Troublemaker
18 Diga-me a Verdade
Notas iniciais
Terça-feira, no portão da escola, lá estava Lisanna um tanto eufórica demais pra quem tinha acordado tão cedo. Bom, pelo menos em minha cabeça isso não fazia o menor sentido.
— Natsu! – Comemorou minha chegada. – Você nem imagina o que aconteceu!
— Você se livrou de um castigo? – Sugeri, fazendo-a rir.
— Não tem nada a ver com isso. – Ela negou, segundos depois parando um pouco com seu jeito serelepe e me encarando. – Por que? Você ficou de castigo?
— Longa história… Peguei Igneel em um mal dia… – Apenas disse. – Por que o Fullbuster está com mais cara de merda que o habitual? – Apontei em sua direção, que conversava á poucos passos de nós com Jellal.
— Exatamente pelo o que aconteceu! – Ela bateu palmas, novamente animada. – Temos uma novata na sala… – E olhou maliciosamente para o Gray, sorrindo grande.
— Não me diga que… – Eu murmurei, pensando alto.
— Sim! Os dois vieram juntos e tudo o mais!
— E onde ela está? – Pareci mais urgente do que pretendia.
— Na sala. Acho que está conversando com a Lucy. – Ela falou, como se estivesse satisfeita que as coisas estavam andando do jeito que ela queria. – Você não acha realmente legal que a futura esposa do Gray esteja se dando bem com a sua futura esposa?
— Não acredito que você vai ficar me dizendo essas barbaridades logo cedo, Lisanna. – Resmunguei enquanto revirava os olhos, dirigindo-me para a sala e deixando-a para trás.
Ou pelo menos tentando, porque Lisanna estava em meu encalço em poucos segundos. Rindo, pra variar.
— Não se chateie, eu só estou dizendo verdades.
— A única verdade é sobre Lucy ser minha futu… Não, espera! Juvia! Juvia ser a futura esposa do Gray! Essa é a única verdade! – Me xinguei internamente por ter dado tal gafe, que provavelmente Lisanna se lembraria para o resto da sua vida e ainda faria o favor de me perturbar.
— Aaaaah! Eu sabia! Eu sabia! – Ela comemorava, ainda mais alegre que antes. – Você está apaixonado por ela… – Lis cantarolou.
— Se apaixonado no seu dicionário quer dizer que eu quero levá-la para minha cama para transar a noite inteirinha… Então, talvez você esteja certa mesmo. – Lhe mandei uma piscadela, recebendo uma careta em troca.
— Por que você tem que ser tão vulgar, Dragneel?
— Você ainda não me viu sendo vulgar, Lis… – Sorri nada inocente.
— Deixa de ser malicioso, idiota! – Ela riu.
Quando chegamos na sala, Juvia estava mesmo conversando com Lucy, sentada atrás da mesa da loira.
— Se não é a minha nadadora preferida iluminando essa sala… – Falei próximo ás duas.
— Natsu-san! – Ela se levantou sorridente, abraçando-me.
— Você realmente está estudando na Fairy Tail agora? O que aconteceu com sua antiga escola?
— Meus pais vão sair do país, e eu não queria ir junto antes de terminar meus estudos aqui. Então a tia Ur pediu pra eles me transferirem para a Fairy Tail e ela me daria hospedagem até eu me formar. E depois eu acompanharia meus pais.
— Isso é loucura! Você realmente pretende se mudar de país quando terminar esse ano? – Fiz uma careta, fazendo-a rir.
— Não tenho muitas opções. E se depender da faculdade que eu vou cursar, eu acho que vou precisar mesmo sair daqui. – Deu de ombros.
— Isso é ruim… – Murmurei em um quase sussurro, olhando para Lisanna, que concordou comigo.
— O que você disse, Natsu-san? – Ela perguntou, olhando confusa para mim e pra Lis.
E então o sinal da aula tocou, e várias pessoas começaram a entrar na sala.
— Depois conversamos melhor. – Falei, sorrindo. – Não se aproxime muito da loirinha, ela é uma chata carrancuda. – Apontei para Lucy, que revidou com um “vai se ferrar”.
Gray e Jellal chegaram logo em seguida, e os segui até os nossos lugares.
— Eu prevejo que esse resto do ano vai ser incrível… – Falei, olhando para o Gray, que fez uma carranca enorme e mal olhava para a frente, já que Juvia estava na mesma fileira que ele.
Jellal sorriu pra mim, cúmplice daquele momento.
***
Como Gray não quis passar o intervalo junto com a Juvia e eu me recusei a deixá-la sozinha, eu e Lis fizemos companhia a ela, enquanto Gray ficou junto com Jellal e Lucy. Àquela altura do campeonato eu imaginava que Lucy estaria conosco, mas parecia que escolher entre ficar com a novata ou os dois idiotas, ela preferia o mal caminho.
Naquele dia, durante as aulas extracurriculares, fomos para o nosso treino de basquete. Meu primeiro treino após uma semana fora.
Tudo estava bem e indo nos conformes, até eu avistar um idiota sorridente entrando na quadra, e me lembrar que haviam assuntos a serem resolvidos.
— Loke… – O chamei, assumindo minha postura de capitão. Seu sorriso desapareceu assim que viu como eu estava. – Vá para o vestiário… Nós vamos conversar.
Normalmente, em um dia comum, o pessoal do time levaria essa frase na malícia e começariam as piadinhas de mal gosto. Mas todos viram que eu não estava para brincadeiras, então ficaram quietos.
Era melhor assim.
Loke andava á minha frente, e eu apenas o segui, já me preparando para expulsar todos que estivessem no vestiário àquela hora. Por sorte eram só dois garotos, que logo entenderam o recado assim que os olhei.
Fechei a porta, encostando-me nela e cruzando os braços, olhando intensamente para o ruivo. Ele parecia cada vez mais sem graça com a situação.
— Fiquei sabendo, Loke, que você gosta de se aproveitar das garotas mais novas dessa escola…
Seus olhos se arregalaram e sua expressão foi de total espanto.
Obviamente eu atingi meu objetivo e estava sorrindo internamente.
— O q-que? E-eu nunca faria algo assim! Você está me chamando de pedófilo, Natsu-san?
— Não. Ainda não. Mas eu poderia. E eu também poderia falar isso para o diretor… – Falei tranquilamente, me aproximando dele. Pude perceber que ele não estava mais tão intimidado, apesar de não estar gostando do que estava ouvindo. – Eu não quero te ameaçar, Loke. Até mesmo te acho um cara legal, e você joga bem basquete, mas você mexeu com uma pessoa que não deveria ter mexido…
— Sobre o quê, exatamente, você está falando? – Ele perguntou, assumindo uma postura de cínico negociador, que era exatamente o que ele sabia fazer de melhor.
— Michelle. Conhece? Uma baixinha, de cabelos loiros escuros, que tem cara de pirralha e você tentou ajudar a matar aula ontem. Ela agora é minha irmã, sabia?! – Cheguei bem perto dele, frisando bastante aquelas últimas palavras.
— Ah, claro. Bem que eu achei que tivesse visto o Igneel, eu sabia que o tinha reconhecido.
— Pois bem. Mexa com Michelle de novo, ou com qualquer garota mais nova, e eu arrebento sua cara e faço o diretor se arrepender de lhe ter como aluno da Fairy Tail. – Usei meu tom mais ameaçador de voz. – Estamos entendidos? – Sorri, estendendo-lhe a mão.
Ele pareceu titubear na decisão, mas logo apertou minha mão de volta. E antes que ele soltasse, eu a segurei firme e apertei o mais forte que eu conseguia.
— Eu espero muito que eu nunca mais ouça que você se aproximou da Michelle. Ou teremos um grande problema.
E então soltei sua mão, observando-o recolhê-la e massageá-la, enquanto fazia diversas caretas. Me retirei do vestiário e me juntei com o pessoal, fingindo que tudo estava na mais profunda paz de sempre.
O treinador apareceu minutos depois na quadra e nos juntou em um grande circulo, para nos informar sobre nossos adversários do fim de semana.
— O jogo será no sábado, aqui na Fairy Tail. E vamos disputar contra uma escola chamada Lamia Scale. Eles estão invictos até agora, então não são um time fácil. Eu quero total desempenho nesses próximos treinos, e o Natsu voltará a ser o capitão. Gray… Eu espero que esteja com a cabeça no lugar, eu odiaria ter que substituí-lo. – O treinador lhe chamou a atenção, fazendo menção ao último jogo contra a Sabertooth.
Gray respondeu com uma careta.
O treinador nos passou mais algumas instruções e depois nos liberou para treinar.
— Lamia Scale… Não é a escola que o Lyon estuda? – Perguntei próximo do Fullbuster, que apenas me olhou com desgosto.
— Infelizmente.
— Ele joga basquete?
— Eu é que vou saber? – Gray se estressou, correndo atrás de uma bola. – Quero mais é que o Lyon se foda.
— Escuta, Gray… – Corri atrás dele, também pegando uma bola. – Eu sou seu amigo, você sabe… Mas se o Lyon estiver no time e você, por acaso, começar a encrencar ou algo der errado ao longo do jogo, você sabe que vou ter que pedir sua substituição, não é?!
— Eu não vou arranjar problemas, Dragneel.
— É o que eu espero. – E então o fiz parar de correr, colocando uma mão em seu peitoral. Ele estava bravo, então sequer me olhou. – Gray… Você é o único que me conhece perfeitamente em quadra, e eu odiaria ter que perder essa parceria. Me prometa que não vai deixar isso te subir a cabeça.
Sua feição amenizou quando ouviu o que eu disse, e só então me olhou.
— Eu não vou repetir o erro do último jogo. Nós vamos ganhar essa, pode ter certeza!
***
Lucy
Foi difícil dormir naquela noite, após presenciar a cena de uma possível discussão entre minha irmã e o Natsu. Principalmente porque ele sabia de coisas da Michelle que eu não sabia, e isso me deixava encucada. O quê, exatamente, ele quis dizer com “estou tentando protegê-la” e “pense nisso, eu só quero o seu bem”? No que Michelle estava envolvida que eu, sua irmã mais velha, não sabia nada sobre? E por que ela confiou contar algo para o Natsu? Logo o Natsu!
Aquilo me incomodava, de certa maneira.
Ok, também havia a possibilidade de que ele descobriu sozinho e veio questioná-la, mas mesmo assim, por que nenhum dos dois me disse algo?
Ao contrário, Natsu foi dormir e Michelle desconversou, dizendo que precisava terminar uma lição.
Por conta disso, tive uma noite desagradável, e não foi nada legal acordar cedo para ir à escola. Mas como sempre, acordei mais cedo que os dois e fui para a escola primeiro, sendo a terceira aluna a chegar da minha sala.
Lisanna chegou dois minutos depois e me cumprimentou, alegre como sempre. Sua animação de todos os dias me dava inveja. Ficamos jogando conversa fora por um tempo, e de repente, como se um fantasma tivesse aparecido ali, Lis parou de falar e ficou encarando a porta de boca aberta e olhos arregalados. E quando me virei para olhar a possível assombração, avistei Gray entrando com a garota que ele dissera ser sua prima no dia da catedral.
Eles conversavam entre si e sequer pareciam notar que eu e Lisanna já tínhamos chegado. Gray começou a rir de algo, mas logo parou quando seu olhar bateu com o da Lisanna.
— Lisanna-san! – Sua prima veio cumprimentar Lis assim que a notou, tão feliz quanto minha amiga.
— Juvia! O que está fazendo aqui? – Lisanna parecia mais empolgada que o normal.
— Aluna transferida. – Gray respondeu, um pouco seco. – Bom dia, Lucy. – E passou por nós, indo colocar sua bolsa em sua mesa. Ou jogar, que foi o que ele literalmente fez.
Saiu da sala silenciosamente, provavelmente indo para o portão esperar Natsu e Jellal.
— Você foi transferida mesmo? – Escutei Lis perguntando.
— Sim. Meus pais estão no avião uma hora dessas, eles vão se mudar de país. Meu pai conseguiu um emprego melhor, e minha mãe vai acompanhá-lo. Eu só não fui junto porque queria terminar esse último ano no Japão, acho que seria realmente desagradável mudar no meio do ano para outra escola… – Ela começou a falar, fazendo-me lembrar que eu tinha feito aquilo, e realmente era desagradável. Dava para entendê-la. – Tia Ur falou para minha mãe pedir minha transferência para a Fairy Tail, e ela me daria hospedagem durante esses meses. Eu estou em Magnólia faz quatro dias. Eu ia vir ontem pra aula, mas ainda tinham algumas papeladas pra acertar.
— Isso é tão legal! Eu tenho certeza que o Natsu vai adorar saber que você está estudando conosco! – Lis comemorou, batendo palmas. Espera… Natsu ia adorar? Ele e Juvia então… – Aliás, preciso te apresentar alguém. – E me puxou para o seu lado, fazendo-me ficar um pouco corada. – Lucy, essa é a prima do Gray, Juvia. – Lis me apresentou ela. – Juvia, essa é…
— A líder de torcida, irmã do Natsu-san. – Ela interrompeu Lis, fazendo-me ficar perplexa. – Prazer, Lucy. – Ela sorriu para mim, estendendo a mão.
Apertei sua mão de volta, mas bastante confusa com o que aconteceu ali. Natsu tinha falado de mim pra ela? Não, havia algo mais… Natsu não se referiria á mim como sua irmã.
— Então… Por que vocês não ficam conversando e se conhecendo? – Lis sugeriu, sorrindo grande, como se estivesse prestes á aprontar algo. – Vou esperar o Natsu chegar.
E rapidamente se retirou dali, deixando-me a sós com a prima do Gray, e super constrangida.
Eu, pelo menos.
Sentei em minha mesa e sugeri que ela se sentasse atrás de mim, para que ficasse perto de nós, meninas, e também porque Gray se sentava naquela fileira, algumas carteiras para trás.
— Você e o Natsu… Se conhecem há bastante tempo? – Resolvi perguntar, já que aquela questão ficara grudada em minha cabeça.
— Ah, sim! Ele vivia na casa do Gray antigamente, e eu passava as férias lá quase todo ano. Só depois de um certo acidente que eu parei de ir, porque o clima também não estava suscetível… – Ela falou, um pouco cabisbaixa. – Gray parou de falar comigo, Lyon não voltou mais pra casa da Tia Ur… Eu achei que não deveria mais vir. Mas então meus pais agora estão se mudando, e como se passou quase dois anos, eu achei que estaria tudo bem se eu morasse aqui…
— Gray parou de falar com você? O que aconteceu?
Ela riu alto, e eu não sabia dizer se era pelo tipo de pergunta que fiz, ou por eu estar sendo tão curiosa.
— Natsu-san nunca te contou a história? – Ela me observou, e eu neguei, ainda mais confusa. – Bom, é algo muito complicado… Há quanto tempo você está aqui em Magnólia?
— Dois meses, eu acho… – Eu supus, parando um pouco pra pensar sobre aquilo. – Aconteceram tantas coisas em tão pouco tempo, que eu sequer lembro que dia me mudei pra cá.
— Os meninos já te meteram em problemas? – Ela riu ao perguntar, sequer esperando que eu desse uma resposta. – Qual dos dois você prefere?
Fiquei um pouco perplexa ao ouvir aquele tipo de pergunta, e depois um pouco confusa. Qual dos dois? Ela estava perguntando entre quem?
Mas então me lembrei que Jellal era um amigo recente no grupo, então provavelmente ela se referia ao seu primo e ao Natsu.
— Você está pensando tanto assim por que os dois são legais demais e você não sabe qual escolher? Ou são problemáticos demais e você está tentando decidir entre o menos pior? – Ela riu novamente, fazendo-me corar.
— Gray. Eu acho que prefiro ele. – Finalmente respondi, e ela pareceu totalmente surpresa.
— O Gray? Aquele que entrou comigo? O meu primo? – Ela checou um pouco desacreditada, como se nós não estivéssemos falando da mesma pessoa. – Eu juro que não esperava por essa. Ele é tão… – E então ficou pensando em algo para dizer. – Deixa pra lá, você não tem nada a ver com isso.
O quê o Gray era? Como assim deixa pra lá? Será que ela se referia ao momento que eles pararam de se falar? Por que ela simplesmente não me dizia as coisas?
— Se não é a minha nadadora preferida iluminando essa sala… – Escutei a voz de Natsu próxima de nós, e logo Juvia se levantou animada, abraçando-o.
Nadadora preferida? Que tipo de relacionamento Natsu e Juvia tinham, afinal?
Os dois começaram a conversar sobre a mesma pergunta que Lisanna havia feito minutos antes e eu apenas conseguia pensar sobre o que conversamos, eu e Juvia. Ela sabia que eu era líder de torcida e irmã do Natsu. Como? Quem disse isso? Foi o próprio Gray, o Natsu ou ela ficou sabendo por outra pessoa? A Lisanna, talvez? Também disse que tivera problemas com o Gray e ficou perplexa ao saber que eu preferia ele ao Natsu.
Isso só me fazia lembrar o quão triste era tentar me enturmar em um grupo que já se conhecia há anos. Eu estava perdendo tudo ali. Será que era assim que o Jellal se sentiu no começo? Eu deveria perguntar a ele.
O sinal tocou e todo mundo começou a entrar na sala.
— Depois conversamos melhor. – Escutei Natsu, ainda falando com Juvia. – Não se aproxime muito da loirinha, ela é uma chata carrancuda. – E apontou para mim, e eu revirei os olhos, o mandando ir se ferrar.
Era sério mesmo que Juvia preferia o Natsu ao Gray?
***
Quando deu o sinal para o intervalo, os meninos se juntaram conosco em uma pequena roda, e houve uma pequena discussão silenciosa. Gray estava claramente desconfortável e querendo sair o mais rápido possível dali, e todos perceberam isso, mas quem se pronunciou foi Jellal.
— Lucy… Quer ir almoçar conosco? – Perguntou educadamente.
Eu ainda não me sentia completamente a vontade com ele e o Gray como eu me sentia com Lisanna, mas ela provavelmente ficaria com Juvia e eu ficaria totalmente alheia á conversa entre elas, então, aproveitando que eu também queria saber mais sobre tudo aquilo, uni o útil ao agradável e acabei aceitando, acompanhando-o junto com um Gray apressado até o jardim que costumávamos ficar.
Sentamo-nos com nossos lanches e ficamos em silêncio enquanto comíamos. E Gray parecia totalmente alheio á tudo.
— Posso fazer uma pergunta? – Quebrei o silêncio, um pouco envergonhada por fazer aquilo.
— Claro. – Fora Jellal quem respondera.
— Eu sei que é muita curiosidade minha, mas… O que aconteceu entre a Juvia e o Gray?
Embora Gray estivesse bem ali, ao meu lado, eu sabia que ele não responderia, então me referi a ele como se não estivesse presente.
Jellal começou a rir, provavelmente retornando em algum momento em sua mente onde havia a tal explicação.
— Juvia quase cometeu um assassinato. – Ele disse, e riu ainda mais ao ver minha expressão de total espanto.
— É brincadeira, não é? – Perguntei, receosa.
— Não. Na verdade, eu não sei muito bem os detalhes, mas acho que ela quase matou uma amiga ou namorada do Gray, por ciúmes. E ele odeia que ela tenha feito isso, porque até poucos dias antes ela estava namorando o irmão dele.
— Aquele imbecil não é o meu irmão. – Gray se manifestou, praticamente rosnando.
— Certo, o garoto que a Ur adotou. Dá na mesma, Fullbuster.
— Não dá na mesma. Se o chamar de meu irmão, logo está querendo dizer que temos alguma relação, e eu não quero que alguém pense que eu tenho afeto com aquele projeto de aborto mal sucedido.
Jellal revirou os olhos, como se já tivesse ouvido aquele discurso antes.
— De qualquer forma, Gray era apaixonado pela Juvia, mas ela estava namorando o Lyon. E quando o namorado dela foi embora, ela correu atrás do Gray e quase matou a garota que ele estava ficando. Por isso ele não aprecia muito a prima. Enfim, isso é tudo o que eu sei, tudo o que o Gray me disse. – Jellal levantou as mãos para o alto. – Aliás, você conhece a vítima. É a Cana, sua chefe de torcida.
— Cana era sua namorada? – Não consegui evitar a surpresa em minha voz, olhando atenta para o Gray.
— Não era exatamente uma namorada. A gente só transava quando não tinha mais o que fazer… – Ele deu de ombros, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
— Por Kami, Gray… Olha o que você diz… – Jellal revirou os olhos. – Deixou Lucy envergonhada.
E então eu percebi que estava corada, e tinha certeza que fiquei mais ainda após os dois começarem a me encarar.
— E o Natsu… Ele e a Juvia… Já ficaram? – Ousei perguntar, tentando sanar minha dúvida sobre isso.
— Eu espero que não. – Gray fez carranca.
— Eu acho que não. Ele é daqueles antiquados que acha que amigo não pode namorar alguém da família. O que é totalmente bobagem. – Jellal falou, fazendo-me rir.
— É bobagem pra você que quer pegar a Erza. – Gray murmurou, rindo da cara de abobado que Jellal fez ao ouvir o nome da ruiva. – Eu ainda acho que ele vai te matar quando souber que vocês dois saíram.
— Você e a Erza saíram? – E novamente eu estava totalmente surpresa, reagindo exageradamente.
— Shiii! – Jellal colocou o dedo na frente da boca. – Não grite isso, eu ainda tenho apreço á minha vida. Se o Natsu escutar, adeus Jellal. Por favor, mantenha em segredo.
— Mas vocês realmente saíram? – Eu perguntei novamente, dessa vez sussurrando.
— Sim, nós saímos. – Ele riu convencido. – Ontem á noite.
— Eu ainda não acredito que você realmente conseguiu convencê-la. – Gray revirou os olhos.
— Fazer o que se eu sou irresistível, Fullbuster. – Jellal deu de ombros, fazendo nós dois rirmos. – E ela aceitou sair comigo de novo.
— Mas Erza não é mais velha? – Perguntei.
— Ele tem fetiche com mulheres mais velhas. – Gray dedurou.
— Isso não é de todo verdade. Só porque Ultear é minha melhor amiga e me apaixonei por Erza?
— Ultear? A sua irmã? – Perguntei para o Gray, que concordou nada alegre. – Certo, isso é bem doido. – Conclui, fazendo os dois me olharem com curiosidade. – Jellal gosta da irmã mais velha do melhor amigo e os dois estão saindo. Vocês se beijaram? – O questionei, e ele balançou a cabeça negativamente, enquanto fazia uma careta. – E o Gray é apaixonado pela prima que tentou matar sua ficante.
— Eu não sou apaixonado por ela! – Gray protestou. – Não mais.
— Você estava todo sorridente quando chegaram na sala. – O dedurei, e ele ficou sem graça.
— Ah é?! Conte-me mais sobre isso, Lucy. – Jellal se juntou a mim, olhando maliciosamente para o amigo.
— Ela só estava me contando sobre a minha tia, era só isso. – Gray cruzou os braços, praticamente fazendo um bico de descontentamento, que eu poderia muito bem comparar com uma criança fazendo birra.
— Gray, vamos, estamos só nós, não precisa se envergonhar, só confesse logo que você ainda está apaixonado. – Jellal botou lenha na fogueira, me fazendo segurar a boca para não rir.
Mas então o sinal tocou, e Gray se levantou rapidamente, como se estivesse dando o assunto por encerrado.
— Salvo pelo gongo. – Murmurei para o Jellal, que riu comigo.
Próximo capítulo:
E inesperadamente um flash atingiu meu rosto, fazendo-me piscar desconcertado por alguns segundos.
— O que você está fazendo? – Tentei parecer irritado.
— Estou tirando uma foto, ué. Eu tenho certeza que a Lucy vai querer te ver sem camisa de novo. É um favor, sabe, de irmã pra irmã.
— Por Kami, Michelle. Você não tem limites. Me entregue esse celular, apague isso! – E inutilmente fui atrás dela tentar tirar o celular de sua mão, mas ela apenas escondeu em meio aos seios.
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