupão?

— Eu fico com a culpa. – Murmurei contra seu pescoço, vendo Lucy se arrepiar, e eu adorei aquilo.

— Natsu… É sério. – Ela me puxou com um pouco de força pelos cabelos, e voltou a me beijar feroz, tentando tirar a ideia do chupão da minha cabeça, ou tentando me provocar mais do que antes, ou os dois.

E eu tinha que admitir, seu lado perverso estava me levando às alturas.

Escorreguei minha mão pelas suas costas, indo até o fecho de seu sutiã, e logo Lucy estava reclamando de novo.

— Por Deus, o que você acha que tá fazendo?

— Só verificando... – Sussurrei provocante em sua orelha.

— Na-natsu... – Lucy titubeou, fazendo-me sorrir vitorioso. – Nós temos que ir pra premiação, e caso você ache que ninguém vai lembrar da sua existência, você é o capitão.

— Ah, isso é bem excitante! Me chame de capitão de novo, Luce.

— Como? É um tipo de fetiche ou algo assim? – E ela riu. – Capitão estranho, que tal?

— Não corte o clima, princesa. – Ri de volta, lhe dando um beijo na bochecha. – Vamos, aqui não é bem um lugar apropriado pra gente continuar isso...

Lucy arregalou os olhos com o que eu disse, e minha única reação foi rir e colocá-la ao chão, mas ainda a deixei ali, pressionada sobre o meu armário, enquanto eu mexia em seu rabo de cavalo e a encarava sem coragem nenhuma de quebrar aquela nossa aproximação, e o sentimento parecia totalmente recíproco.

— Quando eu faço o que é certo, parece tão errado... Mas quando eu faço o que é errado, parece tão certo...¹ – Lucy suspirou, acariciando-me delicadamente no rosto, e ao mesmo tempo ficando corada.

— O quê? Você acha isso errado? Qual o problema de eu dar uns amassos na minha meia irmã? – Perguntei debochado, e ela acabou rindo, me fazendo rir também. – Eu sou apaixonado por você desde que nos encontramos no corredor pela primeira vez, Luce. Se tem algo errado aqui, foi meu pai ter decidido casar com a minha sogra. – Me confessei pela primeira vez à ela, e seus olhos arregalados e rosto vermelho foram as únicas coisas que pude ver, antes de todos os meus colegas de time invadirem o vestiário.

Bom, não era bem um invasão já que era o nosso vestiário, mas os filhos da puta estragaram totalmente o meu momento.

Todos estavam animados e gritando até verem Lucy comigo. Seu rosto aumentou a tonalidade, e eu também sentia minhas bochechas quentes, principalmente porque todos ficaram em um profundo silêncio nos encarando.

Tão rápido quanto eles entraram, Lucy fugiu dos meus braços direto para a saída, e todos puderam escutar meu suspiro insatisfeito.

— Vocês não viram nada! – Grunhi ameaçadoramente, e como eu esperava, todos fingiram que nada tinha acontecido. – Muito menos você, babaca! Se abrir a boca, eu termino o trabalho do Rogue nesse teu nariz. – Ameacei Loke, que apenas riu debochado, fingindo passar um zíper pela boca.

Tivemos um pequeno intervalo pra nos arrumar e não parecermos porcos suados durante a premiação, que infelizmente, também seria filmada, e então voltamos para a quadra.

Depois disso, tudo o que aconteceu foi um borrão. Eu me lembro de ter recebido o troféu e tê-lo levantado com meu time, comemorando muito com os meus amigos, e nem mesmo o meu tornozelo doendo pôde me impedir de mostrar o que era ser um aluno da Fairy Tail, e depois Igneel decidiu que era uma ótima hora pra nos levar até a minha pizzaria preferida.

Jellal e seus pais, Gray, Ur e Ultear também nos acompanharam, e minha alegria foi completa quando Lucy decidiu sentar ao meu lado, mesmo com tantas cadeiras disponíveis em uma mesa gigantesca. Claro que não era como se pudéssemos ficar trocando carícias ou sendo amorosos de um jeito suspeito na frente da Layla – se bem que até mesmo a tia Ur sabia, então não era bem um segredo –, mas só de ter Lucy ao meu lado depois daquela vitória, aquilo era suficiente pra mim.

Notas finais
¹ Sobre essa frase da Lucy, foi uma referência de uma música que eu amo pra caramba, e eu sempre quis colocá-la de alguma forma na fic, porque eu acho que a frase é a cara do NaLu daqui :P Ela chama "Counting Stars" do OneRepublic, e eu super recomendo pra quem não conhece! :D Inclusive vou deixar o link > https://www.youtube.com/watch?v=hT_nvWreIhg Sobre a torção do Natsu, não foi algo sério igual ao da Lucy, tanto é que não vai ser mais tocado nesse assunto daqui pra frente... Sabe aquelas torções que a gente tem no momento e fica doendo por meia hora +/- e depois vai passando? É uma dor que incomoda pra caramba, mas eu continuei um jogo de handebol assim, então tenho certeza que não seria um problema pro Natsu, né?! :P Esse momentinho NaLu, pra quem não se lembra, é daquela fanart incrível da whitefoxie, q ela desenhou pra mim faz algum tempinho ♥ > http://whitefoxie.tumblr.com/post/142894787391/inspired-by-the-fanfiction-troublemaker-pt-br-3 Obrigada por todo o carinho, espero muito que tenham gostado do capítulo de hoje, e até o próximo, dia 08/09 o/ Inclusive, gostaria de saber o q vcs esperam para o decorrer da história ;D Até mais, meus preciosinhos ♥