Troublemaker

35 Confusões


Notas iniciais
Oláaa amorinhos ♥ Vocês estão bem? Mais um capítulo, uma semana adiantado, e beeeem grande ♥ Espero que vocês gostem ;D Boa leitura *3*

As coisas em casa só ficavam cada vez melhores conforme os dias passavam. Ao menos para mim e pra Lucy.

Consegui a oportunidade de levá-la pra sair todas as noites, e ficávamos horas conversando e nos conhecendo, sempre com direito a beijos roubados. Estávamos muito mais próximos do que em qualquer outro momento, e passamos até a ir pra escola juntos.

Zeref também parecia ótimo ao ficar todas as noites com a Mavis. Pra ele era um alívio não ter problemas ao trazê-la para casa, e a Mavis sempre foi uma ótima companhia.

Estávamos em um sábado, e eu só teria o jogo da final do campeonato no outro sábado, então estava livre pra fazer o que quisesse naquele fim de semana, e Gray disse que teria uma festa para irmos.

A festa seria só no fim da noite, então eu teria a tarde toda pra ficar em casa fazendo nada.

— Lucy. – A chamei, batendo na porta do seu quarto.

— Pode entrar. – Ela respondeu.

Não era uma novidade eu entrar em seu quarto e a encontrar se alongando só de shorts e top, mas eu sempre me surpreendia no quanto Lucy era gostosa.

Desculpa loirinha, mas não dava pra pensar outra coisa te vendo desse jeito.

— Gray disse que vai ter uma festa hoje na casa do Loke. – Falei, sentando-me em sua cama. – Vamos?

— Festa? – Ela perguntou, fazendo uma careta.

O que me fez rir.

— Você não gosta de festas?

— Não muito… Você sabe, essas festas de colegial sempre terminam em confusão. – Ela deu de ombros, levantando-se e pegando sua mochila. – Além do mais, estou cheia de lições pra fazer, e aposto que você também.

E então puxei sua mochila para mim, a trazendo junto, e Lucy se desequilibrou e acabou caindo no meu colo. A abracei antes que ela tentasse fugir, e enfiei meu rosto em seus cabelos, sentindo aquele cheiro que eu tanto adorava.

— Podemos fazer as lições juntos, ainda temos a tarde toda. – Sussurrei em seu ouvido, e a senti se arrepiar.

— Por que eu tenho a impressão que isso soa tão perverso vindo de você? – Ela riu nervosa, e então me olhou séria. – Você consegue maliciar até uma lição de casa, Dragneel, pelo amor de Deus.

E eu ri alto, dando-lhe um breve beijo.

— Eu juro que não vou fazer nada demais até a gente terminar tudo. E depois vamos sair com o Gray e a Lis, e depois vamos pra festa, pode ser?

***

Conforme disse, eu e Lucy fomos até a cozinha e fizemos todas as lições pendentes daquela semana – que acabamos deixando de lado pra sairmos.

Quando Zeref voltou do passeio que teve com Mavis e Michelle, ficou surpreso ao ver o quão focado eu e Lucy estávamos. Claro, ainda estava extremamente desconcertado pra ficar ao lado dela, mas tentou disfarçar da melhor maneira ao estilo Zeref que ele conseguia.

Ou seja, não disfarçou.

Mas quando pedimos ajuda com algumas questões de matemática que ambos estávamos tento problemas pra resolver, Zeref nos ajudou sem qualquer problema.

— Vocês vão pra festa do Loke hoje? – Michelle perguntou, chamando nossa atenção.

— Por que pergunta? – Questionei, antes que qualquer um respondesse qualquer coisa.

— Eu queria ir também… – Ela deu de ombros, como se fosse óbvio.

— Eu acho que nem preciso dizer que não é uma festa pra você. – Falei, e Zeref foi rápido em concordar comigo.

— Isso não é justo… Se a Lucy vai, por que eu não posso? – Michelle se emburrou, como uma criança.

— Eu já sou responsável pelas minhas ações, você não. – Lucy se impôs, bastante séria. – Se você fizer merda, quem responde agora vai ser eu, e eu não tô nada afim de me encrencar por você.

— Isso é injusto! – Ela repetiu, cruzando os braços e batendo o pé.

— Não fique assim Michelle-san, eu vou passar a noite aqui com você, se você quiser. – Mavis a avisou, colocando uma mão em seu ombro pra tentar confortá-la.

Mas Michelle estava brava, e subiu para o quarto batendo tudo o que podia.

— Você vai ficar em casa hoje? – Perguntei ao meu irmão.

— Eu vou viajar daqui duas horas, tenho uma palestra amanhã no exterior. Mas Erza já está chegando, ela vai ficar com a Michelle. Pode ir na festa, fique tranquilo. – Ele bagunçou meus cabelos, indo fazer um café na máquina de expresso que tínhamos.

— Só a Erza? Ou o Jellal também vai vir?

— Ela disse que ele vai sair com vocês hoje… – Respondeu, me olhando confuso.

— Uau! A Erza liberou o bichinho de estimação pra se divertir? Eu acho que vai acabar chovendo… – Zombei, e logo recebi um tapa em minha cabeça.

— Não fale assim do meu namorado. – Erza rosnou atrás de mim. E então se virou sorridente para Mavis, de uma forma até um pouco assustadora. – Me desculpe pela falta de educação dos meus irmãos, juro que meu pai os educou devidamente. Aliás, acho que ainda não nos conhecemos, você é a...

E só então eu e Zeref percebemos a merda que estava acontecendo.

Erza ainda não sabia sobre os dois.

— Mavis… Mavis Vermilion, prazer. – Ela falou timidamente.

— Aaaah… – Minha irmã olhou sugestivamente para mim, e depois pra Lucy, e de volta pra mim.

E isso provavelmente se devia ao fato de eu ter dito no carro certo dia que eu estava afim da Mavis, para provocar o meu irmão. E o Zeref notou a mesma coisa, já que segurou a risada de onde estava, colocando a xícara no rosto e fingindo estar prestando atenção unicamente ao seu café.

— Meu nome é Erza, e sou a irmã mais velha deles, e mais nova daquele. – Ela apontou respectivamente para mim e pra Lucy, e depois para o Zeref. – Espero que eles estejam te tratando bem. Você veio fazer companhia pra Michelle?

— Ahn… Eu… – Ela pareceu meio confusa, e deu uma olhada para o Zeref, buscando uma resposta.

E claro, Erza não deixou de reparar naquilo, olhando interrogativamente para Zeref, que suspirou alto.

— Erza… – Meu irmão começou, antes de Mavis dizer qualquer coisa. Foi até onde ela estava e colocou seu braço ao redor de seus ombros, a puxando para perto de si. – Mavis é minha namorada.

Não parecia uma boa ideia meu irmão simplesmente jogar a notícia assim, mas ele o fez.

Primeiro Erza ficou quieta, mas logo em seguida começou a rir exageradamente, e assim que percebeu que todos estávamos sérios, ela parou e ficou encarando Mavis e Zeref com os olhos arregalados e a boca aberta.

— V-vocês… Namorando? Isso é sério? – Perguntou, extremamente desacreditada. – Mas o Natsu...

— O Natsu tava me provocando aquele dia, eu e Mavis estamos juntos tem tempo. E eu espero que você cuide bem dela, Mavis decidiu passar a noite aqui pra ficar junto com a Michelle. – E Zeref sequer deu oportunidade pra Erza reagir àquela notícia, logo saindo da cozinha. – Vou terminar de arrumar minhas coisas e já estou de saída. – Avisou, enquanto subia as escadas.

Assim que ficamos só nós ali, Mavis sem graça, Erza confusa, eu e Lucy só observando, foi um tanto difícil quebrar aquele silêncio constrangedor.

— Bom, nós vamos nos arrumar então… Gray daqui a pouco resolve aparecer. – Anunciei, me levantando rápido e puxando Lucy para ir comigo.

Foi inevitável não começar a rir enquanto subíamos as escadas.

— Tadinha da Mavis… – Lucy sussurrou pra mim, entrando no meu quarto comigo.

— Nem me fale. Se ela fosse mais velha eu até dava um jeito de levar ela com a gente, pra livrar da bucha que vai ser essa noite. – E então fui até o meu guarda roupa, pegar uma roupa que fosse confortável pra usar a noite toda. Voltei até a Lucy e lhe dei um beijo demorado. – Vou tomar um banho, princesa. Quer ir comigo? – Sugeri, sorrindo maliciosamente. E recebi um tapa de leve no peitoral.

— Não, pervertido. Vou tomar banho também, mas não com você. – Ela me mostrou a língua, fugindo rápido do meu quarto antes que eu a persuadisse.

Porque poderíamos ainda não ter ultrapassado certos limites do nosso “relacionamento”, mas com certeza eu conseguiria convencê-la que tomar banho comigo era a melhor opção. E Lucy sabia disso muito bem.

Assim que terminei meu banho e terminei de me arrumar, entrei no quarto da Lucy sem bater, esperando a pegar no flagra nua, mas ela ainda não estava ali. Então me joguei em sua cama e fiquei aguardando sua chegada.

Quando ela apareceu, enrolada em uma toalha, assustou-se com minha presença.

— Caramba, Natsu! Você quer me matar do coração? – Ela reagiu exagerada, enquanto eu ria. – O que tá fazendo aqui? Caí fora! – Tentou me expulsar só com o olhar, mas obviamente não adiantou de nada.

— Qual é, Luce… Já te vi de biquíni, e você já me viu nu, não tem porquê ter vergonha de se trocar na minha frente.

— Natsu! – Ela reclamou, e continuou imparcial à minha vontade.

— E você já tá de lingerie, não é como se eu fosse ver mais do que já vi. – Argumentei novamente, e seu rosto ruborizou na hora.

Lucy não discutiu de novo para tentar me tirar dali, mas ficou enrolando longos minutos na frente do guarda roupa, de costas pra mim, talvez pela vergonha exagerada, ou porque ela realmente estava indecisa sobre o que usar.

— Quer uma ajuda? – Sugeri, mal conseguindo segurar a risada sacana que escapava pelos meus lábios.

— Cala a boca. – Ela grunhiu, fazendo-me rir ainda mais.

Timidamente ela deixou a toalha cair até o chão, e pude ver novamente aquela bunda que parecia ter sido esculpida pelos anjos, e aquelas coxas que me deixava doido.

E o que veio a seguir foi a coisa mais provocante e excitante que eu poderia ter presenciado na minha vida. Parecia proposital a forma como Lucy se abaixava para vestir aquela calça colada, e a blusa decotada que escolheu? Definitivamente era pra me enlouquecer em um outro nível. Terminou de se arrumar vestindo uma jaqueta de couro e um salto azul, e se sentou na frente da penteadeira pra arrumar os cabelos e a maquiagem.

Deu uma olhada pra mim através do espelho e riu.

— Gostou do show, pervertido?

— Você não tem ideia… – Resmunguei um tanto alterado, como se já estivesse bêbado, levantando-me antes que aquilo me deixasse mais excitado do que deveria. – Vou ali… Tomar um ar… – Murmurei, saindo logo de seu quarto e indo até a sacada do quarto do meu pai.

Por Kami, aquela garota iria me fazer perder as estribeiras!

Depois de uns prováveis dez minutos, escutei Zeref me chamando e fui ver o que ele queria.

— Estou saindo já. Volto segunda de manhã e vou direto pro trabalho, então nos vemos de noite. Consegue segurar as pontas da casa aí junto com a Erza? – Perguntou, descendo as escadas com sua mala, enquanto eu o seguia.

— Sim, de boa.

— Eu falei pra Mavis dormir no meu quarto hoje, assim que você chegar da festa pode dar uma olhada pra ver se ela está bem? – E então me olhou sério. – Não deixa a Erza enlouquecer a Mavis, por favor.

— Fica tranquilo, Erza vai ter problemas comigo se fizer algo com a Mavis. – E eu falei aquilo alto o suficiente pra que ela me escutasse, já que eu via minha irmã de relance na cozinha.

Bem, eu faria qualquer coisa pela minha cunhada, até mesmo bater de frente com a Erza em seus piores dias. Eu realmente não conseguia imaginar alguém melhor pra fazer tão bem ao meu irmão, e a defenderia sem pensar duas vezes.

— Obrigado. – Ele sorriu ternamente, me dando um rápido abraço. – Amo você, pirralho. Cuide bem das mulheres dessa casa.

Zeref então foi até a cozinha se despedir das duas, e logo Lucy e Michelle desceram pra se despedir também.

— Cuida do idiota do meu irmão, viu?! Ele é bem encrenqueiro em festas quando resolve aproveitar… – Zeref me caguetou pra Lucy, a fazendo rir.

— Pode deixar. – Ela disse gentil, mas me olhando de uma forma como se dissesse “você que apronte hoje que eu faço você se arrepender”, o que me deixou até um tanto receoso.

— E você, não deixe a Lucy beber! – Zeref me avisou sério, quase como se estivesse implorando, e aquilo foi o suficiente para deixá-la extremamente sem graça e vermelha.

— Não sou louco de arriscar. – Brinquei, rindo sozinho.

Assim que ele saiu, liguei para o Gray e avisei que já estávamos prontos, e cinco minutos depois ele estava parado na porta de casa com o carro da Ultear, já com a Lis e o Jellal ali.

— A Ultear não vai comer seu fígado quando souber que você pegou o carro dela? – Perguntei, assim que entrei no banco traseiro.

— Jellal convenceu ela a me emprestar. – Ele deu de ombros, sorrindo convencido.

— Olha só se você não presta pra alguma coisa… – Murmurei, dando tapinhas no ombro do Jellal, que revirou os olhos.

— Sirvo pra outras coisas também, por que não pergunta pra Erza? – Revidou maliciosamente, me provocando do jeito que só ele sabia fazer.

— Pare de meter minha irmã na história, otário!

***

Nossa primeira parada foi em um bar no centro da cidade, e como a noite era uma criança, decidimos começar a nos aquecer pra festa por lá mesmo.

Sentamos os cinco em uma mesa e pedimos alguns salgadinhos e umas bebidas, tentando manter uma conversa naquele lugar tomado pelo barulho da música e das conversas alheias. Ficamos um bom tempo assim, até que começou a tocar umas músicas animadas, um pessoal começou a se juntar em um canto para dançar, e Lucy e Lisanna queriam ir também.

— Dança comigo? – Lucy pediu em meu ouvido, para que eu conseguisse escutá-la, e tive que fazer uma careta diante aquilo.

Ela me olhava quase implorando, e tive que negar. Dança não era meu negócio, todo mundo sabia disso.

Menos Layla, claro.

— Qual é, Natsu… Vamos dançar! – Ela me chamou de novo, e fingi não ter escutado, prestando total atenção à garrafa de cerveja em minha mão.

Jellal e Lis se levantaram e foram os dois juntos, e Lucy me olhou emburrada, como se dissesse “até o Jellal aceitou ir e você não!”, mas não era como se eu desse muita bola.

Ficamos mais alguns minutos sentados, eu, Gray e Lucy, e então um cara veio até a nossa mesa, direto na direção da Lucy, e sussurrou algo em seu ouvido. Ela sorriu e fez que sim, pegando na mão dele e indo direto para a pista de dança improvisada. E antes disso, ele olhou para mim com um sorriso convencido, e eu juro que teria jogado minha garrafa em sua cara, se não soubesse que eu já estava um tanto alterado demais pra errar a mira e acabar acertando Lucy.

— Você vai deixar o cara simplesmente levar sua garota assim? – Gray murmurou ao meu lado, rindo alto.

— Lucy não é minha, e ela pode fazer o que quiser. Ela queria dançar, eu não, então deixa ela dançar. – Dei de ombros, e ele me olhou de forma provocante.

— Eu não dou dois minutos pra você levantar daqui e tirar ela desse cara…

— Ela que quis ir, eu não tenho porquê estragar a maldita dança dela… – Respondi, já ficando irritado por ele continuar falando naquilo.

— Ah, então tá. – Ele deu de ombros, voltando a beber. Ficamos em silêncio por um bom tempo, até ele resolver abrir a boca de novo. – Você não tiraria ela de lá nem se soubesse que o cara tá tentando beijar a Lucy? – Perguntou, apontando na direção deles e mostrando que o que ele dizia estava prestes a acontecer.

Não foi bem o fato de saber que Lucy iria beijar outro cara que me deixou mais irritado, mas sim o fato de ver que esse cara estava querendo forçar algo que claramente Lucy estava tentando se desvencilhar, sem muito sucesso.

E foi aí que eu não me segurei e acabei levantando, andando até os dois em passos pesados. E no momento seguinte, só senti meus nós dos dedos acertando em cheio aquela cara de otário que ele tinha, derrubando-o no chão.

— Tente beijar Lucy de novo, e eu juro que te faço esquecer onde você tá! – O ameacei, sendo puxado pela Lucy para que não o batesse de novo.

— Ei, vamos sair daqui… – Lucy me chamou, e ela apontava para os seguranças que ameaçavam vir em nossa direção.

Saí da pista com muita má vontade, mas antes de voltar até nossa mesa, a surpreendi com um beijo, e Lucy não hesitou em me beijar de volta, e comecei a rir assim que a soltei, recebendo um olhar interrogativo.

— Eu te deixo sozinha com um cara achando que vai ficar tudo bem, e ele já vem querendo te beijar… Não sei se posso fazer isso de novo, desculpa. – A puxei pela cintura, voltando até onde estávamos sentados, e puxei sua cadeira para bem próxima da minha.

Eu sei que era um tanto possessivo, mas era pra evitar que outras pessoas achassem que podia simplesmente a puxar pra dançar e lhe roubar um beijo. Não com a Lucy, ela não era esse tipo de garota.

— Você já viu cara mais ciumento que esse seu namorado, Lucy? – Gray perguntou ao nosso lado, rindo.

— E-ele n-não é meu namorado… – Lucy ruborizou na hora, e tentou disfarçar virando um copo com vodka de uma vez na boca, mas acabou engasgando e tossindo, fazendo-nos rir.

— Devagar, Luce, isso não é coca-cola. – A adverti, e ela me fez uma careta.

Pouco depois Lis e Jellal voltaram a se sentar conosco, e ficamos mais algum tempo juntos.

— Por que não trouxe a Juvia também, Gray? – Lis perguntou, claramente para provocá-lo.

— Levar Juvia em outra festa? Nem fodendo, não mesmo! – Ele foi rápido em responder, nos fazendo rir pela forma como disse.

— A Ultear disse que ela vai mais tarde com alguns amigos. – Jellal comentou, deixando Gray ligeiramente curioso sobre isso. – Aliás, parece que o Lyon tá na cidade, e o Loke convidou ele pessoalmente pra festa… – Completou, conseguindo seu objetivo de deixar o Fullbuster extremamente incomodado.

— Ah, ótimo. O que tinha tudo pra ser uma festa incrível, acabou de ser estragada! Obrigado, Fernandes.

— Por nada, Fullbuster. – Ele disse irônico e com um sorriso cínico, brindando a garrafa dele na garrafa do Gray, enquanto eu tentava segurar a risada junto com a Lisanna.

— Acho que agora é a oportunidade perfeita pra você mostrar que você gosta da Juvia e não vai entregar ela de mão beijada pro Lyon. – Lis murmurou, ajudando na provocação.

Gray a olhou feio e apenas mostrou o dedo do meio, fazendo-a rir.

Se tivesse sido eu ou o Jellal a falar aquilo, ele teria nos mandado ir se foder, mas ele nunca falou algo assim pra Lis ou a xingou, então o dedo do meio pra ela, no caso dele, era tão ofensivo quanto mandar ir se foder.

— Imagina como o Gray seria mais simpático se namorasse a Juvia? – Lucy soltou de repente, e Gray a olhou espantado.

— Até você, Lucy?! Não acredito nisso!

— Desculpa, querido, mas é verdade. – Ela riu, se inclinando sobre mim para bagunçar os cabelos dele e lhe dar um beijo na bochecha.

— Não venha me agradar depois disso, você me traiu. – Ele se emburrou.

E então ficamos em silêncio por um tempo, apenas aproveitando o som da música, até Jellal se pronunciar.

— Acho que já podemos fechar a conta aqui, não?!

***

Quando chegamos lá, a festa já tinha começado fazia algumas horas. Algumas pessoas já estavam caídas no gramado, outras chorando em cantos, e a grande maioria ainda bebia e dançava ao som da música com volume exagerado.

Lis não esperou nem ao menos a gente chegar pra se infiltrar no meio das pessoas e sair cumprimentando todo mundo. Podia não parecer, mas ela era bem popular. Jellal resolveu ficar conosco, e Gray saiu dizendo que ia pegar alguma bebida.

Fomos até os fundos da casa, perto da piscina, e nos sentamos ao redor de uma pequena fogueira improvisada.

E tão rápido quanto Lis sumiu no meio da multidão, Lyon de repente apareceu ali, e se sentou ao meu lado.

— Natsu-san. Não te vejo desde o nosso jogo, como está? – Perguntou, tentando soar simpático.

— Estou bem, Lyon, e você? Achei que Magnólia não fazia seu tipo. – Falei, mencionando algo que ele me dissera na última vez que nos vimos.

— É, não faz mesmo. Mas você sabe, semana que vem é a final do campeonato, e eu queria muito ver a Sabertooth esmagando a Fairy Tail de novo. – Sorriu cínico, me fazendo lembrar como era a sensação de querer socá-lo até ele perder todos os dentes.

— Acho que você vai acabar se decepcionando, então. – Resmunguei, desejando com todas as forças que ele saísse logo de perto.

— Se eu fosse você, já estaria pensando em possibilidades pra substituir o Fullbuster. Imagina perder de novo por erro dele. Ou porque algo aconteceu e ele não vai poder jogar… – Ele deixou no ar, dando um sorriso que eu passei a desconfiar no mesmo segundo.

— O que você está insinuando, Lyon? – O segurei pelo colarinho, e ele riu alto.

— Por que você não vai procurar onde seu querido amigo está agora?

E no mesmo instante o larguei e me levantei, olhando ao redor um pouco desesperado demais. Não era nem questão de ficar sem o Gray pra jogar, apesar de ser importante. A questão era que o Lyon estava sendo filho da puta com meu melhor amigo.

De novo.

— Lucy, não pense duas vezes em socar quem quiser te beijar a força. Vou procurar o Gray, me espere aqui. – A avisei, e chamei Jellal para ir comigo. – Eu vou pela casa e você olha ao redor. Tente evitar brigas o máximo possível.

— Olha pra minha cara e vê se eu sou de brigar, Natsu? – Jellal desdenhou, rindo e indo até onde eu pedi.

— Por isso que eu estou indo pra dentro da casa… – Comentei pra mim, já que ele não escutava mais.

Fui entrando e esbarrando em muitas pessoas, e como eu imaginava, muita gente ali sequer era da Fairy Tail, então era inútil perguntar se elas tinham visto Gray, como eu acabei fazendo e recebendo um ‘não’ na cara todas as vezes.

Então mudei minha tática e comecei a perguntar onde ficavam as bebidas, e obtive as respostas mais rápido. E quando estava me aproximando da cozinha, uma rodinha de confusão começou a se formar e eu não precisava ser um gênio pra descobrir quem estava no meio.

Não pensei duas vezes e já fui me enfiando entre as pessoas, parando bem em frente a um Gray caído no chão e todo molhado, e três dos jogadores da Lamia Scale, que reconheci como amigos do Lyon. Um deles segurava o Gray pelo braço e estava pronto pra lhe socar, mas fui mais rápido e o soquei antes, e os outros dois já começaram a ameaçar vir em minha direção.

Gray se levantou com pressa e ficou ao meu lado, fazendo pose de quem ia brigar também, mas eu percebi que não valia a pena. Aquilo era exatamente o que o Lyon queria.

— Vamos embora daqui… – Puxei Gray, mas ele fez força pra permanecer ali. – Vamos embora, Gray! Não vale a pena, é o que eles querem, te ferrar pra não jogar sábado.

— Foda-se! Acha que eu vou deixar eles encostarem em mim? – Ele gritou, tirando minha mão do seu braço.

E então vi que ele já carregava um olho roxo, e suspirei pesado.

— Me escuta só agora, caralho! Isso não tem a ver só com você. Vamos embora!

Porém, falar com o Gray era a mesma coisa que falar com uma porta. Ele era teimoso e briguento, não adiantava argumentar quando ele estava em uma situação dessas.

Entretanto, nós dois e os três grandalhões fomos surpreendidos por uma garota entrando no meio da briga, e nos dando bronca de uma forma raivosa. Ninguém mais, ninguém menos que Lisanna Strauss, minha melhor amiga.

— Sinceramente. Vocês nem da cidade são e estão querendo arranjar encrenca com os meus amigos. Eu espero não ter mais que intervir em algo assim, ou eu chamo a polícia e ferro toda essa merda de festa! Me entenderam?! – Gritou com os jogadores da Lamia, apontando em seus rostos sem o menor resquício de medo.

Lis era consideravelmente menor que eles, mas tamanho pelo jeito não era impedimento nenhum pra ativar o seu lado raivoso, que claramente ela havia herdado da irmã.

Ela me ajudou a levar Gray para o fundo da casa, e saímos recebendo ofensas de que não conseguíamos nos defender sem uma garota, mas nada que valesse a pena dar ouvidos. Só eram um bando de otários querendo comprar briga a qualquer custo.

Lis arranjou rapidamente uma toalha para que Gray se secasse, e depois voltou para pegar gelo para o olho dele.

— Se vocês tivessem me deixado terminar aquilo, eu ia arrebentar os três! – Ele grunhiu, sentando no chão.

— Não seja tão otimista, você estaria morto se eu não tivesse chegado a tempo, e se a Lis não fosse tão corajosa. – Sentei ao seu lado. – Eu acho melhor a gente sair daqui… O Lyon deu a entender que vai fazer qualquer coisa pra que você não jogue sábado, e de certa forma ele sabe que eu me meteria nas encrencas por você, então... Bom, estamos fodidos.

— Lyon? – Ele se irritou ao ouvir aquele nome, e se levantou de novo. – Isso foi coisa do Lyon?

— Gray! Não dá atenção pra isso, só ignora, por favor.

E então escutei alguém chamar o meu nome, e vi Jellal correndo em nossa direção, um pouco aliviado de ver o Gray comigo.

— Ainda bem que não aconteceu nada e… – Ele reparou no olho roxo e fez uma careta. – Com exceção disso.

— Jellal, pode levar o Gray embora?! Se ele ficar aqui mais um minuto, vamos ter problemas. – E lhe entreguei a chave do carro da Ultear, da qual Gray sequer notou que eu roubei.

— Claro, pode deixar. – Jellal concordou, e começou a puxar Gray até a saída, escutando ele nos xingar e reclamar o tempo todo.

Eu não gostava de ser estraga prazeres, mas aquele caso era diferente.

Um pouco mais aliviado, me dirigi até onde pedi pra Lucy me esperar, e ela estava lá, conversando com algumas meninas que reconheci serem líderes de torcida. Como não quis atrapalhar, me sentei do outro lado, e fiquei observando o quão linda ela era mesmo à luz do fogo.

Por Kami, eu tinha uma terrível sorte em ser o único a ter os seus beijos.

Ela ficou longos minutos conversando até notar que eu estava ali a encarando todo aquele tempo. Pediu licença às suas amigas e veio até a minha direção, me surpreendendo ao sentar no meu colo.

— Tá tudo bem com o Gray? – Ela perguntou, enquanto mexia em meus cabelos.

— Sim, tudo certo. O Jellal foi levar ele pra casa. – A aproximei um pouco mais, abraçando-a.

— Assim é melhor… Não sabia que o Lyon poderia fazer algo assim com o irmão…

— Os dois nunca se deram, e o Lyon tem amigos na Saber. Eu não estou surpreso. – Dei de ombros.

— E você? Não arranjou problemas, né?! – Ela perguntou, dando um sorriso sapeca.

— Não… Ainda não. Mas eu poderia arranjar mais tarde lá no meu quarto, se você quiser. – Sussurrei em seu ouvido, e ela ficou vermelha instantaneamente, rindo divertida.

— Você consegue ficar um dia sem dizer coisas tão constrangedoras, Natsu?

— Não disse nada constrangedor. Constrangedor seria se eu perguntasse em alto e bom som se você quer fazer sexo comigo, e isso também seria bem discreto até.

— Natsu! – Ela se embaraçou, escondendo o rosto entre meu pescoço e o meu ombro, me fazendo rir.

— Fica tranquila, não vou fazer nada. Tudo tem seu tempo, princesa. – Acariciei seus cabelos, aproveitando nossa proximidade.

Ficamos assim por um tempo, até eu puxá-la delicadamente para um beijo quente. Naquele momento eu já tinha até esquecido que estava em uma festa, mas me fizeram relembrar quando escutei alguém chamar o meu nome.

— Natsu-san! Que bom que veio! – Olhei para o lado e vi Loke, sorrindo da sua forma cretina.

Desculpa Kami, mas eu iria socá-lo. Precisava mesmo ter atrapalhado meu momento só pra dizer isso?

— Lucy-san! Que surpresa você aqui. – Ele continuou, parecendo mesmo surpreendido. – Digo… Você é uma líder de torcida, claro que viria… Mas com o Dragneel? – Falou, enfatizando bem meu sobrenome.

Lucy parecia sem graça e sem saber o que dizer, então o silêncio perdurou por um instante.

— O que tem de errado a Lucy estar comigo? – Questionei contrariado.

— O que tem de errado? – Perguntou, rindo alto e debochado. – Qual é Natsu, pode parecer que sim, mas não sou burro. Sei muito bem que Lucy é sua irmã. E do jeito que vocês estão… Isso não parece em nada coisa de irmãos… – E riu de novo, fazendo Lucy se sentir desconfortável.

Não somente Lucy, já que eu também não sabia muito bem o que argumentar.

— Ah, agora ficou sem fala, Dragneel? Isso é novidade até pra mim. – E então tirou seus óculos, guardando no bolso do jeans que usava. – Se você não se lembra, um dia me ameaçou no vestiário e disse com todas as letras que Michelle é sua irmã. Mas a Lucy também é irmã da Michelle. – E deu de ombros, enquanto eu me xingava mentalmente por tal ocasião em que fui abrir minha boca mais do que deveria. – Era normal no seu país ter relacionamentos entre irmãos, Lucy? – Perguntou a ela, fingindo inocência.

Lucy, por sua vez, se levantou do meu colo e começou a olhá-lo séria, como se a qualquer momento fosse bater nele. Mas ao invés disso, deu as costas para nós e saiu andando. Só que o Loke é um filho da puta quando quer, e foi atrás dela. Claro que comecei a segui-los.

— Sabe, Lucy, eu esperava tudo de você, menos isso. Você parece uma garota tão certinha, mas quando acha que ninguém está olhando vira uma safadinha, não é?! – A provocou, o que a fez parar no mesmo segundo, e se virar pra lhe dar um tapa no rosto.

Uau! Por essa eu não esperava.

— Não fale comigo como se eu fosse as putas das suas peguetes. – Lucy praticamente rosnou, e então voltou a fugir dele.

Mas ao invés dele ficar bravo e tentar alguma coisa, Loke só riu.

— Que selvagem sua irmãzinha… – Comentou comigo, e continuou seguindo-a. – O que os pais de vocês pensam sobre isso? Tá tudo bem pra eles os filhos se pegarem desse jeito?

— Cala a boca, imbecil. – O adverti, mas fui ignorado.

— Seus amigos não acham isso nojento? Eu tenho uma irmã mais velha, e parece estranho demais pensar nela desse jeito. E olha que eu não dispenso garota nenhuma.

— Loke! Cala a boca! – O puxei pelo braço e o segurei no colarinho, o levantando e o prensando na parede da sua casa, desejando imensamente socá-lo e tirar aquele sorriso ridículo que ainda estava em seu rosto.

— Vá em frente, Natsu-san. Me soque. Tenho certeza que vai ser muito bom tomar uma suspensão e não jogar o último jogo pela Fairy Tail. – Ele falou convencido.

Por Kami, ele era insuportável quando queria!

Mesmo que fosse contra minha vontade, acabei o soltando e fui atrás da Lucy, que agora já estava no jardim da frente.

— Lucy! Lucy, me espera… – Tentei gritar em meio ao barulho, mas ela não me ouviu. Ou fingiu que não. – Lucy! Não dê atenção ao que esse idiota falou.

Mas ela continuou me ignorando, e ficou na calçada, olhando pra rua. Coincidentemente, ou nem tanto assim, Jellal estava voltando com o carro da Ultear, e assim que Lucy o viu, correu pra conversar com ele. Não sei ao certo o que estavam conversando, não consegui ouvir, mas quando eu a alcancei, Lucy estava entrando no carro.

— Lucy! Por favor, não me diz que vai embora. – Me debrucei sobre sua janela, e só então notei que ela estava chorando.

— Não precisa ir, está tudo bem. – Ela mentiu descaradamente.

Olhei para o Jellal, e ele me olhou de volta e sussurrou que ia cuidar dela. Mas não era essa a questão, eu sabia que Lucy ficaria bem com ele. A questão era o que tinha acabado de acontecer.

— Luce, não leve isso em consideração, tudo o que o Loke disse é besteira. – Tentei insistir, mas ela não me olhava, seus olhos estavam focados na rua á frente deles.

— Eu sei… – Ela sussurrou.

Continuei ali mais um pouco, mas eu sabia que não ia obter mais nada. Sai de perto do carro e assisti Jellal saindo, e por alguma razão, meu coração doía o suficiente pra eu saber que Lucy não tinha me escutado.

Notas finais
O capítulo de hoje teve bastaaaante informação :X Vamos lá: → Zeref simplesmente revelou que Mavis é sua namorada pra Erza, e saiu pra viajar... Será que vamos precisar ter dó da Mavis nesse tempo? SHUAHUSASAs' → Lucy e Natsu andaram mais um passo... Ao que tudo indica, Natsu não vai permitir que a timidez se faça presente no relacionamento deles :P → Zeref nunca vai esquecer do problema com a Lucy! SAHUHSAUHUSAs' → Natsu soube ser cavalheiro e respeitou a decisão da Lucy de dançar com outro cara õ/ (que todos os homens do mundo sejam como ele, amém) claro que rolou um ciuminho ali, mas né... HUSAHUSAs' E depois Natsu protegeu Lucy ♥ → Todos gostam de provocar o Gray com relação à Juvia o/ → Lyon é fdp quando quer, Lis não tem medo de valentões, e Gray estaria ferrado se não fossem os amigos; → O prêmio de fdp de hoje vai para: >>>>>>>>>>>>>>> LOKE <E vocês achando que o problema maior seria com o Gray e o Lyon... :X O próximo capítulo agora é dia 25/08 ;D Obrigada por acompanharem Troublemaker até aqui, e me aguentarem tanto :P Até o próximo *3*