Troublemaker

2 As Invasoras


Notas iniciais
Oláaaaaa amores ♥ Estou voltando como prometido na quinta feira *-* É bem raro eu cumprir meus prazos, então sintam-se lisonjeados. Inclusive, eu tive um surto de inspiração nessa semana que passou e Troublemaker já tem até o sétimo capítulo pronto, então é uma garantia de que não me atrasarei nas próximas semanas ^^ E o fim de ano e as festas já estão chegando, então esses capítulos prontos realmente me ajudam muito! Gostaria de agradecer a todos os que estão acompanhando Troublemaker, aos que favoritaram e aos que comentaram. Eu estou postando essa fic no social spirit também e tive um feedback ótimo logo com o primeiro capítulo que me deixou extremamente feliz, acredito que isso foi o que me deu inspiração para escrever tanto. O capítulo de hoje é para lhes apresentar a futura esposa de Igneel e suas enteadas, então espero que gostem *O* Boa leitura ♥

Assim que cheguei em casa com Erza, joguei-me no sofá da sala de estar da forma como cheguei do treino.

— Mas como você é nojento! Levanta já desse sofá e vá tomar um banho, fedorento. Espero que não seja necessário que eu mesma te leve para debaixo do chuveiro e te enxague, porque, acredite em mim, eu vou fazer isso! – Erza vociferava na minha frente.

Já não bastava eu ter que aturar o jantar, agora aquilo…

— Natsu! Que bom que chegou! Como foi o treino hoje? – Meu pai entrava cantarolando na sala, com um sorriso enorme. Vestia um avental um pouco sujo de molho em várias partes, o que o deixava um tanto engraçado.

Aquele sorriso fazia-me sentir mal por não querer fazer parte de nada daquilo.

— Foi legal, pai. Mas Erza interrompeu tudo só para me trazer para casa. Nós estávamos treinando para o campeonato anual! – Protestei.

— Erza, querida. Não precisava tê-lo tirado do treino. – Meu pai a puxou para um abraço e um beijo na testa.

É, ele realmente estava felizinho demais.

— Pai, você queria Natsu em casa, não queria? Era isso ou ele teria fugido de novo.

E de novo aquela conversa. Que tinha lá sua pitada de verdade, mas não vinha ao caso.

— Oh, entendi. Então pretendia fugir de novo, mocinho? – Meu pai apontava para mim uma colher de pau, que eu sequer tivera notado que estava em suas mãos. Fazia uma careta engraçada, parecia que estava bêbado.

— Você bebeu, Igneel? – Me certifiquei, levantando para ficar na mesma altura que o velhote, o olhando sério nos olhos.

— Olha como fala com o seu pai, moleque. Agora vá se arrumar. Layla estará aqui com as meninas em meia hora!

Não discuti e nem ousei falar mais alguma coisa, apenas me dirigi até o meu quarto e fui tomar banho em meu banheiro. Para esvaziar a cabeça dos estresses de ultimamente, acabei exagerando um pouco no tempo que passei embaixo do chuveiro.

Sai do banheiro apenas de toalha, com o peitoral desnudo, e então me deparei com algo que me surpreendeu de forma que até fiquei sem palavras. E isso era realmente muito raro.

A loirinha novata da escola estava em meu quarto, olhando todos os detalhes com muita atenção. Parecia não ter notado minha presença.

— O que diabos acha que esta fazendo aqui? Você me perseguiu da escola? – A questionei depois de me recuperar do susto, fazendo-a se assustar e olhar horrorizada em minha direção.

Começou a ruborizar de uma forma engraçada, de modo que eu não conseguia distinguir se era por me ver molhado só de toalha ou se era por ter sido pega no flagra.

— O q-que vo-você está fazendo aqui? – Ela perguntou baixinho, com os olhos arregalados.

Era só o que me faltava. Ela invadia minha casa, invadia meu quarto, e ainda me perguntava o que EU estava fazendo ali.

— Eu perguntei primeiro. E além do mais, é falta de educação invadir o quarto alheio no Japão. Não sei como funcionava no seu país, mas acostume-se com as coisas por aqui.

— S-seu quarto? – Ela parecia cada vez mais apavorada. – Oh não, por favor, não me diga que é filho de Igneel. – Lucy pareceu ficar um pouco mais histérica, começando a andar de um lado para o outro.

Filho de Igneel? Mas o que…

Ah não!

Definitivamente não!

Não podia ser!

Eu dei em cima da garota que estava destruindo minha vida e invadindo minha casa.

Fechei os olhos e respirei fundo. Parecia inacreditável de mais. A pessoa que eu odiava antes mesmo de conhecer era a mesma pessoa que eu faria de tudo para deixar em minha cama sem roupa alguma.

Abri os olhos com uma ideia mirabolante na cabeça, e a olhei de forma maliciosa, que estremeceu ao perceber. Aquilo poderia ser divertido, afinal.

— Bom, já que ainda não saiu do meu quarto, acredito que não vai se importar se eu me trocar na sua frente. – E antes que ela pudesse levar em consideração o que eu dissera, tirei minha toalha da cintura ficando completamente nu, e fui andando em sua direção de forma sedutora.

Ela deu um gritinho, tampando os olhos com as mãos, e saiu correndo para fora.

Comecei a gargalhar com aquilo. Não era como se eu fosse abusá-la ou algo do tipo, eu só estava me dirigindo até o meu guarda roupa, que estava justamente atrás dela.

Troquei-me com as primeiras peças de roupa que peguei do guarda roupa, e fui me dirigindo para o primeiro andar, já me preparando para a possível bronca que levaria de Igneel sobre o que houvera com Lucy. E também preparando-me psicologicamente para conhecer a irmã da loirinha e sua mãe.

— Olha só, finalmente lembrou-se de sair do banho! – Igneel me cumprimentou da ponta da escada, como se estivesse tendo certeza que eu não escaparia pela porta da frente quando ninguém estivesse olhando.

É, minha família estava mesmo se empenhando em me deixar a par do inferno.

— Venha cá, filho. Quero que conheça algumas pessoas. – Seu sorriso ficava cada vez maior conforme falava.

Ao lado de meu pai, uma mulher mais baixa que ele estava sorridente também. Mas seu rosto ainda apresentava um pouco de preocupação com a reação que o filho mais problemático de Igneel poderia ter, que eu tinha certeza que fora assim que meus irmãos fizeram questão que eu ficasse conhecido. Aquela mulher e Lucy poderiam ser confundidas como irmãs gêmeas, tamanha semelhança. A diferença era que ela tinha traços mais fortes e maduros, enquanto Lucy parecia ser mais nova do que realmente era.

Ao olhar no resto da sala, pude ver Lucy de cabeça baixa no sofá, ao lado de outra garota de cabelos loiros mais escuros, quase castanhos.

— Natsu, essa é Layla Heartfilia, minha noiva. – Igneel me puxou para perto.

Layla sorriu para mim e esticou a mão para me cumprimentar. Demorei um pouquinho para associar aquilo e apertar de volta, deixando o clima um tanto tenso.

— Prazer, Natsu. Seu pai e seus irmãos falaram muito de você para mim. – Ela disse gentilmente.

Apenas concordei com a cabeça, já imaginando o que exatamente haviam falado. Provavelmente Layla já deveria conhecer todos os meus podres.

Senti olhares queimando minhas costas, e ao me virar, vi que Erza e Zeref estavam de braços cruzados e disputando quem me mataria primeiro apenas me olhando daquela forma assustadora.

— E essas são as filhas de Layla. – Meu pai retomou o discurso, percebendo que eu não diria nada. – Essa é Lucy, e essa é Michelle. Lucy tem sua idade, Michelle é dois anos mais nova.

Lucy sequer ousou olhar-me diretamente, apenas Michelle que veio me cumprimentar animadamente, já tagarelando há quanto tempo esperava para me ver.

Já não bastasse eu estar dividindo meu pai, dividindo minha casa, agora eu também estava perdendo meu posto de filho caçula. Ótimo, maravilha.

Meu pai, vendo que eu não mudaria minha atitude de continuar sério e calado, avisou que o jantar já estava pronto e deveríamos ir para a sala de jantar sentar-nos.

Nossa antiga mesa comportava confortavelmente quatro pessoas, apenas para meu pai, eu e meus irmãos. Era tudo bem simples e aconchegante, mas então, desde que meu pai decidiu se casar novamente, ele havia trocado aquela mesa para uma nova de oito lugares. E desde então eu nunca mais fizera refeição alguma na sala de jantar, me recusando a aceitar aquilo. Mas hoje não havia como fugir.

Antes que eu me dirigisse para lá, sem a menor vontade, meus irmãos me puxaram para um canto.

— É melhor arrumar essa cara, Natsu. – Erza me ameaçou, com o punho fechado em frente ao meu rosto.

— Papai está feliz com tudo isso, então, por favor, comporte-se e se esforce para ficar feliz junto com ele. – Zeref disse entre dentes.

Revirei os olhos.

Por que eles não poderiam ao menos olhar pelo meu lado uma única vez? Eu não queria aquilo, de maneira alguma, e estava sendo forçado a engolir de qualquer jeito. Não era como se eu fosse ter prazer em colocar um sorriso no rosto e fingir estar tudo bem quando claramente eu preferiria estar na casa do Gray jogando vídeo game.

— Me deixa em paz. – Grunhi, passando no meio dos dois com um leve empurrão, pouco me importando se isso significaria apanhar mais tarde. Eu realmente não estava com saco para aguentar ameaças deles.

Naquele momento, a vontade de dar meia volta e fugir de casa foi absurda. Eu não queria sentar na mesma mesa que as Heartfilia e minha família. Não queria escutar histórias de viagens ou de como Igneel e Layla se conheceram. Não queria responder perguntas de como era a Fairy Tail e como eu era bom em basquete. Ou talvez conversar sobre o que eu aprontava vez ou outra. E também não queria ter que me adaptar àquele momento, que se repetiria até o fim da minha vida.

Mas lá estava eu, fingindo interesse na conversa daquelas pessoas, tudo para agradar meu pai. Eu já estava começando a achar que merecia prêmio de melhor filho do ano.

Enquanto meu pai servia a comida, sentei de frente para Lucy, que ainda se negava a me olhar. Meus irmãos vieram logo em seguida, sentando-se ao meu lado, e mandando olhares repreensivos que fiz questão de ignorar.

Durante toda a refeição eu me mantive em silêncio, enquanto Layla e Igneel conversavam animadamente, onde meus irmãos palpitavam vez ou outra e Michelle se intrometia sempre que podia. Até mesmo Lucy chegou a falar um pouco algumas vezes. No tempo em que conversaram, fiquei sabendo que as Heartfilia vieram de Nova Iorque, o que me surpreendera, uma vez que Igneel e Layla se encontraram bastante durante os últimos meses. E também me deixava curioso de como foi que ambos se conheceram e começaram esse relacionamento.

— Como foi seu primeiro dia de aula, Lucy? – Igneel perguntou.

Antes que ela respondesse, todos viraram-se para encará-la, fazendo-a ruborescer um pouco. Até mesmo eu fiz questão de prestar atenção ao que ela diria, com um sorriso divertido no rosto.

— Foi legal, conheci algumas garotas…

— Ela é da minha sala. – Ousei revelar, cortando-a.

Todos ficaram surpresos, e era difícil dizer se era porquê eu houvera falado ou se era porquê Lucy e eu já tínhamos nos visto. E então começou uma enxurrada de perguntas, que eu fiz questão de ignorar.

— Então vocês já tinham se encontrado antes… – Layla concluiu sorrindo.

— Duas vezes. – Constatei enfaticamente. – Lucy invadiu meu quarto enquanto eu tomava banho.

— Lucy! – Sua mãe repreendeu.

— N-não f-foi bem assim… – A loirinha gaguejava, completamente embaraçada. E me mandando olhares de morte quando me encarava, da qual me divertia mais ainda, já que seu rosto estava extremamente vermelho, porque com certeza ela estava lembrando de ter me visto nu. – Erza me disse para ir ver meu novo quarto, e eu achei que era aquele.

— Essa é a mesma justificativa que você vai usar ao explicar o porquê você ficou lá parada, enquanto me via nu? – Provoquei, levando um tapa da Erza na cabeça.

— Natsu! – Igneel se zangou.

Lucy ficou tão constrangida ao ponto de sair da mesa e correr pra sala de estar, enquanto meus irmãos e meu pai estavam praticamente me matando com aqueles olhares de repreensão.

— Vá pedir desculpas! – Zeref bradou.

— Mas por quê? Eu não fiz nada! – Tentei me defender.

A loirinha que era sensível demais e eu que levava a culpa. Maravilha.

— Meninos, não se preocupem, a culpa não foi dele. – Layla interviu, querendo ser a madrasta agradável.

Não vai colar, Heartfilia.

Ela cochichou ao ouvido de Michelle, que estava sentada ao seu lado, e a mais nova começou a se levantar educadamente, provavelmente para ir atrás da irmã. E por um momento, a consciência pesada começou a tomar conta de mim. Qual é, eu poderia ser qualquer coisa, menos um canalha que magoa garotinhas, Igneel havia me dado educação.

— Não se preocupe, Michelle. Eu vou atrás dela.

Ela e Layla pareceram duvidar de minhas intenções. Bom, eu também duvidaria de um cara que ficou nu na frente da minha filha propositalmente, então eu não lhes culpava. Mas Layla pareceu pensar melhor e decidiu deixar eu ir.

Andei até a sala de estar e notei que estava vazia, então decidi subir para os quartos. Era um palpite quase nulo, mas não custava tentar.

Eu sabia que dois dos três quartos de hóspedes seriam ocupados pelas irmãs Heartfilia, mas eu não tinha ideia de qual. A boa notícia era que não havia problema em entrar em todos para procurá-la.

Dei sorte em encontrá-la no primeiro quarto que entrei, que, coincidentemente, ficava de frente para o meu. Agora fazia sentido ela ter confundido os quartos. Meus parabéns pela canalhice, Dragneel.

— Esse é o meu quarto? – Ela perguntou, sem ao menos se virar pra ver quem estava ali. – É muito bonito.

— Acredito que sim. Eu não estava nas reuniões de divisão de cômodos quando decidiram incluir mais gente dentro de casa. – Respondi indiferente.

Aquele era um assunto da qual eu ainda precisava me acostumar, não dava pra se livrar do rancor tão rapidamente.

— Olha, Natsu, eu também não estou feliz por ter que me mudar. – Agora ela me olhava de frente, claramente incomodada pela minha resposta. – Eu gostava da minha vida em Nova Iorque, sabe. Mas eu faria qualquer coisa pra ver minha mãe sorrindo todos os dias do modo que ela sorri quando fica com Igneel, por isso estou me esforçando para aceitar essa mudança drástica. Só que você e suas atitudes ridículas estão dificultando um pouco. – Ela falava firme, com os braços cruzados, me olhando de maneira impassível.

— Ótimo. – Sorri sacana, aproximando-me de forma imponente, fazendo-a titubear na pose firme que fazia. – Eu espero dificultar o suficiente pra você implorar pra Layla voltar para os Estados Unidos.

Ela piscou diversas vezes, confusa ao assimilar o que eu houvera falado, e então se zangou.

— Qual é o seu problema? Por que não quer aceitar a felicidade do seu pai? Vê se cresce, garoto, a vida não gira em torno de você! – Saiu enfurecida, colocando ambas as palmas em meu peitoral e me empurrando, para que eu saísse de seu caminho.

Lucy estava um tanto ousada demais pra quem ficou ruborizando com nada até agora a pouco.

Suspirei, cansado de tudo aquilo, e demorei um tempo pra voltar a sala de jantar. Provavelmente Lucy já estaria na mesa aproveitando a sobremesa e fingindo que estava tudo bem entre nós, mas eu não me esforçaria a fazer uma cara feliz, porque eu não estava feliz. E também não estava tudo bem entre nós. E se fosse necessário, eu gritaria para toda a vizinhança. E se a irritasse, eu aproveitaria e gritaria para os quatro cantos da terra com um megafone.

E eram esses pensamentos que invadiam minha cabeça quando entrei na sala de jantar. Mas, digamos que, por um momento, Igneel e Layla me fizeram questionar meus objetivos.

Ao entrar silenciosamente, acabei pegando os dois dançando uma valsa em um espaço vago longe da mesa. A música tocava das caixas de som instaladas na parede, e eles estavam sozinhos. Não sei onde foram parar todos, mas sabia que não estavam na sala de estar, pois eu havia acabado de passar por ali. E antes que eu pudesse sair e vomitar em algum vaso de planta aleatório pela minha casa, vi o sorriso que Igneel dava. Aliás, não era só ele que sorria. Layla era muito bonita com aquelas covinhas, pude notar. Não parecia nada forçado, e os dois se divertiam naquela dança descoordenada. E então as palavras de Lucy me golpearam. O sacrifício dela era ainda maior, viajando para um país literalmente do outro lado do mundo. E ela estava fazendo aquilo unicamente pela felicidade de Layla. Por que eu também não poderia fazer um pequeno esforço pelo Igneel?

Notas finais
E então? O que acharam? Natsu vai mudar de ideia? Como será a relação de Natsu e Lucy? Será que Natsu vai aceitar Layla facilmente na sua vida? Muitas perguntas, de novo o/ Espero que estejam ansiosos para a próxima quinta, porque eu já estou! A opinião de vocês será muito bem vinda e eu juro que não mordo! Querem me encontrar em outro lugar também e fazer perguntas, conversar, pedir spoilers de troublemaker? Estou lá no twitter com o user @ryuukaji ;D É isso amores, até quinta que vem, bjinhoos *3*